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n.08 ano IV - 03/06/2003

(próxima edição: 10/06/2003)

 

/+/ A ESTRANHA CEGUEIRA DOS MORALISTAS!!!

 

"Por que jogos às 22 h, se o mundo tem conhecimento da violência que assola os grandes centros urbanos? Aonde estão os “moralistazinhos” de bosta que você se acostumou a ver e ouvir? Cadê o Luis Ribeiro, cadê o Márcio Guedes, cadê o Calazans, cadê o Renato Prado, cadê o José Trajano? Por que não piam sobre isso? Por que estão com a rabiola entre as pernas quando o assunto é Organizações Globo?" (João Carlos Nóbrega na sua última (e brilhante) coluna no CASACA!)

 

"Se o sujeito rezar pela cartilha do pensamento uniforme imposto pela mídia, seja ele quem for, será exaltado, caso contrário, vigora a ditadura da mídia, que usa, dissimuladamente, a supressão da liberdade de expressão, boicotando ou desqualificando levianamente aqueles que discordam, calando a voz dos que divergem do seu ponto de vista." (Fernando d'Arribada na sua última (e excelente) coluna no CASACA!)

 

Já está ficando chato: todo dia abrimos os jornais e lá vem aquela lenga-lenga de Estatuto do Torcedor. Pra ser sincero, já começo até a desconfiar se o Estatuto realmente é mesmo do torcedor ou se é da imprensa, uma vez que parece que é ela a grande interessada no Estatuto.

 

Até agora ela tem se limitado a encher o saco pra ver se os clubes estão publicando os borderôs das partidas, se o ingresso dá direito a recibo, se as cadeiras estão numeradas, se há sorteio de juízes com 48hs de antecedência e outras perfumarias do gênero que passam há quilômetros de distância do que realmente interessa ao torcedor, este "babaca", que na verdade é o grande patrocinador do espetáculo.

 

Vamos pegar como base alguns fatos ocorridos na última quarta-feira no jogo da flamengada no Maracanã pela Copa do Brasil que ilustra bem onde eles querem, ou melhor, não querem chegar.

 

Pra começo de conversa o jogo começou às 21:45hs que, como bem disse o João Carlos ali em cima, todos os "moralistas defensores dos torcedores" simplesmente até agora ignoraram o fato. O assunto horário "estranhamente" até agora ainda não entrou na discussão dos "moralistas" e muito menos entrou no Estatuto. Ora bolas, com toda a violência dos grandes centros, quem vai ficar dando bobeira na rua após às 23:30hs, que é o horário em média em que acabam esses jogos? Será que o horário noturno dos jogos é menos importante do que a numeração da cadeira? Ou melhor, como ele nem entrou no Estatuto, será que realmente ele não tem importância nenhuma? Então tá, gostaria de ver um "moralista" com a camisa de qualquer time ficar ali em volta do estádio por volta das 0:00hs parado em qualquer ponto de ônibus pra ver o que acontece.

 

Mas tudo bem, como o horário para os "moralistas" não é problema, já que o torcedor, este "babaca", vai ao jogo nem que ele seja às 2:45hs da madrugada, vamos ver os acessos ao estádio. Diz lá no Estatuto que o torcedor, este "babaca", tem direito ao "transporte seguro e organizado para os estádios". Ora bolas, quem é o responsável pelos transportes urbanos? O mandante do jogo? Então tá, é ele quem vai ter que pedir pelo amor de Deus para as empresas de ônibus colocarem mais ônibus nas ruas, principalmente na saídas dos estádios nos jogos noturnos, quando o RJ sabidamente vira literalmente uma terra de ninguém? E depois, após os tradicionais apedrejamentos, incêndios e brigas de torcidas organizadas, é o mandante quem irá pagar o "preju" das empresas de ônibus? E aí? Então a quem se cobra se não há ônibus nas ruas na madrugada pra se voltar dos jogos noturnos? Governo, empresas de ônibus ou mandante do jogo? Você viu aí alguma reportagem sobre isso? Repito: o torcedor tem direito ao "transporte seguro e organizado" mas e aí? Vamos cobrar de quem? Pois é, mas como "moralista" não anda de ônibus, isto também não importa.

 

Outro exemplo: o urubu que foi de metrô pro Maracanã na última quarta-feira, se quisesse voltar pra casa de metrô teria que estar na estação até no máximo 23:00hs, que é o horário em que o metrô deixa de circular. Ou seja, o cara compra um ingresso pra ver 90 minutos de futebol mas não vai poder ver os últimos 30 minutos (isso sem contar a possibilidade do jogo ir pra prorrogação e pênaltis) porque senão ele vai encontrar a estação do metrô fechada. E aí, cadê as reportagens? Por quê desde que inventaram o metrô ele não circula até depois dos horários dos jogos noturnos? Por quê? Mas como "moralista" que é "moralista" também não anda de metrô, isto também não faz a menor diferença.

 

Ou seja, transportes e horário dos jogos, que são fatores diretos na influência da decisão do torcedor em ir ao estádio ou não, pra não dizer a questão da segurança, principalmente fora dos estádios, são simplesmente ignorados pelos "moralistas". Importante pro torcedor, este "babaca", é ver lá quanto foi arrecadado na partida sentado na sua cadeira numerada. Se ele vai conseguir voltar pra casa, ou ainda, se vai continuar vivo até chegar em casa, é outra história e não tem a menor importância. Importante é que o estádio seja uma Suécia, como bem definiu o João Carlos em outra brilhante coluna, mesmo que todos os fatores externos que são o elo de ligação do torcedor com o espetáculo continuem solenemente ignorados.

 

OBS. Como exemplo ilustrativo da célebre constatação feita pelo Fernando d'Arribada que eu coloquei ali na abertura desta coluna, quem comprou o jornal LANCE deste domingo viu claramente o que a imprensa deseja com o Estatuto do Torcedor. É só pegar o destaque que eles deram ao funcionamento do Estatuto nos jogos do Botafogo e do Fluminense e comparar (só como adendo, não custa lembrar que o Bebeto de Freitas é um dos ídolos dos "moralistas" e o David Fischel, como andou falando algumas coisas que os "moralistas" não aceitaram, de "presidente-modelo" virou um "inimigo da moralização").

 

- Página do Fluminense. Manchete: "Flu ignora lei e tricolores sofrem". Subtítulo: "Clube não cumpre artigos do Estatuto, o que causa confusão dentro e fora do estádio. Pela lei, dirigentes podem ser punidos." A matéria ocupou 1/2 página. Ilustrando, havia a foto de um torcedor diante de um cartaz escrito a mão reclamando da desorganização. Ao lado, um quadro destacando os 3 artigos que o tricolor não estava cumprindo.

 

- Página do Botafogo. Manchete (com a letra do tamanho da letra usada no subtítulo da matéria do tricolor): "Problemas no Caio Martins". Subtítulo: não há. A matéria ocupou 1/6 de página. Ilustrando, havia a foto de PMs na frente da bilheteria tentando conter a invasão dos torcedores. Não há quadro destacando os artigos infringidos. E, ao contrário da matéria do tricolor que já vai descendo a lenha na bagunça dentro e fora do estádio (sem falar no título que é quase uma voz de prisão), na matéria botafoguense eles pegam muito mais leve. E o absurdo é tanto que eles começam a matéria assim: "A diretoria do Botafogo está se esforçando para deixar o Caio Martins dentro das normas do ET, mas ainda há muito o que ser corrigido". Mas ora bolas, será que a diretoria tricolor também não está? Aí você lê a micro-matéria e constata que, além dos mesmíssimos problemas que aconteceram no jogo do tricolor, ainda houve tentativa de saque por parte da torcida botafoguense de um quiosque do Bob's atrás da arquibancada, com a polícia dando 3 tiros, e no tumulto ainda houve um ferido. No jogo do tricolor não houve nenhum tiro e ninguém saiu do estádio ferido.

 

Resumo da ópera: aos que seguem a cartilha dos "moralistas", o céu está de portas abertas; aos que não seguem ou deixaram de seguir, o caldeirão do inferno já está em ponto de bala. E isso sem nem falar dos jogos do VASCO, porque se já fizeram essa palhaçada com o tricolor e passaram a mão na cabecinha botafoguense quando o que houve no jogo do Botafogo foi muito pior do que o que houve no jogo do Fluminense, imaginem o que virá por aí...

 

EM TEMPO: será que algum desses "moralistas" aguentaria 10 minutos de CPI e de quebra de sigilo bancário?

 

EM TEMPO I: e essa atuação covarde e subliminar, ou melhor, escancarada mesmo da mídia? Isso também não deveria entrar no Estatuto do Torcedor? Cadê os nossos direitos?

 

EM TEMPO II: em época de "transparência" e utilização de "exemplos" para ilustrar o Estatuto, será que nenhum jornal ou tv vai lá pegar aquele ACIDENTE que houve na final do Brasileirão 92, quando vários urubus despencaram da arquibancada sendo que alguns deles MORRERAM? Acho que é de interesse dos torcedores e da população em geral que se fizessem reportagens especiais para mostrar o que foi feito com as famílias daquelas vítimas, quem pagou os enterros, quem foram os culpados, se alguém foi pra cadeia, se os seguros dos torcedores foram pagos às famílias das vítimas, enfim, qual foi o real desdobramento daquele ACIDENTE COM VÍTIMAS FATAIS. E não preciso nem dizer que se aquilo tivesse ocorrido num jogo do VASCO, já teríamos esbarrado por aí em dúzias de livros, filmes, Globo-repórteres e o cacete a quatro.

 

EM TEMPO III: VASCO 2 x 2 Atlético-MG. Joguinho horroroso, onde novamente o time jogou no lixo os primeiros 45 minutos. A destacar, tirando o fato de que desperdiçamos a chance de faturar 3 pontos contra um time que possui uma zaga-teta com Luís Alberto e Scheidt, palmas pra o garoto Morais que entrou e resolveu o jogo novamente, como havia feito contra a Ponte Preta. Esse moleque, definitivamente, não pode sair do time.

 

EM TEMPO IV: por falar nele, ontem foi distribuído a edição número 9 do JORNAL DO CASACA!. E além da matéria com o jovem craque Morais, há também um especial sobre as campeoníssimas Adriana Behar e Shelda, sobre o Atletismo e o fenômeno Jorge Célio, sobre a campeoníssima nadadora Ivi Monteiro, sobre os craques do passado Coronel e Orlando Peçanha, além das tradicionais colunas da galera do CASACA!. Para assinar, é só mandar um e-mail para: [email protected] .

 

EM TEMPO V: e a partir desta semana a minha coluna também estará sendo publicada no site www.boladeouro.net , que é o site onde a galera vascaína, através do voto direto, rodada a rodada, irá escolher o craque vascaíno de todo o campeonato. Confiram e votem!

 

EM TEMPO VI: e a flamengada, hein? Após cair de 4, tomou um showcolataço de 6x2 em cadeia nacional de rádio e televisão que fez a flamengada perder o rumo. Palmas pra flapress que quase nos fez acreditar que esse timeco era um dos mais fortes da história. Pelo menos agora param de chover e-mails comparando o genial Nelsinho com a anta do Lopes...

 

EM TEMPO VII: os cães ladram e a Caravela passa...

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.eduardolopes.com

 

 

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