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n.20 ano III - 03/09/2002

(próxima edição: 10/09/2002)

 

/+/ ADEUS, IRMÃO!!!

 

Ainda no clima soturno da final da brilhante série "Arquivo X", aquela onde os agentes do FBI, Mulder & Scully, durante 9 anos tentaram provar que os ETs estavam entre nós e que o Governo americano sabia mas queria que isso fosse ignorado, cá estou eu com o coração partido para dar o último adeus para o meu grande irmão canino que morreu de câncer múltiplo na próstata e no fígado na tarde desta segunda-feira dia 2: Rubens Lopes, também carinhosamente chamado de Zumbi, descanse em paz.

 

Mas o quê a série Arquivo X tem a ver com a morte de um pastor-alemão e, mais ainda, com o VASCO? É que uma grande amiga minha, Maria Eduarda, tinha uma teoria fantástica onde ela afirmava que era muito fácil detectar a presença de ETs neste planeta: bastava colocá-los na frente de um cachorro - o mais simples e inofensivo cachorrinho que fosse - e ver a reação da pessoa. Qualquer reação de irritação/ódio não deixava nenhuma dúvida: aquela pessoa era um extraterrestre. Sim, porque já até foi comprovado cientificamente que os cachorros, além da lealdade infinita, ajudavam na recuperação de doentes, na sobrevida de pessoas solitárias e no próprio desenvolvimento humano. Logo, segundo ela, quem não sentisse um mínimo de afeto por um adorável cachorrinho (mesmo que não pudesse ter um em casa) só podia mesmo ser de outro planeta porque na Terra, esta verdadeira terra de ninguém, só um ET mesmo para virar a cara para um amigo que lhe nutre lealdade infinita - e independente de você ser rico, pobre, preto, branco, gordo, magro, com ou sem deficiência física, etc. 

 

E o grande Zumbi, vascaíno de coração que tinha esse apelido por ser exatamente todo negro (como a nossa primeira camisa) e ter nascido na data da libertação dos escravos, ao longo dos seus 12 anos de vida esteve sempre ali, onipresente por todos os cantos da casa, com a língua pra fora e o sorriso estampado na fuça, grato por ter um lar, uma família e, é claro, por ser vascaíno. Aliás, era curioso como sempre nos domingos após os jogos, quando eu ou meu pai aparecíamos vestidos com camisa cruzmaltina para soltá-lo do seu canil-triplex, ele imediatamente corria pra porta da varanda, se sentava com a patinha pro alto e o rabo balançando, com aquele largo sorriso na fuça, esperando pelo pedaço de carne que certamente apareceria já que esse era o ritual típico após as vitórias vascaínas. Só de ouvir os fogos na rua ele já sabia. E, quando eram vitórias maiúsculas, ou conquista de títulos, o pedaço vinha sempre ainda maior, e lá ia ele pro terraço feliz e contente pra latir e provocar a cachorrada vizinha não-vascaína.

 

Mas nesse domingo, infelizmente, não teve carne, nem festa. Antes da bola rolar ele continuava estranhamente deitado e calado, com o focinho "congelado", o que significa febre, e aí foi a senha para o levarmos logo para o pronto-socorro. E, enquanto Petkovic & Cia lutavam arduamente contra a bola e contra o frio, ele lutava pra respirar e sobreviver. Ficou internado até a tarde de segunda-feira quando, após diagnosticado o câncer em estado terminal na próstata e no fígado, não resistiu e faleceu.

 

Claro que quem não tem cachorro ou não é extraterrestre, nunca vai entender de fato todo esse apego que temos por tão singelo animal, que aliás torna-se, na verdade, um membro honorário efetivo da família - e quem disse que os cachorros são mais do que um filho está coberto de razão; mas a verdade é que é impossível não se apegar a um animal tão especial que está sempre ao seu lado durante boa parte da sua vida, onipresente no lar, tanto na alegria como na tristeza, na saúde como na doença, faça chuva ou faça sol, lá está ele sempre com aquele linguão de fora e o mesmo sorrisão largo na fuça querendo lhe dizer: "a vida é bela". E mesmo que você não lhe dê nada, a alegria dele é a mesma já que a sua real felicidade é viver e ter alguém ao lado pra compartilhar essa alegria.

 

Que Deus proteja e abençoe todos os cachorros do mundo. E os humanos, claro, se tiver tempo.

 

Valeu, Zumbi, descanse em paz.

 

Amém.

 

EM TEMPO: o VASCO perdeu para o Juventude por 1x0 mas, independente do resultado desta partida que foi uma verdadeira pelada, a pergunta que não quer calar continua: até quando o Souza será cozido a alho e óleo neste esquema de jogo onde ele é obrigado a jogar sozinho lá na frente? Como ninguém aparece para lhe fazer companhia, o garoto toda hora tem que sair da área pra brigar no meio pela posse da bola. Repito pela enésima vez: esse esquema vai encerrar precocemente a carreira no VASCO dessa jovem promessa.

 

EM TEMPO I: e o zagueirão Marcelo, hein? Chegou de mansinho e já tomou conta do pedaço. Senti firmeza. Aliás, de toda essa galera que veio de fora, acho que foi o único que conseguiu se firmar e talvez tenha um bom futuro no clube. É só não mascarar e continuar jogando sério.

 

EM TEMPO II: e conforme prometido, comprei o livro "O Profeta Tricolor" do genial Nélson Rodrigues. Aliás, não só comprei como também já o li de cabo a rabo. Uma verdadeira obra-de-arte!! Item obrigatório na prateleira de qualquer amante de futebol. Nota 10.

 

EM TEMPO III: e como esta crônica vai ficar guardada para todo sempre na internet - ou num baú junto com aquelas tralhas "de família" - que os meus pentaranetos que por ventura tenham acesso a esta folha chequem se realmente os extraterrestres invadiram a Terra no dia 22/12/2212, conforme foi revelado no último episódio de Arquivo X. Quem sabe? Afinal, às vezes a vida imita a arte...

 

EM TEMPO IV: em sinal de luto, hoje os cães não ladram. Aliás, impressionante como são os cachorros: hoje os outros três cães da minha família sentiram tanto a falta do Zumbi que acabaram não se alimentando, ficando em silêncio o dia inteiro.

 

EM TEMPO V: e o Zumbi, nestes 12 anos, acabou comemorando grandes títulos: Tri-Carioca (92-93-94), Bi-Brasileiro (97-00), Mercosul (00) e Carioca & Libertadores no ano do centenário (98), entre outros. Houve cachorro mais feliz?

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.turmadafuzarca.com

 

 

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