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n.31 ano II - 20/11/2001

(próxima edição: 27/11/2001)

 

/+/ AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA!!!

 

Estava meio grogue de sono sobre a cama curtindo mais uma tarde chuvosa no Rio de Janeiro, minutos antes do início do VASCO x Palmeiras, quando o narrador da TV Globo anunciou no volume 3 que a crise "era verde" porque o Palmeiras estava vindo de 6 derrotas consecutivas no Brasileirão.

 

"Pronto, lá vão eles quebrar o jejum em cima do VASCO que, por sinal, perdeu todos os jogos do Brasileirão que a Globo transmitiu e não ganhou nada fora de casa", imediatamente pensei tentando preparar a minha mente para dar um "balão convicto" no jogo e passar o resto da tarde dominical dormindo com a consciência "tranquila".

 

Já ia até apertar o botão de "mute" (aquele que tira o som) do controle remoto, puxar o cobertor e me virar pro lado quando, de repente, absolutamente do nada, bateu aquele clássico "efeito fosfozol" (pra quem não lembra, Fosfozol era um tipo de comprimido que o Pelé fazia propaganda pra melhorar a memória) na minha mente e o sono imediatamente desapareceu. Gritei a plenos pulmões "É HOJE" e levantei correndo rumo ao "arquivo morto" pra procurar um recorte de jornal velho que descrevia a sétima derrota consecutiva do VASCO num Brasileirão pra confirmar se tinha sido mesmo contra o Palmeiras.

 

E não bateu na trave. Aliás, nem lembro porque guardei essa reportagem (masoquismo?), mas estava lá na página amarelada do Jornal do Brasil de 1995: "VASCO perde e vira caso de polícia". A foto que ilustra a matéria é do Charles Guerreiro disputando uma bola com o Cafu. Era realmente a sétima derrota consecutiva do VASCO no Brasileirão justamente para o Palmeiras (1x0, em São Januário, gol do Alex Alves). Recorde negativo. Bingo!

 

Corri pra sala eufórico, com a reportagem na mão, mostrando pra família toda. "A vingança é um prato que se come frio e hoje acaba o jejum... ESTÁ ESCRITO!" Meu pai e minha mãe me olharam com aquela cara de "desisto" e tentaram me acalmar. "Que mané vingança... nós já nos vingamos de tudo contra o Palmeiras naquela final do 4x3 na Mercosul", tentou desconversar o meu pai já se preparando pra mudar de canal pra ver o sofrimento da flamengada contra o Internacional. "Negativo, pai", retruquei na hora e ainda soltei aquela clássica frase com ar filosofal: "o futebol é uma eterna vingança". "Mas por quê tanta certeza?", interveio a minha mãe. "Está aqui. Em 1995 o VASCO perdeu 7 jogos consecutivos no Brasileirão sendo que o jogo número 7 foi justamente contra o Palmeiras, que era o campeão brasileiro da época, na nossa casa. Hoje a situação se inverteu: o Palmeiras joga em casa (ok, não é no Palestra mas é em SP), está vindo de 6 derrotas consecutivas e o VASCO é o atual campeão brasileiro. A vitória hoje é certa! A Vingança Divina está a caminho!! ESTÁ ESCRITO!"

 

E foi pena que eu não achei ninguém a tempo pra apostar alguma coisa comigo porque não há como mudar o rumo da história: mesmo o Palmeiras abrindo o placar com (mais) um golaço de falta do Arce, a "Vingança Divina" bateu com força no pobre porquinho e o REImário (2) e o Ely Thadeu (1) fecharam o placar em 3x1. O jejum vascaíno na tela global e em jogos fora de casa no Brasileirão deste ano finalmente foi quebrado. E o Palmeiras, 6 anos depois, teve que engolir o troco exatamente com a mesma moeda, da mesma forma, em seu próprio território, com o mesmo adversário e agora são eles que amargam esse recorde negativo de 7 derrotas consecutivas.

 

Aqui se faz aqui e aqui se paga pois, como já dizia o velho ditado: "a vingança é um prato que se come frio". E os vascaínos, nesta tarde-noite dominical, saborearam um delicioso porquinho assado.

 

EM TEMPO: como curiosidade, aquele time vascaíno que perdeu 7 seguidas em 1995 jogou aquela partida com: Carlos Germano; Cláudio Gomes, Ricardo Rocha, Alex e Sidnei (Christiano); Charles Guerreiro, Nélson Patola, Richardson (Juninho) e Pedrinho; Brener (Leonardo) e Marcelo. O Técnico foi o Zanata. E o Palmeiras, entre outros, contava com Veloso, Cafu, Cléber, Amaral, Edílson e Rivaldo.

 

EM TEMPO I: e curiosíssimo foi o lance em que o Juninho SP tomou uma senhora tesoura voadora (no melhor estilo Júnior Baiano) do ultimate-fighter/zagueiro palmeirense e acabou sendo expulso!!! O palmeirense quase quebrou o Juninho em 8 e o "de preto" achou que ele estivesse simulando uma falta! Tenha dó!!! E pensar que na década de 1980 o horroroso tricolor Jandir quebrou o joelho do Mauricinho num carrinho pela frente (abreviando assim a carreira de um dos melhores ponta-direita da história) e o "de preto" não deu nem cartão amarelo.... e o mais curioso é que essas coisas nunca acontecem a favor do VASCO!!!

 

EM TEMPO II: e o VASCO, aos pouquinhos, já começa a se reerguer - pra desespero dos urubus de plantão. Na última terça-feira o clube assinou contrato com a empresa Pro Entertainment do Brasil, que será a responsável por fazer o licenciamento dos produtos da marca VASCO - excetuando-se contratos de televisão, placas e uniformes - em todo o território nacional. A Pro Entertainment, inclusive, já faz o licenciamento dos principais times da Argentina e agora começa a se voltar para o mercado brasileiro. Se eles realmente quiserem arregaçar as mangas, terão um excepcional retorno da nossa torcida ($$$) que acabará se revertendo também para os cofres do clube assim como a própria valorização da marca VASCO; mas se for pra fazer que nem o pessoal lá da VGL, é melhor deixar pra lá.

 

EM TEMPO III: também na última terça-feira o VASCO apresentou o primeiro balanço de venda dos produtos da marca VG VASCO. Nos primeiros 20 dias de venda no atacado - entre os dias 4 e 24 de outubro -, os lojistas de todo o país encomendaram 43 mil peças, entre camisas oficiais, calções, camisas de treino, agasalhos e bolsas. Segundo a diretoria, este número é simplesmente o dobro do lançamento da coleção de 1995 quando a Kappa substituiu a Penalty. Com a marca própria, o clube tem direito a um percentual de 15% sobre a venda no atacado que, diga-se de passagem,  é mais do que o dobro do que recebem a maioria dos clubes brasileiros.

 

EM TEMPO IV: e com a compra de um imóvel de três andares ali ao lado do Estádio de São Januário (que provavelmente se transformará num mini-hotel pros atletas amadores), o VASCO segue firme e forte na luta pra concretizar o sonho de "possuir" o quarteirão inteiro e assim dar um conforto ainda maior para os seus atletas. E como bem lembrou a assessoria do clube, "desde 1998 o VASCO já adquiriu uma área de 14 mil metros quadrados em torno do estádio de São Januário. Já foram construídos quatro campos de grama sintética para as escolinhas de futebol, um ginásio de treinamento para as diversas divisões do basquete, uma fábrica de barcos para o remo do clube, concentração e refeitório para os atletas dos esportes olímpicos. O investimento, só com a compra de imóveis e as construções, ultrapassam os 7 milhões de reais nos últimos anos. Atualmente, residem no VASCO atletas do basquete, handebol, boxe, atletismo e futebol."

 

EM TEMPO V: pensa que a alegria acabou? Pois então fique sabendo que o nosso glorioso Charles Byrd, após uma rápida temporada lá fora, já está de volta a São Januário. Agora sim: pintou o BI!!!

 

EM TEMPO VI: e seleção do Felipão, quem diria, vai mesmo para a Copa! Foi só ele ter colocado finalmente o Juninho SP de titular com um ataque rápido na frente (Edílson e Luizão) pro time deslanchar. Tudo bem que foi contra a "poderosíssima" Venezuela e o 3x0 não foi mais do que obrigação, mas custava o Troglodita dos Pampas ter feito isso antes??? De qualquer maneira, valeu Felipão, o Brasil vai a Copa (novidade) e todos nós torcemos para que você NÃO. Chega de topeiras retranqueiras no comando da seleção que preferem colocar pernas-de-pau que sabem dar porrada do que craques que sabem jogar futebol no time. Espero que a "Era Felipão" tenha acabado pra sempre nesta semana e que nunca mais esse sujeito seja o responsável máximo pela imagem do nosso futebol que, diga-se de passagem, ele conseguiu jogar no lixo.

 

EM TEMPO VII: e pra quem ainda não leu, corre lá e lê a última coluna do grande xará Eduardo Maganha ( www.casaca.com.br ). Sua crônica "A Casa dos Artistas do Futebol" é simplesmente uma das mais hilárias da história. Nota 1000.

 

/+/ O ADEUS DO FORREST GUMP!!!

 

E o "valente" Zagallo, vendo que a vaca ia pro brejo com sininho e tudo, na iminência de acabar a sua forrestgumpiana carreira na segundona, resolveu pedir o boné e largou a flamengada sem pai nem mãe na reta final do Brasileirão. OK, fontes da própria flapress disseram que não foi ele quem pediu o boné, mas sim a diretoria que o colocou no olho na rua. Aliás, não sei o que é pior: acabar a carreira demitido por pura incompetência ou ser o primeiro a abandonar o navio num momento extremamente crítico onde o time se vê num beco sem saída. De qualquer maneira, o Velho Lobo aproveitou pra fazer um bem ao futebol mundial e prometeu que vai se retirar de vez do mundo da bola. Os amantes do futebol-arte agradecem já que, quem diz que o REImário não joga nada e que a melhor coisa que ele tenha "produzido" no mundo da bola foi o Sony Anderson (e isso no VASCO!), só pode ter ido MUITO tarde. Aliás, como bem lembrou o grande Alexandre Brandão no texto abaixo:

 

"É nas derrotas que vemos o caráter de um homem, e não nas vitórias, onde tudo é fácil e todos são seus amigos.

 

Ainda mais dos pomposos, aqueles que sempre que podem explanam suas vitórias, exacerbando-as até não poder mais. PRINCIPALMENTE aqueles que tiveram a vitória praticamente entregue a eles de mão beijada. Esses então são os mais prepotentes, pois a vitória lhes parece muito fácil (e realmente é) mas esquecem que não é de todo deles.

 

Sim, meus amigos, o Zagallo abandonou o timeco dele (afinal, ele se dizia flamenguista doente, a raça rubro-negra, etc...) quando viu que a vitória não viria. Isso não antes de arremessar o seu preparador físico aos leões, certamente para diminuir sua responsabilidade frente à torcida e ao patrão. Adepto que é do preceito "eu ganho, nos empatamos e eles perdem", o Forrest Gump do futebol (inútil que sempre esteve nas horas certas no lugar certo, sem capacidade alguma), encerra sua ilusória e extremamente cortejada (nunca por quem realmente entende de futebol) carreira colocando a flamengada nas portas da segundona.

 

É por isso que o Parreira, que defendeu seu time de coração até na terceira divisão, pouco se importando com rótulos, é um campeão de VERDADE e ele - Zagallo - nunca será mais do que um eterno e arrogante vice (ora, com a seleção de 1970 até o
personagem da revista MAD como técnico seria campeão)."

 

EM TEMPO: só pra galera que cai no "conto do único tetracampeão" visualizar o que é esse lobo, na Copa de 1974, quando ele era novamente o técnico da seleção, antes do jogo contra a Holanda (o célebre Carrossel Holandês que encantava o mundo), no auge da sua prepotência disse que o "Brasil não precisa estudar a Holanda, mas sim o contrário". E no final todos se lembram do baile que o escrete canarinho levou...

 

EM TEMPO I: e em 1994 ele não queria o REImário, mas foi graças ao Baixinho que hoje ele pode abrir a boca pra dizer que é o "único tetra-campeão". E em 1998, como forma de agradecimento ao maior homem-gol da história do futebol mundial por esse título, o então "técnico" Gagallllllllllo, na primeira oportunidade, despachou o Baixinho de volta pra casa sem querer esperar 1 ou 2 jogos pela sua recuperação. Mas no dia da final resolveu ficar esperando pelo Ronaldinho (o popular "Chicão melhorado") como se esse jogador, que já nem é grandes coisas, fosse "a esperança" pra resolver alguma coisa. Deu no que deu: tomou um baile de novo.

 

EM TEMPO II: e o pessoal parece que esqueceu que ele foi o técnico que conseguiu a proeza de eliminar o Brasil numa Olimpíada com derrotas pro Japão e pra Nigéria...

 

EM TEMPO III: e ainda no clima de despedidas, não deixem de ler o brilhante texto "O Fim de Ronaldinho" , que foi publicado no ótimo www.no.com.br e foi escrito pelo João Wady Cury. Excelente texto sobre o "Fenômeno" que só peca por ter dito que o "Ronaldinho já foi Deus", o que eu discordo frontalmente, já que o Ronaldinho foi um raríssimo caso onde um razoável centroavante (um "Chicão melhorado", como eu havia dito ali em cima) "do nada" ganhou uma aura de gênio que ele nunca teve. Puro marketing. Nem o seu inventor - Galvão Bueno - podia imaginar onde essa brincadeira iria parar... E o pior é que o mundo acreditou.

 

EM TEMPO IV: e olha que era pra eu acabar esta coluna falando das despedidas de Don Diego Armando Maradona e do Raí... enfim, fica pra semana que vem.

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.turmadafuzarca.com

 

 

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