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n.09 ano III - 04/06/2002

(próxima edição: 11/06/2002)

 

/+/ AGONIA E GLÓRIA!!!

 

"Nesse final de temporada, nós todos ficamos orgulhosos de ter feito parte, pro resto da vida, da história do Vasco da Gama pelo trabalho realizado e os títulos conquistados mas, acima de tudo, pela atitude assumida nesse período. Eu tenho certeza que o Vasco também reconhece isso, pois a nação vascaína reconhece." (Mestre Hélio Rubens, após a desclassificação do Brasileirão pro Uniara)

 

Mais um domingo se passou e o coração da nação vascaína acabou conhecendo a dor em mais duas duras derrotas: a eliminação das semi-finais do Brasileirão de basquete pro Uniara e o chocolate tomado do Bangu por 4x1 na abertura do Octogonal do Cariocão dentro do histórico Estádio São Januário. Aliás, os dados estatísticos cravados nos anais da história vascaína daqui a duzentos anos irão apenas relatar que nesse domingo o VASCO perdeu em duas frentes. Perder, perdeu, OK, mas, como já dizia o sábio-chinês: "há derrotas e Derrotas assim como há vitórias e Vitórias". E ambas as derrotas, apesar da dor que elas geraram, nos fizeram sentir sentimentos totalmente distintos nesta tarde/noite dominical: o orgulho e a vergonha.

 

Claro que a situação do clube é crítica, a asfixia financeira continua e só mesmo por "mágica" que o clube ainda continua de pé enquanto que a corja de urubus continua sobrevoando São Januário esperando e torcendo pela morte do clube para poderem fazer a festa em cima da carniça. Claro que todos os jogadores ficam preocupados com relação aos seus futuros e, principalmente, com os seus presentes. Mas, o mais impressionante, é como os jogadores em modalidades tão distintas como o basquete e o futebol, sentem e superam tais dificuldades. 

 

Quem pôde acompanhar os jogos do nosso glorioso time de basquete sabe muito bem que "superação e vontade" sempre foram as palavras de ordem. Todos sabiam das dificuldades pelas quais eles passaram e, mesmo assim, eles nunca se abateram e entravam em quadra como se cada partida fosse a última da vida deles. Não havia barreira que não pudesse ser quebrada e não havia título que não pudesse ser conquistado. Por isso eles conquistaram (duas vezes!) todos os títulos importantes do basquete e entraram pra história do VASCO e do basquete nacional como o maior esquadrão da história. E por isso que neste último domingo, quando a derrota já parecia sacramentada, que a torcida vascaína começou a aplaudir de pé e a louvar com orgulho esses jogadores que fizeram a nação vascaína se sentir cada vez mais parte do que realmente é ser VASCO. Jogadores e torcida passaram a ser uma coisa só; não eram apenas jogadores, eram amigos. E eram daqueles amigos em que você SEMPRE podia confiar porque sabia que eles nunca iriam lhe deixar na mão já que o pensamento deles sempre foi o mesmo da torcida: vencer. Por isso a comoção da torcida já que ela tinha certeza que todos os aplausos do mundo jamais seriam suficientes para demonstrar a gratidão que todos nós sentimos pelo Mestre Hélio Rubens, por REIgério, Sandro "Gladiador" Varejão, Helinho, Mingão, Manteiguinha, Chuí , Jamison e a molecada . Não veio o título, mas o dever foi cumprido no limite além da fronteira do impossível. O time pode até ter perdido no placar e ficado assim longe do sonhado tricampeonato mas, com certeza, não saiu derrotado de quadra. Pelo contrário, saiu vitorioso e de cabeça erguida pronto para o próximo desafio debaixo de uma enxurrada de palmas e de lágrimas. E esse reconhecimento não há dinheiro no mundo que compre.

 

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Mas toda essa emoção, por incrível que pareça, num piscar de olhos, praticamente desapareceu quando cruzei os portões do mitológico Estádio de São Januário para acompanhar a abertura do Octogonal Final do Cariocão. Sim, amigos, como dizia aquele slogan do Rock in Rio, "eu fui". Eu e mais "meia dúzia de três ou quatro", como se diz na gíria, pagamos R$10,00 pra prestigiar o nosso amado clube no esporte mais popular do planeta. E foi justamente aí que a paixão cega nos enganou e então já era tarde demais quando descobrimos que o melhor mesmo era ter ido embora direto do ginásio do Tijuca Tênis Clube pra casa. Sem escalas.

 

Aliás, eu já deveria ter imaginado que algo estava errado quando, ao chegar no estádio, 10 minutos depois da bola rolando, não vi mais nenhuma viva alma vendendo ingresso nas bilheterias. Só alguns carinhas da Força Jovem pedindo R$8,00 pelo ingresso que eles ganham de graça. A muito custo, na entrada principal das sociais, uma senhora veio finalmente me vender o ingresso. Paguei e lá fui eu dar a volta no estádio pra entrar lá por trás da arquibancada. E o que vi quando adentrei no gigante de concreto foi desolador: o estádio vazio e um banguense praticamente entrando com bola e tudo. Mesmo assim não me fiz de rogado e, com a mesma fé cega cultivada nos ginásios por onde vi passar a patota do Mestre Hélio Rubens, continuei acreditando no poder da Cruz de Malta e na virada triunfal. Mas, como constataria logo a seguir, a raça e a vontade de ganhar acabaram ficando mesmo perdidas lá nas quadras do Tijuca. Nem parecia que aquela mesma camisa com a Cruz de Malta que acabara de sair suada em bicas das quadras era a mesma que parecia pronta pra ir a um batizado que se realizaria ali na capelinha logo após o término do jogo.

 

É claro que a motivação de disputar uma semi-final de Brasileirão é totalmente diferente da de disputar um Octogonal de Cariocão boicotado pela flapress. Mas, a partir do momento em que o jogador entra em campo, ele tem que dar o melhor de si. E o time do VASCO, definitivamente, não deu. Se não quer jogar, faz como o Romário e vai pra praia mas não fica ali ciscando no gramado de um lado um pro outro sem objetividade e sem vontade. Nem mesmo as presenças do magistral Felipe e do ótimo Ramón conseguiram fazer o nosso time deslanchar e acabamos sendo presa fácil para o bravo Bangu. Léo Lima e Souza na frente foram uma negação e Jorginho, Géder e João Carlos se enrolaram mais do que carretel de linha. E o Evaristo, inerte, ficou olhando de rabo de olho fazendo as contas de quanto tempo ainda lhe sobra à frente do time vascaíno. Lamentável.

 

De resto foi só se recostar na arquibancada, colocar aquele nariz vermelho de palhaço e ficar assistindo ao olé do time banguense enfiando um caminhão de gols no pobre time vascaíno. Sim, meninos e meninas, eu vi o Bangu (com um time meio-barro-meio-tijolo) ganhar do VASCO de 4 em pleno São Januário. E o pior é que, como é turno único e são só três jogos pra decidir quem vai pras semi-finais, como já perdemos um, a nossa classificação já ficou complicadíssima. Mas será que o time quer se classificar? Ou melhor, será que vale a pena se classificar? Pelo espetáculo dantesco a que assisti neste fim de tarde/início de noite no estádio, sinceramente acho que não. A disposição dos jogadores tende a menos infinito e eles transpiram o vazio. Melhor seria se eu tivesse ido direto pra casa. E eles também.

 

EM TEMPO: vá lá que o time não jogou rigorosamente nada contra o Bangu, mas novamente fomos garfados pelo "de preto" que deveria mudar o nome Samir Yarak para "Samir Di Araque". O jogo estava 2x1 quando ele não deu um pênalti claríssimo no Léo Lima e, na sequência da jogada, INVENTOU a expulsão do Haroldo, que nem tocou no atleta banguense. Enquanto os jogadores discutiam e a torcida se preparava pra invadir o gramado, o banguense bateu rápido a falta e eles fizeram o terceiro. E o resto foi chocolate.

 

EM TEMPO I: e o Ronaldinho Fenômeno de Marketing, hein? Finalmente, após trocentos jogos, consegui ver um jogo onde ele me convenceu que é muito mais do que um simples "Chicão veloz"!! Está certo que o time do Felipão sentiu a estréia na Copa e precisou da ajuda do "de preto" pra arrumar um pênalti inexistente (parece até a flamengada!) pra ganhar da Turquia de 2x1 mas, pelo que o Fenômeno de Marketing jogou, parece que ele veio determinado a queimar a minha língua!!! Pelo menos assim a seleção não fica tão insossa assim já que com o Juninho SP (ou Ricardinho), mais o Rivaldo e os Ronaldos (se o Fenômeno repetir pra melhor o que fez na estréia), já dá pra fazer uma graça. Até eu, que estava totalmente indiferente, já estou começando a olhar esse time com outros olhos.

 

EM TEMPO II: só não dá pra entender o Felipão jogando com três zagueiros. Tira o Roque Júnior e deixa só o Edmílson e o Ave Lúcio Maria, que já dá pro gasto. Quanto menos gente pra bicar a bola, melhor, já que é menos um pra atrapalhar os outros.

 

EM TEMPO III: e a seleção da Argentina, hein? Que máquina de jogar bola! Só pelo Sorin, Verón e Batistuta já merece o título!!! E se jogarem sempre aquele futebol total de marcação agressiva o tempo todo com o toque refinado do puro futebol-arte como fizeram na estréia contra a Nigéria, só não serão campeões se não deixarem.

 

EM TEMPO IV: os cães ladram e a CARAVELA passa...

 

E DÁ-LHE VASCO!!!

www.turmadafuzarca.com

 

 

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