O DESENHO INFANTIL

                            O homem, na história da humanidade, utilizou desenhos para registrar seus sentimentos, emoções, ideais religiosos, necessidades e ações, muito antes de usar símbolos para a escrita. Com a criança também ocorre este processo, primeiro ela desenha e só depois passa a escrever.

    As pessoas tendem a expressar em seu desenho, de forma involuntária, uma visão de si mesmos, tal como são ou como gostariam de ser. Quando observa-se os desenhos de crianças, percebe-se a transmissão de aspectos que eles talvez jamais verbalizaram.

    O desenho infantil expressa o mundo interno da criança, sua personalidade. Através dele, pode-se conhecer seus pensamentos, desejos, fantasias, medos e ansiedades. Pelo desenho constata-se como ela percebe e compreende o mundo, havendo a expressão de aspectos afetivos e cognitivos de sua personalidade. Além disso, pode-se através da análise do desenho, constatar o nível de maturidade intelectual da criança.

    Ao desenhar, a criança exprime o que conhece de um objeto, a representação mental que ela tem construída dele no momento em que desenha. Cada desenho tem um significado pessoal, assim como sua expressão. Todo o símbolo analisado deve ser visto dentro do contexto da história pessoal do autor do desenho, pois pode ter um significado diferente para outra pessoa. Ao analisar-se vários desenhos de uma mesma criança ao longo de um período, é possível visualizar as mudanças que ocorrem e a conseqüente evolução do desenho.

    Os temas mais freqüentes que aparecem tanto no desenho da criança Pré- Escolar, como na idade escolar são: a figura humana, a casa, as árvores, o sol, e outros aspectos da natureza. A escolha do tema estará vinculada ao interesse e necessidade de cada criança.

    É possível analisar a evolução do desenho infantil a partir da idade cronológica e do desenvolvimento cognitivo. Em cada idade correspondente observamos características semelhantes. Essas características comuns sofrem uma evolução: há conquistas no desenho que necessariamente antecedem as outras.

    Quando num desenho os braços de uma figura humana saem da cabeça e não do tronco, por exemplo, isso significa que a criança que o desenhou ainda não tem construído interiormente, em seu pensamento, o esquema corporal de uma figura humana. Isso não tem nada a ver com o fato de ela não estar enxergando bem, de estar com problemas na motricidade fina, ou de ainda não estar apta a desenhar com destreza. Desenhar figuras humanas possibilita à criança estruturar sua idéia sobre a figura humana. No mesmo sentido, quando as crianças escrevem letras e algarismos espelhados, representam o que têm construído sobre as relações espaciais; se direita e esquerda, em cima/em baixo, etc., não estiverem ainda integrados num todo em seu pensamento, o desenho ou a escrita refletirá necessariamente essa forma que ela tem de ver o mundo, e não aquela que a maioria dos adultos considera correta.

    Não sendo tolhidas pelos adultos ou pela escola, as crianças terão enorme prazer em desenhar, representando por estudos e conquistas sucessivas, tudo o que existe no mundo.

            "As letras têm a função de representar as propriedades

fundamentais dos objetos que o desenho não consegue representar, a

saber, seus nomes. É uma função estranha

à nossa costumeira visão do sistema de

escrita como um meio de comunicação, mas

é uma função de um sistema de representação,

por oposição a outros sistemas de

representação. Em verdade, as crianças

começam (...) a lidar com três diferentes

sistemas de representação: desenhos, letras

e números. Um de seus problemas é

compreender (...) o que eles podem

representar, o que não podem representar e

como representam o que se espera que

representem." ( Emília Ferreiro)

    Portanto, crianças que vivem em ambientes culturais onde a Arte está presente cotidianamente, serão melhores produtores, conhecedores e críticos de Arte. Crianças afastadas das expressões artísticas das culturas humanas poucos recursos terão para se desenvolver nesta área de conhecimento. E não esqueça: O incentivo é fundamental para as crianças, principalmente nesta fase Pré- Escolar.

Karina Kasper

Pedagoga- Educação Infantil

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