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n.01 ano IV - 08/04/2003

(próxima edição: 15/04/2003)

 

/+/ A OBRA-PRIMA DO MARCELINHO!!!

 

"Não tenho mais problemas com Romário. Conversamos como se nada tivesse acontecido. Não haveria problemas em jogar com ele novamente." (Edmundo em entrevista ao Jornal do Brasil, 05/04/03)

 

Falar que uma mera ida a São Januário, nem que seja apenas pra contemplar os pombos e os gatos dormindo sobre o impecável tapete verde, é desde sempre fazer parte de um momento histórico único na vida do verdadeiro clube popular do planeta. Assistir a um jogo então, nem que seja um simples amistoso, é bater palmas de pé pra mais um capítulo na história do futebol onde cada vez mais o antológico Estádio se destaca como o palco perfeito no livro de ouro do futebol universal. Qualquer um sabe disso.

 

Por isso que quando foi anunciada a chegada oficial do Edmundo para antes do jogo contra o Goiás, a torcida foi em peso para a Colina Sagrada porque sabia que veria mais um momento histórico na vida deste clube que é o maior rolo compressor de emoções do planeta. Mas o que a torcida não fazia idéia era de que o fato histórico do milênio não era a aterrissagem de luxo do seu eterno Messias no gramado, que aliás nem era novidade porque já havia se repetido duas vezes na última década. OK, vá lá que pelos olhares e sorrisos dos torcedores que chegavam, fossem idosos ou crianças, homens ou mulheres, normais ou com deficiências, a simples visão do Animal acenando do gramado vestindo a gloriosa camisa 10 já valia o ingresso e o que quer que acontecesse dali pra frente não teria a menor importância.

 

Tudo bem. Se o Edmundo iria se contentar em ficar o jogo todo apenas acenando para a torcida, o nosso outro super-craque, que além de craque deste e de todos os outros campeonatos também é Profeta, o glorioso e abençoado Marcelinho, que quando chegou ao clube disse que iria fazer história, mostrou mais uma vez que não estava pra brincadeiras e escreveu novamente mais um belíssimo capítulo na história universal do puro futebol arte.

 

Falar que ele fez chover é pouco, já que o dilúvio que caiu sobre a Cidade Maravilhosa por si só já dá bem a dimensão do que o abençoado Pé-de-Anjo aprontou em campo. Mas ele fez muito mais que isso pois todo super-craque que se preze tem sempre uma carta na manga para encantar a torcida e desconcertar os adversários. E ele, com a genialidade que só os iluminados possuem, apresentou a sua: naquela que seria mais uma batida de falta na entrada da área, onde em cada 10 cobranças ele faz 8 gols, ele dá um um passo em direção à bola e pára o corpo numa fração de segundo, e quando todos achavam que o Profeta havia virado estátua e perdido o passo da cobrança, aquele pézinho direito 36,5 volta à vida e dá um toque tão sutil, mas tão sutil, que a bola voa como se fosse uma pluma e aterrissa mansamente dentro das redes do atônito goleiro. GOLAÇO. Se o Pelé havia inventado a paradinha pra bater pênalti, o nosso Marcelinho acabara de inventar a paradinha pra bater falta!!! E o detalhe é que, ao contrário do pênalti onde é literalmente só empurrar pras redes, na falta a bola ainda tem que ter um mínimo de força suficiente para suplantar a barreira. E olhando aquele campo encharcado, com aquela bola pesando quase uns 200kg, o feito do Marcelinho já figura fácil entre os mais espetaculares de todos os tempos!!!

 

Ali a torcida vascaína já poderia ter ido embora literalmente de corpo e almas lavados pra casa pois a semana já estava ganha. Mas o Marcelinho queria mais. E quanto mais o Goiás apertava, já ganhávamos por 5x4, e quanto mais a água caía, o Marcelinho resolveu que era a hora de fechar aquela tarde-noite (que já havia entrado para a história) em São Januário da maneira mais espetacular possível. Ele pegou a bola e driblou uns vinte goianos na entrada da área mas o paredão verde o deixou no chão. Falta. 48min do segundo tempo. Ele ajeita e conversa com a bola. O goleiro goiano em pânico pede pra um zagueiro ficar na outra trave pra tentar tirar a bola de cabeça. Em vão. No segundo exato em que o Pé-de-Anjo se prepara pra bater, o estádio inteiro ouve aquela voz vindo do Além: "Deus está nas coincidências". E aí, por incrível que pareça, acontece exatamente a mesma coisa: ele dá um passo, pára, e mesmo a bola agora já pesando uns 700kg, ela voa com a leveza de uma pena e entra exatamente entre o travessão e a cabeça do atônito zagueiro. GOLAÇO-AÇO-AÇO!!!

 

Enquanto os torcedores, ajoelhados com os braços para o alto gritando "Amém", começam a se beliscar pra ver se este histórico domingo não era apenas um sonho, o juiz apita o final do jogo, a chuva cai ainda mais forte, as luzes se apagam e todos ficam ali, estáticos sob a chuva, agradecendo aos céus por terem visto as duas obras-primas do genial Marcelinho. Obrigado, Senhor, Obrigado.

 

EM TEMPO: Edmundo com a camisa 10, fogos antes da entrada do time em campo, a torcida empolgada enchendo de alegria o estádio e gritando "não é mole não, aqui no RJ ninguém ganha do VASCÃO", tudo lembra exatamente o Brasileirão de 1997. E as duas pinturas do Marcelinho vieram pra mostrar que o Brasileirão de 2003 também já está ganho. Daqui pra frente será só festa pra torcida enquanto a taça oficialmente não chega. E o resto, como diz o Rafael Fabro, é paisagem.

 

EM TEMPO I: torci muito para o Animal voltar para o VASCO já que ele cai como uma luva neste time. A torcida está em sinergia com o time, a presença dele inflamará ainda mais os torcedores, e ele formará um trio divinal com o Marcelinho e com o Marques. A turminha do arco-íris e a flapress podem continuar limpando a baba de ódio do canto da boca porque este ano, definitivamente, será o ano do VASCÃO!!!

 

EM TEMPO II: a propósito, no sábado o VASCO inaugurou o seu Hotel/Concentração para os jogadores DENTRO do complexo de São Januário. Estive lá dando uma olhada e é simplesmente sensacional. Nenhum clube no RJ, e quiçá nenhum clube no Brasil, possui uma infra-estrutura semelhante que, por baixo, irá gerar uma economia de quase R$15mil POR JOGO com despesas de hospedagem para os jogos aqui no RJ. Parabéns ao presidente Eurico e toda a diretoria por mais este sensacional empreendimento que com certeza mantém o VASCO a anos-luz de distância dos "queridinhos da mídia" que, ao contrário do ditado popular, nem fachada possuem... mais detalhes sobre o Hotel, onde o projeto Vascaíno Anônimos Unidos deu a sua parcela de contribuição para a realização da obra, assim como uma galeria especial de fotos já estão lá no www.casaca.com.br .

 

EM TEMPO III: a Força Jovem, do nada, hostilizou o Romário o jogo inteiro. Só quero ver o que eles vão falar quando o Baixinho pintar por aqui pra encerrar a sua carreira ao lado do seu novamente amigo Edmundo. Vai ser engraçado o Edmundo olhando pra eles e mandando eles calarem a boca... A conferir.

 

EM TEMPO IV: quinta-feira passada, na casa de festas do Sr. Miguel, em Niterói, foi feito o churrasco de comemoração do título estadual. Show de bola, com direito à presença do Marcelinho e do presidente Eurico Miranda, entre outros. E é bom o Sr. Miguel deixar a casa preparada porque do jeito que a coisa anda este ano ainda teremos mais 2 churrascos pra fazermos por lá!!!  ;-D))

 

EM TEMPO V: esta minha coluna semanal, chamada carinhosamente de TURMA DA FUZARCA, completou 3 anos de batalha no último dia 27/03. Pois é, foram 142 colunas (contando com esta) escritas até hoje e ainda continuo aí com disposição pra escrever mais 140!!!  ;-D))

 

EM TEMPO VI: agora sim: AH! É EDMUNDO!!!

 

EM TEMPO VII: os cães ladram e a Caravela passa...

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.eduardolopes.com

 

 

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