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n.37
ano II - 01/01/2002
(próxima
edição: 08/01/2002)
/+/
ADEUS ANO VELHO, FELIZ ANO NOVO!!!
E
finalmente 2001, ao contrário do imortal CLUB DE REGATAS VASCO DA
GAMA, está morto e enterrado e 2002 já se inicia com toda pinta de
ser o Ano da Redenção. Sim, pra espanto dos urubus de plantão
nós sobrevivemos, continuamos a ganhar trocentos mil títulos (quem
foi que disse que o Projeto Olímpico acabou com a Olimpíada e que
o VASCO não formava atletas de base, hein?), sacodimos a poeira e
agora vamos dar a volta por cima como se nada tivesse acontecido. Os
cães ladram e a Caravela passa... e lá vamos nós zarpando para
uma nova era de conquistas!!!
Mas
antes de zarparmos, como estamos nesse período de virada de ano
onde festa e reflexão se misturam, hoje vou ser bem econômico nas
palavras (até mesmo porque estou mais pra festa que reflexão!) e
vou deixar esta coluna especial de início de ano nas mãos de duas
feras da escrita nacional que se "encarregaram" de ficar
com o tópico "reflexão". Até mesmo porque tudo o que eu
iria tentar dizer hoje eles já disseram de forma magistral, e aí
só me resta mesmo ficar aqui babando e batendo palmas.
Então,
como presente para os VASCAÍNOS DE CORAÇÃO neste ano que se
inicia, seguem os dois maravilhosos textos que conseguiram ser, ao
mesmo tempo, uma retrospectiva e uma projeção do futuro. O
primeiro é o clássico poema "Acontecimento" do imortal
Vinícius de Moraes; e o segundo texto, "... e a Caravela
dobrou o Cabo das Tormentas", é do Fernando d'Arribada que é
colunista do site www.casaca.com.br
e um dos melhores escritores vascaínos da atualidade. Boa leitura e
feliz ano novo!!!
/+/
ACONTECIMENTO!!!
Por
Vinícius de Moraes
"Haverá
na face de todos um profundo assombro
E
na face de alguns risos sutis cheios de reserva
Muitos
se reunirão em lugares desertos
E
falarão em voz baixa em novos possíveis milagres
Como
se o milagre tivesse realmente se realizado
Muitos
sentirão alegria
Porque
deles é o primeiro milagre
E
darão o óbolo do fariseu com ares humildes
Muitos
não compreenderão
Porque
suas inteligências vão somente até os processos
E
já existem nos processos tantas dificuldades...
Alguns
verão e julgarão com a alma
Outros
verão e julgarão com a alma que eles não têm
Ouvirão
apenas dizer...
Será
belo e será ridículo
Haverá
quem mude como os ventos
E
haverá quem permaneça na pureza dos rochedos
No
meio de todos eu ouvirei calado e atento, comovido e risonho
Escutando
verdades e mentiras
Mas
não dizendo nada
Só
a alegria de alguns compreenderem bastará
Porque
tudo aconteceu para que eles compreendessem
Que
as águas mais turvas contêm às vezes as pérolas mais
belas."
/+/
2001 FOI UM ANO VITORIOSO. A CARAVELA DOBROU O CABO DAS TORMENTAS E
CONTINUARÁ SINGRANDO OS MARES DA VITÓRIA. QUE MORRAM DE INVEJA OS
ADVERSÁRIOS!!!
Por
Fernando d'Arribada
"Sim,
2001 não foi nada fácil para a família vascaína. Nem o mais ingênuo,
o mais parvo dos homens afirmaria que a caravela vascaína, tal como
Cabral quando supostamente perdeu o rumo das Índias e chegou à
terra que futuramente se chamaria Brasil, enfrentou dias de
calmaria.
Se Cabral teria mesmo perdido o norte por conta da serenidade das águas
e do sossego preguiçoso dos ventos, há controvérsias; mas certo
está que a nau vascaína enfrentou de forma heróica, magnânima,
mares extraordinariamente tempestuosos, e segue agora o seu rumo de
forma ainda mais aprumada, altiva, na busca incansável, renitente,
de futuras vitórias.
Vitórias que mesmo neste ano conturbado aconteceram, sobretudo nos
esportes amadores (embora alguns títulos nos tenham sido usurpados,
como aconteceu recentemente na natação), e nos trouxeram o alento
necessário para seguir navegando, apesar das ondas insultuosas,
perpetradas pela mídia insidiosa, que é dada a armar emboscadas
quando contrariada nos seus interesses mesquinhos, pequenos. E hoje
não falaremos aqui nessa ou naquela modalidade, porquanto isso
tomaria muito tempo do leitor e muito espaço na coluna. Hein? O
basquete? Ah, que o Oscar morra de inveja!
Mas, por certo alguém retrucará, bradando: "o futebol passou
em branco!". Eu direi, valendo-me da poesia de Fernando Pessoa:
"Para quem faz do sonho a vida, e da cultura em estufa das suas
sensações uma religião e uma política, para esse primeiro passo,
o que acusa na alma que ele deu o primeiro passo, é o sentir das
coisas mínimas extraordinária e desmedidamente. Este é o primeiro
passo, (...) não mais do que isto. Saber pôr no saborear duma chávena
de chá a volúpia extrema que o homem normal só pode encontrar nas
grandes alegrias que vem da ambição subitamente satisfeita toda ou
das saudades de repente desaparecidas (...)" É Pessoa, nós
vascaínos já há algum tempo aprendemos "o sentir das coisas
mínimas extraordinária e desmedidamente". Ou seja, tivemos
nos esportes amadores a nossa chávena de chá. E haja chá, tantas
foram as conquistas, embora eu prefira o vinho e algumas vezes tenha
andado por aí embriagado, entregue às celebrações pagãs por
conta das históricas goleadas vascaínas acontecidas ao longo deste
ano no futebol.
Isso mesmo, o futebol do Vasco este ano também fez bonito. A falta
de títulos não ofuscou e não apagará da lembrança dos vascaínos
algumas das maiores exibições do mais puro
"futebol-arte", como há muito não se via em terras
tupiniquins. Não custa mais uma vez lembrar que o Atlético
Paranaense, "O Furacão", o novo campeão brasileiro,
incensado agora por toda mídia esportiva, diante do Vasco não
passou de brisa leve, apanhou de 4 a 0, sem falar no baile. Alguém
esquecerá as duas goleadas de 7 a 1, sobre o Guarani e o São
Paulo? Quem aqui, dentre nós, vascaínos saudáveis, deixará de
contar, em minúcias, para os filhos e netos o passe de calcanhar
Dele, sempre Ele, que deixou o Léo Lima livre, diante do goleiro,
para marcar um dos sete gols na vitória sobre o tricolor paulista?
E o que falar do novo "showcolate" imposto ao urubu na Páscoa
fora de época, com três gols Dele, que já havia marcado outros três
no jogo anterior contra o Cruzeiro, na vitória de 3 a 0? E outros
grandes momentos o futebol proporcionou aos vascaínos em 2001. Sem
dúvida, um ano de vitórias, lances e jogos inesquecíveis.
E falando no Romário, maior jogador brasileiro das duas últimas décadas,
um dos maiores de todos os tempos, campeão do mundo pela seleção
brasileira, tendo sido Ele o principal artífice, ou melhor, artista
da conquista da Copa do Mundo de 94, uma referência mundial, campeão
brasileiro e da Mercosul pelo Vasco em 2000, etc., etc., etc.,
impossível deixar de destacar que o maior título do Vasco no
futebol em 2001 foi a artilharia conquistada pelo baixinho no
campeonato brasileiro, com 21 gols, apesar de ter ficado fora de várias
partidas por contusão ou convocação. Portanto, pela 6a. vez o
Vascão tem o artilheiro do Brasileirão, uma marca que evidencia a
força e a tradição do clube na competição. E notem que estamos
falando de ninguém menos do que Ele. Por isso, na impossibilidade
de me referir a Ele com o talento dos grandes escritores, estando
portanto impedido de render-lhe uma justa e merecida homenagem,
abuso sem pudor ou constrangimento do etc. e inicio o pronome com
letra maiúscula mesmo, afinal estamos falando Dele, Romário, o
"Deus" da grande área. Ah, que os adversários morram de
inveja!
E, por fim, quando os trombeteiros do apocalipse davam como certa a
anunciada "morte súbita", em que pese toda contradição
encerrada no anúncio da coisa súbita, do maior Clube do mundo, o
nosso amado Vasco da Gama, tivemos então a maior das vitórias. O
"tinhoso" Eurico Miranda, como muito bem definiu o Cláudio
Lopes, viabiliza uma sociedade com o grupo mexicano Nova Média, e
deixa boquiabertos os pacholas da imprensa esportiva. O
arrebatamento dos inimigos que bradavam a falência do clube deu
lugar ao estupor. Pasmado, o "jornalismo" de fancaria se
utiliza agora do desdém característico dos desventurados,
principalmente quando esses se descobrem vítimas da própria
maledicência. Mas há também aqueles que, ruborizados, já
exauridos pela intensa dedicação que dispensam ao exercício do
jornalismo espúrio sem atingir os objetivos almejados, mostrando
claros sinais de demência, esquizofrenia, repetem a todo momento,
tal como "FHC ao ter que adiar, por qualquer motivo, uma de
suas milhares de viagens pelo mundo: 'assim não dá, assim não
pode ser..'"(perdão, Cláudio Lopes, mais uma vez não pude
resistir ao plágio). Portanto, que morram de inveja os invejosos,
maledicentes, levianos, lacaios, vassalos, embusteiros, hipócritas...
da imprensa esportiva.
RETROSPECTIVA: COLUNA DE 21/07/01
(...)A esses eu deixo o meu recado: a sociedade e o esporte
brasileiro não seriam os mesmos sem o Vasco, a sua contribuição
é inestimável; mas, como já disseram alguns, "o Clube não
se acomoda pelas conquistas do passado, tem constantemente um
compromisso com o futuro". Os verdadeiros vascaínos trazem
consigo a perseverança, a ousadia e a coragem daqueles que não se
deixam subjugar facilmente pela tirania. A História do clube tem
marcado pela força e a entrega dos vascaínos às suas causas e
sinaliza: quanto maior o obstáculo colocado à frente do caminho,
quanto maior será a sua bravura e a sua conquista. O Clube cumprirá
o seu destino de vitórias, tudo é uma questão de tempo. Dentre os
clubes, o Vasco sempre foi protagonista da História, essa é a sua
verdadeira sina. Por tudo isso, existe aquele sentimento maior,
singular e inefável que só os verdadeiros vascaínos conhecem e
intimamente carregam, fazendo o coração bater mais forte todas as
vezes que a lembrança da História do Clube enche a alma de orgulho
e felicidade.
Outros torcedores, passados os arroubos da juventude, talvez não
saibam exatamente as razões para continuarem a se dedicar tanto aos
seus clubes; nós, VASCAÍNOS DE CORAÇÃO, sabemos."
FELIZ
ANO NOVO!!!
E
DÁ-LHE VASCO!!!
www.turmadafuzarca.com
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O L T A R
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