|
n.23 ano VI - 01/08/2005
(próxima edição: 08/08/2005)
/+/ NO MEIO DA ZONA - PARTE V: A VIRADA
FANTÁSTICA
Todo mundo está
careca de saber que sou um otimista irritante, daqueles chatos de
galocha do tipo "o jogo só termina quando acaba", que sempre
acredita na virada heróica e no gol do título aos 51 minutos do
segundo tempo. Pode vir um exército com 5.000 homens fortemente
armados até os dentes contra mim que sempre vou acreditar que há uma
maneira de sair vivo da história. Nunca há tempo ruim. Aliás, neste
planeta, por enquanto só mesmo o Maganha e o Rafael Fabro talvez
cheguem próximo ao meu nível irritante de otimismo. E só.
Entretanto, confesso que depois das últimas atuações grotescas
aliadas à "cereja no bolo", que foi aquela varetada de 7x2 para o
Atlético-PR no meio da semana passada, o meu grau de otimismo
irritante passou a tender a menos infinito enquanto que o do Dr.
Fabro foi exilado para a Sibéria. Mesmo sem deixar transparecer
externamente para todos os babacas que tentaram me sacanear após
aquele jogo, e que não arrumaram nada já que o discurso era um só:
"nas coisas boas o VASCO sempre foi o pioneiro, já nas coisas ruins
o VASCO sempre foi o último, como neste jogo, pois foi o último
clube grande do eixo RJ/SP a perder um jogo de 7", internamente
porém acabei me transformando num pessimista neurótico em fase
terminal. Jogo sábado contra o São Caetano em São Januário? Desculpa
mas eu estou fora, cansei.
Eis que chega o
sábado e lá fui eu almoçar fora para depois ir ao dentista que fica
até relativamente próximo de São Januário. Meu dentista, rubro-negro
por sinal e louco de carteirinha já que toda semana ele vai ver a
flamengada "in loco" lá no Tubularzão da Ilha, ao final da consulta
fez a tradicional pergunta: "Estás indo lá para São Januário?" E a
resposta saiu muito estranha: não, vou pro cinema. "Fala sério, são
14:30h e tu vai sair daqui para ir ao cinema? Duvido!" É sério, não
trouxe nem o bilhete do carnê e nem a carteira de sócio. Estou de
férias como torcedor. Saí do consultório, tomei o caminho oposto de
São Januário e fui dar uma passada na casa dos meus pais antes de
partir para algum shopping qualquer. Estava firmemente decidido,
pela primeira vez em mais de 20 anos de arquibancada, a ignorar
solenemente um jogo do VASCO. Simples assim. E estava tudo indo "tão
bem" até que no caminho vi uma cena perturbadora que mais parecia a
fina-flor do delírio surrealista: num ponto de ônibus sem cobertura,
debaixo daquele sol de rachar, estava lá todo sorridente um sujeito
trajando uma camisa do VASCO com uma criança no colo. Ao seu lado,
também sorridentes, havia três meninas (a mais velha não devia ter
nem 8 anos!), com bonezinhos e adereços cruzmaltinos, mais uma
senhora falante, que devia ser a mãe, e mais ninguém. Na hora
pensei: "como há maluco nesse mundo, o time do VASCO só tomando
piaba e ainda aparece um maluco que está aí mofando no sol para
encarar um ônibus lotado com a família TODA para ir até São Januário
se aborrecer. Coitado, vai perder o sábado". Dei de ombros como se o
time que ele torcesse não fosse o mesmo que o meu e segui em frente
até chegar na casa dos meus pais. Liguei para o Maganha e narrei o
surrealismo da cena que acabara de ver. Aí caiu a ficha. Subitamente
meu otimismo voltou e disse para ele que não havia hipótese da gente
perder o jogo porque seria muita sacanagem com aquela alegre família
ter o sábado estragado por causa de meia dúzia de pernas-de-pau que
correm para não chegar e que não fazem idéia da quantidade de
famílias humildes como aquela, que graças às diversas promoções que
subsidiam os preços dos ingressos podem voltar aos estádios, e que
passam um dobrado numa cidade caótica como a nossa para terem as
suas 2 únicas horas de lazer sentadas lá na arquibancada torcendo
por uma boa vitória do VASCO. E o Maganha foi enfático: "Pois é,
Lopes, Deus não seria tão cruel". Afinal de contas, se aquele
sujeito havia escolhido o jogo do VASCO, último colocado num dos
Brasileirões mais sem-vergonhas da história, depois de um 7x2 na
moleira, para levar de ônibus a família inteira para assistir, só
mesmo ele recebendo um sinal do Além que garantia que tudo ia dar
certo.
Acabei desistindo de
ir ao cinema, liguei a tv e fiquei por lá mesmo assistindo ao jogo
com meu pai. Após um primeiro tempo onde tomamos (mais) um gol
ridículo (ainda mais sendo do Dimba!) e onde demos apenas um chute a
gol, no segundo tempo todo mundo resolveu correr por si e pelo
companheiro mas mesmo assim a vaquinha vascaína se encaminhava firme
e forte para o brejo com sininho e tudo após o segundo gol marcado
pelo fdp do Edílson. Na hora pensei naquela família, no pai puto da
vida se dividindo entre xingar quem quer que aparecesse pelo caminho
e em consolar as filhinhas, em ter que voltar pra casa encarando
outro ônibus lotado sabendo que o time continuaria na última
colocação e se perguntando "o quê é que eu vim fazer aqui"? Mas como
o Maganha havia dito, "Deus não seria tão cruel", e de fato não foi.
Faltando 15 minutos pro jogo acabar, Alex Dias saiu driblando todo
mundo na frente da área, tocou para o Anderson que tocou para o
Abedi estufar as redes. Será? Logo em seguida o Diego veio pela
esquerda e achou o Abedi solto na área, ele chutou e a bola pegou no
zagueiro e voltou no alto para o Fernandinho emendar de bate-pronto
e fazer um golaço. A torcida se inflamou e os tradicionais gritos do
"time da virada" invadiram os microfones da transmissão onde
narrador parecia até que estava transmitindo o jogo de dentro da
Força Jovem. E aos 45 minutos, no apagar das luzes, eis que o
REImário surgiu como cabeça-de-área para roubar a bola de um
atacante do São Caetano e lançou para o Diego correr na
ponta-esquerda. Ele deu um belo pique e fez um lindo lançamento para
o Alex Dias bater o zagueiro, dar um toque sutil na saída do
goleiro, assumir a artilharia da competição com 10 gols e botar um
sorriso na cara de todos os vascaínos deste e de todos os outros
planetas! A vaquinha que estava praticamente morta dentro do brejo
foi salva com 3 gols nos 15 minutos finais mais improváveis da
história!!! Pulei como um maluco pela sala e me senti um verdadeiro
idiota por não ter ido até São Januário, por subitamente ter deixado
de acreditar que o VASCO, independente de quão ruins os resultados
estejam sendo, sempre carregará nos momentos mais difíceis e em
sinergia com a torcida essa coisa mágica e inexplicável que é essa
força para esmagar o adversário quando tudo aponta justamente para o
contrário. Talvez até mesmo pelo fato de ser vascaíno que tenha me
transformado num otimista irritante (e já deu pra notar que voltei a
ser novamente!); afinal, quem viu o que foi a Mercosul sempre
acreditará que a gente vai conseguir dar a volta por cima. Mas feliz
mesmo foi aquela família, que teve o melhor sábado do ano e que
voltaram para casa sorrindo de orelha à orelha. Esta semana a nação
vascaína vai dormir feliz... pelo menos até o próximo jogo!
EM
TEMPO I:
apesar dos pesares, foi um jogo que lavou a alma de todos porque,
como disse o próprio REImário ao final do jogo, em 15 minutos o
VASCO voltou a ser o VASCO. Repito pela milésima vez: o time é fraco
mas está rigorosamente na média de todos os outros, exceto por um ou
outro. E na correria e disposição, ainda mais jogando em casa,
ninguém pode ganhar da gente. Mas que esse time ainda vai enfartar
muita gente, isso vai!!!
EM TEMPO II: mesmo com a ótima vitória
(a terceira no campeonato, a terceira de virada e a terceira sobre
times paulistas), a situação continua difícil e o time tem que
continuar com essa mesma pegada e com esse mesmo espírito dos
últimos 15 minutos. É só na base da raça que a gente vai sair dessa
situação.
EM TEMPO III: só há duas coisas certas
nesta vida: 1- todo mundo vai morrer; 2- a defesa vascaína vai levar
gol. Impressionante!!!
EM TEMPO IV: aos amigos que me
acompanhavam lá no site Supervasco (antigo Netvascão), onde eu
também publicava minha coluna desde que o site surgiu ainda com o
tradicional "cjb.net", a partir de agora não me acompanharão mais já
que fui surpreendido com o convite para me retirar. Pois é, caiu o
último rincão de "democracia" na internet já que o site agora está
com uma linha "em defesa dos interesses do VASCO", seja lá o que
isso signifique. Sinceramente não sei se eu não defendo os
interesses do VASCO só porque aparecia insistentemente aquela
propaganda da "Flubutique Online" ao lado da minha coluna (esclareço
pela última vez: é coisa do Google e ninguém consegue controlar) ou
porque me recuso terminantemente a dar copy-paste em notícias de
veículos historicamente tão "confiáveis" e tão "pró-VASCO" como o
jornal O DIA, EXTRA, entre outros, e ao invés de fazer meus
comentários tomando como verdade absoluta essas informações dos
anti-vascaínos que escrevem nesses veículos, procurar sempre a
verdade para desmascará-los e entender aonde eles querem chegar com
determinadas "notícias". Mas tudo bem, vida que segue, respeito a
posição deles e saio tranquilo agradecendo a todo mundo que me lia
por lá e que me tornaram o colunista mais acessado por aquelas
bandas, o que por si só deixa qualquer um envaidecido. A amizade e a
troca de e-mails com o Elisvaldo Coelho e com o Panoeiro continua
numa boa, e torço sinceramente para que eles tenham sucesso nessa
nova linha "em defesa dos interesses do VASCO" uma vez que o clube
continua e continuará sempre de portas abertas para quem quiser e
tiver disposição para AJUDAR, principalmente nos momentos difíceis.
EM TEMPO V: e não é que teve vascaíno
comemorando a "chance de ouro" (?!?) no dia seguinte após o desastre
do 7x2? Depois dêem um pulo e confiram lá no blog
http://bailedeloslocos.zip.net . É impressionante!!!
EM TEMPO VI: e
você, "vascaíno desde o ventre da mãe" ou não, quer efetivamente colaborar com a causa vascaína e até
interferir no destino do clube nos próximos anos ou vai ficar
eternamente apenas resmungando pelos fóruns da vida? Se você,
assim como eu, escolheu a primeira opção, então não perca mais
tempo e entre no Sócio-Torcedor: www.soumaisvascao.com.br
. E
agora o vascaíno tem a disposição DENTRO de São Januário o telefone
(021)
2589-4979 para esclarecer todas as dúvidas e regularizar possíveis
pendências.
EM TEMPO VII:
e toda segunda-feira é dia de falarmos de VASCO no rádio: é o
programa CASACA NO RÁDIO, toda segunda-feira, das 20h às 22h, na
rádio Bandeirantes AM RJ 1360 Khz. Até lá!
EM TEMPO VIII:
os cães ladram e a Caravela passa...
E DÁ-LHE VASCO!!!
www.eduardolopes.com
http://bailedeloslocos.zip.net
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Gostou?
Quer receber uma nova edição gratuitamente toda segunda-feira?
Então
basta mandar um e-mail em branco para:
[email protected]
(o
seu cadastramento será feito automaticamente)
+++++++++++++++++++++++++++++++++++
V
O L T A R
|
|