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n.17 ano VII - 24/07/2006

(próxima edição: 07/08/2006)

 

/+/ É TUDO OU NADA: RUMO AO MARACA!

 

(Esta coluna foi escrita na madrugada pós 2x0. Flamengos não existem.)

 

O VASCO perdeu... e agora? Você, como eu, que acreditava que o time iria dar o sangue em campo e ganhar as jogadas e o jogo no peito, na bola e na raça, como o time vinha fazendo até aqui, desligou a televisão ou desceu a rampa do Maracanã cuspindo marimbondo graúdo vivo, sem entender absolutamente nada do porquê de nada disso ter acontecido. Cadê a raça, cadê a vibração, cadê o fogo nos olhos, cadê a gana por conquistar um dos raríssimos títulos que ainda faltam na abarrotada sala de troféus de São Januário? Fomos provocados a semana inteira, desafiados por todos eles o tempo inteiro, e aí, transcorridos os primeiros 90 minutos, vemos que no final das contas a moral da história já tinha sido definido pelo fraquíssimo goleiro Diego na corrente dos jogadores antes da flamengada entrar em campo: "ninguém aqui tem mais tesão em ganhar essa porra do que nós". E o pior é que ele estava certo. O time não correu como corria, não lutou como lutava e realmente não teve nem sombra do tesão que eles tiveram. Simples assim. Mas, então, acabou? PORRA NENHUMA!!!

 

Os ouvidos já estão doendo de tanto ouvir aquela musiquinha de "vice de novo", que insiste em ecoar estridentemente pela nossa cabeça, fazendo com que até o mais insensível dos vascaínos perca a linha,  chute o balde e fale: "foda-se, tô fora, cansei". Nas quatro últimas finais de Estadual foi assim. Com times rubro-negros horrorosos, conseguimos ressuscitar o que já estava morto, e foi com esses estaduais que eles conseguiram uma sobrevida que os mantêm vivos até hoje. Todas as outras finais eles perderam, perderam até para o Santo André, mas da gente eles ganharam. E ganharam no tesão em campo e no tesão do grito que vinha da torcida em maioria nas arquibancadas. Fomos meros espectadores. Como agora. Para os vascaínos, parece que estamos indo assistir a um jogo de bocha; para a flamengada, é sempre "o" jogo da vida deles. E assim eles vão levando. Até quando?

 

Olho em volta e agora já não há mais fogos explodindo lá fora. O zunido do "vice de novo" não ecoa mais, o suor do corpo já secou e o coração já não está mais acelerado - pelo contrário. Estranhamente, como já vinha falando para os meus amigos desde a semana passada, e mesmo com a perda iminente deste inédito título, nunca estive tão tranquilo para uma final como estou pra essa. Sinceramente, não é possível que a gente ainda não tenha chegado até o final do arco-íris para receber o nosso tão sonhado pote de outro, porque esse negócio de ser vice novamente pra eles já deu o que tinha que dar. Não é possível que esse ciclo já não tenha sido encerrado. Aliás, na época da Mercosul foi igual, pois vínhamos de um vice para o Real Madri no Mundial em 98, vice no Estadual pra eles em 99, vice no outro Mundial pro Corinthians em 2000, vice na RJ-SP pro Palmeiras em 2000 e vice novamente para eles em 2000, fechando este ciclo. A Mercosul, naquela que foi a maior virada da história do futebol mundial em todos os tempos para sempre, veio daquela forma antológica que veio não por acaso, mas sim justamente para mostrar para o mundo, e principalmente para os que não acreditavam no VASCO, que o VASCO SEMPRE foi o time da virada e que esse negócio de vice é o caralho! Talvez por isso eu esteja tão tranquilo como nunca estive. O final deste ciclo de vices pra eles talvez já tenha sido encerrado mas eles ainda não sabem, e talvez só descubram no próximo dia 26. Afinal de contas, me custa muito a crer que este jogo que é a "decisão das decisões", a "final das finais", o "jogo dos jogos entre todos os jogos" irá acabar de uma maneira tão simplória, com o título indo pra flamengada num 0x0 brigado, por exemplo. Sinceramente, me recuso.

 

Este final, repito, está com cheiro de ser épico sob todos os aspectos, especialmente porque acredito piamente que ele encerrará este maldito ciclo de vices recentes para eles. Inclusive, na história das finais entre estes dois clubes falta algo assim, épico do início ao fim, pois gols decisivos no final dos jogos já houveram vários de parte à parte, e uma virada (que seria fantástica) até já foi ensaiada pelo VASCO quando aquele ladrilheiro filho de uma puta nos roubou o título no terceiro e decisivo jogo no Estadual de 81. Mas algo realmente ÉPICO na acepção da palavra, como um clube que vem de 4 vices seguidos para o outro e que numa final nacional já começa perdendo o primeiro jogo por 2x0 para então buscar lá das entranhas a força que falta para conquistar o título fazendo no mínimo 3 gols, isso ainda falta. E só mesmo o VASCO para realizar um feito desta magnitude porque isso não existe em lugar nenhum do mundo e nem na história do futebol mundial em todos os tempos - é uma página virgem no livro de ouro do futebol esperando para ser escrita. Talvez isto tudo só exista mesmo dentro da minha cabeça de vascaíno apaixonado que, mesmo às 3:30hs da madrugada, ainda não conseguiu ir dormir e que segue visualizando no segundo jogo a flamengada abrindo logo o placar, alguns jogadores vascaínos expulsos (afinal o juiz é o Simon), pênalti roubado, torcida inferior nas arquibancadas, e mesmo assim o VASCO vira para 5x1 e mostra para todos os rubro-negros vivos e mortos quem é que manda, mais uma vez o VASCO mostra ao mundo o que é uma final épica. Talvez seja um simples delírio provocado por esta derrota mal digerida, mas tudo bem (ou quase), o agora não importa mais, nem o sono, pois sei que já irei acordar na arquibancada do Maracanã às 20:00hs do dia 26/07, e tudo que acontecer neste hiato de tempo, de fato, não terá a menor importância.

 

Talvez esta certeza de que o pote no final do arco-íris será encontrado pouco antes da meia-noite do dia 26 explique esta minha tranquilidade, que para muitos a essa altura do campeonato beira a completa insanidade. Não ligo. O "problema" é que eu vi e vivi a Mercosul 2000, e por isso mais do que nunca a minha convicção vascaína e o meu otimismo me impedem de quebrar o meu ingresso, como um vascaíno menos cascudo me relatou em fúria via e-mail, e muito menos o venderei para um rubro-negro entupir ainda mais as fileiras do lado negro da força. Nada disso. No próximo dia 26 eu estarei lá no Maraca de bandeira em punho e pronto para gritar até ficar afônico. Talvez não tenha nem voz para gritar "é campeão" ao final do jogo ou talvez até nem tenha o quê gritar. Minha única certeza é que no dia 27/07 nunca mais serei o mesmo.

 

Flamengos não existem.

 

EM TEMPO I: palavras do mestre Rafael Fabro para continuarmos na corrente de exorcismo da flamengada:

 

"Se o Flamengo é uma oceânica ilusão, como eu já havia escrito logo após o Dia de Santo André (30/06/2004), torna-se com pompa e circunstância o último dos fantasmas a ser exorcizado pelo Vasco na Copa do Brasil. Não haveria melhor desfecho para a saga cruzmaltina. Se alguém ainda acredita em Flamengos fantasmagóricos, os dias 19 e 26 de julho estarão na agenda eterna para lembrarem a todos da verdade monumental. Ela será construída com a intensidade de cada simples vascaíno que estará dentro do Maracanã. E assim será proclamado para toda a eternidade: Flamengos não existem".

 

Assim está escrito e assim será. Quem viver verá. Amém.

 

EM TEMPO II: um dos poucos jogos que vi na Copa do Mundo foi Portugal 0x1 França pelas semi-finais. Uma cena em especial me chamou a atenção e foi bem o resumo daquela partida: aos 47 minutos do segundo tempo, o craque e "vovô" Figo, completamente extenuado após dar mais um pique pela ponta direita, luta na base do bico ao invés da técnica para conseguir um escanteio para a seleção portuguesa, e nem respira para fazer logo a cobrança. Portugal não venceu aquele jogo por detalhes, mas que o sangue, o suor e a raça de todos os valentes jogadores portugueses ficaram naquele gramado alemão, a começar pelo exemplo dado pelo craque do time, disso ninguém teve dúvida. Se os jogadores vascaínos, meros espectadores na primeira partida, jogarem com METADE da vontade, da raça, da disposição e do tesão com que os portugueses disputaram aquela partida, a goleada vascaína redentora virá. A defesa deles é tão fraca quanto a nossa e a diferença é que a gente não os apertou. E se apertar, eles entregam. Fácil.

 

EM TEMPO III: o Observatório Vascaíno finalmente ganhou vida (quase) própria e, a partir de agora, conforme sempre foi o sonho do Maganha, se tornou um blog apartado do CASACA!. Agora vai ficar mais fácil e mais rápido pra gente denunciar as sandices e mentiras que são ditas sobre o VASCO nos territórios inimigos da flapress. Nós, mais do que nunca, continuamos de olho nessa corja. Acessem: http://blog.casaca.com.br/

 

EM TEMPO IV: e você, "vascaíno desde o ventre da mãe" ou não, quer efetivamente colaborar com a causa vascaína e até interferir no destino do clube nos próximos anos ou vai ficar eternamente apenas resmungando pelos fóruns da vida? Se você, assim como eu, escolheu a primeira opção, então não perca mais tempo e entre no Sócio-Torcedor: www.soumaisvascao.com.br . E agora o vascaíno tem a disposição DENTRO de São Januário o telefone (021) 2176-4979 para esclarecer todas as dúvidas e regularizar possíveis pendências.

 

EM TEMPO V: desde novembro de 2002, toda segunda-feira é dia de falarmos de VASCO no rádio: é o programa CASACA NO RÁDIO, toda segunda-feira, das 20h às 22h, na rádio Bandeirantes AM RJ 1360 Khz. Até lá!

 

EM TEMPO VI: os cães ladram, a Caravela passa e flamengos não existem!!!

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.eduardolopes.com

http://bailedeloslocos.zip.net

 

 

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