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n.42 ano II - 05/02/2002

(próxima edição: 19/02/2002)

 

/+/ A DIVINA CANHOTA!!!

 

Desde os saudosos tempos de moleque em que eu ainda ensaiava os primeiros chutes e marcava os primeiros gols, costumava ouvir um senhor aposentado, que assistia aos jogos ao lado do alambrado do campinho de areia da minha rua, se dirigir ao melhor em campo (e muitas vezes era eu) e exclamar eufórico: "Parabéns. Hoje você só faltou fazer chover!". E no domingo, após o jogo, quando me aproximei do Felipe - A Divina Canhota - me lembrei das palavras do simpático aposentado e exclamei: "Parabéns. Hoje você até fez PARAR de chover!".

 

Pois é, tinha tudo para ser mais um daqueles domingos chuvosos onde o melhor a fazer é ficar rolando na cama "meio-morto-meio-vivo" esperando dar a hora do jogo para colocar umas pipocas no micro-ondas, abrir um refrigerante e ficar ali embaixo da coberta vendo a bola rolar na telinha da tv.

 

Mas, como já dizia o profeta, "há certos espetáculos que não se encaixam na tela da tv". E o futebol, com toda certeza, é um deles. Aliás, não só pelo colorido das bandeiras, os comentários dos torcedores, a vibração da torcida e a movimentação completa dos jogadores em campo, como também (e principalmente) pela razão de ser do chamado espetáculo: o craque. E o craque, como todos estão carecas de saber, é artigo de luxo disponível em pouquíssimos clubes do planeta. E eles deverão ser reverenciados a qualquer tempo, e com qualquer tempo, principalmente quando botarem a bola embaixo do braço e cruzarem o túnel com a camisa do seu clube rumo ao palco verde.

 

Com este velho mantra martelando a mente, imediatamente a preguiça sumiu e num piscar de olhos meus planos foram alterados já que a grandeza de um REImário, de um Felipe e de um Hélton, não podiam ficar limitadas naquele quadradinho colorido. E mesmo com olhar de desdém da minha mãe, "vai pro jogo com essa chuva toda?", botei a camisa, peguei meu guarda-chuva e parti confiante para São Januário junto com o meu pai (é verdade, ele com certeza tem algo a ver com a chuva!) que não se cansava de comentar: "hoje o Baixinho deve fazer dois gols: um pra calar o Felipão, outro para calar o Luxemburro". Pai é pai, né? E o pior é que ele tem sempre razão!!!

 

De casa até o estádio a água caía feito cachoeira, e eu até já começava a me arrepender ao imaginar um campo empoçado com aquela fina flor da mulambada palmeirense, comandada pelos inomináveis Christian e Tadei, dando bico pra tudo quanto é lado, provocando aquele joguinho insosso, maltratando a bola e quebrando os nossos craques. E com aquela chuvinha fina intermitente batendo na cara e convidando ao resfriado, já imaginava o pior. Me sentia até num daqueles estádios ingleses assistindo a um jogo do intragável futebol inglês. A diferença é que São Januário continua sendo o último foco de resistência do puro futebol-arte.

 

E a chuva aumenta, os times entram em campo, a chuva aperta, a bola rola e a chuva cai. E dá-lhe água!!! Parecia até que chuva não iria parar mas, de repente, Felipe - A Divina Canhota, lança de primeira na esquerda, pega de volta, toca pro REImário, recebe também de primeira e emenda de fora da área no cantinho mas a bola caprichosamente bate na trave. A galera urra. Os Deuses do Futebol se levantam das suas poltronas de água e mandam São Pedro parar imediatamente com aquele aguaceiro. "Quem é esse camisa 10? Que se abra o Céu para o vermos jogar!"

 

E assim foi feito. A chuva parou e Felipe jogou. MUITO. Gastou a bola. Levou o time nas costas. Deu toques de primeira. Deu dribles antológicos. Deu passes milimétricos. Fez lançamentos magistrais de 10,40, 300, 5000 metros. Deu carrinho. Deu drible em velocidade zero. Deu drible em movimento. Pra frente. Pra trás. Pra direita. Pra esquerda. Deu lençol. Deu ovinho. Deu drible da vaca. Bateu falta. Bateu escanteio. Chutou a gol de dentro da área. Chutou de fora da área. Na direita. Na esquerda. No ataque. Na zaga. Na lateral. Onipresente. Foi um leão na marcação e um monstro na criação. Parecia que a bola tinha que pedir a benção à sua Divina Canhota para que as jogadas valessem!!!

 

E como ele a tratava tão bem, mesmo com o campo escorregadio onde os outros jogadores mal conseguiam dominá-la!!! Só ficou faltando mesmo o gol, e olha que ele mandou duas na trave!, mas todos sabemos como os Deuses do Futebol são caprichosos... Deixaram o fina flor do Christian balançar a rede e não deixaram o Felipe!!! Pobre, Felipe... também pudera, no dia em que o Felipe aprender a fazer gol ele vai ser maior que Maradona. Bem maior.

 

O juiz apita o final do jogo e num passe de mágica a chuva recomeça. Os Deuses do Futebol se recolhem sobre as nuvens e os amantes do puro futebol arte vão pra casa, totalmente encharcados, com aquelas magistrais imagens vivas e gravadas em algum ponto da memória para servir de base para contar pros netinhos, num futuro distante, sobre um certo VASCO X Palmeiras, num domingo chuvoso em São Januário, válido por um certo Torneio RJxSP, onde o Felipe e a sua Divina Canhota fizeram a chuva parar para ver o seu raro talento desfilar.

 

EM TEMPO: aliás, quanto foi o jogo, hein??? 2x2? Está certo, mas essa parte triste da história ninguém mais vai lembrar, né?? A não ser o meu pai que disse que o Baixinho ia fazer "um gol pro Felipão e outro pro Luxemburro"!!!

 

EM TEMPO I: e por falar no Luxemburro, que idéia essa do Palmeiras (leia-se Globo) absolutamente DO NADA ter tentado antecipar esse jogo do domingo para o sábado, hein??? Tudo porque o REImário só retornaria da sua viagem à Holanda e aí estaria fora do jogo... sorte que o VASCO foi mais esperto e bloqueou essa ARMAÇÃO que os pseudo-defensores da moralização do futebol queriam aprontar. Agora imagina se aparece o Eurico na tv dizendo que queria antecipar o jogo para que o craque do outro time não pudesse jogar... e viva a libertinagem de imprensa!!! 

 

EM TEMPO II: por falar em libertinagem de imprensa, viram o embate entre o Eurico e o ardiloso e recalcado Mílton Escroque Neves no seu programeco na Tv Record no último domingo??? Pois é, tudo preparado para a aniquilação total do Eurico em rede nacional meticulosamente articulada pelo M.E.N. e os seus asseclas mas o Eurico, que parecia disputar uma final de Libertadores no campo do adversário, com menos dois jogadores e com um gol de desvantagem, acabou segurando a pressão, marcou um caminhão de gols e só não deu a volta olímpica porque eles acabaram com a transmissão!!! Um verdadeiro showcolate!!!! Realmente o cara com um microfone na mão é imbatível e se deixarem ele falar 10 segundos, ele bota qualquer um no bolso!!! Por isso que o M.E.N. a toda hora o interrompia com argumentos vazios justamente para tentar tirar o Eurico do sério. Não conseguiu. E ele permaneceu lá, respondendo a tudo com uma paciência de Jó (e às vezes levemente alterado) mesmo sabendo da real intenção do asqueroso M.E.N.

 

EM TEMPO III: e o mais curioso é que o Eurico se propôs a ir ao programa justamente para passar a limpo a tal da EStorinha (com ES) de que 3 dos 4 títulos nacionais vascaínos foram roubados. Não conseguiu já que o pançudo M.E.N. a toda hora mudava de assunto e não deixava o Eurico concluir pois sabia que aí então o showcolate ia ser ser bem maior e ele não iria mais poder continuar a repetir essa ladainha nos seus próximos programas. Enfim, esse M.E.N. além de "diretor benemérito da flapress" é um tremendo covarde pois colocava os tópicos no ar mas não deixava o Eurico concluir mudando logo de assunto pois ele sabia que o Eurico ia quebrá-lo na palavra.

 

EM TEMPO IV: aliás, no único assunto em que ele deixou o Eurico concluir - o Caso Denner, onde estavam mãe, mulher e filhos ao vivo - o Eurico esclareceu, com a própria confirmação da mãe do Denner no ar, de que o VASCO fez a escritura de dois apartamentos (um pra ela, outro pros filhos) e pagou o seguro para a Portuguesa que, por sinal, até hoje não repassou um tostão para a família. Logo, se a família do Denner está há trocentos anos devendo aluguel e vivendo na miséria, não é por culpa do VASCO, como a flapress (principalmente a corja paulista) cansava de falar até este domingo. O pançudo M.E.N. ficou com um cara de babaca do tamanho do mundo no ar e aí só restou a ele, covardemente já que a vaquinha dele já havia ido pro brejo com sininho e tudo, num ato popularesco de desespero, a colocar no ar um filho do Denner chorando pedindo pro "tio Eurico o dinheiro do seu pai". O Eurico pacientemente explicou mais uma vez que o VASCO não deve mais nada à família e que ele iria AJUDAR a família. E aí o pançudo M.E.N., num ato típico dos integrantes da flapress, meteu a boca no microfone e disse que o "VASCO ia pagar o que deve à família". Eurico, irritado, pediu a palavra e mais uma vez explicou que o VASCO não deve nada, ele é que vai ajudar a família; o que são coisas BEM diferentes.

 

EM TEMPO V: mas o mais engraçado for ver, além da cara de babaca do pançudo M.E.N. sendo detonado em seu próprio campo, o Oséas (um dos convidados da noite) rolando no chão de tanto rir. Pobre M.E.N. Depois dessa, de tentar fritar e acabar sendo fritado pelo Eurico, é melhor ele tirar o time de campo e ir lá pra Burkina Faso transmitir o Caipirão local. Se a torcida vascaína já não via esse programa, depois dessa então... Aliás, vascaíno que é vascaíno também não bebe a Schincariol, que é a cerveja patrocinadora daquela joça.

 

EM TEMPO VI: e falando em joça, não é que a flamengada caiu de 4 duas vezes seguidas??? Pro América no "Estadual" e pro Botafogo no RJxSP??? E a contagem continua e agora já são 172 dias sem ganhar nem par ou ímpar no RJ... e a flapress, o quê diz? Adivinhou: "Athirson chega pra levar o mengão rumo a Tóquio"!

 

EM TEMPO VII: e o mais curioso foi ver a flapress entrevistando o Júlio César, após cair de 4 pro Dodô & Cia, o chamando de "a muralha da seleção". Agora, cá entre nós, imagina se ele fosse o "murinho"!!!

 

EM TEMPO VIII: razão tinha o Bebum Soares que disse que após a Copa dos Campeões (e a consequente consagração do ano mais forrest gumpiano da história do futebol) a flamengada ia ficar 3 anos seguidos só passando vexame. E lá se foram 6 meses de vexame intenso...

 

EM TEMPO IX: mas voltando a falar do que interessa, o time juvenil do VASCO se sagrou TRI-campeão Brasileiro (94/97/02) ao derrotar por 4x2 na prorrogação o time do Atlético-MG. É a nossa molecada começando a despontar e já dando mostras dos bons valores que irão aparecer no pôster de BI-campeão mundial em 2004!!!

 

EM TEMPO X: Felipe é rei.

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.turmadafuzarca.com

 

 

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