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n.10 ano IV - 17/06/2003

(próxima edição: 24/06/2003)

 

/+/ DENTRO, BOLA FORA; FORA, BOLA DENTRO

 

"É uma no cravo e outra na ferradura", lembrou bem o sábio chinês ainda cuspindo marimbondo vivo na descida da rampa do Maracanã neste último domingo. O que era pra ter sido o encerramento apoteótico de uma semana maravilhosa, graças à esplendorosa conquista de mais um VICE em rede nacional de rádio e televisão pela flamengada além da importantíssima assinatura do tão aguardado projeto Sócio-Torcedor entre o VASCO e a Caixa Econômica Federal, acabou se transformando num final de festa indigesto, digno das piores festinhas, com a nação vascaína tendo uma tremenda dor de cabeça por causa da derrota sem sal para a flamengada.

 

Na verdade, começando a falar da "bola fora", o jogo em si foi mais uma grande pelada onde o VASCO, mais uma vez, desperdiçou a chance de liquidar aquele que talvez tenha sido o time mais fraco que apareceu no nosso caminho nos últimos 10 anos. A flamengada, que já não tem um time bom, sem o mestre Felipe e mais trocentos "titulares" então, totalmente desentrosado, era um verdadeiro convite, uma teta esperando ser mamada. E o VASCO não mamou.

 

Até que o time começou bem, com o Cadu abrindo logo o marcador, mas daí em diante o VASCO preferiu ficar na retaguarda, esperando pra jogar nos (lentos) contra-ataques, e a flamengada, mesmo toda desorganizada, ainda teve muito mais vontade ofensiva do que nós. Aliás, qualquer um que tenha visto a derrota humilhante da urubuzada para o Cruzeiro, viu que se apertar durante 10 minutos aquela defesa muquirana, eles entregam o ouro com uma facilidade impressionante. Mas o VASCO, enfrentando essa mesma teta que ainda tinha o agravante deles estarem com jogadores reservas e totalmente desentrosados, resolveu ficar atrás dando sopa pro azar. E o azar, este velho implacável conhecido dos vascaínos nos jogos do Brasileirão, apareceu nos dois gols do adversário. Foram dois chutes sem vergonha de tão ruins, daqueles que fica até difícil encontrar nas piores peladas pelos campos amadores da vida, mas que tiveram a sorte de esbarrarem nos zagueiros vascaínos para tomarem a direção certeira do gol vascaíno. Impressionante.

 

E isso, tirando é claro a dor irreparável da derrota e da "não-engrenação" no Brasileirão, é o que me deixa mais triste: mesmo jogando sem saber explorar o que o adversário oferece de melhor, ainda não vi neste campeonato nenhum jogador vascaíno chutar o chão e a bola resvalar no zagueiro e entrar. Ou algum jogador vascaíno se preparar para isolar a bola fora do estádio e ela, no meio do caminho, achar um zagueiro pela frente e ir parar no fundo das redes.

 

Enfim, é o azar e a incompetência andando de mãos dadas pelos gramados da vida. Até quando não sei, mas espero que seja breve porque esse time tem condições de fazer um papel melhor. Ainda não é o fundo do poço, mas é um grande sinal de alerta que do jeito que está não pode continuar.

 

***

 

Mas se dentro de campo é só bola fora, fora de campo a coisa já muda de figura. Pra espanto de alguns e alegria da imensa nação vascaína, o VASCO finalmente vai pôr em prática o seu projeto de Sócio-Torcedor que, além de ser um modelo inédito entre todos os outros projetos de Sócio-Torcedor existentes por aí, e que oferecerá muitas vantagens para a torcida vascaína, como por exemplo sorteios de passagens aéreas pro torcedor ir conhecer São Januário, sorteios de camisas oficiais e até de automóveis, gerará uma senhora fonte de receita para que o clube continue com o seu grandioso projeto social sem sangrar as receitas do futebol. Como o Maganha já havia adiantado, nessa parceria com a Caixa Econômica Federal, o torcedor vascaíno será de fato o patrocinador do clube e, após o período em que vigorar a campanha, ele terá a certeza de que além de ter contribuído diretamente com o VASCO, vai sair com pelo menos uma camisa oficial de brinde.

 

É claro que até o lançamento oficial da campanha, previsto para daqui a 30 dias, algumas mudanças ainda poderão (e até deverão) ocorrer, mas a bola que eu gostaria de levantar aqui é: por que é que a Caixa Econômica Federal, com tantos clubes que sempre foram (e continuarão sendo) vistos com tanto bom grado pelo Governo Federal como a flamengada e a coringada, por exemplo, foi querer implantar este projeto PIONEIRO (que será brevemente estendido aos outros clubes) justamente com o CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA? Afinal, de acordo com os e-mails recebidos da Turma do Panfleto, o VASCO não é o "clube do anti-marketing" e a "maior caixa-preta do Brasil"? E o Eurico? Se o Eurico "afugenta patrocinadores", se ele é o "símbolo do que há de pior na cartolagem", "a mente mais retrógrada do Brasil", "um dos últimos e maiores ditadores sanguinários de toda a história recente do Universo", por que raios uma empresa com tanta credibilidade como a Caixa vai querer associar sua imagem com um dirigente que é "contra a transparência"? E-mails para a redação.

 

EM TEMPO I: deu no jornal O DIA do dia 14/06: "A fim de pegar carona no rastro do Romário, o Fluminense tenta revitalizar o programa Sócio-Torcedor, lançado há três anos, mas que ainda não vingou como o presidente do clube, David Fischel, esperava: "é a minha maior frustração"". É aquela velha história: nem sempre quem sai na frente chega ao final da corrida.

 

EM TEMPO II: a bola estava na marca do pênalti mas estranhamente não quiseram bater. Agora aguenta... e viva a democracia! 

EM TEMPO III: os cães ladram e a Caravela passa...

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.eduardolopes.com

 

 

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