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Inicio minha história dizendo que se pudesse voltar no tempo, faria tudo exatamente igual, pois minha filha é a maior riqueza que possuo, não imagino mais minha vida sem ela!!!
Me casei aos 20 anos, quando o Marcelo, hoje meu marido, recebeu a proposta de ser transferido de São Paulo, nossa cidade natal, aqui pra Florianópolis. Nos casamos dia 29 de maio de 1999, foi uma cerimônia linda, dos sonhos, apesar do monte de coisas que aconteceram alguns dias antes, como o roubo do meu carro, por exemplo. Mas nada foi capaz de acabar com nossa felicidade, nosso casamento foi demais, ganhamos quase tudo pra nossa casa. Nos mudamos aqui pra Floripa logo depois do casamento, no começo pra mim foi dificílimo, pois estava a 800 km de distância da minha família, não conhecia ninguém nessa cidade, o Marcelo trabalhava o dia todo e eu ficava em casa, sozinha, na maior depressão. Sinceramente, não nasci pra ser dona-de-casa , mas com o tempo tudo isso passou, comecei a fazer amizades no condomínio, o verão chegou, e em dezembro já tinha um monte de amigos. Só a saudade da família, principalmente da minha mãe, é que era muito grande, mas meu casamento ia muito bem.
Não planejávamos filhos, mas a partir do momento que me casei comecei a pensar em ser mãe, coisa que nem passava pela minha cabeça antes, apesar de adorar crianças. Tomava injeção de anticoncepcional há muitos anos, mas fazia intervalos de quatro em quatro meses, pois acreditava que era muito forte e que de vez em quando era bom fazer uma pausa, então ficava um mês sem tomar. Engraçado que, desde que éramos namorados eu fazia isso, não usava nenhum outro método pra me prevenir e nunca engravidei, mas em janeiro de 2000, num desses intervalos, notei que algo estava diferente. Nos primeiros dias de fevereiro comecei a enjoar, vomitava por qualquer motivo e sentia cólicas, então fui ao médico e ele me pediu o exame de sangue e um ultrassom intravaginal. Ao comentar os sintomas com minhas amigas elas garantiam que eu estava grávida, mas eu não acreditava. Fiz o exame de manhã, e na tarde do mesmo dia foi confirmada minha gravidez. Foi uma sensação estranha, eu não sabia se ria ou chorava, fiquei atônita! Depois que passou o susto, liguei pra Vó do Marcelo, que sonhava com um bisneto há um tempão, e nós duas choramos ao telefone. Contei pro Marcelo em seguida e ele festejou. Depois disso a notícia foi se espalhando, minha família ficou sabendo e todos nos incentivaram muito.
Tive uma gravidez tranqüila, engordei só 17 kg, apesar de não cuidar nem um pouco da alimentação, só comia Mc Donalds e guloseimas, o resto não sentia vontade. Ao contrário da maioria das histórias, eu não tive depressão pós-parto, mas sim, depressão pré-parto, pois ficava arrasada por estar longe da minha família durante minha primeira gravidez, mas como trabalhei até quatro dias antes dela nascer, a ocupação me ajudava um pouco. Fiquei linda, um baita barrigão, e quando confirmei que era menina (minha intuição já me dizia isso desde o inicio!), já tinha até escolhido o nome Beatriz. Meu marido foi um companheiro nota 1000, aprendeu a cozinhar e limpar a casa só pra me ajudar, beijava a barriga toda hora e me acompanhou ao médico sempre que pôde. A Beatriz mexia muito, dava pra ver ela pulando dentro da barriga, era emocionante. O obstetra disse que fui uma gestante exemplar, ele pensou que eu fosse ficar mole, dengosa, mas eu fui forte, trabalhava o dia todo e a noite saía pra caminhar, no maior frio. Meu último mês de gestação foi cheio de surpresas, meu apartamento foi entregue uma semana antes dela nascer, passei o final de semana anterior ao seu nascimento carregando mudança, fazendo faxina no apê novo, montando o quarto, arrumando tudo pois o médico tinha me dado até dia 5 de outubro para ela nascer e eu queria que ela já chegasse na casa nova. Meu marido estava com medo, pois eu trabalhei até sexta-feira, fiz mudança sábado, domingo e segunda o dia todo, e minha sogra só iria chegar na terça, então ele estava com medo que o esforço antecipasse meu parto e ele tivesse que me levar pra maternidade sozinho, mas Deus faz as coisas tão perfeitas que minha sogra chegou no dia 03 de outubro pela manhã e ela nasceu a noite. Foi parto normal, saí de casa com contrações suportáveis, mas quando me colocaram no soro, aí é que eu vi como era a coisa! Fiquei em trabalho de parto por quase 3 horas, mas correu tudo perfeito, a Bia nasceu com 3,510kg e 50,5cm, linda e saudável. Meu marido e minha sogra choraram muito, não puderam assistir ao parto. Eu então, nem se fala, quando o médico trouxe aquela coisinha pequenininha, que logo colocou a boquinha no meu seio e começou a sugar, eu nem acreditei... Curto a maternidade plenamente, mas aquele primeiro contato, depois do parto é realmente o que compensa tudo, a dor do parto, os nove meses de gravidez, os quilos a mais...
Recomendo a todas que ainda não têm filhos optarem pelo parto normal, pois não é tão assustador quanto costumam dizer e depois você só fica um dia no hospital e volta pra casa novinha em folha.
Amamento a Bia até hoje, tenho muito leite e pretendo continuar pelo menos até um ano.
Resumindo, quando vejo minha menina linda sorrindo pra mim, assim como ela está fazendo agora ao ouvir o barulho das teclas, tenho a certeza que Deus existe e é maravilhoso. A Beatriz encheu minha vida de alegria e hoje eu já não me sinto sozinha, mesmo estando longe da minha família. Meu marido é maravilhoso, um paizão, e isso pra mim também é muito importante, pois fui criada sem pai, e graças a Deus minha filha não poderá se queixar de falta de amor, pois ela foi recebida tanto por nós, quanto por toda nossa família com muito amor.
Tatiana, mãe de Beatriz Ferrari.