
UM TOMATE FAZENDO DE CONTA
QUE ERA BOLA
Enquanto acontecia a feira naquela pequena cidade, existia um tomate muito infeliz.
Ele
sabia que logo adiante, em uma linda pracinha, muitos meninos jogavam futebol
entusiasmados.
Só que o pobre tomate tinha uma imensa vontade de também ter alguém que brincasse com ele, sorrisse para ele, vivesse com ele. Talvez já soubesse que tomates não tem amigos, a não ser, é claro, os outros tomates. Tudo isso ia o deixando muito triste.
Certa
noite, quando todas as frutas e verduras já haviam sido recolhidas de suas
tendas, o pequeno tomate resolveu dar um jeito na sua situação e saiu em busca
de novos amigos. Passou por uma florzinha vermelha como sua cor e lhe disse:
-
Olá linda flor! Quer ser minha amiga?
E
a flor muito tímida vendo aquele tomate a seu lado, quase não sabia o que
dizer naquele momento. Suas pétalas tremiam e achou melhor fazer de conta que não
sabia falar. Muito desapontado o tomate seguiu seu caminho. Numa curva encontrou
duas figuras muito estranhas conversando e decidiu entrar no papo.
-
Olá. Gostariam de ser meus amigos?
O
sapo que vestia uma roupa esquisita, analisou aquele pequeno e frágil tomate e
disse:
-
Não lhe conhecemos e você é apenas um horrível tomate! Acha que seríamos
amigos de um tomate?
-
Desculpe, eu pensei... E antes do tomate poder se explicar o besouro com
um chapelão enorme interrompeu:
-
Desde quando tomates pensam? E além do mais aqui não tem lugar para você!
Tchau. E foram-se embora, em um lugar bem longe, onde jamais o tomate os
encontrariam.
Pobre
tomate! Sentia-se cada vez mais só. Mas não desistiu de encontrar alguém que
pudesse ser seu amigo de verdade.
Porém, ao parar em baixo de
uma árvore, ouviu vozes. Olhou para o seu lado direito e viu duas crianças
rindo. De quê, ele não sabia.
-
Já sei! Vou perguntar por que riem tanto e assim pode ser que gostem de
mim.
-
Olá. Posso saber do que estão rindo?
As
crianças agora não acharam nenhuma graça, estavam assustadas com o que estava
acontecendo.
-
Uma bola que fala? Perguntou a menina que se chamava Lia.
-
É. Parece que ela falou alguma coisa. Respondeu Manuel.
-
Sim, eu falo. Mas... não sou uma bola.
As
crianças se olharam e continuaram a rir sem parar. O tomate se incomodou com
isso e tentou somente mais uma vez:
-
Está bem! Podem continuar rindo se quiserem, mas saibam que eu só
queria ser amigo de vocês. Eu queria muito. Mas vi que vocês não gostaram
nada de mim e por isso vou embora.
Ao
ouvir isso, Lia o chamou:
-
Ei, espere! Nós rimos porque você disse que não era bola.
-
Sim, e eu não sou bola. Sou um tomate.
As gargalhadas voltaram a se repetir. O tomate foi se retirando devagar, sem que fosse percebido. Naquele momento, só pensava nos meninos que jogavam bola naquela pracinha perto da feira e na maneira gostosa que brincavam com a bola no gramado. Chegou a pensar que se aqueles meninos quisessem que ele fosse bola, aceitaria sim. Aos poucos ia se dando conta de que todos fugiam só porque era um tomate. Na certa, achavam que não valia a pena ser amigo de alguém tão vermelho, pequeno e que ainda por cima se chamava tomate. E só pensava agora em ser bola. A bola daqueles meninos. E daí então teria amigos. Passou na frente da pracinha, onde doze meninos jogavam bola alegremente. Ficou horas parado observando o jogo. De repente, a bola que era uma bola pequena, meio alaranjada, foi parar no meio da rua. Neste instante veio um carro em alta velocidade e passou por cima da bola. Artur, o dono da bola, ficou desconsolado com o acidente e sentiu até vontade de chorar. Então o jogo terminou. Sem bola, seria impossível continuar um jogo de futebol. O tomate que queria ser bola para assim ter amigos, mudou de idéia na mesma hora. Não queria ser esmagado por um carro, ou chutado com força por um menino. Ele se deu conta de que não poderia ser amigo de alguém que o chutasse. Assim, pensou que o melhor a fazer era voltar para a feira. Lá teria amigos como ele: vermelhos, redondos e o que é melhor, com seu mesmo nome.
Autora: Karina Kasper