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n.30 ano VI - 24/10/2005

(próxima edição: 31/10/2005)

 

/+/ REIMÁRIO BOTOU A FLAMENGADA NO BOLSO

 

"Quando o VASCO insiste em me fazer sofrer, sempre há a flamengada para me fazer sorrir". Com esta antológica frase do grande Fábio "El Cremildo" Ferreira matutando na cabeça, parti tranquilo para São Januário no último sábado para assistir ao "clássico dos clássicos". E a tranquilidade se justificava: REImário ia jogar. Afinal de contas, além da flamengada, REImário também me faz sorrir... e muito! Sempre que o baixinho está em campo, invariavelmente, eu fico tranquilo. Não tinha visto a ótima vitória do VASCO sobre a botafogada por 1x0 naquele jogo remarcado, onde o REImário mais uma vez havia deixado uma bola no fundo das redes, e apenas me deleitei com a ótima coluna do mestre Rafael Fabro sobre o jogo e sobre Ele. Ainda liguei para os amigos para saber mais do jogo e fiquei pela milésima vez ouvindo maravilhado sobre os passes e as jogadas geniais deste senhor de quase 40 anos que, mais uma vez, havia sido decisivo na partida.

 

Não tive dúvidas e, pela primeira vez em muitos anos, fui para o "clássico dos milhões" vestindo a camisa do VASCO. E a camisa, óbvio, era a camisa preta número 11 personalizada do REImário, novinha em folha recém-tirada do armário, que eu achava que iria apenas ficar ali exposta para todo o sempre como uma lembrança especial deste que foi o maior centroavante da história do futebol mundial em todos os tempos. Hesitei bastante em ir para o estádio vestido com ela mas, ao colocá-la, tal como aquelas crianças que acabam de ganhar no carnaval uma fantasia de super-homem ou batman, me senti tão poderoso e imortal como o lendário baixinho que a tornou famosa que percebi que não dava para ir para São Januário sem ela. VASCO e flamengada é sempre um jogo especial, um divisor de águas tanto para um clube quanto para o outro, e era necessário levar todos os amuletos possíveis. Mas para ser sincero, nem precisava. Mais do que qualquer outro jogador em campo ou fora dele, REImário sabia que não havia outro resultado possível que não fosse a vitória vascaína naquele confronto, assim como Ele também sabia exatamente o tamanho da bomba que iria explodir em São Januário caso o VASCO não saísse dali com um resultado positivo. Isto posto, não restavam dúvidas de que o jogo seria do REImário, e assim foi.

 

Está certo que, por incrível que pareça, ainda há muitas pessoas (vascaínos inclusive) que se negam a acreditar no REImário. "O futebol dele já acabou", dizem uns, "como é que fulano escala um cara que não corre?", questionam outros, e por aí vai o rol de lamúrias a respeito do baixinho imortal. Mas todas essas afirmações e questionamentos vão imediatamente por água abaixo tão logo a bola rola. Aliás, tenho absoluta convicção de que todo mundo que fala isso dEle não vê as partidas nas quais Ele atua. Simples assim. Basta um toque na bola para Ele transformar o lance mais complicado na jogada mas fácil da história. Você vê em campo 21 jogadores, seja em que partida for, se matando para acertar um simples passe ou fazer uma boa jogada, para não dizer gols, e quando a bola chega naquele senhor com a 11 às costas, como que por encanto, o passe sai sempre redondo, as jogadas banais viram ótimas oportunidades de gol, e aqueles gols que "até minha mãe faria" que os centroavantes por aí desperdiçam às toneladas, ele faz. Claro que Ele não dá mais piques, fica muito mais tempo paradão, mas quando a bola lhe chega aos pés, tudo muda daquele instante para a frente. Parece mágica, e até deve ser mesmo, porque não se vê nenhum outro jogador com tamanha qualidade no toque de bola, seja para empurrá-la para as redes como para dá-la de bandeja para outro jogador. Nesse jogo, especificamente, com o mestre Rafael Fabro endossando algumas pequenas obras-primas, poderia falar da rolada de bola açucarada para o Fernandinho empurrá-la sozinho para as redes (e ele perdeu), ou do passe de chilena perfeito pelo alto no meio-campo para o Abedi, ou da jogada de futevôlei com a cabeça para o Alex Dias, ou então da esticada na esquerda da grande área onde, quando todos esperavam que Ele fosse cruzar, Ele então num singelo passe descobriu o Róbson Luiz que acabou chutando para fora. Entretanto, ficarei apenas com a jogada que aconteceu ali na ponta-direita, já no segundo tempo, bem em frente à Força Jovem, quando Ele estava com a bola na linha lateral, quase na bandeirinha de escanteio, com um daqueles zagueirões na cola. Ele levantou a cabeça e percebeu pelo retrovisor (sim, craque tem retrovisor!!!) um vascaíno se aproximando. Esse cara era o Ives, quase lá no meio-campo, a 20 metros de distância. Sem pensar duas vezes, meteu de calcanhar e a bola foi retinha beirando toda a linha lateral, por 20 metros, até chegar certeira nos pés do menino Ives! No futebol de hoje, onde para alguém acertar passe de frente de 5 metros já é difícil, o que dirá acertar um de calcanhar colocando a bola para seguir toda a linha lateral sem sair de campo por 20 metros!!! Só mesmo o baixinho imortal!

 

"Ora bolas, mas futebol é bola na rede", lembrará o mais afoito dos torcedores, aquele do tipo que, se vai ao estádio, não é para assistir à beleza do espetáculo uma vez que eles são incapazes de perceber a grandeza dessas jogadas que também são as responsáveis diretas por toda a magia do futebol. OK, se futebol é bola na rede, lá está o REImário novamente, dentro da área, recebendo um cruzamento do Fábio Braz onde, com apenas dois toques (um pra dominar e outro pra chutar), botou a bola lá no fundo das redes, marcando assim o segundo gol vascaíno na vitória de 2x1, afundando ainda mais a flamengada no lodo da zona de rebaixamento, e fazendo com que o VASCO subisse mais três pontos na tabela rumo à zona da Sul-americana. Mais uma vez, se futebol é bola na rede, Ele já soma 15 gols neste Brasileirão. Como o VASCO já disputou 33 partidas e Ele praticamente não jogou nos jogos fora de casa, o que dá quase metade dessas partidas, logo, por alto, dá para se perceber que o baixinho tem uma média de quase 1 gol por jogo, média esta muito parecida com a de 2000, quando o VASCO com Ele foi tetra-campeão brasileiro e faturou aquela antológica Mercosul, e onde Ele foi considerado o jogador de melhor aproveitamento e com a maior quantidade de gols marcados naquele ano neste planeta. Agora me diz aí quem hoje no futebol brasileiro, no auge da forma física e técnica, também tem uma média de quase 1 gol por jogo quanto o "acabado" REImário...

 

Se a torcida vascaína acordou no domingo sorrindo feliz e contente de orelha à orelha com mais uma estocada na flamengada e com o time cada vez mais longe da ameaça de rebaixamento, tudo isso se deve, principalmente, a este senhor de quase 40 anos que segue pelos gramados desafiando o tempo, mostrando que o futebol é um dos esportes mais fáceis do planeta, tratando a bola de "meu amor" e fazendo gols, muitos gols. Quem diz que o REImário não pode mais jogar futebol com certeza é inimigo declarado do puro futebol-arte. REImário é REImário; e o resto, bem, o resto definitivamente ou não entende ou não gosta de futebol-arte.

 

EM TEMPO: após a partida, o presidente Eurico disse em entrevista para as rádios que "Romário no Vasco joga até quando quiser e da forma que quiser. Quando ele achar que não pode mais ajudar o Vasco ele vai parar e vamos fazer a grande festa para ele aqui no Vasco". Eu, o mestre Rafael Fabro e todos os amantes do puro futebol-arte assinamos embaixo. Enquanto Ele quiser jogar, que seja no VASCO, a casa que lhe abriu as portas para o futebol e que agora o recebe novamente para o encerramento digno e à altura da sua magistral carreira. Definitivamente, Ele é o cara. E os amantes do puro futebol-arte agradecem.

 

EM TEMPO I: depois dêem um pulo lá no meu blog para recordarem uma das melhores fotos do REImário da história, tirada naquele célebre 5x1 no Brasileirão de 2001. Está logo abaixo do show dos Strokes. Vai lá: http://bailedeloslocos.zip.net .

 

EM TEMPO II: mais uma vez escrevo preocupado com o nosso Alex Dias, já que ele continua perdendo um caminhão de gols, dando a entender que não quer ser o artilheiro da competição. E olha que está fácil, hein! Ao invés de meterem o time de castigo para concentrar 48 horas antes dos jogos, acho que o Renato deveria botar esse povo de castigo 2 horas depois dos treinos para treinar apenas e tão somente finalizações. Pode reparar: em todo jogo o VASCO desperdiça várias oportunidades, daquelas na cara do gol, uma prova de que do meio pra frente as coisas funcionam. Mas como o Alex Dias (principalmente) e o restante não querem balançar as redes, estamos sujeitos às entregadas de ouro lá atrás que acabam complicando os jogos.A flamengada mesmo, por exemplo, só não levou de 8 porque o VASCO não quis.

 

EM TEMPO III: além do REImário, destaque absoluto para o garoto Ives e para o zagueiro Anderson. Surpreenderam e jogaram muito!!!

 

EM TEMPO IV: curioso foi dar uma olhada nos jornais (exceção honrosa, quem diria, ao jornal O GLOBO, que narrou o quê de fato aconteceu) e ver que eles tentaram de todas as formas transformar a partida numa das maiores guerras já vistas no Rio de Janeiro, dando ênfase sempre ao estádio de São Januário. Só que, lendo as reportagens, vimos que a única guerra e selvageria que houve foi entre a própria flamengada (como sempre) e entre eles e a polícia. Todas as fotos eram da flamengada (ou entrando na porrada ou sendo presos pela polícia) e quem entrou com bombas foram eles porque a polícia só chegou com eles no estádio em cima da hora e aí a flamengada tentou invadir na marra e a polícia desceu a porrada e acabou facilitando o acesso. Lá dentro a mesma coisa, eles meteram bomba na torcida vascaína e a polícia mais uma vez desceu o cacete neles, assim como no intervalo eles tentaram depredar nossos banheiros e outras coisas mais e a polícia novamente desceu o sarrafo. Nota 10 para a polícia, que deu um verdadeiro show tanto fora como dentro do estádio, e nota 0 para esses marginais rubro-negros que foram até São Januário apenas com a intenção de tumultuar e literalmente quebraram a cara.

 

EM TEMPO V: dois clássicos em São Januário e mais uma vez uma aula de organização. Esse é o "clube dos bandidos"!!!

 

EM TEMPO VI: e você, "vascaíno desde o ventre da mãe" ou não, quer efetivamente colaborar com a causa vascaína e até interferir no destino do clube nos próximos anos ou vai ficar eternamente apenas resmungando pelos fóruns da vida? Se você, assim como eu, escolheu a primeira opção, então não perca mais tempo e entre no Sócio-Torcedor: www.soumaisvascao.com.br . E agora o vascaíno tem a disposição DENTRO de São Januário o telefone (021) 2589-4979 para esclarecer todas as dúvidas e regularizar possíveis pendências.

 

EM TEMPO VII: e toda segunda-feira é dia de falarmos de VASCO no rádio: é o programa CASACA NO RÁDIO, toda segunda-feira, das 20h às 22h, na rádio Bandeirantes AM RJ 1360 Khz. Até lá!

 

EM TEMPO VIII: os cães ladram e a Caravela passa...

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.eduardolopes.com

http://bailedeloslocos.zip.net

 

 

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