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n.15
ano IV - 28/07/2003
(próxima
edição: 04/08/2003)
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FALAR É FÁCIL
"Eu
acho que nós vivemos um momento em que as pessoas estão
confundindo os limites da profissão... o que está acontecendo é
que tem muita gente que está querendo comentar e ao mesmo tempo
dirigir o futebol; quer dizer, interferir.... o campeonato tem que
ser assim, tem que ser assado, o presidente tal tem que sair, tem
que botar o outro, etc" (o comentarista Washington Rodrigues,
falando sobre a imprensa, em entrevista publicada na última coluna
do Paulo Miller no CASACA!)
O
grande João Carlos Nóbrega, na sua ótima coluna de ontem no
CASACA!, pinçou uma frase clássica do Eurico que é a cara de
praticamente todos os pára-quedistas pitaqueiros do futebol
brasileiro: "eles não pagam a conta". Pois é, não
pagam, não querem pagar e têm raiva de quem paga. E o comentarista
Washington Rodrigues, em recente entrevista ao CASACA!, do qual
pincei apenas um dos vários trechos interessantes do bate-papo para
abrir esta coluna, deixa claro que além deles não pagarem a conta,
querem de fato mandar no futebol (coisa que qualquer leitor já
percebeu há muito tempo). Até aí, nenhuma novidade já que a Lei
Pelé e o Estatuto do Torcedor são os primeiros frutos dessa
"intervenção da caneta" destes que nunca fizeram uma
embaixadinha na vida mas que querem tomar conta do futebol de dentro
dos seus arejados gabinetes.
A
propósito disto, tinha guardado aqui comigo um interessantíssimo
artigo escrito pelo Portella (um dos pais do Estatuto) que saiu na
revista dominical do LANCE logo após o Santos perder o título da
Libertadores. O título, como sempre, é sugestivo: "Jogando
dinheiro fora". E lá fui eu ler o que achava que seria uma
verdadeira aula de como os clubes ganharem rios de dinheiro. Vejam
só:
"Grande
final da Libertadores da América (...) A torcida não consegue
comprar ingressos na véspera do jogo e se anuncia que os ingressos
estão esgotados. Há uma demanda maior que o número de ingressos
oferecidos. Público pagante: R$ 74.395. Renda: R$ 1.221.687,00.
Cerca de US$ 400.000,00. Para um espetáculo como este, uma renda
ridícula.
Evidentemente
algo está errado. É a concepção amadora de grande parte dos
dirigentes do nosso futebol, principalmente daqueles responsáveis
por organizar o seu calendário e a estrutura econômica que deve
sustentá-lo. Se uma final como a Libertadores gera esta receita, o
que esperar do resto. Estão jogando dinheiro fora. Não é
possível que os dirigentes não percebam que se tivessem outra
postura organizando direito o futebol, a arrecadação aumentará
significativamente (...) É a gestão o principal problema."
OK,
Portella, concordo que a gestão é o "principal problema"
mas e aí, como é que vamos fazer para aumentar o número de
torcedores presentes ao estádio se, conforme reza o Estatuto e
qualquer padrão de segurança, a capacidade é limitada? Se o
senhor achou ridículo o público e a arrecadação no jogo mais
importante do ano na América do Sul, como é então que os
péssimos gestores do futebol brasileiro deveriam fazer? Vender
200.000 ingressos para a final? Ou jogarem pra R$ 500,00 o preço de
uma arquibancada? Onde foi, sinceramente, que o "tão bem
administrado" São Paulo jogou dinheiro fora? Que
"postura" que os dirigentes deveriam ter para que o
público (que é limitado) e a arrecadação (sabe quanto é o
salário mínimo brasileiro?) no jogo final fosse maior se já
estava lotado? Pois é, falou à vontade, choveu no velho chavão
molhado de sempre mas, como todo respeito, não disse rigorosamente
nada.
E
até parece perseguição, mas no domingo passado, em outra edição
da revista do LANCE, lá na "medalha de lata" aparece a
cara do Deivid e eles detonam a debandada dos jogadores brasileiros
para o exterior. Mas ora bolas, com a louvação pela imprensa de um
modo geral do campeonato por pontos corridos que dura o ano inteiro
aliada à famigerada Lei Pelé (que eles também já tinham amado de
paixão) que facilita ao máximo para que cada jogador mude de time
como quem troca de roupa, eles queriam o quê? E ainda alfinetam o
VASCO, questionando a venda de pratas-da-casa mas se esquecem que
há um grande dedo da Lei Pelé aí. É aquilo que o João falou
ontem: se não vender hoje, amanhã talvez não se ganhe nada.
Estamos entre a cruz e a espada. E além disso, pela venda do Léo
Lima, segundo os jornais disseram, o VASCO embolsou US$ 2 milhões.
Já o Cruzeiro, segundo disseram os mesmos jornais, pela venda do
Deivid recebeu apenas US$ 1 milhão. E o Deivid é o artilheiro do
Brasileirão enquanto o LL nem banco era...
Ou
seja, falar é muito fácil, "moralizar" é muito fácil,
aprovar leis é muito fácil, mas passar para o outro lado do
balcão e tocar esse negócio que é bom, nada. Pagar a conta que é
bom, também nada. Ou você se lembra do nome dos clubes que cada
"moralizador" dirigiu com extremo sucesso antes de
começarem a escrever nos jornais da vida? Pois é, eu também não.
E vida que segue...
EM
TEMPO I: por falar nas vendas
do Léo Lima e do Souza, não é que muito cara-de-pau vascaíno
apareceu por aí detonando a diretoria? Eu mesmo fui um dos
raríssimos vascaínos que sempre defendeu o futebol do LL e, toda
vez que citava o nome dele, centenas de e-mails chegavam me chamando
de idiota pra baixo. Nunca vi um jogador em tão pouco espaço de
tempo ter gerado tanto ódio na torcida vascaína quanto o Léo
Lima. Aí a diretoria, que insistiu com ele até onde pôde, recebeu
uma propostas dessas do céu e ia dar mole? Pois é, vai entender
esses "vascaínos"...
EM
TEMPO II: já está virando tradição: mais dois jogos
transmitidos em cadeia nacional pela Globo e novamente o VASCO foi
ROUBADO nos dois, com direito a tira-teima e o velho falatório dos
comentaristas de arbitragens. No jogo contra o Figueirense, o
zagueiro catarina meteu a mão na bola na cara de todo mundo e ficou
tudo por isso mesmo. No jogo contra o Santos, o Peixe empata (e
depois vira) num gol em impedimento e fica tudo por isso mesmo.
Engraçado foi o Wright dizer que o lance do gol do Santos foi
dificílimo para o bandeirinha marcar e que, na dúvida, a regra diz
para deixar o lance correr. OK, mas por que é que o gol do Donizeti
(que estava impedido com praticamente a mesma metragem) foi
imediatamente anulado? Ou seja, para o VASCO nada e para os
adversários tudo. Dois pesos e duas medidas e tem gente que ainda
diz que é mania de perseguição dos vascaínos. Não é não!!! Se
em todo jogo nosso que passa na GLOBO acontece isso aí, imagina nos
outros que não são televisionados... Como bem disse o grande
Fernando d'Arribada: isso já é caso de POLÍCIA!!!
EM
TEMPO III: Mauro Galvão fez uma senhora lambança
botando 300 cabeças de área pra jogar contra o Santos e tomou
sufoco o jogo inteiro. O Morais não pode ser reserva nesse time e o
Pantera não pode jogar isolado lá na frente. Tem que botar o Léo
Borges ou o Ely Thadeu, ou até mesmo um hidrante!, ao lado dele
senão o time fica sem jogada lá na frente. E vamos que vamos!
EM
TEMPO IV: aliás, por causa da derrota para o Santos, a
velha galerinha de sempre já começou a pedir a cabeça do eterno
ídolo Mauro Galvão xingando-o de tudo quanto é nome, até de
enganador!! Alô, Roberto, olho vivo com os seus cabos eleitorais!
EM
TEMPO V: o RMP continua com a sua mania de que todo jogo em
São Januário "tem que ter" 5.000 pessoas. É só
qualquer um lhe escrever isso que, sem apurar, lá vai ele publicar
na sua coluna e também vai cobrar do ministro a aplicação do
Estatuto e o banimento dos dirigentes vascaínos para todo o sempre.
Aí em pleno Morumbi a torcida do São Paulo, sócios, filhos e
afins, agride os jogadores da Ponte Preta na saída do vestiário e
ele não escreve uma linha sobre o caso. Claro, isso não tem a
menor importância já que, nesse caso, pra moralização do futebol
brasileiro é melhor contar "causos" do que encher a
cabeça do ministro pra cobrar providências sobre este "mero
acidente de trabalho" na capital paulista... E VIVA A
LIBERTINAGEM DE IMPRENSA!!!
EM
TEMPO VI: e finalmente, após meses de negociações, vem aí
a competição vascaína mais importante de todos os tempos: a I
COPA CASACA! DE FUTSAL!!! Pois é, este que é um antigo sonho dos
peladeiros de carteirinha do CASACA! e de muitos leitores que sempre
escreveram cobrando, finalmente vai se tornar realidade. E o que é
melhor: para um maior congraçamento entre todos os vascaínos e um
melhor conhecimento do patrimônio do clube, conseguimos uma
aprovação especial para que os jogos sejam
realizados nas primeiras fases na sede do Calabouço e as
semi-finais e finais no VASCO-Barra!!! O site especial com tudo sobre
o campeonato já está no ar no seguinte endereço: www.casaca.com.br/copacasaca
. E se você estiver afim mesmo de jogar, corra logo porque as
inscrições são limitadas e, com menos de uma semana no ar, mais
de 50 vascaínos já se inscreveram!!! Eu tô dentro!!!
EM
TEMPO VII: e toda segunda-feira é dia de falarmos de
VASCO no rádio: é o programa CASACA NO RÁDIO, toda segunda-feira,
das 20h às 22h, na rádio Bandeirantes AM 1360Khz RJ. Até lá!
EM
TEMPO VIII: os cães
ladram e a Caravela passa...
E DÁ-LHE VASCO!!!
www.eduardolopes.com
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