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n.21 ano II - 11/09/2001

(próxima edição: 18/09/2001)

 

/+/ O SOBRENATURAL ADIOU A NOSSA ARRANCADA!!!

 

Pois é, estava escrito há 3 milhões de anos que a nossa arrancada rumo ao penta se daria lá na aprazível e sortuda Ilha do Retiro, mas o "Sobrenatural" resolveu sair da cova e entrar em campo para testar o coração da nação vascaína; afinal de contas, um Paulo Madureira que surgiu absolutamente do nada como titular para dar, na sua estréia com a camisa cruzmaltina, uma das maiores furadas da história do futebol mundial com menos de 1 minuto de jogo, com certeza não foi coisa deste mundo!!!

 

Aí a galera vai "cair matando" em cima de mim: o cara é ruim, que Sobrenatural que nada!!! E eu insisto: foi coisa de outro mundo SIM!!! Aliás, o jogo TODO!!! Vejamos: após aquela furada hedionda que simplesmente acabaria com a carreira de qualquer jogador (se fosse em São Januário então...), ele até que se comportou bem e jogou "a moda Felipão" de forma até "convincente". Mas os "fantasmas" não deixariam a Ilha do Retiro tão cedo já que o time colocou a cabeça no lugar e quando íamos partir pro showcolate, o Wágner (do nada) bisonhamente consegue ser expulso. É verdade. E eu só acredito porque vi. Menos de 15 minutos e lá vai o astral do time pra baixo de novo.

 

Mas o VASCO é guerreiro, valente, determinado e vai a luta. Aí o Bóvio, com a ajuda do "sopro divino", acerta um golaço-aço-aço de falta. Maravilha, o time já recuperou a moral e vamos pro showcolate já que o jogo estava molengo-tengo pro nosso "Trio Big-Bob": Euller, Juninho e Bebeto. Desespero no Sport e tranquilidade pro VASCO. Era só segurar e sair na boa que o showcolate viria fácil, fácil. Aliás, a "ex-futura goleada histórica" já se desenhava quando o Euller fez um jogada sensacional e deixou pro Bebeto, sem goleiro, balançar as redes e decretar a virada. "É HOJE", vibravam todos. Mas como estava fácil até demais, aí o Sobrenatural resolveu voltar a campo pra atazanar a cabeça do Gilberto que, absolutamente do nada (pra variar), resolveu derrubar um malandro dentro da área. Pênalti e os caras empatam. E lá vai o astral pro sub-solo de novo...

 

Vem o segundo tempo e o Sobrenatural voltou a todo vapor: lance isolado na ponta, cruzamento besta pra dentro da área e o Bóvio, que jogou muito bem de novo, do nada, acertou um peixinho sensacional de cabeça e marcou outro golaço. Só que desta vez foi contra!!! Parei... os caras viraram o jogo graças a 3 gols espíritas e ainda tinham um jogador a mais "de graça" pra correr dobrado. Sinceramente, não existe nenhuma razão ou lógica no mundo que explique de forma racional isso. Alguém lá em cima, num desses descuidos do Senhor, com certeza deve ter pego o livro sagrado do destino e resolveu jogar a página que falava desse jogo na lata de lixo. Não dava pra acreditar: estava escrito que o VASCO iria dar um senhor showcolate no Sport em plena Ilha do Retiro, mas como sumiram com o "script", aí o Sobrenatural deitou e rolou...

 

A nossa sorte foi que o Senhor, com a orelha vermelha e coçando muito, desconfiou que algo na Terra estava errado já que 20 milhões de pessoas não poderiam estar "buzinando" o santo nome em vão e procurou se inteirar sobre o que curiosamente estava afligindo aquele povo que tem adoração pelo clube de São Januário. E, pra nossa sorte, Ele conseguiu achar a página rasgada, colou-a e finalmente mandou que a ordem enfim se estabelecesse na Terra. E a medida veio na hora certa já que aquele tal de Edu Manga pegou uma bola sozinho no meio-de-campo e correu sem nenhuma marcação pra cima do Hélton. O Sobrenatural já rolava e gargalhava no gramado quando o bravo Hélton, também do nada, tropeçou e caiu feio na frente do atacante do Sport. Era "gol certo" mas aí os Anjos da Justiça chegaram a tempo e interferiram na jogada: o Edu Manga acabou atrasando bisonhamente a bola pro arqueiro vascaíno!!!

 

E com a ordem re-estabelecida, o VASCO continuou jogando com muita raça pra superar a desvantagem numérica, porém o tempo era insuficiente para se retomar o roteiro original e chegarmos ao showcolate; entretanto, ainda deu tempo para que o Juninho, o Pequeno Notável, praticamente na sua primeira jogada na partida, acertasse um lançamento milimetricamente preciso nos pés do Euller, o Furacão da Colina, que só teve o trabalho de explodir as redes adversárias e soltar o grito de alívio da boca da nação vascaína.

 

Enfim, um jogo 119,5% "estranho" onde só faltou chover, mas que já deu pra mostrar um VASCO bem mais raçudo e valente. Se não tomarmos outra "peça divina", some a este espírito guerreiro o brilhante futebol-arte dos 4 Fantásticos, e aí teremos o time do pôster de dezembro. Pro alto e avante!!!

 

OBS: mais uma vez a Primeira Lei da Fuzarca se fez presente: torcida que insiste em pedir olé com um gol de diferença antes dos 40 minutos do segundo tempo, SEMPRE toma um gol.

 

EM TEMPO: e o lateral direito Rafael, pelo que jogou domingo, tem tudo pra se firmar no time... até mesmo porque ele é a nossa última opção (ou quase, ainda tem o André Ladaga esperando a vez!)!!! Resta saber se ele conseguirá sair vivo do "Caldeirão de São Januário"!!! E o Jamir e o Bóvio já formam a melhor dupla de cabeças de área do Brasil. Tirar um dos dois ou os dois para a entrada de Jorginho e Donizete, HOJE, é dose pra mamute manco!!!

 

EM TEMPO I: aliás, falando nas tradicionais frituras e vaias da torcida vascaína em São Januário com menos de 1 minuto de jogo, o grande amigo Eduardo Maganha, que está de volta com a sua excelente coluna no www.casaca.com.br , mandou uma frase clássica no último jogo: "até o Nílton Santos seria vaiado pela turma da Social em São Januário". Alguém duvida???  ;-D))

 

EM TEMPO II: e a minha SeleVASCO que eu havia anunciado na pesquisa do site Netvascao acabou dando pano pra manga e recebi uma enxurrada de e-mails exaltados na semana passada como há muito tempo não se via. Vale lembrar que a votação era pra escolher os melhores jogadores que atuaram pelo VASCO na década de 90 e eu havia escalado o time com: Acácio; Pimentel, Mauro Galvão, Torres e Felipe; Amaral, Leandro Ávila, Juninho Paulista e Juninho Pernambucano; Edmundo e Romário. Pronto, foi só eu deixar o eterno Roberto Dinamite de fora para a entrada do Romário/Edmundo que a galera em peso questionou a minha injustiça ao dar lugar a um "flamenguista" (no caso do Romário) ou a um "marginal" (caso do Edmundo) e deixar o Dinamite, ídolo-mor desta nação, de fora. Explico novamente: na década de 90 especificamente, pra ser mais exato no começo da década, foi aquela época em que o Roberto já não batia aquele bolão todo e o VASCO queria que ele encerrasse a carreira, coisa que não ocorreu de imediato já que ele ainda foi jogar na Portuguesa e no Campo Grande, onde não chegou a brilhar, e depois encerrou a carreira no clube. Sinceramente, dessa época não me recordo de partidas memoráveis do eterno Dinamite com a camisa cruzlmatina, pelo contrário, e tanto o Romário em 2000 como o Edmundo em 1997, por si só, não só fizeram e participaram de forma decisiva em "n" jogos sensacionais, como também "assombraram" o mundo com exibições de gala. E aí, sinceramente, no time da década de 90 não há hipótese do Romário ou Edmundo (pelo que fizeram NESSA década) ficarem de fora para o Dinamite, com todo o respeito ao mestre, é óbvio. Se fosse a SeleVASCO da década de 70 e de 80, aí sim era Dinamite e mais 10!!! Aliás, nessa SeleVASCO da década de 80 jogou o melhor ataque que eu já vi nestes 20 e poucos anos de arquibancada: Dinamite, Romário e Mauricinho!!!

 

EM TEMPO III: e voltando aos "jogos espíritas", outro capetinha sem vergonha quase estragou a festa argentina no Monumental de Nuñes já que aquele golzinho sem vergonha que o Brasil arrumou no início foi algo do outro mundo!!! Mas aí os Deuses do Futebol Arte acordaram a tempo e fizeram o que tinha que ser feito: virada argentina na bola e na raça já que o nosso bravo Felipão só quer saber de dar porrada e segurar o jogo. Não tem como torcer a favor da "seleção do Felipão" quando este doente insiste em deixar o Juninho Paulista (e até mesmo o Pernambucano) no banco pra Eduardo Costa, Mauro Silva e afins, assim como o excelente Juan, que ficou no banco pra Cris e Roque Júniors da vida, só porque eles não sabem e se recusam a dar porrada. Lamentável. E VIVA A ARGENTINA!!!

 

EM TEMPO IV: e falando em alegria, CHARLES BYRD VOLTOU!!! Agora o nosso time de basquete está completo já que a "cereja" que faltava na nossa sobremesa já esta aí!!! Os amantes do basquete-arte agradecem em puro êxtase!!! Agora é só o Mestre Hélio Rubens arrumar a galera da "antiga" (Rogério, Helinho, Sandro Varejão, Nenê, Mingão, Manteiguinha) com a galera que acabou de chegar (Miki Higgins, Jamison e Diego, que já acertou a volta ao clube) e deixar o Byrd voar em paz que já há cheiro de título no ar!!! Aliás, o esquadrão vascaíno já entra em quadra a partir do dia 13/09 pra disputar o Torneio Internacional de Córdoba (Argentina). Vamos lá, VASCÃO!!!

 

EM TEMPO V: e pelo campeonato Estadual de Natação, o VASCO ganhou TUDO nas categorias infantil e juvenil. Aliás, quem foi o idiota que dizia que o VASCO só "investia em medalhões e não cuidava da garotada", hein? Imagine se cuidasse!!!  :-D))

 

/+/ "OS TRUCULENTOS"!!!

 

Pois é, isso que dá fazer as coisas na correria... mandei na última coluna a reportagem "VASCO retoma a tradição dos xerifes" e, na empolgação, chamei-a de "verdadeira aula de história". Mas como eu não havia consultado antes o nosso Ph.D e referência absoluta em história vascaína, o grande Mestre MAURO PRAIS, acabei tomando um "pito" do Mestre que me mandou um e-mail (que eu publico abaixo na íntegra) pra esclarecer alguns equívocos contidos na reportagem. E pra quem chegou agora e ainda não sabe quem é o Mauro Prais, ele foi o pioneiro a ter um site do VASCO na internet que, por sinal, é a nossa Bíblia obrigatória on-line já que tudo que você possa imaginar sobre o VASCO tem lá. Aliás, quase tudo que você já viu na net em outros sites vascaínos foi copiado de lá mas o pessoal não é muito chegado a dar os créditos. Ah, claro, o endereço do site é: http://www.spaceports.com/~mprais/vasco/  . E aqui segue o e-mail dele na íntegra:

 

"Ola' Eduardo,

Escrevo a respeito do artigo que você mencionou na sua ótima coluna, do jornalista Paulo Murilo Valporto, publicado na PeléNet. Você classificou o artigo como "uma verdadeira aula de história". Bom... mais ou menos. Eu já tinha lido esse artigo e notado alguns erros grosseiros. Poucos, diga-se a bem da verdade. O pior deles esta'
contido no seguinte parágrafo:

 

"Outro jogador daquele time que tinha fama de poucos amigos era o lateral-direito Alfinete. O apelido, adquirido quando ainda atuava pelo Bangu, faz sentido: ele adorava "alfinetar" os atacantes do outro time..."

 

O valoroso Paulo Murilo errou aqui nas duas informações mais importantes: a posição e a origem do Alfinete. Ele era lateral esquerdo (aliás não usava a perna direita nem para descer do bonde) e nunca jogou no Bangu, e sim no Olaria, quando foi parte de uma excelente defesa que atingiu o seu apogeu no time que conquistou o terceiro
lugar no campeonato carioca de 1971 (para o Olaria e' uma conquista): Haroldo, Miguel, Altivo e Alfinete. Dessa defesa, apenas Haroldo não veio das divisões de base do Olaria. O Vasco imediatamente contratou Haroldo, Miguel e Alfinete. Altivo foi para a Portuguesa de Desportos. Quanto a origem do apelido, o nosso valoroso Paulo Murilo omitiu que era um apelido de criança, pois o Alfinete era muito magro quando era
criança. Depois deve ter comido chumbo para ficar com aquelas pernas grossas, a esquerda parecendo um canhão quando ele batia de longe, com a bola rolando ou cobrando faltas. Já o rosto ficou meio inchado por causa das branquinhas que ele gostava de tomar...

 

Também achei que o artigo pecou quando falou sobre o Orlando Peçanha. O artigo diz que ele "era mais técnico do que agressivo". Isto é verdade mas não e' a historia toda. Realmente o Orlando jogava o fino, tanto que recebeu da imprensa argentina o apelido de "el senor del futbol", quando jogava no Boca Juniors, e foi eleito pela revista Realidade (editora Abril) em 1968 como o melhor quarto-zagueiro de todos os tempos. Porem, na época em que ele jogava no Vasco (para onde veio ainda nos juvenis) a flaprensa o chamava de "sarrafo humano". Enquanto isso, o urubu tinha Tomires e Pavão, esses sim, pura porrada. O que só confirma o ditado "a inveja e' uma merda".

 

Estes dois exemplos realmente são apenas detalhes. Porem achei grave a contradição em que caiu o artigo ao dizer o Vasco tem uma "tradição de zagueiros que se destacam mais pelo vigor físico do que pela categoria" e em seguida mencionar Domingos da Guia, Rafanelli, Orlando, Mauro Galvão... E também comete uma injustiça com Brito e Miguel, que apesar de serem vigorosos não eram cegos de bola. Também acho injustiça classificar o Ivan, Donato e Fernando como truculentos. Será que o Fernando era considerado truculento quando jogou no urubu? Dizer que o Vasco tem "tradição de beques truculentos" e' uma distorção grosseira da história, pois da' a impressão que outros clubes não tiveram zagueiros tão ou mais truculentos que os do Vasco na mesma quantidade. Não vou nem começar a citar nomes senão o e-mail vai ficar longo demais. Mas se alguém estiver interessado, posso fazer uma listinha.

 

O Vasco não esta' atrás de nenhum clube carioca com respeito `a qualidade técnica de seus zagueiros. Tenho ate' a impressão que o Vasco e' um dos clubes que mais zagueiros de área deu `a seleção brasileira. Desafio o Paulo Murilo ou qualquer outro a demonstrar que ha' outro clube carioca com uma tradição de zagueiros que se destacam pela categoria mais do que o Vasco.

 

Abraços,

-Mauro Prais"

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.turmadafuzarca.com

 

 

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