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n.20
ano II - 04/09/2001
(próxima
edição: 11/09/2001)
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TODO MUNDO FICOU DE CARA FEIA!!!
Uns
dizem que foi mera coincidência, outros que foi castigo dos deuses
do futebol, mas o fato é que na semana em que nosso bravo xerife e
recém empossado capitão Odvan, o Deus do Bico, completou 250 jogos
com a camisa número 3 do VASCÃO, o time voltou a jogar pior do que
nunca e deixou a torcida amante do puro futebol-arte em sinergia com
a nova filosofia da zaga: de cara feia!!!
Aliás,
como bem descreveu um torcedor na saída de São Januário,
"medonha" é a palavra que melhor descreve estas duas
últimas exibições, mas é sempre bom abrirmos um senhor
parênteses aqui já que o time ainda está em formação e também
está cheio de desfalques. Mas, por favor, não me interpretem mal:
isto não é uma desculpa esfarrapada para tentar amenizar a dor
diante da mediocridade reinante, mas sim uma simples constatação
de que jogando com esta última formação não iremos longe; até
mesmo porque, graças a Deus, este não será o time titular que em
dezembro estará na capa de todos os jornais sob o título
"Pentacampeão"!
Vamos
aos fatos: sem REImário e Euller, o VASCO não tem atacantes.
Aliás, sem o REImário, o VASCO sequer tem um centro-avante. E como
é que vamos marcar gols sem centro-avantes??? Ah, o Bebeto? Claro,
o baianinho já foi centro-avante mas hoje, até mesmo pela sua
condição física, ele não aguenta mais o tranco de ficar lá na
frente trombando com aqueles "quebra-canelas". Vide o
último jogo contra o Botafogo-SP, onde ele não ficava lá dentro
enfiado e quem tinha que ir pra área era o Dedé, que é bom
atacante, mas que tem que ficar aberto nas pontas. Aí o Bebeto
ficava caindo pelas pontas e o Dedé, que nunca teve vocação pra
centro-avante, também!!! Não podia mesmo dar certo, né? Sem falar
também que, diante da escassez, nem faz muito tempo que quem estava
tendo que jogar enfiado lá na frente era o Juninho, o Pequeno
Notável, que, como também não tem esse caguete, acabava voltando
toda hora pro meio pra fazer seus brilhantes lançamentos. E aí
quando o Euller disparava lá na frente, já não tinha ninguém
dentro da área pra receber as bolas! Ou seja, a não ser por
espiritismo ou lances isoladíssimos, é que conseguíamos balançar
as redes já que os jogadores, em função de contusões e da
seleção, estavam jogando em posições trocadas. Aí,
definitivamente, não dá.
Claro
que o time tem "mais" problemas, além desse clássico
exemplo no ataque, como por exemplo nas laterais, onde cada jogador
tem a chance de jogar ali duas partidas até ser fritado em alho e
óleo pela torcida no caldeirão de São Januário. Impressionante
como nenhum lateral tem dado certo. E pior que tinha gente que
falava mal dos excelentes Clébson (que Deus o tenha) e do Jorginho
Paulista! Agora então... O Giuliano até que havia jogado bem
contra o América-MG mas domingo foi uma negação total e teve a
sua "apoteose negativa" ao ter que ouvir os coros da
torcida vascaína gritando "expulsa, juiz!" quando ele
fazia faltas!!! Sinistro... Sem falar o Gilberto, bom lateral que a
torcida faz questão de pegar no pé não pelo futebol mas pelo fato
de ser irmão do Nélio (ex-Flamengo), que se demora mais um pouco
em campo tinha uma fila de torcedores na social já prestes a
invadir o campo pra tirá-lo na porrada!!! Com certeza ele é mais
um jogador injustiçado que irá arrebentar em qualquer outro clube
mas não no VASCO, já que a própria torcida não deixa, o que é
extremamente lamentável. Ah, e quem vem chegando aí pra lateral
direita é o Rafael, de 21 anos, que era do Guarani. Pelo menos o
histórico dele não é bom já que ele é aquela "eterna
promessa" que ainda não conseguiu vingar porque é
"sócio" do Departamento Médico. Se ele está vindo pra
jogar, ótimo, agora se é pra dar uma de Luís Henrique (aquele
célebre jogador do Fluminense e da Seleção que passou quase 3
anos no departamento médico tricolor), aí é dose. Vamos ver...
E
voltando na torcida, ela também tem jogado contra ao pegar no pé
da garotada que esta aí cheia de gás mas que aos poucos vai
ficando inibida, até mesmo pela falta de experiência, com os
constantes xingamentos e vaias da torcida. Assim, eles que são
novos, já estão entrando em campo nervosos com aquele "medo
de errar" ao sentir a pressão do Caldeirão de São Januário,
o que já é meio caminho andado para o fracasso. Mas eles tem
futebol de sobra e vão se firmar com certeza (Siston e Botti), como
já vem acontecendo com o Ricardo Bóvio, que no último domingo já
deu mostras que será o novo Deus da Raça ali no meio.
Ele,
dos três, era o que vinha jogando melhor, com mais personalidade e
com uma regularidade impressionante, totalmente alheio a tudo e
todos. Como eu já havia dito na coluna da semana passada, ele é um
cabeça de área totalmente fora dos padrões convencionais já que,
além de ser extremamente raçudo, joga o tempo todo de cabeça
erguida, marca muito bem e com lealdade, não perde dividida e o que
é melhor: sabe sair jogando com a bola dominada e a deixa de
bandeja para Juninho e cia articularem as jogadas ofensivas. Domingo
então ele deu uns três lançamentos de trivela que deixaram até o
Gérson, o Canhotinha de Ouro e um dos maiores lançadores da
história do futebol mundial, de pé batendo palmas!!! Realmente a
sua última exibição por si só já valeu o ingresso pois ele fez
de tudo (e muito bem!): defendeu, armou as jogadas e chegou na
frente pra concluir. Irretocável.
Mas
enfim, não é hora da torcida perder a cabeça e começar a
"caça as bruxas", mas sim de continuar enchendo São
Januário pois, com certeza, o bom futebol e os showcolates já já
estarão de volta!!!
EM
TEMPO: e falando em bom futebol, o Juninho, nosso Pequeno
Notável, ainda desgostoso com a não-convocação pra seleção do
Felipão, conseguiu surpreender a todos ao fazer, contra o
Botafogo-SP, a sua pior atuação com a camisa vascaína. Foi uma
tarde negra já que ele errou todos os passes (raridade), não
conseguiu se livrar da forte da marcação e até escanteio ele
conseguiu bater mal. Realmente foi uma pena já que, no mínimo,
metade da galera que foi a São Januário foi lá pra ver o seu
belíssimo futebol-arte. E aqui também ficou evidenciado o quanto
ele é fundamental na equipe já que, com ele muito mal, o VASCO é
irreconhecível. Menos mal que o Bóvio conseguiu ainda armar
algumas boas jogadas mas o Juninho ainda é o Juninho!!!
EM
TEMPO I: REImário
volta domingo, Euller também. Showcolate a vista!!!
EM
TEMPO II: e
quem poderá surpreender a todos nesse time, por incrível que
pareça, é o cabeça de área Jamir. De longe ele lembra até um
lutador de jiu-jitsu (o cara é um "touro" com a cabeça
raspada na máquina 1), mas dentro das 4 linhas até que apresentou
um bom futebol jogando (ainda fora de forma) no Expressinho na
preliminar de domingo. Ele corre o tempo todo, chega junto em todas
e tem um bom passe. Tudo bem que o adversário não era a oitava
maravilha do mundo, mas a sua atuação foi muito boa e, de repente,
ele entrando ali ao lado do Bóvio pode ser que os dois venham a
formar a melhor dupla de cabeças de área do Brasil. É esperar pra
ver. E, é claro, o Odvan e o Géder agradecem!!!
EM
TEMPO III: e por falar na zaga, o Torres fraturou mesmo o
pé e vai pegar aí umas "férias" de 6 semanas. Quero ver
quem é que vai entrar na zaga se o Géder se machucar. Sim, o
Géder, pois todos nós sabemos que o Odvan tem o corpo fechado!!!
EM
TEMPO IV: e o site www.netvascao.com.br
está com uma pesquisa muito bacana: quer saber da galera qual foi a
seleção vascaína desta última década. Lembrando do auge de cada
um, a minha seleção de puro futebol-arte ficou com: Acácio;
Pimentel, Mauro Galvão, Torres e Felipe; Amaral, Leandro Ávila,
Juninho Paulista e Juninho Pernambucano; Edmundo e Romário.
EM
TEMPO V: e o presidente da flamengada se debulhando em
lágrimas de crocodilo na CPI, hein? Que cena patética! O cara não
aguentou nem 5 minutos de interrogatório e já caiu aos prantos...
papelão... depois o Eurico é que é o maior vilão do futebol...
aliás, o Edmundo só não saiu de lá direto pra cadeia porque
tinha uma liminar... agora vamos ver entrando em campo o popular
"dois pesos e duas medidas", até mesmo porque a CPI é
pra pegar o Eurico e não pra moralizar o futebol. E se for pra
moralizar MESMO o futebol, vamos ver que fim vai levar o presidente
do Flamengo já que ele está atolado até o último fiapo do
cabelo. Se ele for condenado, como já estão "n" provas
aí na mão da CPI, aí eu passo a acreditar na turma de Brasília.
EM
TEMPO VI: ah, sim, Brasil e Argentina??? Claro que eu vou
torcer pra Argentina que, diga-se de passagem, é das poucas que
joga aquele futebol vistoso dos sonhos dos amantes do
futebol-arte!!! Enquanto o Felipão insistir em chamar essa
mediocridade e deixar jogadores excepcionais como o Juninho de fora,
não dá pra levar fé... quem vai armar as jogadas? Mauro Silva?
Eduardo Costa?? Tira o tubo!!!!!!!!!
EM
TEMPO VII: e pra quem ainda
viu, a cobertura completa com fotos exclusivas do Hexacampeonato de
Handebol Masculino e do Tricampeonato Metropolitano de Futsal estão
lá no www.casaca.com.br !!!
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VASCO RETOMA A TRADIÇÃO DOS XERIFES!!!
E como hoje tudo gira em torno da nossa polêmica zaga, pra fechar
com chave de ouro segue esta excepcional matéria que foi feita pelo
jornalista Paulo Murilo Valporto para o site ww.pele.net
e que foi publicada na semana passada. Uma verdadeira aula de
história!!! Confiram:
"A
dupla de zagueiros "cara feia" formada por Odvan e Géder
assustou o ataque do Atlético-PR, na goleada do Vasco por 4 x 0,
domingo passado, pelo Campeonato Brasileiro. Mas jogadores de defesa
truculentos não são novidade em São Januário. Pelo contrário:
fazem parte da própria história do clube, que já teve Brito, Moisés,
Augusto, Alfinete, Abel, e Geraldo como terror dos atacantes adversários.
A tradição de zagueiros que se destacam mais pelo vigor físico do
que pela categoria começou na década de 20, com Brilhante e Itália.
Os dois foram parceiros no Vasco em várias conquistas, e também na
Seleção Brasileira, tendo disputado a Copa do Mundo de 1930, no
Uruguai.
Nos anos 30, o Vasco quase se redimiu, ao manter em seu time o clássico
Domingos da Guia. O "Divino Mestre", como o zagueiro
passou a ser conhecido pela crítica esportiva da época, era um
perfeccionista e se recusava a dar pontapés. O médio Fausto dos
Santos, a "Maravilha Negra", seguia a mesma linha de
Domingos e esbanjava categoria.
Já o Expresso da Vitória, que dominou o cenário do futebol
brasilero da segunda metade dos anos 40 até no começo da década
seguinte, teve os seus carniceiros. Se Ademir Menezes, Ipojucan,
Chico, Tesourinha, Heleno, Maneca, Djalma e outros craques
"pulverizavam" os adversários na bola, os zagueiros
Augusto e Rafanelli assustavam pela má fama.
Augusto também era policial, e durante alguns anos fez parte da
guarda pessoal de Getúlio Vargas, conhecida pela truculência com
que tratava meliantes e vagabundos em geral - tempo em que os
direitos individuais dos cidadãos estavam fora de moda. Impunha
tanta autoridade, que foi o xerife da Seleção Brasileira na Copa
do Mundo de 1950.
O zagueiro argentino Rafanelli também fez parte do Expresso da Vitória
e se impunha aos atacantes adversários pela habilidade, mas não
dispensava entradas duras para intimidar os incautos. Na final do
Campeonato Sul-Americano de 48, contra o River Plate de Losteau,
Labruna e Di Stéfano, foi substituído por Sampaio. Motivo: poderia
tremer contra os seus compatriotas.
Bellini, pioneiro
O legítimo sucessor de Augusto foi Bellini, capitão da Seleção
que conquistou a Copa de 1958 e eternizado com uma estátua, que se
transformou em referência, numa das entradas do Maracanã. Bellini
não brincava em serviço e fez dupla com Orlando Peçanha - este,
sim, era mais técnico do que agressivo.
Bellini foi um dos primeiros jogadores pouco habilidosos - senão o
pioneiro - a virar ídolo dos brasileiros. Outro, muito tempo
depois, foi Dunga. Na trilha do Capitão de 58, o Vasco revelou
Brito, que, nos anos 60, formou uma das duplas de zaga mais temidas
daquela época pelos atacantes mais habilidosos.
Garrincha e Pelé são apenas dois gênios, na extensa relação de
vítimas de Brito e Fontana. Brito, principalmente, gostava de
cultivar a fama de mau e foi considerado o atleta mais bem preparado
da Copa de 70, quando o Brasil conquistou o tricampeonato. Hoje,
vive no subúrbio carioca e adora lembrar do tempo em que apavorava
os rivais com as travas de suas chuteiras.
Fontana não ficou nem um pouco sem graça por ter acabado com a
festa de Garrincha: o Gênio das Pernas Tortas, já veterano, havia
sido contratado pelo Flamengo. Na estréia, contra o Vasco, sofreu
uma entrada violenta do zagueiro e não fez mais nada em campo,
frustrando 100 mil torcedores.
Seguindo a linha de Augusto, Bellini, Brito e muitos outros, Moisés
entrou para a história do Vasco ao conquistar o Brasileiro de 1974.
Ele foi autor de uma frase que fez sucesso: "Zagueiro que se
preza não pode ganhar Belford Duarte" - premio concedido pela
CBD (atual CBF) a jogadores que passam 10 anos sem serem expulsos de
campo.
Moises fez dupla de zaga com outro jogador marcado pela violência:
Miguel. Até hoje o atacante Jairzinho, o Furacão, não perdoou
Moisés por ter quebrado a sua perna numa disputa de bola, no começo
da década de 70. Neste período, o Vasco também utilizava Renê -
que não perdia a viagem.
Outro jogador daquele time que tinha fama de poucos amigos era o
lateral-direito Alfinete. O apelido, adquirido quando ainda atuava
pelo Bangu, faz sentido: ele adorava "alfinetar" os
atacantes do outro time...
Barreira do Inferno
Em 1977, o Vasco foi campeão carioca com uma defesa conhecida pela
nada simpático apelido de "Barreira do Inferno". Fazia
sentido: com Mazaropi, Orlando Lelé, Abel, Geraldo e Marco Antônio,
o setor era quase intransponível - não sofreu sequer um gol
durante todo o segundo turno.
Na década de 80, o Vasco manteve a tradição de beques truculentos
com Ivan, Donato, Orlando Fumaça, Quiñonez, Fernando, Newmar - mas
nenhum deles adquiriu o status de ídolo dos vascaínos como o
falecido Daniel González - este, sim, mais técnica do que violência.
Mauro Galvão foi o principal zagueiro do Vasco da década de 90,
contrariando o histórico do clube, de manter zagueiros que assustam
pelo estilo rude de jogar futebol - Magro e frágil, Galvão era
pura habilidade, arte em movimento. Alexandre Torres também teve
boa passagem pelo clube.
Agora, com Odvan e Géder, o Vasco retoma a tradição dos xerifes,
como defende o técnico Hélio dos Anjos. "Quero os meus
zagueiros com cara feia", disparou, semana passada. Para os
"canelas de vidro", é sinal de perigo."
E
DÁ-LHE VASCO!!!
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O L T A R
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