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n.11 ano III - 18/06/2002

(próxima edição: 25/06/2002)

 

/+/ FELIPÃO TINHA RAZÃO!!!

 

"Deus é brasileiro" (Mengão Bueno, após o juiz invalidar erroneamente o gol da Bélgica)  "Brasileiro é ladrão?" (Marco Antônio, 8 anos, me questionando de primeira sem deixar a bola cair no chão)

 

Como sugeria aquele comercial hilário de carro que tinha como slogan a sugestiva frase "está na hora de rever os conceitos", entre uma madrugada e outra acompanhando alguns jogos desta Copa, cheguei a uma conclusão surpreendente (pelo menos pra mim mesmo!): Felipão, apesar de ser um dos maiores malas do futebol brasileiro, tinha razão - Romário não é seleção. Pois é, logo eu que sempre critiquei (e critico) os métodos babacas do "gaúcho da fronteira" e a sua implicância com o maior artilheiro do planeta Terra, tive que dar a mão à palmatória e admitir, aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação, que ele estava certo ao deixar de fora o Baixinho. 1x0 pra ele.

 

Tudo bem que a desculpa do Felipão para a não-convocação sempre foi de que o Baixinho não era "jogador de grupo" e outras baboseiras do gênero, tipo a de que a seleção teria que jogar em função dele mas, tirando de lado essas insanidades com as quais absolutamente não concordo, ele acabou "inconscientemente" acertando já que, sinceramente, não estou conseguindo visualizar o bom e velho Romário correndo nos gramados da Coréia e do Japão tendo que disputar bolas com os "zagueiros-tanques" alemães, ingleses ou italianos, por exemplo.

 

Vá lá que o Baixinho, é fato, há muito tempo deixou de se valer do preparo físico pra ganhar jogada na marra, atuando mais como um centroavante de "futebol de totó", estrategicamente posicionado dentro da área pra dar o bote fulminante. Sem falar no seu toque genial que, em meio centésimo de segundo, já resolve a jogada. Mas, em tempos de "futebol-força-total", com os verdadeiros paredões que as defesas têm armado, e com os zagueiros cada vez mais "dentro" do cangote dos atacantes, não dando moleza por um instante sequer, acho que o nosso bravo Romário ficaria cada vez mais isolado e entregue às traças lá na frente.

 

Sem falar também que, no esquema do Felipão, onde há um rodízio constante da linha de frente, com o meio encostando e com poucas tabelas rápidas pela ponta, acho que ele não teria pique suficiente pra se livrar dos zagueiros e dar a opção de jogada, vivendo apenas de bolas perdidas na área. Ou talvez até desse opção, fazendo um fixo no meio pra distribuir as jogadas, mas infelizmente acho que ele não aguentaria a marcação-pressão com um "panzer" colado nele 90 minutos.

 

Enfim, como craque diferenciado que é, e até mesmo vivendo dessas bolas vadias, o Gênio da Pequena Área talvez ainda resolvesse sozinho lá na frente, como já cansou de fazer, e poderia ser novamente o grande nome do Brasil na Copa. Quem sabe? Mas, vendo a seleção jogar, assim como todas as outras, acho sinceramente que o Felipão, pelas vias tortas, acabou poupando o Romário de perder um pouco a sua aura de Deus Supremo do Futebol-Arte, evitando assim que ele se transformasse num simples jogador comum. Melhor assim.

 

E se eu proclamava, antes da Copa, que o Felipão era o inimigo do futebol-arte (e, de fato, É e continuará sendo!) e que se o Brasil não conquistasse o penta era porque faltou o Romário, hoje já vejo tudo com outros olhos. Se ele perder a Copa, não foi porque não levou o Romário; mas sim porque insistiu com o Roque Júnior, Edmílson e Ave Lúcio Maria!!!

 

EM TEMPO: muito dessa minha agora "quase certeza" do possível não-sucesso do Baixinho se deve também ao fato de constatar que o "substituto do ômi", o Fenômeno de Marketing, sabe jogar bola!!! Quem me acompanha sabe que, mesmo assistindo a tudo quanto é jogo do "Fenômeno" (até pelada!) pra ver se ele era realmente tudo isso que dizem, sempre saí frustrado já que ele devia desconfiar que eu estava olhando e não jogava nada. Tanto é que sempre o achei um "Chicão veloz", um cabeçudo com explosão, nada mais. Nunca vi nem um milésimo desse "mega craque' que a imprensa pintava e que o Mengão Bueno exaltava. Daí a minha surpresa nesta Copa ao constatar que o Ronaldo, além de matador, se movimenta muito bem entre a zaga e consegue estar sempre 1 milésimo na frente do marcador. Pode ser até que ele perca o gol do título, "um gol que o Romário não perderia", mas, sinceramente, e digo isso com o coração partido pois todos sabem que sou um romarista fanático e inveterado, não consigo ver o Baixinho ali no lugar dele. Não sei se isso é bom ou ruim, mas o fato é que não consigo. Felipão 2x0.

 

EM TEMPO I: e por falar em "craque que decide", mesmo jogando todo errado e desaparecendo de campo 80 minutos por jogo, que maravilha é o Rivaldo. Joga fácil, sabe muito e, quando o time precisa, ele resolve. Pode ser até que venha a pipocar nas próximas fases, como o Figo, mas, com certeza, está um patamar acima de todos os outros meros mortais. Assim como o Roberto Carlos.

 

EM TEMPO II: o próximo adversário nas quartas de final é a Inglaterra. E no time da Rainha joga o Beckham, que também é o capitão da seleção, maior salário da Inglaterra, e que é tratado como Deus lá pros arredores do Big Ben. A mídia, em geral, o considera um dos maiores craques em atividade que joga uma bola redondinha mas, assim como a cabeça de bacalhau, nunca vi. No jogo contra a Argentina fez o gol de pênalti e nada mais. Nas oitavas, contra a Dinamarca, bateu o escanteio que resultou no primeiro gol e só. E lendo ontem uma entrevista dele, o sonho da fera é marcar um gol de falta no Brasil!!! Ou seja, o craque inglês é a re-encarnação do Neto do Corinthians!!! Correr e jogar com a bola rolando que é bom, nada!!! Pode até ser que contra o Brasil ele acabe com o jogo e faça jus a essa fama toda mas, cá entre nós, está parecendo mais mídia que bola... enfim...

 

EM TEMPO III: aliás, um amigo meu que morava na Inglaterra sempre me dizia: "o brasileiro pode até gostar de futebol, mas é o inglês o povo que ama futebol de verdade". Ele repetia e eu me recusava a entender, até o dia em que começou a passar o campeonato inglês no Sportv. E olha que já era nessa "fase boa" com o Manchester United de Beckham & Cia além de outras equipes com "craques" com nomes estampados na mídia. Todo sábado lá estava eu, como típico inglês, vendo um jogo da rodada. E, vamos ser sinceros, que dureza!!! Os campos são minúsculos (Rua Bariri perde!), é chuveirinho o tempo todo e a bola é bicada pra lá e pra cá sem dó e nem pena. Sem falar quando chega a "época das chuvas" (quase o ano inteiro), onde o gramado está sempre elameado e os jogos viram verdadeiras batalhas campais. Que dureza... e você olha a arquibancada, LOTADA, com todos os ingressos vendidos pra toda a temporada com os ingleses cantando o tempo inteiro!!! Realmente, só com muito álcool na idéia pra aturar debaixo de garoa a uma temporada inteira in loco daquele "futebol de totó". Sem dúvida, eles são infinitamente mais fanáticos do que nós!!!

 

EM TEMPO IV: não sei não, até mesmo porque esta é a Copa das zebras, mas parece que o vencedor do jogo Brasil e Inglaterra será o campeão. O Brasil faz jus mais pelos craques que possui, apesar da defesa e do Felipão, e a Inglaterra por ser o time mais arrumadinho da competição. E, justiça seja feita, a camisa vermelha da Inglaterra é a mais bonita de todo o Mundial. Em compensação, a do Brasil é uma das mais feias da história!!! Sem falar que ela é igual a da Bélgica, dos EUA, de Portugal, etc... essa Nike se superou!!!

 

EM TEMPO V: e por falar em Portugal, vai tremer assim lá na Torre de Belém!!! Fizeram jogos sensacionais nas eliminatórias e aí chega na hora do vamos ver, pipocam!!! Fala sério!!! Argentina idem, foi só eu elogiar e lá se foi o futebol-arte pra Buenos Aires sem escalas!!! Como diz o grande Gérson: É BRINCADEIRA!!!

 

EM TEMPO VI: e os tricolores na semi-final do Caixão 2002, hein? O goleiro do Bangu faz um gol legítimo de cabeça aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação e o "de preto" invalida alegando que o goleiro botou a mão na bola. Na verdade, ele é que botou a mão grande na classificação do Bangu!!! E pior que aí já é reincidência já que permanece viva na memória de todos aquele clássico pênalti onde o Vica, do Fluminense, agarrou o Cláudio Adão, do Bangu, dentro da área aos 44 do segundo tempo e o digníssimo José Roberto Wright (que hoje comenta arbitragem como se fosse o supra-sumo da história), num dos roubos mais escandalosos da história do Maracanã, fez vista grossa e deu o título de 1985 ao Fluminense. Assim é mole ser campeão!!!

 

EM TEMPO VII: os cães ladram e a CARAVELA passa...

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.turmadafuzarca.com

 

 

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