
A natureza é sábia. Por mais que o homem tente, não
consegue superá-la. Pelo menos em termos de alimentação para bebê.
Até hoje, nenhuma fórmula industrializada conseguiu superar os
benefícios do leite materno.
Logo que o bebê nasce, ele recebe, se amamentado ao peito,
um líquido amarelado, meio transparente, chamado colostro, feito de
propósito para os primeiros dias, quando aquele ser tão frágil
precisa melhorar o seu sistema imunológico. O colostro é rico em
proteínas e fatores antiinfecciosos e células imunes.
Passados os primeiros dias, o leite torna-se mais esbranquiçado.
Esse contém mais carboidrato e gordura, atendendo as necessidades
do recém-nascido que está crescendo em ritmo acelerado e precisa
ganhar peso, apresentando uma fome bem maior do que aquela das
primeiras 48 horas de vida.
Muitos falam que o leite materno é fraco, mas isso não é
verdade. O bebê amamentado ao peito mama, sim, com mais freqüência
se comparado aos que tomam mamadeira. Mas ele está recebendo
nutrientes na quantidade e com a qualidade que necessita, correndo
um risco muito menor de tornar-se uma criança obesa.
O leite materno é também seguro em termos bacteriológicos,
já que está sempre fresco e pronto. Diferente da mamadeira que
precisa ser fervida periodicamente afim de evitar contaminação.
Podemos afirmar que o leite do peito é muito mais prático, está
sempre pronto, vindo em auxílio à mãe que, sabe-se, está
passando por um período de cansaço e noites mal-dormidas.
Há vários outros pontos a favor do aleitamento materno,
como ser menos alergênico, comparado a qualquer outro alimento
infantil. Também, favorece o bom desenvolvimento mandibular e dos
dentes, além de ser, indiscutivelmente, mais econômico. Mas a
característica que o torna “especial” é o contato íntimo que
ele estabelece entre mãe e filho. A mãe acomoda seu filho nos braços
de tal forma que ambos tem a oportunidade de olhar-se nos olhos e
comunicar-se, sem que nenhuma palavra precise ser dita. Os
especialistas afirmam que isso é extremamente importante para o bebê.
Estudos mostram que crianças amamentadas ao peito são mais calmas,
menos ansiosas e mais inteligentes.
Alguns podem dizer: e a mãe, como é que fica? A nutriz,
como é chamada a mãe enquanto amamenta, tem todas as condições
de ficar muito bem. Amamentando, os órgãos voltarão ao tamanho
normal mais rápido. Boa parte da gordura acumulada durante a gestação
irá para a criança através do leite, favorecendo a perda de peso
por parte da mulher. Diferente do que se ouvia antigamente,
amamentar não deixa a mama flácida. A mudança dos seios se dá já
na gestação, quando eles aumentam. Se a mulher não amamentar,
eles irão desinchar de qualquer jeito e se tiverem que ficar um
pouco mais flácidos, ficarão amamentando ou não. A ação de
sugar não é a responsável pela flacidez dos seios. Sabe-se,
inclusive, que mulheres que amamentam tem menos chances de
desenvolver câncer de mama.
Poderíamos ouvir de alguém, leigo no assunto, que o
desgaste do organismo da mulher como um todo, seria um fator que
contaria contra o ato de amamentar. Já que o leite materno nunca é
fraco, salvo em condições extremas de desnutrição da mãe, isso
quer dizer que o organismo feminino fornece todos os nutrientes de
que o bebê precisa até os 6 meses de idade. Mas esse
“desgaste” do corpo é perfeitamente recompensado com uma
alimentação variada e rica nos nutrientes necessários ao bom
funcionamento do organismo da mãe e da criança. Recomenda-se um
acréscimo de 30g de proteína e 500 calorias na dieta diária da
mulher que amamenta, bem como muito líquido, principalmente água (
3 a 4 litros por dia). Isso equivale a fazer mais um lanche,
incluindo leite, pão integral, queijo, geléia e fruta. A porção
de carne deve ser um pouco maior no almoço e no jantar. Essa
conduta já abrange o acréscimo de nutrientes necessários.
Poucas são as contra-indicações para o aleitamento materno. Casos como a mãe precisar usar algum medicamento que possa prejudicar a criança, ou a criança não conseguir digerir algum componente do leite, são alguns exemplos. Para isso existe leites alternativos afim de que o bebê não fique sem alimentar-se. Fora os casos especiais, que são a minoria, dar o peito ao bebê deve ser incentivado. Os tabus precisam ser derrubados para que as nossas crianças e nós, mães, possamos usufruir desse presente da Natureza.
Daisy Lopes Del Pino