A minha gravidez não foi tão tranqüila como de muitas outras mães. Estava morando junto com o Cláudio (pai da Carol) há um ano e por algum motivo que não lembro agora, parei de tomar pílula por um mês, talvez para dar um tempo para o organismo, já que fazia 5 anos (estava com 22 anos na época) que tomava sem parar. Só esse mês de interrupção foi o suficiente para engravidar, a menstruação atrasou 21 dias e aí resolvi fazer o teste....claro que deu POSITIVO... Sabe como são as mulheres, no momento que recebem o exame e vêem o resultado, já se sentem mãe, e fiquei feliz em saber que estava gerando um bebê. Não sei como, mas sabia que seria uma menina. O pior de tudo foi a decepção do Cláudio, isso me abalou bastante, ele não queria que eu tivesse o bebê naquele momento e ficou arrasado. Foram muitas discussões a respeito até que consegui convencê-lo de que teria a criança de qualquer jeito. Estava fazendo cursinho pré-vestibular e acabei desistindo quando isso aconteceu. Tive uma ameaça de aborto com 2 meses, mas mesmo assim continuei o meu ritmo de trabalho que era muito intenso (depto. financeiro). Quando completou 7 meses comecei a sentir dores estranhas e liguei para o obstetra, ele me mandou ficar de repouso naquela noite, tomar Buscopan e ir ao consultório no dia seguinte. Antes de sair do escritório tive que passar o serviço para outra pessoa, já que não era certo o meu retorno tão cedo, foi uma correria naquele dia... No dia 19/04/96 às 8 horas fui ao hospital e quando o médico foi me examinar a bolsa estourou. Fiquei apavorada na hora, o médico explicou que seria um parto de grande risco por ser prematuro e que deveria ficar baixada na hora. Não conseguia nem raciocinar direito... fui direto para a sala de pré-parto e fiquei no soro. Eu tomava injeções para adiantar o trabalho de parto que já havia começado, porém não sentia dores muito fortes. Às 16:30 horas colocaram um aparelho na minha barriga para escutar o coraçãozinho e até agora não sei como foi tudo tão rápido, viram que o coração estava batendo muito fraquinho e resolveram fazer uma cesárea. O Cláudio assistiu todo o parto e eu chorava e tremia muito o tempo todo sem parar. Quando nasceu, nem me deixaram ver direito, levaram a Carol direto para a UTI, onde ficou internada durante 17 dias. Foram dias muito cansativos. Fiquei com depressão e quando ela teve alta, não queria levá-la para casa, tinha medo de cuidá-la, era muito pequenininha (nasceu com 1.920Kg e 46 cm, foi para casa com 2Kgs). Graças a Deus tudo passou e hoje, já separada do pai dela, agradeço todos os dias por ela fazer parte da minha vida, não saberia viver sem ela. O Cláudio também tem sido um pai muito presente. A minha mãe a cuida desde os 2 meses, quando voltei a trabalhar. Estou cursando a faculdade à noite e trabalho o dia inteiro, mas quando estamos juntas é como se fossemos não só mãe e filha, mas grandes amigas. Apesar dela ter apenas 5 anos, é muito esperta e encanta a todos com sua personalidade forte. Está fazendo o jardim A pela manhã e está curtindo a cada dia a "vida de estudante", como ela mesma diz. Quando nós mães começamos a falar sobre essas coisas, esquecemos de tudo... não é mamães? Tenho certeza de que as mulheres que ainda não têm filhos, quando chegar a vez delas vão saber o que isso quer dizer!!!!

Simone, mãe de Carolina.

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