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n.40 ano II - 22/01/2002

(próxima edição: 27/01/2002)

 

/+/ A FINA FLOR DA MULAMBADA!!!

 

"EM TEMPO I: e a estréia contra a Ponte Preta é mais um desses jogos que já nos deixam revoltados antes mesmo da bolar rolar. Só de lembrar que no ano passado o VASCO não quis ganhar deles pois o Euller conseguiu perder os dois gols mais feitos da história do futebol (e sem goleiro ainda por cima), já me dá calafrios!!!" (trecho da coluna de 15/01)

 

Sinistro... o que era apenas uma premoniçãozinha metida a besta que insistia em voltar das trevas para infernizar a minha mente durante toda a semana sempre que lia algo a respeito da nossa estréia na Liga RJxSP, acabou virando um pesadelo real de proporções épicas naquela tarde triplamente fatídica nas arquibancadas escaldantes de São Januário.

 

"Quem procura, acha", repetia em tom profético o Bebum Soares (o eterno filósofo do boteco), horas antes do jogo enquanto virava mais uma garrafa de cerveja e me via mancando com dificuldade, vestido com a tradicional camisa 10 vascaína, dizendo que estava de partida pra ver a estréia de REImário e cia.

 

E na verdade as palavras dele faziam sentido já que, com duas torções violentas seguidas no joelho esquerdo e ainda em fase de recuperação, o último lugar do mundo onde alguém que realmente preze pela saúde física deveria estar era dentro de um estádio de futebol. Não só pela falta de mobilidade, já que a sua velocidade fica bem próxima a de um velhinho de 118 anos com osteoporose, mas também pelo risco de acontecer uma correria ou estourar um confusão na arquibancada.

 

"E mancando assim tu ainda vai pra arquibancada? Nesse sol? Com o pessoal da Força Jovem prestes a declarar um guerra-civil-canibal no clube? Tu só pode estar maluco... quem procura, acha!", ainda ouvi o Soares resmungar na minha saída enquanto o seu olhar já se fixava em algum ponto distante do horizonte que só os devidamente alcoolizados conseguem enxergar.

 

Claro que era loucura ir assim pro estádio (e o Bebum Soares adorava dizer que loucura era viver), ainda mais com aquela premonição martelando a cabeça, mas era questão de honra ver o VASCO fazer aquele acerto de contas com o passado e enterrar de vez aquele time campineiro que representa tão bem a fina-flor da mulambada. Eles estavam engasgados na garganta e já estava na hora de cuspir essa espinha.

 

E como se não bastasse isso, ainda tinha o fator REImário. A flapress passou o ano passado todo dizendo que ele ia se transferir pra Várzea, digo, Gávea, e boa parte da nação vascaína embarcou nessa estorinha pra vender jornal. Mas mesmo assim o Gênio da Grande Área, mesmo sem contrato, continuava treinando na Colina dando mostras de onde era o seu lugar. E o VASCO demorou mas finalmente conseguiu renovar o seu contrato e assim os amantes do puro futebol-arte já podiam comemorar, enquanto que se só restava à flapress e aos inimigos do futebol se reunirem no "Cantinho das Viúvas Chorosas" para derramar as suas lágrimas.

 

Mas aí surgiu a primeira bomba que começava a abalar os alicerces de São Januário: com a renovação do contrato, o Eurico anunciou que a camisa 11 de agora em diante seria imortalizada. Ninguém mais no VASCO pode usar o número 11 a não ser REImário. E o Baixinho, que já tinha lugar reservado na tribuna de honra dos maiores craques da história do futebol mundial, agora teria a honra suprema de nunca mais ver um perna-pau vestindo a camisa cruzmaltina com o número que o consagrou. Bola fora? Na minha opinião, sim, já que todo craque deveria era ter um busto na entrada do estádio ou então na sala de troféus, mas não precisa tirar a camisa de circulação; pelo contrário, já que sempre que vermos alguém com a 11 nas costas, a associação com o maior camisa 11 da história será imediata. Assim como fazemos com a 10 do Pelé.

 

E enquanto eu caminhava rumo ao estádio sob aquele mormaço escaldante, o único assunto em pauta que eu ia ouvindo em todas rodas vascaínas era esse: a camisa 11 do REImário Imortal. Todos achavam que se era pra imortalizar alguém, que fosse imortalizado o eterno Roberto Dinamite - o maior ídolo da história vascaína e ponto final. Concordo até que já era pra ter uma estátua em tamanho natural dele ali na entrada das sociais, mas se a homenagem "visível" ainda não veio, pelo menos a homenagem emocional já existe já que ele mora dentro dos nossos corações. E o Eurico ainda mandou outra bola fora ao dizer que o REImário foi mais importante que o Dinamite na história vascaína. OK, ele tem lá as suas razões pra dizer isto como torcedor, até mesmo porque ele não tem papas na língua, mas como presidente do clube acabou acendendo a ira de parte da torcida que já não simpatiza muito com o Baixinho e assim acabou colocando algumas nuvens carregadas no céu que até então era de brigadeiro. E como dizia o Bebum Soares, a semente para uma nova guerra-civil-canibal fora regada mais um vez. Fiz o sinal da cruz e entrei.

 

Lá dentro, apesar da insanidade que foi ter ido lá pro último degrau da arquibancada, que acabou provocando um estiramento na perna direita sem maiores proporções, o clima entre a torcida estava bom apesar desse choque de imortais e da descoberta tardia que o também imortal Vavá (Bi-campeão pelo VASCO 56/58 e pela Seleção 58/62) havia falecido. Uma perda lastimável. Mas mesmo a galera de luto, a expectativa era grande e todo mundo só falava do sacode que se anunciava. O menor palpite que eu ouvi foi VASCO 6x0. E se, ao mesmo tempo isto me confortava, ao mesmo tempo aquele pulguinha atrás da orelha incomodava cada vez mais já que o VASCO é um dos grandes mestres em complicar jogos fáceis.

 

Mas quando o Ronaldão entrou no gramado à frente do esquadrão ponte-pretano, imediatamente um sorriso se fez presente no rosto de todos os torcedores. Que timinho teta!!! E até o placar eletrônico, pra galera ter a certeza de que era realmente a fina-flor da mulambada que estava em campo, anunciou duas vezes seguidas a escalação que possuía jogadores como o Ronaldão, o goleiro Ronaldo (ex-Corínthians), Elivélton, Marquinhos (ex-Flamengo) e o Washington.

 

E o VASCO, com o seu lindo uniforme todo negro, e com craques como o REImário, Felipe, João Carlos, Hélton e Léo Lima, parecia que não iria ter muitos problemas para golear sem dó um time onde o craque é o Washington, que nada mais é do que um Luís Cláudio jogando 20% do que sabe e que chama a bola de Vossa Excelência. Mas como o futebol é uma caixinha de surpresas e o VASCO é uma mãe, novamente acabamos empatando um jogo ridiculamente fácil (3x3) e assim a Macaca continua cada vez mais atravessada na nossa garganta. Óbvio que muito mais por nossa culpa do que mérito do adversário, um verdadeiro poço de mediocridade, mas que conseguiu explorar bem a fina-flor da nossa mulambada: Géder, Donizeti e Jamir.

 

Aliás, como eu perguntava na última coluna quem seria o substituto do Odvan para cair no "carinho da torcida", o Géder parece que chegou firme e forte para ocupar o cargo. O gol besta que ele deixou a Ponte marcar e o belo gol que ele fez de cabeça a favor já o deixou nos braços do povo. Que figura! Até hoje ninguém sabe se ele sabe jogar futebol, mas que ele é mestre em roubar a bola dando altos golpes de capoeira disso ninguém duvida!!! Inclusive fico imaginando o glorioso Géder com esse uniforme todo negro num jogo noturno... o centroavante do time adversário só vai saber que foi atropelado por ele no dia seguinte quando tiver alta no hospital!!! Mas taí o nosso xerife e esperamos que ele aprenda a jogar futebol com o magistral João Carlos, jovem zagueiro que sabe tudo e mais um pouco desse negócio de jogar futebol.

 

E quem também sabe muito, além do REImário que deu passes de cinema e ainda fez um gol, é o Felipe. Ele voltou jogando o fino, correndo o tempo todo e jogando sempre pra frente, com objetividade e soltando a bola com passes preciosos. Claro que ele ainda sentiu um pouco a falta de ritmo mas, quando engrenar, sai de baixo!!! Mas quem roubou a cena e encantou a torcida foi o jovem lateral-direito Leonardo. Que partidaço! Apóia bem o ataque, não se esconde do jogo e se apresenta sempre como opção, sabe driblar, corre fácil e cruza bem. Acho que a síndrome da lateral direita acabou!!!

 

Bom, mesmo com esse otimismo pela boa atuação dos nossos craques mas com esse sabor amargo de mais um empate com a fina-flor da mulambada, o jogo acabou sob a indiferença da galera. Talvez a galera também tenha sentido o mesmo sentimento que eu havia relatado logo no início no coluna. Ninguém vaiou e ninguém aplaudiu. Parecia até que o jogo nem havia sido realizado e todos foram embora pra casa com aquele gosto de sabão na boca. Menos eu, que pela baixa velocidade devo ter sido o último a sair do estádio, e ainda tive forças para encostar ali no boteco da esquina pra me reabastecer com água enquanto aguardava a minha carona.

 

E, pra minha surpresa, lá ainda estava o Bebum Soares, com aquele sorriso característico que só os muitos bêbados possuem, pra me sacanear: "viu lá, Duda, quem procura, acha. Desgraça pouca é bobagem." E é mesmo. E o pior é que enquanto ele caía apagado sobre a mesa do bar, passava uma reportagem na tv dizendo que o imortal Roberto Dinamite havia sido expulso da tribuna de honra do VASCO pelo Eurico. Tudo porque o nome do Roberto não estava na lista de convidados. Realmente, desgraça pouca nesse domingo foi bobagem. A saideira, por favor!!!

 

/+/ O MICO DO SÉCULO!!!

 

E com a assinatura do contrato do REImário com o VASCO, o glorioso Jornal dos Sports acabou pagando o mico do século. Ano passado eles venderam horrores e causaram a maior polêmica (pros anti-VASCO, óbvio) dando um "furo" que dizia que o REImário estava "certo de assinar com o Flamengo". Pois é, nada como um dia após o outro e hoje vemos que o furo deles estava mais do que furado. E eu, que ao longo do ano, mesmo com todas as críticas, sempre bati na tecla que isso era invenção da flapress pra vender jornal, fico mais feliz do que nunca ao ver que não só eu como todos os VASCAÍNOS CASCUDOS estávamos no caminho certo. É como eu sempre digo e repito: OS CÃES LADRAM E A CARAVELA PASSA.

 

Aliás, só como um "recordar é viver", segue abaixo aquele clássico e-mail resposta dos "jornalistas" do Jornal dos Sports que respondiam à dúvida da Ana Maria sobre a suposta mudança de ares do Baixinho. Anotem os nomes desses malas, entupam a caixa postal desses malas, boicotem esses caras e não olhem tão cedo para o Jornal dos Sports:

 

"De: Maximino Perez <[email protected]>
Para: <anasef@...>
Enviada em: quarta-feira, 10 de outubro de 2001 18:07

Romário nunca quis deixar à Gávea e só aceitou voltar para o Vasco por conveniência, porque queria continuar no Rio. Em nenhum momento plantamos notícias ou publicamos inverdades. Prova maior disso é que nossas matérias nunca foram desmentidas publicamente por nenhuma das partes. Romário pode até não voltar mais para o Flamengo, mas o furo é nosso e isso é o que importa. Todos os veículos de comunicação do país tiveram que noticiar o assunto. Isso depois de três meses. Com todo respeito, vc deve ser vascaína e fã de Eurico Miranda. Acorde! Romário
nunca gostou do Vasco! Ele é um oportunista, está podre de rico, e não merece que uma pessoa como vc fique esquentando a cabeça.....Continue lendo o JORNAL
DOS SPORTS......Assim vc saberá de muitas outras notícias na frente de todo mundo....
Gratos pela atenção:  Maximino Perez e Marlos Bittencourt"

É isso aê, como eles mesmo disseram: "continue lendo o JORNAL DOS SPORTS... Assim vc saberá de muitas outras notícias na frente de todo mundo". E agora, Maximino e Marlos??? O quê vocês vão dizer em casa????

EM TEMPO: e se você também está atento a todas essas armações, abusos e invenções feitas pela flapress, escreva, denuncie e colabore com o OBSERVATÓRIO VASCAÍNO ( www.casaca.com.br ). O lugar certo pra desmascarar a "imprensa" esportiva anti-VASCO.

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.turmadafuzarca.com

 

 

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