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n.41 ano III - 11/03/2003

(próxima edição: 18/03/2003)

 

/+/ MARCELINHO E O ÓBVIO - PARTE 2, 3, 4, ETC!!!

 

Desde antes do mundo ser mundo, o sábio chinês já andava por aí proclamando aquela frase que viria a se tornar uma das maiores máximas de todos os tempos: “o ódio cega”. E eu, caros amigos, devo confessar, estava cego - futebolisticamente falando, é claro.

 

Sinceramente, só mesmo o ódio pra explicar porque até antes do Marcelinho ser contratado pelo VASCO eu era sempre o primeiro a negar o inegável, a contestar o incontestável e a ignorar uma das maiores verdades deste Universo: o Pé de Anjo é craque. Ou melhor: super-craque. Quantas e quantas discussões acaloradas nas mesas dos bares o assunto Marcelinho vinha à tona e eu, que odiava aquela postura dele de louvar ao Senhor antes do jogo e depois enfiar sem dó a porrada nos adversários em campo (sem falar na “pele rubro-negra”), era o primeiro a colocá-lo num patamar abaixo da linha do subsolo em qualquer ranking de melhores jogadores, mesmo sabendo que ele era o ídolo-mor da coringada e já tinha um caminhão de títulos debaixo do braço. E mesmo assim, logo em seguida, no ranking dos maiores gols de todos os tempos, eu o colocava lá na ponta da tabela, ainda que envergonhado por ter que admitir que ele havia feito um golaço - aquele clássico gol contra o Santos, na Vila Belmiro, onde ele dá um chapéu de chilena no zagueiro na entrada da área e, sem deixar a bola cair, toca com maestria no canto direito, deixando o goleiro imóvel sob as traves e os amantes do futebol-arte boquiabertos na poltrona.

 

Confesso: eu estava cego. Mas, como sempre diz o grande sábio chinês, “deve-se dar tempo ao tempo”. E eu dei. E bastou vê-lo treinando com a camisa vascaína pela primeira vez para que a minha visão começasse aos poucos a desembaçar. Bastou ele dar um simples toque de trivela na bola para que eu percebesse o quão idiota eu fui este tempo todo ao relegar para segundo plano um dos últimos moicanos do puro futebol-arte, aquele que enxerga o jogo 3 segundos antes de cada lance e que toca na bola como ninguém.

 

E quem como eu agora, livre desta cegueira estúpida do passado, o vê agora gastando a bola e crescendo uma barbaridade a cada jogo, fazendo gols de almanaque, dando toques geniais, passes perfeitos, lançamentos aos montes com a perna esquerda e também com a direita, dando gols fáceis pros companheiros, correndo o campo inteiro, flutuando da direita pra esquerda e vice-versa num verdadeiro milagre da multiplicação dos "Marcelinhos", tem mais uma vez a eterna certeza de que o futebol é realmente um esporte muito simples. Tão simples que vê-lo em campo é ter sempre a certeza do óbvio: é óbvio que ele vai lançar a bola sempre pra frente na direção do gol, é óbvio que ele vai dar a bola pro companheiro que se deslocar pra receber, é óbvio que ele vai tabelar com quem se apresentar, é óbvio que se a zaga abrir ele vai chutar em gol, é óbvio que se houver uma falta ele vai colocar a bola no ângulo e é óbvio que se alguém romper em direção ao gol ele vai botar a bola com açúcar pro companheiro empurrar pras redes. O craque só é craque, aliás, porque além de fazer sempre o óbvio, é dotado de um talento extraordinário que o diferencia nos momentos cruciais do jogo, onde a vitória está na capacidade entre acertar a bola no ângulo ou na bandeirinha de escanteio, entre acertar um passe de 50m ou errar um passe de 1m. E o Marcelinho, definitivamente, é craque. Ou melhor: super-craque. Sabe tudo isso e muito mais.

 

“Mas e o time, vai dar espetáculo quando?”, volta a encher o saco o torcedor impaciente na arquibancada, ainda lambuzado de sorvete com restos de biscoito Globo escorrendo pelo canto da boca. A resposta é simples: não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. O que eu quero saber e a pergunta que a torcida deve fazer é: o Marcelinho vai estar em campo no próximo jogo? Em caso afirmativo, todo o resto tem tanta importância quanto um zero à esquerda uma vez que ele, Marcelinho, pra deleite dos amantes do puro futebol-arte, é "O" espetáculo e segue reluzindo por aí mais que barra de ouro em dia de sol jogo após jogo. Só ele já tem valido o ingresso. E talvez ele já valha o título.

 

Afinal, como bem havia dito o super-craque vascaíno para o Universo inteiro ouvir naquela quarta-feira à tarde, dentro do caldeirão de Conselheiro Galvão em Madureira, "VAMU SER CAMPEÃO, PORRA!!!" E nós seremos, pois assim está escrito.

 

EM TEMPO: aliás, campeão da Taça Guanabara nós já fomos; falta agora o gran finale. E espero que seja contra a flamengada porque aí o título, além de certo, terá aquele gostinho todo especial. Eles que nos aguardem, se é que chegarão na final, né? Afinal, depois destes 4x1 sobre o Americano, nosso passaporte já está carimbadíssimo. Já o deles...

 

EM TEMPO I: e mesmo assistindo a finalíssima da Taça GB perdido em alguma praia do nosso querido Espírito Santo (mais escrito, impossível, né?), uma coisa havia me chamado a atenção e por acaso (?) esta mesma cena se repetiu neste primeiro Fla-Flu da semi-final. Vejamos: o VASCO com o jogo na mão, vencendo por 1x0 e massacrando a flamengada, perdendo um caminhão de gols, o Lopes tira o Valdir (que até que não estava jogando nada) e coloca o Léo Lima. Ou seja, tirou um centro-avante para colocar um meio-campista e ficou apenas com um atacante lá na frente. Resultado: a flamengada ampliou o domínio, jogou praticamente o segundo tempo todo dentro da nossa área e chegou ao empate. No Fla-Flu não foi diferente: o Flu ganhando fácil de 1x0, com o jogo inteiramente na mão, aí o Renato tira o centro-avante (que estava bem e até havia feito o gol) e bota um meio-campista. Resultado: a flamengada cresceu, ampliou o domínio, empatou o jogo e só não ganhou porque aqueles atacantes são muito ruins. Moral da história: a flamengada é uma verdadeira BABA (e ainda falam da nossa defesa!) e pra ganhar deles é muito simples: bota o time no ataque, nem que se preciso escale até um terceiro homem lá na frente. E aí vai depender apenas da galera acertar o pé. E como o Marcelinho já estourou a cota de gols perdidos naquela final, nos próximos dois jogos a história será outra. E com direito aos tradicionais gritos de UH É SHOWCOLATE e tudo mais. Essa final promete!!!

 

EM TEMPO II: e a flapress, hein? Enquanto a flamengada estava com duzentos pontos na nossa frente, era o "Super-Cariocão" pra cá, a "redenção do futebol carioca pra lá", a "superioridade do manto sagrado prali" e etc. Aí o VASCO estraga a festa, traz a taça pra já abarrotada sala de troféus de São Januário e o campeonato vira "uma zona", o "pior campeonato do Brasil", "o campeonato armado pelo Eurico", "o VASCO comprou os juízes" (?!?!?!?), "a Taça GB não vale nada" e outras baboseiras afins. Realmente a sandice, o ódio e o recalque desse povo é coisa de cinema. E essa reação típica deles se resume naquela clássica frase da sabedoria popular: "a inveja é uma merda".

 

EM TEMPO III: mudando o assunto pra mico, realmente o nosso glorioso Ubiratan Solino devia estar bêbado quando me disse que sempre que o VASCO perdia ponto para o Bangu não éramos campeões. E mais bêbado devia estar eu que pus a notícia na minha última coluna, mesmo com a ressalva de que ainda não havia consultado as minhas fontes. E, pra variar, foi um micaço. Aliás, nem deu tempo de ir consultar minhas fontes porque o bravo Kodai, sempre ligado, me escreveu imediatamente dando o serviço de bandeja: o VASCO foi campeão em 1929, 1958, 1970, 1977, 1987, 1988, 1992 e 1993 perdendo pontos para o Bangu. Ao Kodai e aos outros tantos amigos que também me escreveram, fica aqui o meu agradecimento.

 

EM TEMPO IV: ainda sobre mico, esse presidente da flamengada deveria mudar o nome para Super-Miquinho. Dois jogos contra o VASCO e dois micos. Vejamos:

 

1- "Vamos dar um pau no Vasco e começar a seqüência de vitórias", disse Hélio Ferraz, que pegou o Flamengo bem próximo à zona de rebaixamento confiante na reabilitação da equipe. RESULTADO: VASCO 2x0 flamengada, Brasileirão 2002

2- "Não interessa de quem é a vantagem. Nós vamos ganhar no sábado e eu vou comer um bacalhau saboroso", declarou Hélio Ferraz, se referindo ao fato de o Vasco jogar pelo empate para ser campeão. RESULTADO: VASCO 1x1 flamengada, VASCO Campeão da Taça GB 2003, e o pobre Super-Miquinho em coma na UTI com uma espinha de bacalhau gigante entalada na goela!!!

 

EM TEMPO V: e tome mais mico: RMP, na sua coluna de fofocas do jornal O GLOBO, havia dito no início do campeonato que "no primeiro VASCO x Flamengo o Anãozinho Carioca já será reserva". Pois é, sábia previsão!!! Marcelinho não só não é reserva, como está provando que é disparado o melhor jogador de futebol desta e das outras galáxias. E ainda botou a flamengada dele no bolso pra tirar onda!!!

 

EM TEMPO VI: e o Pet, hein? Como bem disse o grande João Carlos na sua última e ótima coluna no CASACA!, "Pet saiu. Pet que se dane!" Ele que vá lá pra China e seja feliz. Aliás, sobre esta sinistríssima saída do Pet, onde muita gente por aí anda falando um monte de baboseiras sem a menor base, a melhor coisa escrita até agora está na antológica coluna do Rafael Fabro, "O que faz um homem ser tão pequeno?", no site www.casaca.com.br . E a propósito, qual coluna do Rafael que não é antológica?

EM TEMPO VII: VAMU SER CAMPEÃO, PORRA!!!

EM TEMPO VIII: os cães ladram e a Caravela passa...

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.eduardolopes.com

 

 

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