
Sabemos
que o dia-a-dia hoje é bem diferente do dia-a-dia que nossos avós
tiveram. O nosso estilo de vida obriga-nos a andar cada vez mais rápido.
Tudo que fazemos é com hora marcada, incluindo as refeições. Cada
vez mais, as pessoas optam por alimentos de fácil ingestão, o que
não quer dizer fácil digestão. Mas por outro lado, esses
alimentos dão-nos um poder de saciedade maior (pelo excesso de
gordura), o que vem a contribuir com o estilo de vida atual, pois a
pessoa sentirá fome mais tarde, perdendo menos tempo com a alimentação.
Podemos dizer, então, que o interesse pela qualidade do que
comemos está diminuindo. Não paramos mais para pensar o que
realmente há dentro daquele pacote de salgadinhos, por exemplo. A
propaganda apega-se a esse detalhe e chama a atenção de
nossos filhos que vão encantando-se com o colorido das
embalagens, ou com a figurinha que vem junto com o produto. Somos
ludibriados, e, convencidos, deixamos as crianças comerem, já que
é uma alimentação prática e rápida.
Outro fato relevante é que as pessoas estão cada vez mais
sedentárias, viciadas em TV, videogame e computador. Isso favorece
o aumento da ocorrência de obesidade e hipertensão, entre outras
doenças dos tempos
modernos. A ausência da prática de atividade física aliada ao
grande consumo de sódio (leia-se, sal de cozinha), o excesso de
peso, o Diabetes, altos índices de colesterol e triglicerídios e
história familiar representam a principal causa para a maior incidência
de hipertensão na infância, doença antes só associada ao adulto
e ao idoso. Alguns estudos demonstram que de 6 a 8% das crianças e
adolescentes estão hipertensos. Esses são dados preocupantes.
Apesar do estilo de vida predominante, alguns desses fatores
de risco podem ser evitados mediante algumas mudanças na alimentação.
E pode parecer estranho, mas é mais fácil mudar os hábitos de uma
criança do que de um adulto ou idoso, pelo simples fato de que
esses últimos já comem errado a mais tempo. A mudança começa
por diminuir o consumo de alimentos industrializados, como os já
citados salgadinhos de pacote, massa de preparo rápido, embutidos,
frios, enlatados, conservas, caldos concentrados, etc. Isso não
significa banir esses alimentos do cardápio, mas dar prioridade
para o consumo de alimentos mais naturais, ricos em potássio,
como: feijões, ervilhas, vegetais de cor verde escura, cenoura,
banana, melão, laranja, e outros. Saciando a fome com alimentos
mais naturais, o interesse pelo alimento industrializado diminui.
Precisamos, ainda, reduzir o consumo de sal
de cozinha, ao prepararmos as refeições. O bebê nasce sem
saber o que é doce ou salgado. Sabe-se que a população brasileira
costuma consumir mais do que o dobro da quantidade de sal que o
organismo precisa por dia, que é de 6 gramas.
Em geral, os pais preocupam-se em melhorar a qualidade de
vida de seus filhos. Para isso é importante ensinar as crianças
que deve haver um equilíbrio entre o que dá prazer e o que
alimenta. Precisamos dar limite aos nossos filhos não só em termos
de educação, ou comportamento, mas no que se refere à alimentação
também, pois quem subestima a alimentação, subestima a si mesmo.
Devemos ter sempre em mente
que uma criança saudável terá muito maiores chances de
usufruir de uma qualidade de vida melhor na idade adulta,
significando maior longevidade.
Queremos todos ter filhos, não hipertensos, mas hipersaudáveis e hiperfelizes.
Daisy Lopes Del Pino