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n.04
ano V - 26/01/2004
(próxima edição: 02/02/2004)
/+/ RUMO AO BI
"Hoje, quarto de século depois, me arrisco a dizer que dona
Dulce, muito mais do que a mãezona de algumas gerações de vascaínos,
foi a senhora que nos ensinou a torcer: feliz nas vitórias, triste
nas derrotas, mas, sobretudo, sem nunca abandonar o clube, apoiando
e incentivando sempre, nos melhores e piores momentos".
(João Carlos Nóbrega falando sobre a inesquecível Dulce Rosalina,
que faleceu no último dia 19/01)
Sob os olhares
curiosos à distância de muitos, acompanhada de perto no "cais" por
poucos, lá se foi a Caravela Vascaína para mais uma jornada onde
tentará repetir o feito do ano passado quando foi a primeira a
cruzar com folgas o mar revolto que é o Cariocão.
Tudo bem que no
último sábado o mar estava bem calmo e a partida foi relativamente
tranquila, quando o time marcou os seus primeiros três pontos na
competição graças à vitória de 2x0 sobre a Portuguesa. Vitória,
aliás, bem preguiçosa já que o time jogou apenas o suficiente para
liquidar o adversário e em nenhum momento entusiasmou a torcida, o
que pode até ser reflexo da forte pré-temporada a que os jogadores
foram submetidos e ao calor senegalês que fazia na hora do jogo. O
time parecia "preso" e de fato não engrenou até o final da partida.
Entretanto, quem
esteve alheio a tudo e a todos foi o pequenino Morais que, com a
responsabilidade de levar o meio-campo vascaíno sozinho nas costas
(já que o Professor Marcelinho não estava em campo), não decepcionou
e jogou um bolão. Armou todas as jogadas, correu o campo inteiro,
quase marcou um golaço num tirambaço de fora de área, fez uma jogada
sensacional no primeiro gol do Anderson e depois deu um passe
açucarado para o Valdir liquidar a fatura. Foi o melhor em campo
disparado e talvez até tenha sido o craque da rodada. E quando o
Marcelinho voltar aos gramados, como já venho dizendo desde que ele
voltou para o VASCO, encontrará no seu "pupilo" Morais muito mais do
que uma jovem revelação vascaína, mas sim o seu melhor parceiro em
muito tempo. Aliás, o craque-professor (ou seria professor-craque?),
assistia ao jogo nas sociais ao lado do zagueirão Wescley e batia
palmas tranquilamente para o jovem craque da Colina até a chegada do
bravo Maganha & "sua creche", quando dezenas de pequeninos
novos-vascaínos da família Maganha foram lá como uma nuvem de
gafanhotos tirar fotos com ele. Nada mais natural, afinal, assistir
aos jogos no meio da torcida, ainda mais em São Januário onde há a
maior concentração de crianças por metro quadrado do mundo, é estar
permanentemente preparado para os flashes e autógrafos. E o
Marcelinho, sempre solícito e simpático, não é o Léo Lima mas também
tirou de letra!
O ponto negativo da
estréia foi a atuação bizarra do Beto, que conseguiu errar
rigorosamente todas as jogadas que tentou enquanto esteve em campo,
jogando ainda menos do que as suas apagadas exibições no ano
passado. Talvez tenha sentido a responsabilidade já que ele mesmo
vem dizendo sempre que está em "dívida com a torcida" e, na ânsia de
acertar, acabou errando tudo. A Força Jovem, que na saída dele de
campo bateu palmas, entendeu; já a social, que deu uma vaia de mais
de hora, não. Mas o fato é que ele está fininho e se aplicando nos
treinos como nunca, coisa que não aconteceu no ano passado, e a
qualquer momento o seu bom futebol voltará à tona. E, diga-se de
passagem, se demorar muito periga ele perder de vez a vaga para o
paquito Júnior, jovem revelação que foi campeão mundial com a
seleção sub-17, que entrou muito bem no seu lugar e, mesmo jogando
em posição trocada, apareceu bem lá na frente trocando alguns bons
passes, não demonstrando nervosismo nesta que foi a sua primeira
aparição no time de cima.
Enfim, para a estréia
deu pro gasto mas para ganhar os clássicos ainda teremos que capinar
um pouquinho. É bom a dupla de zaga titular (Henrique e Wescley)
voltar logo à ativa e, principalmente, o Professor Marcelinho entrar
logo no time já que esta primeira fase é muito rápida (faltam só 4
jogos pra acabar o turno!) e o time tem que aproveitar estes
"coletivos de luxo" contra os chamados pequenos (que podem complicar
bastante) para chegar entrosadíssimo para a semi-final do turno, que
é o que realmente interessa. Repito: não temos um timaço, mas vamos
comer pelas beiradas. E vou mais além: com Marcelinho jogando e em
forma, pelo que os outros grandes mostraram, dá até pra ser campeão
invicto.
EM TEMPO I: como bem lembrou o Rafael
Fabro, este é um dos campeonatos mais equilibrados da história. Tão
equilibrado que a "máquina tricolor" precisou sair do alçapão de
Conselheiro Galvão na marra para ganhar no Maracanã com um gol
duvidoso no final. Os tricolores, em êxtase, saíram do Maraca
saudando em coro o seu novo ídolo: UH É GAROTINHO!!! E vida que
segue...
EM TEMPO II: aliás, se fosse o Eurico
que ousasse tentar tirar um jogo do VASCO de algum desses alçapões,
provavelmente a essa hora já deveria até ter a polícia federal na
cola dele e seria aberta mais uma CPI contra o VASCO. Mas é aquela
história: como craque no tricolor é que nem o cometa halley, só
aparece a cada 75 anos, então eles tem que capitalizar ao máximo,
ainda que isolando a ética lá pra escanteio. Mas em se tratando do
tricolor, que possui uma bela folha corrida de armações nos tapetões
da vida, nenhuma novidade.
EM TEMPO III: novidade, aliás, só mesmo
vinda do sr. Márcio Guedes que pelo visto rompeu de vez com os
tricolores. Afinal, se o Fischel era a salvação do futebol carioca
até há bem pouco tempo, agora definitivamente deixou de ser. É um
brincalhão. Ou melhor, são dois brincalhões!
EM TEMPO IV: na posse do Conselho na
quarta-feira passada, uma cena curiosíssima: Roberto Dinamite, na
hora de cantar o tradicional grito de "Casaca" que encerra todas as
reuniões e cerimônias vascaínas afins, simplesmente levantou, abriu
a porta e saiu fora. O onipresente Ubiratan Solino, que estava do
lado de fora fumando o seu tradicional cigarrinho e, quando ouviu o
chamado, jogou-o no lixo e foi lá pra dentro pra entoar o coro,
quase foi atropelado pelo Bob em louca disparada. O Bira ainda
disparou algumas palavras para o Bob mas este já estava longe.
Curiosamente, o restante da galera do MUV não foi atrás dele,
ficando no salão até o último grito de "VASCO!" para só então
saírem, o que nem se precisa dizer que é o correto.
EM TEMPO V: parabéns mais uma vez para
o Bira, para o João Carlos e para o Fernando d'Arribada que foram
devidamente empossados como Conselheiros nesta última reunião, sendo
que o João ainda terá a honra de fazer parte da mesa. Repito mais
vez: a política vascaína ganha três ilustres vascaínos da nova
geração (OK, o Bira da "não tão nova" geração) para os quais o
convívio com importantes e tradicionais personalidades vascaínas só
irá fazer bem não só pelo aprendizado sobre o clube, mas também pela
saudável troca de idéias entre as gerações.
EM TEMPO VI: todo mundo já falou, mas
falar da imortal dona Dulce Rosalina nunca é demais. Que todos se
espelhem no exemplo dela que, além de torcedora e incentivadora
exemplar (na alegria e na tristeza), entre tantas histórias, na
década de 60, quando o VASCO estava "entregue", mobilizou os
"torcedores comuns" para fazerem uma vaquinha para comprar meiões e
shorts pois nem isso o time profissional tinha. Pois é, recordar é
viver. A última vez que a vi foi no dia da eleição, com o seu
tradicional bonezinho, sentadinha com aquele sorriso eterno na boca
em frente ao Departamento Infanto-Juvenil. Ali peguei a minha última
benção. Que Deus a tenha.
EM TEMPO VII: e
você quer efetivamente colaborar com a causa vascaína e até
interferir no destino do clube nos próximos anos ou vai ficar
eternamente apenas resmungando pelos fóruns da vida? Se você,
assim como eu, escolheu a primeira opção, então não perca mais
tempo e entre no Sócio-Torcedor: www.soumaisvascao.com.br
.
EM TEMPO VIII:
e toda segunda-feira é dia de falarmos de VASCO no rádio: é o
programa CASACA NO RÁDIO, toda segunda-feira, das 20h às 22h, na
rádio Bandeirantes AM 1360Khz RJ. Até lá!
EM TEMPO IX:
os cães ladram e a Caravela passa...
E DÁ-LHE VASCO!!!
www.eduardolopes.com
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O L T A R
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