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n.28 ano IV - 01/12/2003

(próxima edição: 08/12/2003)

 

/+/ OS EMPATA-FODA

 

Na coluna da segunda-feira passada havia comentado que a nossa queridíssima imprensa esportiva nacional se dividia em três grupos bem definidos: os que têm intere$$e$ e mandam e desmandam na opinião pública, os que têm intere$$e$ mas que estão brigados com este primeiro grupo sonhando em algum dia voltar (ou tomar) o poder, e os que têm interesse jornalístico puro e simples e trabalham sempre com o velho lema da imparcialidade (que deve ser o menor grupo, caminhando a passos largos rumo a extinção).

 

Pois bem, a discussão a respeito do modo de agir e pensar (ou seria pen$ar?) dessa galerinha começou a tomar vulto quando na quarta e na quinta-feira os jornais O GLOBO e o EXTRA (que na verdade é o braço sensacionalista d’O GLOBO) mostraram ao mundo, quase que por um acidente genético, que em suas entranhas também há o que poderíamos identificar como uma nova espécie nômade e perigosa, um “quarto grupo”, que até então se encontrava em estado hibernal: os empata-foda. Sim, eles mesmos, aqueles que não fodem e não saem de cima. A famosa turminha do perde-perde.

 

“Que baixaria, Eduardo, aonde você quer chegar?”, irão imediatamente questionar com razão principalmente as minhas queridas leitoras sem entender patavinas o que uma coisa tem a ver com a outra. Explico: a Polícia Federal, com Propinoduto e Anaconda pra tudo quanto é lado, está dando uma geral em contas e bancos pra ver se consegue achar e fechar mais conexões nesses esquemas de lavagem de dinheiro que andam soltos por aí. Ato contínuo, Banco Liberal e Bank of America no meio, por causa daquele notório envolvimento de alguns diretores que a PF até hoje está correndo atrás, como o BofA já foi parceiro do VASCO, voltou à tona a EStória do tal cheque de US$ 110 mil dólares, caso este que por sinal o Banco Central já fez autópsia e depois o enterro com direito a marcha fúnebre, salva de tiros, coroa de flores e velas há algum tempo. Mas tudo bem, como não houve comunicação entre as autoridades, lá foi o presidente Eurico Miranda pra PF prestar depoimento e levar os documentos com o parecer do Banco Central encerrando o caso.

 

O que era pra ser uma nota de rodapé nos veículos sérios deste país, algo do tipo “Eurico presta depoimento sobre o caso do cheque que já foi morto e enterrado pelo Banco Central”, acabou virando notícia de página inteira IGNORANDO solenemente o desfecho dado pelo Banco Central a este caso como se ele ainda continuasse em andamento. E aí, pra aproveitar o gancho, começaram a ressuscitar um monte de coisas da qual o VASCO não tem rigorosamente nada a ver pra ver se conseguiam montar um dossiê pra deixar o assunto render por mais algum tempo, tentando denegrir a imagem do presidente vascaíno e da instituição VASCO. Inclusive, no auge da sandice, chegaram até a dizer que o VASCO estava envolvido no esquema da “compra de arbitragens” quando todos são testemunhas oculares do quanto o clube vem sendo ROUBADO descaradamente pelos “de preto” há mais de dois anos! Enfim, parecia até que o ano de 2001 estava voltando!

 

“Mas e aí, Eduardo, cadê os empata-foda?”. Calma, já chego lá. A verdade é que o VASCO, como foi amplamente divulgando pela imprensa na semana passada, que conseguiu esta informação sabe-se lá como, estava aí prontinho pra fechar um belo patrocínio. Repito: estava. Com esse bombardeio de dois dias seguidos de notícias envolvendo escândalos com a Polícia Federal onde TENTARAM jogar o VASCO no meio quando ele não tem nada a ver com a EStória, o negócio praticamente melou já que o nosso provável parceiro deu aquela tradicional empurrada com a barriga pra “voltarem a conversar no ano que vem”. Trocando em miúdos: já era.

 

E aqui entram os empata-foda. Afinal, todos sabem que o VASCO possui uma dívida com a Globo onde esta, por sua vez, mesmo tomando prejuízos aqui e ali, só irá ver a cor do dinheiro vascaíno quando ela própria começar a pagar ao VASCO. Explico: o pagamento da dívida foi acordado no esquema de retenção, ou seja, dos contratos entre Globo e VASCO, do todo que ela deveria pagar ao clube, ela já retém uma parte para ir abatendo da dívida total. Simples. E quanto mais forte o VASCO estiver, quanto mais competições o VASCO puder participar e quanto mais títulos o VASCO conquistar, melhor pra ela que irá ver a cor do dinheiro muito mais rápido, sem falar na audiência já que os jogos do VASCO comprovadamente alavancam a audiência em todos os cantos do país, aumentando ainda as próprias cotas de publicidade da emissora.

 

Resumo da ópera: com a ação tresloucada e tendenciosa dos dois veículos escritos das Organizações Globo, que acham que ainda estamos no auge da guerra civil de 2001, acabou perdendo o VASCO, que vai ter que procurar outro parceiro, e também perdeu a própria Globo, que pelo visto ainda vai demorar muito tempo pra receber toda a grana de volta. E mesmo com a atuação impecável dos empata-foda neste episódio, podem ter a certeza de que alguém ganhou com tudo isto. Afinal, os primeiros estudos mostraram que os empata-foda seriam apenas “cortinas de fumaça” para encobrir as artimanhas do primeiro grupo (o dos intere$$e$). Lembram do dar um passo pra trás para depois dar dois pra frente? Pois é, afinal de contas, como já havia dito na minha última coluna: no meio da imprensa esportiva nacional, o mais otário continuo sendo eu.

 

EM TEMPO: e o sr. Renato Maurício Prado, o popular Ouvidor de Rolinhas, que conseguiu se superar exalando racismo por todos os poros contra o “Gorilão” (apelidado dado por ele), o estádio que a prefeitura quer DAR para a dupla FlaxFlu lá em Engenho de Dentro? Fala sério, como ele só vê jogo pela televisão e nunca jogou bola na vida, tal playboy não sabe que mais de 70% das pessoas que frequentam os estádios moram nos subúrbios e periferias. E ele se esquece que em frente ao pasto da Gávea, em plena Lagoa Rodrigo de Freitas, naqueles dois sinais de trânsito sempre há meninos de rua e bandidos armados roubando em plena luz do dia os motoristas que por ali param nos sinais vermelhos. Enquanto isso, em São Januário, paro meu carro em frente à temida favela Barreira do Vasco há mais de 20 anos e nunca fui assaltado. Na boa, aos poucos a gente começa a entender o porquê do ódio mortal que essa playboyzada têm pelo VASCO, o único clube gigante do RJ encravado no subúrbio carioca. O futebol, meu caro, é do POVO (sejam pobres ou ricos) e não apenas dos mauriçolas que assistem às partidas pelos pay-per-view da vida regados a muito whisky e fileiras de pó.

 

EM TEMPO I: falando nisso, estava lendo numa revista sobre o último cd da banda O RAPPA, “O silêncio que precede o esporro” (disparado um dos melhores títulos da história), e me lembrei de uma música deles sobre a região. Diz a letra: “Em todo lugar pela-saco tem / No Engenho não é diferente / Tem pela-saco também / Pra não parecer que é marra minha, meu irmão / No Engenho tem gente fina, gatinha e sangue bom / Todo mundo diz que o funqueiro é um animal / PELA-SACO FALADOR TEM TUDO QUE TOMAR UM PAU / Quando chega a tarde a sensação é o futebol / E à noite com a gatinha curtir um baile na moral”. É, playboy, vai vendo!

 

EM TEMPO II: ainda nas colunas esportivas, o Paulo Miller pinçou uma antológica do Márcio Guedes que por causa das eleições vascaínas havia alçado o Roberto, na maior cara-de-pau do mundo, ao posto de maior jogador da história. A gente alertou que era tudo balela e que ele não falava isso de coração porque ele sempre odiou o VASCO. Vejamos a pérola com o comentário pertinente do Paulo Miller – MG: “Se torcida e mídia valorizarem comportamentos tipo Zico, no passado, e Valdo, hoje, os bons valores serão resgatados.” ; PM: “Agora que já se passaram as eleições, Roberto não é mais exemplo para nada, né?” É isso aí, Paulo, agora volta a mesma ladainha de Zico pra lá e pra cá. O Roberto só voltará a servir de exemplo pra esses caras APENAS quando eles botarem o nome do Eurico no meio. Fora isso, já era. É como a gente cansou de repetir pros “senhores da guerra”: quem não vos conhece que vos compre!

EM TEMPO III: e o time do VASCO, com um gol de Henrique nos descontos, afastou de vez a hipótese de cair pra segunda divisão. Muita gente secou, mas o óbvio aconteceu. Agora só não entendi porque o Régis Pitbull é banco nesse time. É disparado o melhor preparo físico da equipe, tem um bom passe, se desloca pelas duas pontas o tempo inteiro mas o Mauro insiste em deixá-lo no banco. Na boa, desses que vieram de fora, é o único que eu manteria no elenco pro ano que vem.

EM TEMPO IV: e o Botafogo, “orgulho do RJ”, ostentando um belo tri-vice da segundona, hein? Conta outra...

EM TEMPO V: e você quer efetivamente colaborar com a causa vascaína e até interferir no destino do clube nos próximos anos ou vai ficar eternamente apenas resmungando pelos fóruns da vida? Se você, assim como eu, escolheu a primeira opção, então não perca mais tempo e entre no Sócio-Torcedor: www.soumaisvascao.com.br .

EM TEMPO VI: e toda segunda-feira é dia de falarmos de VASCO no rádio: é o programa CASACA NO RÁDIO, toda segunda-feira, das 20h às 22h, na rádio Bandeirantes AM 1360Khz RJ. Até lá!

 

EM TEMPO VII: os cães ladram e a Caravela passa...

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.eduardolopes.com

 

 

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