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n.21
ano III - 10/09/2002
(próxima
edição: 17/09/2002)
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PET E OS HIDRANTES!!!
"Um
time pode jogar descalço, jogar de pé no chão. Só não pode
jogar sem alma. A simples execução de um plano tático exige um
máximo de paixão." (Nélson Rodrigues)
Quinta-feira,
05/09/02, 6:00hs. Secretária eletrônica piscando e lá está uma
mensagem desesperada pra ser ouvida. "O Ministério da Saúde
adverte: ver esse time do VASCO jogar causa enfarte, ódio e
depressão profunda. Tô fora. Até o final do ano me recuso a
voltar aos estádios e ficarei em casa rezando diante do radinho pro
time não cair pra segunda divisão. Fui."
Era
o Zé. A voz rouca e absurdamente irada, tão inconfundível que
dava até pra escutar a baba de ódio ricocheteando nos fones, e que
fora largada no meio de uma provável madrugada insone, tinha mesmo
que ser a dele. Afinal, havíamos perdido novamente em casa na
véspera para o fraco time do Atlético-MG por 2x1. E sempre que o
VASCO perde um jogo de maneira hedionda (e já havíamos perdido
assim na sequência pro Gama e pro Juventude), lá amanhece a minha
santa secretária eletrônica entupida de mensagens pois, nessas
horas, ela mais parece um confessionário eletrônico do que um
simples correio de voz. Paciência.
Já
dizia o imortal Nélson Rodrigues que "o torcedor de futebol é
um cidadão que, a qualquer hora do dia ou da noite, está prestes a
indignar-se." E, atualmente nos jogos do VASCO, basta o
"de preto" soprar o apito que imediatamente todas as
indignações do mundo vem à tona instintivamente quando
percebemos, nitidamente, que se trocássemos metade dos jogadores
por hidrantes, o time ficaria mais competitivo. BEM mais, diga-se de
passagem. Inclusive, nos anais da história, a esses jogadores, que
na verdade só servem pra completar o elenco, provocar úlcera na
torcida e rechear conversa de bar, restará o consolo de ficarem
esquecidos nas páginas amareladas de uma Placar do Brasileirão da
vida. Ou, os que ainda tiverem sorte, irão povoar os posters de
campeão e entrar pra galeria do clube. Entretanto, até lá, há um
longo caminho pela frente...
Sim,
porque pra entrar em poster, como já dizia a antológica frase de
abertura lá de cima, o time tem que ter alma, tem que jogar com
paixão. Paixão esta que anda escassa dentro das quatro linhas mas
que sobra nas arquibancadas. Inclusive a torcida, pela própria
natureza, já vem com a paixão embutida como item obrigatório de
fábrica. E a paixão, como sempre diz o sábio chinês, é cega.
Basta a presença de um craque em campo para o torcedor se empolgar
e esquecer os outros 10 hidrantes coadjuvantes pois, na
contabilidade do futebol, 1 será sempre maior que 10. O craque é a
eterna esperança de dias melhores enquanto o pereba é a certeza
absoluta da derrota ultrajante. E a torcida sempre confia no craque.
Por
isso que naquela fatídica estréia do Petkovic, mesmo com o time
todo desfalcado e vindo de duas derrotas bizarras, um grande e
surpreendente público se dispôs a ir até a Colina Sagrada pra ver
o repertório de jogadas divinas que o novo Deus Sérvio tinha pra
mostrar. E ele mostrou muito pouco, é verdade, assim como também
mostrou no sábado na vitória contra o Coritiba (1x0), onde ele
sozinho conseguiu levar centenas de torcedores à Colina mesmo com
toda chuva e ventania da ressaca do vendaval histórico da madrugada
anterior.
Se
ele mesmo assim, fora de forma, ainda não conseguiu mostrar 1/5 do
que é capaz - mas pelo menos fez o seu primeiro gol com a camisa
cruzmaltina (de pênalti, como convém) - nessa sua solidão
beduína, como bem descreveu o Rafael Fabro, já mostrou que sobra
na turma e será o novo profeta que conduzirá o povo vascaíno para
novas conquistas. E quando o Ramón e o Léo Lima se recuperarem
para formarem com ele a Santa Trindade Vascaína, aí sim poderemos
dizer que o VASCO finalmente está disputando o campeonato. Só
espero que não seja tarde demais.
EM
TEMPO: e
não é que na saída de São Januário passa por mim o Zé, bêbado
como um gambá e totalmente ensopado, com a camisa abençoada do
gringo sobre o corpo já rouco de tanto gritar "au, au, au, o
Pet é bacalhau"? Ainda consegui parar a fera a tempo e
sapequei-lhe a pergunta: "ué, mas você não havia dito que
neste ano não vinha mais no estádio?" E ele, de prima, manda
na lata: "Não adianta, Eduardo, isto aqui é um
vício!!!". Pois é, a
paixão não tem limites.
EM
TEMPO I:
voltando a falar em hidrante, está instituído desde já o inédito
troféu "Hidrante de Aço" do futebol vascaíno. O pior
jogador do VASCO neste Brasileirão leva. É só mandar um e-mail
pra mim que eu irei anotando e depois divulgo o resultado, ok?
EM
TEMPO II: impressionante como o
VASCO conseguiu ser garfado até agora em todas as derrotas. Ou
esses juízes são muito ruins, ou estão mal-intencionados, ou
então é muita coincidência mesmo!!! Fala sério!!!
EM
TEMPO III:
depois do jogo, fui desafiado pelo companheiro do site CASACA!
Eduardo Maganha para algumas rodadas de sinuca. E lá fui eu com as
sandálias da humildade nos pés. O xará, nas três primeiras
partidas, me trucidou sem chance de defesa. Desolado, já que
encarar um profissional é uma tarefa indigesta, propus então a
última partida de saideira. E como em qualquer esporte, quando
proponha a saideira, até mesmo pra dar a chance de consagração
incontestável do vencedor, chamo sempre a última partida de
"Mundial Interclubes" (seja lá em que esporte for). E
até relembrei antes da derradeira que o último "Mundial
Interclubes" que eu havia disputado na sinuca, tinha sido lá
na UFF contra o então imbatível Uálace - fera da minha turma e
que não perdia nenhuma aposta na sinuca do Diretório Acadêmico.
Ele ia disputar a Olimpíada interna e, como um professor faltou,
lá fui servir de "sparring" pra fera até começar a
segunda aula. E não deu outra: em 15 partidas, 15 vitórias dele.
Aí propus o Mundial Interclubes como saideira onde, quem perdesse,
pagava o lanche. E o incrível aconteceu: derrubei o até então
imbatível Uálace. Saí pela faculdade inteira cantando vitória e
sacaneando o cara, e nunca mais lhe dei a revanche. Ele depois
ganhou a Olimpíada (invicto) e até hoje está com aquele
"Mundial" atravessado na garganta!!! E com o Maganha
também não foi diferente: jogo parelho até o final (6x0 pra ele)
onde, numa jogada sensacional, matei a bola 7 e ganhei de virada. O
xará ficou meia-hora cuspindo marimbondo mas já era tarde: o
Mundial já estava no bolso!!! E o pior é que ainda lhe dei a
revanche mais duas vezes e ganhei as duas! E aí o Maganha teve que
se contentar em ir de Copacabana até Niterói ouvindo "vice de
novo!!!" ;-D))
EM
TEMPO IV: os
cães ladram e a CARAVELA passa...
E DÁ-LHE VASCO!!!
www.turmadafuzarca.com
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V
O L T A R
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