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n.06
ano IV - 20/05/2003
(próxima
edição: 27/05/2003)
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A MÃO QUE AFAGA É A MESMA QUE APEDREJA!!!
"A
conversa com o torcedor rubro-negro é sempre complicada. Apaixonado
por natureza, ele tem resistência em conviver com críticas ao seu
time. Jogador que veste a camisa vermelha e preta é sempre um
aspirante a Zico." (trecho da coluna do Paulo César
Vasconcellos no jornal LANCE do último domingo)
Cabeça
de treinador realmente é algo fantástico que deveria sofrer uma
perícia técnica até da NASA pra entendermos o que se passa lá
dentro. Outro dia mesmo, nosso técnico Antônio Lopes foi lá no
time júnior, pescou o jovem atacante Cadu e o foi lançando aos
poucos, com sucesso, no time principal. O garoto entrava sempre no
segundo tempo, substituindo algum atacante, e quase sempre deixava a
bola no fundo do barbante. E ele tanto fez que, mesmo sem ser um
novo Pelé, já tinha caído nas graças da torcida que logo o
elegia como o "pé-de-coelho" do elenco. O jogo está
difícil? Bota o Cadu! E ele ia lá e pimba!!!
O
tempo passou e, como já parece sina de todo mundo que um dia vira
titular do VASCO neste ano, Cadu se machucou e ficou afastado por um
tempo. Já recuperado, ele volta ao elenco tendo pela frente a volta
do ídolo Edmundo (que se recuperava de operação), o Marques (que
se recuperava de contusão) e mais o Souza em boa fase (que também
sairia lesionado). Pela lógica, seria o reserva imediato caso o
time precisasse de um atacante que jogasse com velocidade para abrir
o jogo pelas pontas. Claro, isso pela lógica...
Mas
aí o nosso bravo técnico, como que "arrependido" de
tê-lo lançado com sucesso no time principal, pelo visto está
tentando queimá-lo de que qualquer jeito. Senão vejamos: num dos
jogos mais importantes do ano até aqui - a partida de volta contra
o Cruzeiro pela Copa do Brasil - mesmo tendo jogado o campeonato
inteiro utilizando ora o Danilo, ora o Léo Lima, e ora os dois no
meio de campo de criação, eis que nenhum dos dois aparece no time
principal como titulares para jogar ao lado do
"meia-bomba" Marcelinho, que só havia entrado em campo
para bater falta. A lógica foi jogada pra escanteio e, pra surpresa
do mundo, lá apareceu o jovem Cadu. Como no ataque já estavam
Edmundo e Marques, ele ia ficar logo ali atrás pra correr por ele e
pelo Marcelinho, e assim ajudaria a fechar o meio e a lateral
esquerda. Moral da história: não jogou absolutamente nada. Não
atacou, não marcou, não foi, não ficou, e o Cruzeiro por ali
deitou e rolou.
"A
voz do povo, quase sempre, é a voz de Deus", já dizia o
lendário sábio chinês desde priscas eras. E, com a eliminação
atravessada na goela, a "voz de Deus" então se manifestou
em uníssono com o infame corinho de "burro" através das
gargantas furiosas de praticamente toda a torcida presente ao
estádio. Injustiça? Será que ela procurava apenas um bode
expiatório pela eliminação? Bem, lembremos então de outra
imortal frase do lendário sábio chinês: "Errar é humano,
persistir no erro é burrice". Claro, o Lopes viu a lambança
que ele arrumou, vai consertar, e no próximo jogo o time volta a
ter a escalação com os jogadores atuando na posição onde eles se
sentem mais confortáveis - que, aliás, é o mandamento número 0
na definição de qualquer escalação.
Então,
após a tradicional sesta dominical, levantamos para acompanhar pela
tv mais uma rodada do Brasileirão. O VASCO, ainda com meio time no
departamento médico, vai lá pra Curitiba enfrentar o time do Odvan
- o Deus do Bico. Entram os jogadores e, pra espanto de todos, lá
está escalado o Cadu novamente pra jogar no meio!!! Será que o
erro no jogo contra o Cruzeiro percebido pelo Lopes foi ter escalado
o Marcelinho? Talvez até tenha sido, mas e o Cadu no meio? A troco
do quê? Moral da história: Cadu novamente não jogou nada pois foi
nulo na criação (claro, ele nunca fez isso na vida!), ajudou um
pouco a "tapar buraco" no meio mas, novamente, ficou em
campo apenas pra tomar olé dos adversários. Talvez o Lopes até
tenha forçado a escalação dele ali pra dar uma
"lição" no Léo Lima, o que até faz sentido - pela
lição no Léo Lima - mas nada justifica a escalação do Cadu ali.
Era melhor ter colocado o jovem Ygor, ou o também jovem Rubens, já
que ambos são dois cabeças-de-área habilidosos, ou então o
Rogério Corrêa pra dar trombada. Mas o Cadu, definitivamente, ali
não.
Espero
que o técnico Antônio Lopes, pelo qual eu tenho uma simpatia muito
grande, não tenha ficado maluco de vez e esteja tentando levar ao
pé da letra o clássico trecho do poema do célebre Augusto dos
Anjos - "A mão que afaga é a mesma apedreja (...) Escarra
nessa boca que te beija" - sob pena de que o jovem Cadu, sua
grande revelação nos últimos anos e que vinha muito bem no time
sendo uma ótima opção ofensiva no elenco, sucumba e seja mais um
desses jovens talentos queimados que irão fazer sucesso em outro
canto. Afinal, inventar moda e perder ou ganhar faz parte do jogo.
Mas queimar jogador é crime. E não conseguir atingir bons
resultados com um bom elenco nas mãos também.
Enfim,
o "corinho" da torcida, que já beira o ensurdecedor, já
está aí na boca do povo e promete ficar totalmente insuportável
caso nos dois próximos jogos aqui no RJ o resultado não seja no
mínimo satisfatório. E aí, nada mais óbvio, será a vez da outra
mão, a Grande Mão, que até agora só lhe fez afagar, entrar em
campo para dar a pedrada final.
EM
TEMPO: com este empate de 1x1
contra o Coritiba, continuamos a 11 pontos do líder Cruzeiro e a 5
pontos do Santos, terceiro colocado, e que é a última vaga pra
Libertadores. Repito pela enésima vez: com o elenco que a gente
tem, arrumado, e com os jogadores em forma, dá pra chegar e ser
campeão.
EM
TEMPO I: Edmundo, contra o Cruzeiro, mostrou de fato porque
o único clube no mundo onde realmente ele se sente bem e dá mais
do que o seu máximo é o VASCO. Eu, que o critiquei bastante nos
últimos anos, fiquei emocionado ao vê-lo, recém-operado e
praticamente sem condição física no segundo tempo, ir ao limite
do limite para tentar colocar o VASCO na raça nas semi-finais.
Mesmo "sem pernas", nenhum jogador em campo, inclusive os
do Cruzeiro, correu ou lutou mais do que ele. Sem condição
física, ele ainda conseguiu arrumar umas arrancadas, fazer boas
jogadas - como o passe pro gol do Souza, pegar a bola no meio e
aparecer na linha de fundo pra cruzar. Errou algumas jogadas bobas?
Errou sim, mas qualquer um que já fez pelo menos 5 embaixadinhas na
vida sabe o quanto é difícil, com aquela pressão toda, assumir a
responsabilidade pelo time e se manter de pé (sabe-se lá com que
forças) até o final durante o jogo inteiro. Se ainda pairavam no
ar dúvidas sobre a sua vascainidade, naquela noite elas foram todas
dissipadas. Nota 11 pra ele com louvor. Agora imagina ele em forma
daqui pra frente... AH, É EDMUNDO!!!
EM
TEMPO II: não entendi até agora essa polêmica sobre o
Marcelinho. O cara é o craque do time, todo mundo sabia e ele havia
dito que tinha 50% de condição de jogo e ainda sentia algumas
dores, todos sabiam da importância do jogo, e todos torciam para
que o time entrasse completo. Chega no dia o Marcelinho, tal qual o
Ronaldinho naquela final de 98, vira pro Lopes e diz:
"Professor, tô dentro", e o Lopes vai fazer o quê? Mas
não, fizeram logo um alarde dizendo que foi o "Eurico quem
escalou"!!! Agora imagina a cena: o Eurico vira pro Marcelinho
e diz que ele tem que jogar de qualquer jeito. Marcelinho, craque
consagrado com trezentas propostas de transferência nas mãos,
sabendo que vai se arrebentar todo e podendo até comprometer sua
carreira este ano, jogando num "clube falido e que não paga
salários", por "ordem do Eurico" resolve comprometer
sua carreira e entrar em campo. Cá entre nós: fala sério!!! Do
jeito que o Marcelinho é, se o Eurico tivesse realmente feito isso
aí que eles noticiaram, ele tinha pego o boné e ido embora na
hora. Afinal, clube querendo contratá-lo é o que não falta!
EM
TEMPO III: aliás,
qual foi a da volta do Pantera Donizeti? Sinceramente, não vejo
vaga pra ele nem no banco. Era melhor ter contratado um lateral
esquerdo.
EM
TEMPO IV: e o nosso bravo time de basquete, infelizmente,
não conseguiu a classificação para as semi-finais no
Brasileirão. Uma pena. Mas fica, mais uma vez, dada mais uma aula
do que é superação e amor ao esporte. Hélio Rubens e toda a
equipe, mesmo com todos os tipos de problemas encontrados pelo
caminho, estão de parabéns porque, mesmo sem o terceiro título
nacional nas mãos, eles são vencedores. Eles, mais do que
quaisquer outros, honram de fato a camisa do VASCO que vestem. E por
eles, sair de casa pra ir ao ginásio será sempre um prazer
indescritível. Valeu e ainda vale muito a pena. A mim, só me resta
agradecer de pé mais uma vez por tudo que eles fizeram, e espero
que eles ainda possam continuar conosco por mais uma temporada.
EM
TEMPO V: o VASCO, além de vir jogando mal, está com um
azar danado porque nem aquelas "bolas vadias" entram mais.
A flamengada, por exemplo, contra o Goiás abriu o placar num
impedimento clamoroso, depois contra o Vitória abiu o placar num
frangaço do goleiro, e ontem contra o Guarani, quando era pra já
estarem tomando de 8 só no primeiro tempo, fazem o primeiro gol
graças a uma furada do Atchinrson que caiu nos pés do
centroavante. Sem falar no tricolor que, jogando horrorosamente,
ganhou 3 frangaços de presente!!! Assim é fácil...
EM
TEMPO VI: falando em frangos, o Fábio novamente vem
fazendo o possível e o impossível. Como eu sempre digo: é o
melhor goleiro do Brasil e um dos dois melhores do mundo. Mas o mais
curioso é que, sempre que eu citava isso nas minhas colunas, vinha
trocentos e-mails reclamando que eu estava enchendo muito a bola dum
"goleiro regular". Bastou o Garoto do Caramanchão
começar, na sua coluna, a pedir a sua inclusão na seleção, e aí
os outros comentaristas papagaios (afinal, o que um da
"máfia" diz, os outros repetem) virem com a mesma
ladainha, que praticamente parei de receber críticas ao
"goleiro regular". Espero que as críticas tenham parado
porque os vascaínos finalmente se convenceram de que ele é craque
de fato e de direito, e não porque começou o "oba-oba"
da flapress.
EM
TEMPO VII: e como é tempo de Bienal do Livro, além de ter
morrido numa grana comprando alguns clássicos do Nabokov, Hesse e
Lovecraft, também finalmente achei o antológico Livro do
Centenário do VASCO (edição com a Libertadores), já que o único
que tinha um tio meu levou "na mão-grande" pra Portugal.
Já tinha até perdido as esperanças já que este livro nunca mais
foi reeditado mas esta Bienal salvou a pátria!!! Aliás, este livro
do Centenário era o único exemplar disponível em toda a Bienal.
Repito: ERA... Ah, outro livro futebolístico muito bom que comprei
e recomendo é o "Vencer ou Morrer" do Gilberto Agostino
(Editora Mauad). Show de bola!
EM
TEMPO VIII: faço coro com as últimas (e sempre ótimas)
colunas do Rafael Fabro e do João Carlos no CASACA!: por que o time
só joga 45 minutos por partida? Aliás, épica também foi a
última coluna do Fernando d'Arribada ("O remo ou o
motor"). Uma analogia primorosa.
EM
TEMPO IX: os cães
ladram e a Caravela passa...
E DÁ-LHE VASCO!!!
www.eduardolopes.com
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O L T A R
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