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n.32 ano V - 15/11/2004
(próxima edição: 22/11/2004)
/+/ A FLAMENGADA A NATUREZA MARCA!
Estava lá tranquilo
em São Januário, a poucos instantes do início da partida contra o
São Paulo, batendo aquele papo camarada com os grandes vascaínos
Sérgio Nogueira e David. E entre uma volta do Pet aqui, o time com
três zagueiros ali e a despedida do Romário da Seleção acolá,
inevitavelmente veio à tona o papo sobre o provável rebaixamento da
flamengada para a segunda divisão do Brasileirão. Como sempre digo,
nunca fui muito fã de ficar "secando" ou torcendo contra um rival de
qualquer natureza pois sempre achei que esse ato, de alguma maneira,
acabaria atraindo fluidos negativos para o nosso próprio clube.
Então me limito a esperar o resultado final dos jogos dos
adversários para saber se irei abrir um sorriso largo e soltar
aquele almanaque de zoações para cima do primeiro "alemão" que
aparecer pelo caminho ou se a vida seguirá tranquila como se nada
tivesse acontecido.
E enquanto
discutíamos se valia a pena ou não dar uma secada na urubuzada pelo
rádio enquanto a bola rolava em São Januário, até mesmo porque as
rádios cariocas em peso preferiram transmitir o jogo da flamengada
(e olha que a rede Globo de televisão também estava transmitindo a
rinha Galo x Urubu ao vivo para todo o Brasil), imediatamente me
veio à lembrança uma dessas frases geniais, antológicas, atemporais,
escrita por um dos maiores (talvez até o maior) gênios da crônica
esportiva mundial em todos os tempos para sempre, o grande Dr.
Rafael Fabro. Disse ele (e aqui vai o parágrafo inteiro retirado da
soberba coluna "A delícia de ver o pandemônio flamenguista", que foi
publicado originalmente no CASACA!):
"O
vascaíno se pergunta se deve secar ou não o Flamengo. Secar admite
um quê de masoquismo porque faz com que vejamos jogos atrás de jogos
dos tais cidadãos. Como torcidas secadoras, estilo Fla-Fiel,
Fla-Manchester ou Fla-Azulão, não é a praia cruzmaltina, fica o
deleite de saber que o Flamengo atualmente não precisa nem de
secadas, macumbas e afins. Como aquele cara ruinzinho de qualquer
pelada por aí, o Flamengo a natureza marca".
Pois é, enquanto a
bola rolava em São Januário e a meninada vascaína começava a dar uma
pressão no tricolor paulista, os radinhos de pilha espalhados pelas
arquibancadas e cadeiras já davam conta de que o "Líder da
Ressurreição Rubro-Negra", o glorioso Júnior Baiano, já havia sido
expulso e que a porteira rubro-negra já tinha deixado passar o
primeiro galo. É claro que o quê de fato importava era o VASCO, que
fez uma bela partida, dar uma boa bordoada na paulistada, até mesmo
porque é difícil olhar para o time paulista ali no gramado de São
Januário e não se recordar do showcolataço histórico de 7x1 em 2001.
Mas como já havia profetizado um outro vascaíno que pulava como uma
criança pelos corredores das sociais com um daqueles primeiros
modelos de rádios de pilha a aportar no Brasil, "hoje a goleada não
será aqui em São Januário, e sim lá no Ipatingão"!!
E o coroa tinha
razão. Por mais que o VASCO tentasse, e o André Lima, que além de
isolado no ataque não estava numa tarde feliz, todas as nossas ações
esbarravam na forte marcação paulista. Só com a entrada do Marco
Brito (o Carrasco Rubro-Negro) no segundo tempo é que o time
conseguiu finalmente ser mais efetivo nos arremates e mais criativo
nas construções das jogadas de ataque, porém o Pet também não esteve
bem (prendeu a bola em demasia e matou várias jogadas), e o tão
sonhado gol vascaíno acabou não acontecendo. Entretanto, a cada
"quase" gol vascaíno aqui, lá vinha pelas ondas do rádio a voz rouca
do locutor se esgoelando para narrar mais um gol do Atlético-MG na
flamengada lá pelos prados das Minas Gerais. Imediatamente, como
diria o Dr. Fabro, se fazia aquela "pausa
para um sorriso sádico no canto da boca" e então aquele mar de
gargalhadas explodia com a força de um tsunami pelas arquibancadas
vascaínas. Um gol perdido aqui, um gol feito lá. Outro gol perdido
aqui, um-dois-três gols feitos lá. Mais outro gol perdido aqui,
um-dois-três-quatro-cinco-seis gols feitos lá. Zero a zero aqui, 6x1
lá.
Ou seja, se o
vascaíno viu outra vez o time jogar bem e não conseguir a vitória,
seguindo na zona intermediária do campeonato sem maiores pretensões
(infelizmente) pra cima e muito menos (felizmente) pra baixo, pelo
menos a saída de São Januário foi uma das mais engraçadas da
história: ninguém falava nada sobre o jogo do VASCO, apenas sobre o
hilário showcolataço que a flamengada acabava de levar e que dessa
maneira os reconduzia de volta para a zona do brejo dos rebaixados,
de onde, aliás, eles teimam em não sair.
E nós, vascaínos de
coração, não precisamos mais nos preocupar com a agonia do nosso
principal rival e nem acompanhar a via crúcis rubro-negra para o
triste (pra eles) fim que se desenha neste campeonato. Deixem eles
sofrerem sozinhos. A nós basta apenas pegarmos o jornal nosso de
cada segunda-feira pra constatar o óbvio pois, como bem ensinou o
Dr. Fabro, "a flamengada a natureza marca"!
EM TEMPO: neste dia 15 é aniversário da
flamengada. E como bem diz o hino deles: "Eu teria um desgosto
profundo se faltasse o Flamengo no mundo"!!!! Que presentaço, hein???
;-D))
EM
TEMPO I:
notícia boa. Olhem a
declaração do Edmundo para os jornais na semana passada:
"A chance de
voltar para o Vasco é zero. Prefiro encerrar minha carreira a ter
que jogar novamente num clube comandado por aquele tipo de gente. É
fácil dizer "eu amo o Vasco" e só fazer as coisas em benefício
próprio". Beleza, Edmundo, vá com Deus e pela sombra. Obrigado por
97 e que você seja feliz nessa sua nova empreitada. Agora, essa do
"benefício próprio" eu não entendi. Afinal, quantas vezes você disse
"amar o
VASCO" e fazer TUDO rigorosamente em benefício próprio? Quantas
vezes você deixou o VASCO na mão??? Ah, tá, desculpa aí, foi mal...
EM TEMPO II: outra notícia boa. Após o
amistoso dos "Amigos do Romário" contra a seleção do Haiti (2x1 pra
eles) lá em Miami, o Romário declarou para o El Nuevo Herald (como
bem pescou o pessoal do Netvasco):
''Fue una
noche de fiesta, los haitianos jugaron muy bien. Con este partido me
retiré de la selección, pero seguiré mi carrera en Vasco da Gama".
Ou seja, ele diz pela primeira vez para a imprensa que se aposentou
da seleção mas que vai continuar sua careira no VASCO. A camisa 11
está lá guardadinha esperando para que ele possa ter um fim de
carreira digno pelo clube que o projetou para o mundo. Afinal, não é
toda hora que um clube forma o maior centroavante da história do
futebol em todos em tempos para sempre. Só espero que, se ele vier
mesmo, que a torcida não o hostilize como cansaram de fazer com o
Roberto Dinamite, maior ídolo do clube, quando este retornou a São
Januário para também ter um fim de carreira digno.
EM TEMPO III: a propósito, que
cobertura escrota da despedida do Baixinho da Seleção pelos jornais,
hein? O cara ainda só de onda fez os dois gols da vitória de 2x1 e o
trataram como se fosse um Washington da vida. Nem no Lance! e nem no
Jornal dos Sports, que são jornais exclusivamente dedicados ao
esporte, ele foi capa, apenas colocaram a foto dele lá no canto para
dizer que não falaram nada. E olha que o cara ainda deu o título de
94 pra esse povo aí... Agora imagina se o Márcio Braga estivesse
negociando a vinda dele pra flamengada. Com certeza eles iriam botar
a foto dele gigante na capa, ia ter encarte especial e a
manchete seria algo do tipo: "Ano que vem é no Mengão"!! Mas como
disse que queria vir pro VASCO...
EM TEMPO IV: aliás, como recordar é
viver, vejam um trechinho da coluna que escrevi a respeito daquele
showcolataço de 2001 no São Paulo em São Januário, quando o Romário
pelo visto não só não recebia como ajudava a pagar o salário da
rapaziada naquela época de asfixia financeira. O título era
sugestivo: "E ELE ainda paga pra jogar". Vejam:
"Aí
você ruma pra São Januário e vê o mega-craque REImário (pela enésima
vez) liderar a molecada pra emplacar um sonoro, antológico e
inapelável 7x1 no São Paulo, fazer 3 gols e se tornar o artilheiro
da competição mais uma vez. Aí só lhe resta mesmo se ajoelhar na
arquibancada, levantar as mãos para o céu e agradecer a Deus por
esta benção divina que enverga a camisa 11 cruzmaltina e que faz a
alegria da massa nas tardes dominicais. E que, ainda por cima, "paga
pra trabalhar". Ou, melhor dizendo, paga pra te fazer feliz".
Quem viu, viu. O
resto é EStória pra boi dormir.
EM TEMPO V: no último 10/11
infelizmente faleceu a nossa querida Ana Maria Vianna, uma das
maiores vascaínas da história em todos os tempos pra sempre e
colaboradora ativa do CASACA!. E faço minhas as palavras do Rafael
Fabro (de novo!):
"Quem
a conheceu, sabe da sua grandeza. A Ana Maria morreu, amiga de todos
os grandes vascaínos, companheira de luta dentro do CASACA!.
Lembro-me das vezes em que falava o quanto sofríamos agressões
gratuitas e como agüentávamos. Talvez agüentamos sempre porque há
pessoas como ela nos amparando. Um amparo pleno de sonhos,
expectativas e confiança.
O CASACA! para mim, no início, era apenas uma boa turma de vascaínos
querendo dar voz a um tipo de raciocínio excluído da imprensa
esportiva. Um estilo vascaíno de pensar e torcer. Não imaginava
aonde chegaria a turma. Não esperava. O espírito empreendedor da Ana
foi mobilizando o grupo a conhecer a sua força. O resto foi simples.
Sabendo do potencial, o grupo vascaíno abnegado seguiu viagem.
Calcado no raciocínio da Ana, amando o clube acima de qualquer
vaidade pessoal, tudo ficava mais fácil".
Realmente a Ana foi
uma mulher fantástica. Fui conhecê-la no fórum da Netvasco porém ela
já me conhecia porque era uma das muitas assinantes anônimas da
minha coluna. Quando falava em VASCO seus olhos brilhavam e ela não
media esforços para fazer o possível e o impossível pelo clube,
mesmo que muitos (como eu mesmo em algumas ocasiões, por exemplo) às
vezes a tentassem demover de determinadas idéias. Desde o abraço a
São Januário, passando pela mobilização para recolher assinaturas
contra as arbitrariedades praticadas pela polícia federal e pela
imprensa contra o clube (onde ela na maioria das vezes recolheu
SOZINHA assinaturas pelo centro da cidade), como no lançamento do
programa CASACA NO RÁDIO, o lançamento do JORNAL DO CASACA!, e o seu
último projeto que eram souvenirs para serem vendidos em São
Januário com verba revertida para os esportes amadores, entre várias
outras centenas de coisas não menos importantes, em tudo ela se
doava de corpo e alma com o único intuito de ajudar ao clube.
E o que mais admirava
nela, além da paixão e da dedicação extraordinária com que fazia as
coisas, era a sua incrível humildade. Num mundo onde todo mundo
parece brigar pelo brilho dos holofotes para ter os seus cinco
minutos de fama, ela sempre preferiu ficar nos bastidores. Quanto
mais o CASACA! (que sem dúvida é um veículo de massa, onde todos
estamos expostos o tempo todo) crescia e mais audiência ganhava, ela
ao invés de pleitear uma coluna no site ou no jornal (como sempre
foi oferecido e ela nunca quis) ou então ser uma das comentaristas
no programa CASACA NO RÁDIO (como também foi oferecido e ela
recusou), ela preferia ficar nos bastidores. Me lembro de quando
falamos pra galera que iríamos fazer o programa de rádio mas que não
tínhamos nenhum "profissional" para tocar o negócio, ela virou pra
gente e disse algo assim: "vocês não precisam de nenhum profissional
pra fazer o programa, basta o amor que vocês têm para fazer as
coisas pelo VASCO". Retruquei dizendo, "OK, mas você será uma das
nossas comentaristas". E ela: "sem essa, Lopes, vocês ficam no
microfone e eu fico no telefone. Meu trabalho é nos bastidores,
entendeu? Nos bastidores!"
Grande Ana Maria, que
Deus a guarde em bom lugar neste seu descanso eterno. E, como bem
lembrou o João Carlos Nóbrega,
"Ana Maria Viana está descansando, quem sabe, ao lado de dona Dulce.
A nós cabe o cumprimento de nossas missões e compromissos assumidos
nos momentos recentes de dificuldade do clube: jamais abandoná-lo,
em qualquer circunstância. Devemos isso ao Vasco. Devemos isso à
Ana". Amém.
EM TEMPO VI: e
você quer efetivamente colaborar com a causa vascaína e até
interferir no destino do clube nos próximos anos ou vai ficar
eternamente apenas resmungando pelos fóruns da vida? Se você,
assim como eu, escolheu a primeira opção, então não perca mais
tempo e entre no Sócio-Torcedor: www.soumaisvascao.com.br
. E
agora o vascaíno tem a disposição DENTRO de São Januário o telefone
(021)
2589-4979 para esclarecer todas as dúvidas e regularizar possíveis
pendências.
EM TEMPO VII:
e toda segunda-feira é dia de falarmos de VASCO no rádio: é o
programa CASACA NO RÁDIO, toda segunda-feira, das 20h às 22h, na
rádio Bandeirantes AM 1360Khz RJ. Até lá!
EM TEMPO VIII:
os cães ladram e a Caravela passa...
E DÁ-LHE VASCO!!!
www.eduardolopes.com
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O L T A R
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