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n.21 ano V - 05/07/2004

(próxima edição: 12/07/2004)

 

/+/ O MAIOR MICO DA HISTÓRIA EM TODOS OS TEMPOS

 

Confesso que até eu, tirando as milhares de bestas rubro-negras é claro, era mais um desses seres lobotomizados que nem em sonho supunha que a flamengada fosse pagar o maior mico da história do futebol mundial em todos os tempos naquela fatídica quarta-feira.

 

A cada foto do Abelão, do Júnior, do Márcio Braga, do Júlio César ou do Felipe que inundava as páginas dos jornais na última semana, ou a cada rubro-negro que aparecia pelas ruas com aquele sorriso largo de alegria mesmo usando um pano de chão surrado, lá ficava eu cada vez mais irado e puto por ter a "certeza" que era o campeonato mais fácil da história que havia caído de pára-quedas no colo deles. Jamais acreditei que um time onde um dos "craques" é um tal de Romerito, que nem na canela consegue dominar a bola de tão ruim que é, assim como o tal do Osmar, que parece uma versão com menos recursos do Adhemar do São Caetano, que já é a fina-flor da mediocridade, conseguiria superar o "esquadrão" do "maestro" Felipe em pleno Maracanã diante da maior torcida do Brasil e, ainda por cima, com o Simon apitando o jogo. Nem em sonho.

 

Tanto eu não acreditava que no dia nem ia ver o jogo. Já estava irado até medula porque, por volta das 19:00hs naquela quarta-feira, havia dado uma pane no meu carro bem em frente a estação de trem e de ônibus em Campo Grande, e eu ainda tinha que voltar pra empresa pra fazer o fechamento do mês. Enquanto esperava o mecânico, no meio daquela poluição infernal dos ônibus, hordas de rubro-negros sorridentes surgiam de todos os cantos com suas camisas e bandeiras rumo ao trem e aos ônibus, os botecos entupidos e a calçada cheia, todo mundo acelerado porque o "carnaval" ia começar. Pra piorar, em frente havia uma barraca de camelô que vendia cds piratas. E as músicas, ensurdecedoras de tão altas, eram dezenas de funks e montagens com hinos e gritos da flamengada que já estavam me deixando agoniado durante aquela hora em que permaneci por lá, imóvel e impotente, vendo aquela festa toda da flamengada. Eu só resmungava: "filhos da puta".

 

Problema no carro resolvido, voltei pra empresa. Fogos já começavam a pipocar por todos os cantos. Felizmente lá já estava tudo adiantado e o fechamento foi bem simples. No bagaço porque de manhã havia feito uma viagem cansativa, irado porque estava saindo da empresa por volta das 21:00hs, e revoltado por esbarrar em tanto rubro-negro pelas ruas que daí a instantes iriam fazer um novo carnaval no RJ, só queria chegar em casa, tomar banho, jantar, desligar os telefones e dormir. Eu, assim como eles, não botava nenhuma fé no santo.

 

Às 22:00hs já estava de banho tomado preparado pra jantar. Aí meu pai surgiu botando pilha: "e aí, não vai ver o jogo? Só está dando Santo André"! Curioso, fui lá pra sala dar uma espiada. E era verdade. Mesmo assim não quis encarar a realidade e falei: "é só fogo de palha, daqui a pouco o Felipe faz um gol e o Mengão Bueno vai pedir a sua canonização, o Chiquinho da Suderj vai aparecer falando que vai construir uma estátua do Felipe em frente às cabines de rádio e vai ficar aquele corinho de "poeira" no fundo até dizer chega. Tô fora". Fui pro quarto, liguei o radinho baixinho e mergulhei na cama. Estranhamente não dormi. E o primeiro tempo já tinha acabado. Aí começou a bater o tal do "e se?" na cabeça. Levantei, liguei a tv e fiquei pensando "vai dormir seu mané, esse joguinho vai ser que nem naquela final de 96 quando o VASCO não teve competência pra fazer um mísero golzinho e o medonho 0x0 deu o título a eles". Via mas não aceitava a realidade. Gol do Santo André. "Pronto, era tudo o que eles queriam, agora eles vão pra dentro do Santo André, o Simon arruma um pênalti, e amanhã vão estampar aqueles títulos de "campeão na raça" e outras baboseiras afins". Aí perdi o sono de fato. Quando o Elvis fez o segundo, caiu a ficha: a flamengada NÃO vai virar este jogo. Liguei pro Maganha pra saber se era isso mesmo o que estava acontecendo ou se era apenas um delírio da minha cabeça. Como ele disse que não, retruquei pedindo pra ele encarecidamente procurar uma foto do Elvis Presley e fazer uma montagem com a camisa do Santo André porque essa quarta-feira não iria acabar tão cedo. Aliás, o jogo nem havia acabado e eu já estava ligando pra todos os celulares rubro-negros que estavam na minha agenda (todos desligados, é óbvio) e deixei gravando na secretária eletrônica aquela choração do Mengão Bueno & seus asseclas.

 

Estávamos todos diante do maior mico da história do futebol mundial em todos os tempos, a primeira vez em que o time de maior torcida de um país perde uma final de campeonato para um time vice-lanterna da segunda divisão jogando em casa, diante da "massa que ganha os jogos no grito". Imediatamente me lembrei do carinha da banca de cds piratas e comecei a imaginar o que ele havia feito com aqueles cds rubro-negros. Também me lembrei de todos aqueles rubro-negros que passavam eufóricos pelas ruas e onde eles deveriam estar agora, será que ainda estavam fantasiados? E os fogos? Cadê os fogos que aquela flamengada toda tinha comprado e que agora praticamente não se ouvia mais nada? Não resisti, troquei de roupa, peguei o carro e fui dar uma volta pra ver como estavam as coisas onde àquela hora da noite já deveria ter iniciado o carnaval rubro-negro. Mas ele nem começou. Os rubro-negros, cada vez mais rubros de vergonha, rapidamente desapareceram do mapa. Os bares ainda estavam cheios mas pelo visto só torcedores dos outros clubes estavam por lá. Camisas e bandeiras do VASCO, Fluminense e Botafogo começaram a surgir nas janelas, faixas de "BI-VICE" também, mas os rubro-negros já tinham partido rumo ao quinto dos infernos.

 

Voltando pra casa, rindo sozinho dentro do carro, ainda bolei o seguinte poema que já seria distribuído para tudo quanto é urubu tão logo chegasse em casa:

 

"Cadê?

 

Cadê a "mística da camisa"
Que ganha jogos sozinha
Mesmo quando o time não é um esquadrão?

Cadê a "força da torcida"
Que nos estádios por onde pisa
Ganha os títulos no pulmão?

Cadê a flamengada
Que ontem enchia o peito e bradava:
"Da copa do Brasil sou Bi-campeão"?

E aí? Cadê a flamengada?
Deve ter morrido asfixiada
No meio de toda aquela poeirada
Levantada pelo vice-lanterna da segunda divisão."

 

Pois é, assim como a flamengada, eu também havia caído no conto da flapress e na lavagem cerebral que eles fizeram induzindo a todos a acreditarem que o "mengão é imbatível, vice é o VASCO". E agora, com o TRI-VICE da Copa do Brasil e o BI-VICE do basquete + Copa do Brasil conquistado em pouco mais de 3 horas (essa é pro Livro dos Recordes!!!) entalado na goela, só resta a eles sentar no meio fio e chorar. E chorar muito, que nem aquele carinha que se esgoelava na geral e que acabou virando a imagem do super-micaço rubro-negro. Afinal, como bem disse o genial Rafael Fabro na sua magistral e imortal coluna intitulada "Flamengo - uma desconstrução",  o "Flamengo é uma oceânica ilusão".

 

EM TEMPO: o Maganha guardou no CASACA! tudo quanto é tipo de material sobre esse histórico dia 30/06/2004, dia de Santo André, afinal a flapress logo logo se encarregará de "fazer sumir" tudo o que aconteceu nesse dia. Mas está tudo guardadinho lá: http://www.casaca.com.br/flavice .

 

EM TEMPO I: sábado que vem o VASCO vai pegar a flamengada. Hora de vencer pra embalar de vez e assim deixá-los no olho do furacão de uma senhora crise lá dentro da zona de rebaixamento. A hora é essa!!!

 

EM TEMPO II: aliás, já saiu a versão completa da música da "poeira" que a galera já está cantando pelas ruas e que, tomara, a nação vascaína continuará cantando após o jogo de sábado. Aí vai:

 

"FAVELA - por André Sangalo

 

A nossa sorte grande

Foi o Santo André chegar

No Rio sem fazer zoeira

 

Jogar com emoção

Ganhar esse jogão

Pra ser feliz a vida inteira

 

É triste tomar gol

Calado o jogo inteiro

Comer muito capim

 

Ficar com tanto ódio

Chorar de desespero

Queimar a camisa enfim

 

Chegou no nosso espaço

Mandando no pedaço

Sem querer brincadeira

 

Deixou o fla no bagaço

Jogou bem no compasso

Com prazer levantou poeira

 

FAVELA

FAVELA

FAVELA

SILÊNCIO NA FAVELA"

 

EM TEMPO III: e o VASCO, mais uma vez, teve um gol legítimo anulado lá em Floripa no empate de 2x2 contra o Figueirense. Nos roubaram dois pontos na mão grande, independente da ajuda inestimável do goleiro Márcio que infelizmente falhou feio nos dois gols.

 

EM TEMPO IV: Grécia campeã da Eurocopa. Só falta agora os idiotas da crônica esportiva dizerem que o futebol grego é o melhor porque a sua administração é a mais transparente e competente da Europa... fala sério!!!! Aliás, o Casagrande no dia de Santo André andou dizendo algo parecido sobre o "sucesso" dos clubes pequenos na ponta da tabela do Brasileirão se referindo à competência administrativa desses clubecos. Disse ele: "quem é melhor administrado está na ponta da tabela, quem não é está brigando pra não cair pra segunda divisão". E aí vem a pergunta que não quer calar: se quem é melhor administrado está brigando pelo título, o que raios o Botafogo do "genial" Bebeto de Freitas, "homem de bem" e "papa" da administração esportiva de vanguarda, está fazendo na ÚLTIMA colocação do Brasileirão? E aí?

 

EM TEMPO V: após verem os jogadores do Santo André dando a volta olímpica e passando em frente a Várzea cantando alegremente que "levantou poeira", algum urubu vai ter a coragem de cantar de novo esta música?? Pois é, Elvis não morreu, já a flamengada... aliás, após mais de 2.000 anos também foi esclarecido um episódio bíblico: quem matou Abel não foi Caim, mas sim o Elvis!!!!!  ;-D))

 

EM TEMPO VI: e você quer efetivamente colaborar com a causa vascaína e até interferir no destino do clube nos próximos anos ou vai ficar eternamente apenas resmungando pelos fóruns da vida? Se você, assim como eu, escolheu a primeira opção, então não perca mais tempo e entre no Sócio-Torcedor: www.soumaisvascao.com.br . E agora o vascaíno tem a disposição DENTRO de São Januário o telefone (021) 2589-4979 para esclarecer todas as dúvidas e regularizar possíveis pendências.

 

EM TEMPO VII: e toda segunda-feira é dia de falarmos de VASCO no rádio: é o programa CASACA NO RÁDIO, toda segunda-feira, das 20h às 22h, na rádio Bandeirantes AM 1360Khz RJ. Até lá!

 

EM TEMPO VIII: os cães ladram e a Caravela passa...

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.eduardolopes.com

 

 

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