POVO BAIANO - É PRÁ BAHIA
MEU PAI!
"O baiano faz e não manda
Nem tem medo de demanda
É baiano feiticiero
Ele é filho de Nagô
Trabalha com pó de pemba
Pra afundar babalaô"
De um modo
geral, baianos são tidos como pessoas alegres e teimosas
em afirmar sua identidade cultural. Os baianos da umbanda, entretanto,
são pouco presentes na literatura científica. Sabe-se
que eles são guias que mesclam características da
direita e da esquerda, como exus transfigurados em "espíritos
de luz" (Prandi, 1996-a). Nas giras ele se apresenta com
forte traço regionalista, usando chapéus de palha
ou de couro, às vezes lembrando os cangaceiros. Eles são
"do tipo que não leva desaforo pra casa” , como
define a filha-de-santo de um terreiro situado num bairro da periferia,
acostumada ao jeito valente do nordestino:
Baiano é encrenqueiro. Quando é pra xingar ele
xinga mesmo. Trabalha mais na direita, mas à vezes também
na esquerda. Depende do grau de evolução, do estudo
do guia.
Por outro lado, no terreiro de um bairro situado na área
central da cidade, os freqüentadores da casa afirmam que
gostam dos baianos por sua capacidade de ouvir e aconselhar.
Os baianos têm paciência para ouvir e dar conselhos.
Eles são carinhosos e passam segurança.
Num outro terreiro, com semelhante formação social
(de classe média) os baianos também conversam bastante,
dão conselhos e falam baixo, mansamente. Eles usam essências
aromáticas, ervas, flores e velas coloridas em seus "trabalhos".
Este terreiro, cuja arquitetura é de um moderno templo,
recebe o nome de Glauco e Rosa, respectivamente os nomes do exu
e da baiana de Dona Dagmar, a mãe-de-santo, conquanto a
distinção entre as duas entidades espirituais seja
bem demarcada, como explicita uma cambono da casa:
Aqui os baianos não bebem bebida alcoólica,
só os guias da esquerda bebem, mas esse culto é
fechado.
Nestes dois terreiros os baianos são "doutrinados",
apresentando um comportamento comedido, o que significa não
beber álcool, preferindo água-de-coco ou refrigerante,
não xingar, nem provocar os presentes em voz alta, não
sendo enfim zombeteiros como outros baianos.
Há portanto diferentes modelos de baianos, os quais têm
em comum uma grande popularidade. Trazendo em si faces marginais,
familiares, irreverentes, complacentes o baiano faz sucesso em
realidades sociais distintas. Analiso mais detidamente o culto
aos baianos em dois terreiros paulistanos, da classe média
e do bairro popular, respectivamente.
Salve
o povo Baiano!