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n.09
ano IV - 10/06/2003
(próxima
edição: 17/06/2003)
/+/
AH, SE FOSSE O VASCO...
(Parece
que foi ontem, mas esta já é a minha coluna de número 150! Pois
é, já são 150 semanas compartilhando com os amigos as alegrias e
tristezas da vida vascaína nestes últimos 4 anos. Obrigado pelo
carinho de todos e podem ter certeza que ainda vem muito mais por
aí!)
"Atacam
o Vasco porque não engolem o Eurico ou atacam o Eurico porque não
engolem o Vasco vencedor?" (Fernando d'Arribada na sua última
(e excelente) coluna no CASACA!)
Outro
dia o nosso bravo presidente Eurico Miranda proferiu uma frase que
acabou se tornando célebre já que os "moralistas" até
hoje a usam quando se referem, de maneira pejorativa (como sempre),
ao presidente vascaíno. Disse ele: "a ética é
relativa". Pra ser sincero, nem me lembro qual foi o contexto
em que ele usou a tal frase, e isso também não faz a menor
diferença, já que pros "moralistas" mais valerá sempre
uma frase solta (que será sempre usada como a "cereja do
bolo" nos "momentos oportunos") do que o seu
contexto. Mas uma coisa é certa: em se tratando da imprensa
esportiva, ele tinha razão.
Pra
quem andou lendo os jornais ultimamente, diante do silêncio
sepulcral dos "moralistas" com a desmoralização completa
do Estatuto do Torcedor por causa das mudanças de datas do
"Brasileirão da Moralização" (pra agradar a flamengada
e a coringada) e também com os pontos de real interesse do torcedor
que sequer entraram na pauta (pra não baterem de frente com a toda
poderosa rede Globo), mas que foram intensamente debatidos com
brilhantismo pelos colunistas do CASACA!, pôde-se comprovar na
prática que a ética, DE FATO, é relativa. Mas o buraco, como
sempre, é ainda mais embaixo: quando "baluartes do
moralismo", sem o menor constrangimento, em suas colunas nos
jornalecos da vida, assumem que há tráfico de influência entre a
mídia e alguns jogadores, fica ainda mais claro que a ética, no
"mundo ilibado da imprensa esportiva brasileira", nem
relativa é; pelo contrário, ela simplesmente não existe!!
E
o negócio é tão irritante, tão escroto e tão repetitivo que,
tão logo acabou esta rodada dominical do "Brasileirão da
Moralização" (onde o jogo mais importante da rodada,
transmitido ao vivo em cadeia nacional, simplesmente não tinha nada
a ver com o Brasileirão porque era a flamengada que estava em campo
(e a flamengada, seguindo os "preceitos éticos da
imprensa", tudo pode)), que acabei descobrindo que tudo que ia
escrever agora na verdade já havia escrito. Sim, toda a minha
fúria já havia sido publicada na edição n.8 do JORNAL DO
CASACA!, que saiu no final do mês abril. O tempo passa, o tempo
voa, e a história se repete. E lá vamos nós de volta para o
futuro.
--
/+/ --
“Eu
prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião
formada sobre tudo”, cantava Raul Seixas naquela sua célebre música
“Metamorfose Ambulante”. Mas é uma pena que a nossa querida
imprensa esportiva nunca tenha ouvido tal letra ou, se ouviu,
continue insistindo na mesma velha tecla batida já que, quando o
assunto é VASCO, ela já tem a sua “velha opinião formada” e não
parece disposta a abrir mão. São dois pesos e várias medidas.
Outro dia, o
sempre antenado e brilhante colunista Paulo Miller, passeando os
olhos pelo jornal Lance, pegou o seguinte e curioso trecho da coluna
do Juca Kfouri: “O tão
simpático São Caetano pisou feio na bola ao não concordar com o
adiamento do jogo contra o Grêmio – que fez o pedido para poder
chegar antes ao Paraguai, onde enfrentará o Olimpia, pela
Libertadores. O Azulão mudou de cor e merece um castigo hoje.”
Mas ora bolas,
adiar jogo, segundo a “ótica moralista” que reina na imprensa
de respeito incondicional à tabela, não é crime hediondo a ser
punido com a pena de morte? Me lembro que em 1998 o VASCO, que iria
disputar a final do Mundial (título muito mais importante que a
Libertadores), brigou pra adiar um jogo contra o Palmeiras por causa
da viagem para o Japão e NINGUÉM na mídia ficou ao lado do VASCO.
NINGUÉM apareceu dizendo que o Palmeiras não queria ajudar para
que um clube brasileiro conquistasse o título Mundial; pelo contrário,
o VASCO, seguindo a “ótica moralista”, é que foi linchado e
execrado em praça pública, tomando paulada na cabeça e sendo
“aclamado” como o “clube que não respeita tabelas”, “o
clube que é contra o progresso do futebol brasileiro”.
Em 2000, o
mesmo VASCO, que acabara de conquistar o título da Mercosul na
maior virada da história do futebol mundial, tinha porque tinha que
enfrentar o Cruzeiro pelas semi-finais do Brasileirão em menos de
48 horas após a conquista. A tv Globo tinha marcado a data e não
“podia” alterar. Os jogadores vascaínos, descumprindo a LEI,
tinham porque tinham que entrar em campo para atender aos interesses
da tv. O VASCO foi contra, óbvio, bateu de frente com Deus e o
mundo, e o jogo foi adiado. E na época, pra variar, NINGUÉM
apareceu pra defender o VASCO que estava em duas finais em duas
competições diferentes. O clube mais uma vez foi execrado em praça
pública, os “moralistas” jogaram pedras e mais pedras e o
VASCO, com os dois títulos no bolso, é que era o grande vilão do
futebol brasileiro.
Aí veio o
episódio da queda do alambrado e a turma do arco-íris-moralista
ficou toda a favor do Amarelão. O Amarelão, de uma hora pra outra,
passou a ser o queridinho da mídia mas não por ser simpático, e
sim porque tinha que tirar aquele título do VASCO de qualquer
jeito. Só por isso. Como o Amarelão não conseguiu, e a Caravela
seguiu firme e forte, eles passaram a ser mais um clube passível de
execração pública caso não se encaixe nessa estranha “ótica”.
E, pelos exemplos citados, claro está que a tal “ótica
moralista” da nossa imprensa diz que, qualquer que seja a razão,
pode-se adiar os jogos quando o VASCO não está envolvido. Mas se o
VASCO estiver envolvido, mesmo estando com a razão (e olha que em
100% destas confusões o VASCO está com a razão), não pode.
Simples assim.
Pra fechar,
basta lembrarmos que o Corinthians adiou a sua estréia no
“Brasileirão da Moralização” pra ganhar um dia a mais pois
estava em viagem pela Libertadores. A imprensa fingiu que não viu.
Mas se fosse o VASCO... Ah, se fosse o VASCO...
-- /+/ --
Moral da
história: no início, foi por causa da Libertadores. Agora foi por
causa das finais da Copa do Brasil. E amanhã, como será? Claro,
desde que o VASCO não esteja envolvido. Porque se fosse o VASCO...
Ah, se fosse o VASCO...
Pra finalizar,
uma pergunta que deverá ficar sem resposta: a tabela do
"Brasileirão da Moralização", divulgada pela CBF em
tudo quanto é revista e jornal, dizia lá que o jogo Juventude x
VASCO, realizado neste último domingo, seria o jogo da "tv
aberta" (ou seja, o jogo que iria passar na Globo). Entretanto,
além de não ter passado o jogo do VASCO, o que se viu em qualquer
televisor ligado na Globo nos quatro cantos do Rio de Janeiro foi o
jogo da flamengada que era válido pela Copa do Brasil. E aí? Cadê
os direitos dos 20 milhões de torcedores vascaínos? Cadê o
Estatuto do Torcedor? Com a palavra, Carlos Alberto "Ouvidor do
Brasileirão" Torres: [email protected]
. E-mail nele!!!
EM
TEMPO: será que algum desses
"moralistas" aguentaria 10 minutos de CPI e de quebra de
sigilo bancário?
EM
TEMPO I: voltando a falar do Eurico, o João Carlos
Nóbrega foi muito feliz (como sempre) ao levantar uma bola
interessantíssima: se o Eurico fica irado com mais uma palhaçada
contra o VASCO e "parte pra dentro", logo o acusam de não
ter educação e da sua postura tornar o VASCO antipático. Se ele,
ao contrário, fica quieto, na sua "postura de
presidente", pra ver no que vai dar, logo é um banana que
está pouco se lixando para o clube. Vai entender...
EM
TEMPO II: aliás, o João também foi muito feliz ao
incentivar a "Turma do Panfleto", já que segundo alguns o
Eurico estaria "afastado das confusões para preservar a imagem
do clube junto a potenciais investidores", para saírem das
trevas e darem a cara pra bater junto a esta corja pra fazer valer
os direitos do clube. Mas cá entre nós, João e amigos, vocês
acham que alguém da "Turma do Panfleto", se tivessem
sacaneado o VASCO, iria, por exemplo, mexer num
"vespeiro", como é a Confederação Sul-Americana, pra
peitar uma "instituição" como o Cartel de Medelin
(potência do narcotráfico mundial na época) como um tal de Eurico
fez quando o VASCO foi garfado lá na Colômbia quando enfrentou o
Nacional em 1990 pela Libertadores? Ele provou que o juiz foi
coagido e a Confederação, num ato inédito, anulou o resultado do
jogo e marcou uma nova partida que acabou sendo realizada em campo
neutro (Chile). E aí, teria? Na dúvida, fico com a imagem de um
notório candidato do MUV, nos primórdios do programa do Márcio
Guedes, rolando de rir enquanto aquela corja sacaneava o VASCO.
Sinceramente, nenhum vascaíno em sã consciência ri de piada
daquela trupe, o que dirá rir JUNTO quando eles estão sacaneando o
VASCO. Francamente.
EM TEMPO III:
haveria alguma chance de um goleiro vascaíno, em qualquer época,
tomar 10 gols em 2 jogos (sendo 4 frangaços escrachados) e mesmo
assim ser convocado pra Seleção com todo o apoio da mídia? Com a
palavra, Márcio Guedes: "Só mesmo sua simpatia pessoal e as
boas relações dele e de sua mulher, Suzana Werner, com parte
influente da mídia impediram que um temporal desabasse sobre a sua
cabeça. - O Dia – 03/06/03 – Sobre Júlio César, goleiro do
rival". E o grande Paulo Miller dá a sentença definitiva:
"Márcio Guedes confirma o que nós já suspeitávamos há
muito. Quem tem boas relações com “parte influente da mídia”
desfruta de grandes vantagens. Isso, para mim, é tráfico de influência!
CPI na imprensa já!". Pois é, Paulo, e nessa hora o MG não
usa, ou melhor, FAZ QUESTÃO DE NÃO USAR o seu bordão predileto:
"E NINGUÉM VAI PRESO"!!!
EM
TEMPO IV: quanto ao jogo do VASCO, um empate xôxo em 0x0.
Mesmo com trezentos desfalques, o VASCO dominou amplamente o
primeiro tempo, sufocando o Juventude em seu próprio campo, e ainda
teve duas bolas na trave. Pra quem achava que iríamos entrar na
retranca, foi uma surpresa ver o time com aquela velha vontade de
atacar que parecia esquecida. Já no segundo tempo, a marcação do
Juventude se acertou e o jogo foi insosso. Enfim, mais uma rodada
que foi ótima pra nós se, é claro, tivéssemos vencido. Domingo
é a vez da flamengada. E não teremos o Fábio, melhor goleiro do
mundo que foi convocado pra Seleção para dar um passeio na
França, mas já poderemos ter o Marcelinho. A cobra vai fumar!!!
EM
TEMPO V: por falar neles, e o golaço de letra do Alex,
hein? Pois é, cada um tem a letra que merece...
EM
TEMPO VI: "O Fábio está tranquilo porque ele já sabe
que o nome dele estará com certeza na convocação da Seleção
amanhã. Afinal, pra todo mundo que vem aqui ao CASACA NO RÁDIO,
sempre acontece alguma coisa boa. Amanhã o nome dele é
certo." Palavras "proféticas" deste que vos escreve
no CASACA NO RÁDIO do dia 2/6 (Rádio Bandeirantes AM 1360Khz, 20h
às 22h, toda segunda), na véspera da primeira convocação do
goleiro vascaíno para a seleção principal.
EM
TEMPO VII: os cães
ladram e a Caravela passa...
E
DÁ-LHE VASCO!!!
www.eduardolopes.com
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