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n.31 ano V - 01/11/2004
(próxima edição: 15/11/2004)
/+/ A MORTE DA "TURMA DO BEM" DO COLUNISMO
ESPORTIVO
Os amigos Fernando
d'Arribada, João Carlos Nóbrega, Fábio Ferreira e Rafael Fabro já
abordaram com a habitual inteligência o "episódio Serginho" através
de críticas e questionamentos muito bem elaborados que ficarão para
todo-o-sempre sem respostas. Mas ainda há algumas coisinhas que
gostaria de deixar registradas aqui pois, como o João Carlos já
havia lembrado, não foi só o Serginho que teve um ataque cardíaco e
morreu em campo, mas também o tal do Estatuto do Torcedor
Anti-Vascaíno. E ainda acrescento mais um: o colunismo esportivo
nacional da "Turma do Bem".
É impressionante como
os colunistas que se gabam serem "independentes" que habitam os
grandes veículos da mídia nacional (o que por si só já é um
contra-senso, mas tudo bem...), os tais colunistas que se
auto-intitulam componentes da "Turma do Bem", aquela mesma turminha
que diz que nada no futebol brasileiro presta porque a administração
é uma porcaria, aquela mesma turminha que vibrou como louca após a
aprovação da Lei Pelé - aquela lei que sagrou os cofres dos clubes e
encheu o rabo de grana de todos os empresários e advogados
envolvidos com transações de jogadores, aquela mesma turminha que
exige o fim do "amadorismo" no futebol e que todos os clubes virem
empresas, aquela mesma patotinha que teve orgasmos múltiplos quando
o Estatuto do Torcedor Anti-Vascaíno foi aprovado como se fosse uma
nova revolução no futebol desde que, é claro, o VASCO fosse a bola
da vez na história, aquela mesma turminha que "luta" por uma tal de
"moralização" que, a bem da verdade, nunca ficou muito clara pra nós
(meros mortais), já que a moralização e a ética deles é tão relativa
que há sempre vários pesos e trocentas medidas para as mesmas
situações cotidianas. Depende do vento.
É impressionante como
aquela turminha que, principalmente com relação aos assuntos
vascaínos, sempre foram questionadores vorazes, críticos contumazes,
investigadores dignos da Scotland Yard e até mesmo parceiros do
agente Mulder no Arquivo X, é impressionante como eles ficaram mudos
sobre a morte deste jogador. Todos eles. Talvez tenham ficado
traumatizados, vá lá, mas é estranho que lendo praticamente todas as
colunas dessa gente "independente e de bem" daquele dia pra cá, a
tônica das notícias é sempre a mesma e segue a linha do grande Juca
Kfouri, o colunista/jornalista mais premiado do Brasil: "São
Caetano e Serginho sabiam que ele tinha um problema no coração. E
daí?". Pois é, amigos, E DAÍ? Os questionadores vorazes de outrora
não querem saber de nada, não querem investigar nada, não querem
exibir a cabeça de ninguém como prêmio e, pelo visto, querem que
este assunto seja logo cremado e que as cinzas sejam jogadas lá na
Patagônia! Que dureza...
Aliás, a coluna que o Kfouri escreveu
sobre este episódio é o epitáfio perfeito para ilustrar a lápide da
"Turma do Bem" do colunismo esportivo nacional. Olhem só o início:
"Está
cada vez mais claro que tanto o clube como o atleta sabiam que ele
tinha um problema no coração. A constatação deve gerar diversas
conseqüências, desde as trabalhistas até as criminais. Mas não
resolve a questão essencial: Serginho escolheu continuar jogando".
É isso aí. O Serginho resolveu
continuar jogando. Comovente. Aí vamos pegar um trecho de uma das
colunas do Márcio Guedes. Disse ele:
"Ainda
a morte de Serginho: se a tragédia servir para garantir um
desfibrilador em cada estádio e uma ambulância menos preguiçosa, já
terá servido de lição. E, principalmente, limitações rigorosas para
a prática do futebol de jogadores com doenças cardíacas. O problema
é que no Brasil todo o mundo esquece de tudo com muita rapidez".
Beleza, Márcio, concordo em gênero,
número e grau: no Brasil todo o mundo esquece de tudo com muita
rapidez. E faço apenas um adendo: menos os vascaínos. Vascaíno que é
vascaíno se lembra muito bem do dia em que caiu o alambrado em São
Januário na final contra um tal de São Caetano. Vascaíno que é
vascaíno se lembra que em menos de 5 minutos o grande ditador Eurico
Miranda em pessoa estava no meio da plebe, dentro do gramado,
ajudando a polícia e os bombeiros a acudirem os feridos. Vascaíno
que é vascaíno se lembra que as ambulâncias que estavam no local
saíram rapidamente e facilmente do estádio através de dois portões,
assim como algumas outras também chegavam com uma rapidez que
espantou até os locutores esportivos presentes. Vascaíno que é
vascaíno se lembra que até helicópteros aparecerem, e que todos os
feridos e mais os fanfarrões que invadiram o gramado dizendo-se
feridos foram prontamente atendidos. O vascaíno que é vascaíno se
lembra muito bem que aquele triste episódio, que adiou a nossa
conquista de título e onde ninguém morreu, que na verdade deveria
ter entrado como um "case" de sucesso para as páginas médicas como
exemplo de pronto e eficaz atendimento em eventos com grandes
públicos no Brasil, acabou servindo de palanque para muita gente em
CPIs e eleições da vida, quando todo o "colunismo independente"
perseguiu a ferro e fogo toda a diretoria vascaína como se fossem os
maiores bandidos do planeta, apoiaram em peso o "roubo" do título
vascaíno para dar de mãos beijadas para um clubeco do interior
paulista através de argumentos ilegais e imorais (inclusive com
adulteração do vídeo do jogo), defenestraram São Januário como se
fosse um estádio de time da terceira divisão do Chipre, e, por fim,
levantaram trocentos dossiês sobre o episódio que, na época, foi
classificado como tragédia. Tragédia esta que, diga-se de passagem,
foi a única a ocorrer naquele final de 2000/início de 2001, já que a
morte de algumas pessoas durante a queima de fogos em Copacabana e
mais as queimaduras em crianças no programa da Xuxa que aconteceram
logo em seguida foram vistas pela imprensa como meros "acidentes".
Beleza.
Aí vem a pergunta óbvia que qualquer
vascaíno numa hora dessas faz: e se essa morte tivesse ocorrido no
gramado de São Januário? Provavelmente a essa hora estaríamos
assistindo a demolição do nosso estádio e a prisão de todo mundo, do
faxineiro ao presidente do clube, inclusive de todos os torcedores
que estavam presentes. Sem falar no achincalhe diário pela imprensa
e os questionamentos dos colunistas-investigadores-vorazes ávidos
por mostrar as cabeças dos reais culpados pela tragédia e escrever
no livro da história do Brasil o maior marco da incompetência de um
clube em todos os tempos.
Mas o raio, infelizmente para esse
povo, caiu no lugar errado. Quis o destino que o gramado escolhido
para o Serginho morrer foi o Morumbi, o "complexo" esportivo de um
dos clubes mais "modernos" e "profissionais" do Brasil, onde não
havia nenhum desfibrilador portátil em campo e onde o motorista da
ambulância estava em outro lugar que não sentado no banco da própria
ou ali próximo. Quis o destino que o jogador foi morrer em terras
paulistas, ou seja, terra de "vanguarda" onde moram grande parte da
"Turma do Bem" e para onde gostariam de se mudar vários coleguinhas
que parecem ser pagos para enaltecerem tudo que vem da Terra da
Garoa. E quis o destino que o clube escolhido foi o São Caetano,
aquele mesmo que quis nos roubar o título na mão grande há quatro
anos atrás com apoio de toda essa corja esportiva, e que era babado
aos quatro ventos como "exemplo" de vanguarda em administração
esportiva profissional no Brasil. Mas peraí, que administração
profissional é essa que sabe do problema do jogador e ignora? Ou,
que presidente de clube é esse que num primeiro momento diz que nada
sabia para logo em seguida vir a público dizer que já tinha ouvido
falar do assunto? Já imaginaram se fosse o Eurico esse presidente e
o carnaval que a "Turma do Bem" da imprensa iria fazer? Pois é... Aí
eu pego a VEJA e leio estupefato:
""O pessoal do São
Caetano e os empresários do meu marido pediram para que nós não
revelássemos que ele havia feito um cateterismo. Isso poderia
atrapalhar futuras negociações com clubes estrangeiros", diz
Helaine (mulher do jogador)".
Está aí, contado pela própria viúva, o
resumo do que é o "exemplo" de administração de futebol profissional
no Brasil. Está aí, com todas as letras, como as coisas funcionam
num dos mais populares "clube-modelo". Está aí, num depoimento curto
e franco, o retrato puro e simples da vida como ela é: o dinheiro
está sempre acima da vida humana. Talvez seja por isso que os
coleguinhas do colunismo esportivo nacional, a "Turma do Bem" que
tantos orgasmos têm quando mencionam a palavra São Caetano como
exemplo, queiram ver logo esta página virada. Afinal, a verdade dói
e o buraco parece ficar muito mais embaixo. Bem mais embaixo de onde
toda essa "Turma do Bem" jaz enterrada neste momento.
EM
TEMPO I:
e a "moralização",
hein? Cadê a "moralização"????? Ninguém vai mais brigar por ela,
não?????
EM TEMPO II: o empate em 2x2 contra a
Ponte Preta em São Januário foi mais um desses joguinhos de placar
mentiroso. Vá lá que o VASCO não jogou nada no primeiro tempo, mas
deu três chutes a gol e não fez nenhum, enquanto a Ponte também deu
três mas fez dois gols. Já no segundo tempo, a Ponte não jogou e
ficou amarrando o tempo inteiro, sendo o VASCO senhor absoluto jogo,
fazendo os dois gols que garantiram o empate e até merecia mais
porque foi o único time em campo. A Ponte só quis "encerar" e quase
perdeu a partida. Merecia!
EM TEMPO III: destaques do jogo:
Coutinho, deu combate e foi ao ataque criando várias chances de gol,
jogou por ele e pelo Pet, excelente; Thiago Maciel, incansável na
direita, às vezes meio afoito na hora de concluir, mas foi uma
máquina na lateral direita criando várias chances de gol; Rubens,
quando jogou no meio-campo, no segundo tempo, fez algumas jogadas
sensacionais e foi premiado com um belo gol num ótimo passe do
garoto Gustavo (que fazia sua estréia no time principal e também foi
bem). Vale destacar que o time no segundo tempo, praticamente só
garotada jogando como se fosse o último jogo da vida deles,
dividindo todas e dando sangue em campo, é o VASCO que a torcida
sente orgulho de ver em campo. Que o time entre sempre com este
espírito!!!
EM TEMPO IV: e
você quer efetivamente colaborar com a causa vascaína e até
interferir no destino do clube nos próximos anos ou vai ficar
eternamente apenas resmungando pelos fóruns da vida? Se você,
assim como eu, escolheu a primeira opção, então não perca mais
tempo e entre no Sócio-Torcedor: www.soumaisvascao.com.br
. E
agora o vascaíno tem a disposição DENTRO de São Januário o telefone
(021)
2589-4979 para esclarecer todas as dúvidas e regularizar possíveis
pendências.
EM TEMPO V:
e toda segunda-feira é dia de falarmos de VASCO no rádio: é o
programa CASACA NO RÁDIO, toda segunda-feira, das 20h às 22h, na
rádio Bandeirantes AM 1360Khz RJ. Até lá!
EM TEMPO VI:
os cães ladram e a Caravela passa...
E DÁ-LHE VASCO!!!
www.eduardolopes.com
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O L T A R
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