BRINCAR: A COISA MAIS SÉRIA DO MUNDO

                         Brincar significa criar, ou seja, é um ato livre capaz de absorver a pessoa que brinca. Através do brinquedo a criança desenvolve a imaginação, confiança, curiosidade, iniciativa, o auto controle, a cooperação e aperfeiçoa o corpo e a mente alcançando a estabilidade emocional. Proporciona aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da atenção e concentração.

    O brinquedo é o fator de comunicação mais amplo que a linguagem verbal, pois propicia o entendimento entre pessoas de origens lingüisticas e culturais diferentes.

"Se é verdade que brincar de boneca ajuda as crianças a serem boas mães, permitam que os meninos tenham a oportunidade de chegarem a ser bons pais." ( Stan Heler)

    As crianças podem brincar por prazer e também para dominar suas angústias e exteriorizar sua agressividade. Nota-se nas brincadeiras que realizam, uma maneira pessoal de descarregar em um brinquedo suas preocupações, medos ou situações reais traumáticas. Por exemplo, se uma criança ao visitar o dentista sentiu medo e dor, reproduzirá no brinquedo as mesmas sensações. Tudo o que elas vivenciam as atingem de alguma forma. O brinquedo para a criança é tão importante quanto o trabalho para o adulto.

    Considero fundamental, não somente por através de referenciais teóricos constatar a importância do brinquedo para a criança, mas principalmente, por observar em suas brincadeiras a forma como lidam com seus sentimentos, a maneira que aprendem a esperar sua vez e a partilhar brinquedos.

    Existem momentos em certas brincadeiras que necessitam o estabelecimento de regras. Porém, deve-se permitir que a criança tenha liberdade de expressão e possa dizer quando algo não lhe agrada. Também não se pode interferir nos seus desenhos, jogos e brinquedos e sim incentivá-la no seu pensamento criativo, elogiando suas idéias e realizações.

"A criança ao brincar é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e é justamente esta ação que permite que a criança possa compreender o que move sua ação".

    É através da brincadeira que a criança desenvolve seu senso de companheirismo; jogando com companheiros, aprende a conviver, ganhando ou perdendo, procurando entender regras e conseguir uma participação satisfatória.

    Infelizmente, hoje em dia o valor do brinquedo tornou-se um pouco esquecido. Com o avanço da tecnologia e o "corre-corre" do dia a dia, cada vez mais as crianças encontram refúgios na televisão, vídeo-game, computador, sem falar nas várias atividades extracurriculares que os pais procuram para ocupar a criança durante o período em que não está na escola.

    Porém, não só as famílias, a sociedade ou o avanço tecnológico são responsáveis pela diminuição do brincar; as próprias escolas, principalmente nas séries iniciais, deixam essa questão um pouco de lado, preocupadas em "despejar" conteúdos de forma rígida e sem atrativos para as crianças enquanto poderiam interligar aprendizagem através de jogos e brincadeiras, tornando as aulas mais prazerosas e produtivas.

    Nem todos os dias as crianças estão dispostas a compartilhar brincadeiras, idéias e pensamentos. Às vezes, nós mesmos precisamos do silêncio para encontrarmos algumas soluções e voltarmos ao nosso estado normal com maior tranqüilidade e segurança.

    Como acredito muito no desenvolvimento espontâneo do ser humano, sem estar rodeado por pressões quando não deseja realizar algo, respeitar o direito que este ser tem em optar é fundamental. É evidente o mesmo grau de importância que se deve dar à ação de dirigir-se a um aluno que recusa em participar, dialogando no sentido de estabelecer um entendimento do seu modo de agir. Todos os alunos devem ser respeitados e vistos de maneira individual e única. Cada criança possui sua própria personalidade, seu modo especial de enfrentar situações e propostas diversas, não sendo correto então, passar a tratá-las e vê-las como um ser igual aos outros, como se não tivessem vontades próprias e características distintas.

    Se a criança for respeitada em suas brincadeiras e existir a oportunidade de desenvolver-se e socializar-se, futuramente ela terá facilidade para trabalhar em grupos, obedecer regras necessárias, aceitar opiniões alheias e saber expor as suas, sendo um indivíduo crítico capaz de desenvolver o máximo de suas potencialidades.

                        Portanto, é preciso haver uma conscientização por parte dos adultos, da importância do lúdico para nossas crianças no seu crescimento, amadurecimento e para uma vida social.

 

 Karina Kasper

Pedagoga- Educação Infantil

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