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| Teanoi e Taburimai |
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| O tubarão e o homem |
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Nas ilhas Gilbert (Micronésia), conta-se que,
muitos e muitos anos atrás, quando o espírito das coisas ainda estava
meio misturado, os seres vivos, que hoje vivem em corpos diferentes,
eram semelhantes e irmãos. Uma história mítica conta o seguinte: Houve um tempo em que os homens não tinham embarcações. Taburimai e Teanoi sempre tinham sido amigos. Mas se desentenderam por causa dos lugares que cada um escolhia para pescar e pela quantidade de peixe de que precisavam. Teanoi, o espírito tubarão, perseguiu Taburimai. Se não fosse Bakoa, a mãe da árvore Neg-Nguiriki - com a qual se faz canoas -, se não fosse Neg-Nguiriki, Taburimai morreria. Tempos depois de Teanoi ter dominado os mares, Taburimai casou-se com Bakoa e os dois deram origem aos seres humanos, que usam canoas. Talvez seja por isso que, até hoje, os homens tentam tomar de volta o domínio dos mares, que o tubarão guarda com a perfeição de seus dentes e a perfeição de caçar e navegar.
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Entre os homens do mar, povos pescadores e
navegadores, o naufrágio é o mais temível acontecimento. Significa
parentes que não voltam mais, barcos que se perdem ou voltam sozinhos,
aos pedaços ou sem a tripulação.
O antropólogo Malinowski (1884-1942) descreveu que, na aldeia Kiriwina, nos arquipélagos da Nova Guiné (no continente da Oceania), os nativos tentam controlar o azar do naufrágio ensinando rezas e encantamentos aos seus familiares. É claro que eles também ensinam técnicas de navegação e transmitem conhecimentos sobre os astros e tempestades. |
Bruxas voadoras viram estrelas
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Na aldeia Kiriwina, os nativos acreditam que as tempestades, chamadas mulukwasi, e os naufrágios são causados por yoyovas, as bruxas voadoras. As yoyovas ficam invisíveis e voam, causando névoas que encobrem arrecifes, criam abismos e atraem tubarões e caranguejos para devorar os náufragos junto com elas. As bruxas voadoras ficam reunidas em arrecifes, comendo corais e bebendo água salgada. De longe, elas ouvem o pedido de socorro das pessoas que estão se afogando e vão matá-las. |
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Cada bruxa deixa uma sósia sua na aldeia e voa com seu kapuana (coco pequeno). Elas se jogam do alto das árvores, atadas em cipós, que se partem e incendeiam. Quando isso acontece, as pessoas podem vê-las sob a forma de estrelas cadentes. |
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Encantamentos de
defesa
Os navegadores aprendem a se defender das bruxas voadoras. Para eles, as palavras são uma arma. Os encantamentos, ou cânticos mágicos, que os mais velhos ensinam, são a melhor defesa contra essas criaturas. Os navegadores defendem-se das bruxas desejando a elas sua própria maldade. Diante da ameaça da tempestade, os nativos fazem os encantamentos. Os navegadores apegam-se às esculturas do mastro porque elas representam os encantamentos. É muito importante controlar o nervosismo quando se está no mar. Em um encantamento, um grupo de pessoas diz:
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“... idudubila,
matala mulukwausi, |
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“Homem solteiro, Eu empurro para
baixo Tubarões de Muwa * |
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Eu torço seu pescoço Eu abro a passagem Eu chuto o tubarão para o fundo Retorna para debaixo d'água, ó Tubarão Morra Tubarão”. |
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praias da região |
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As bruxas são criadas por sua próprias mães bruxas. Na maioria das vezes, quando a menina nasce, um pedaço do seu cordão umbilical é enterrado dentro de casa e não nos campos de cultivo, como manda a tradição local. Se a mãe quiser mesmo que ela seja um bruxa, leva a filha até o mar e dá a ela água salgada para beber. A partir daí, a menina passa a ter uma sósia e acompanha a mãe nos invisíveis e agourentos vôos noturnos. Reconhece-se uma menina bruxa pelo sono e pelo seu gosto alimentar. Quando ela é pequena, dorme no chão frio com sua mãe e não perto das fogueiras. Ela adora comer peixe cru e carne de porco crua. Assim, vai se acostumando com o gosto que terá o corpo dos náufragos. Todo mundo tolera as bruxas voadoras, porque sabe que, às vezes, é o feitiço de uma bruxa que defende a pessoa do feitiço de outra bruxa. |
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Além disso, muitas vezes, as bruxas falam que ouvem as vozes dos náufragos. Quando recebem seu aviso, os homens vão na direção que as bruxas indicam. Se conseguem ser rápidos, é possível salvar os náufragos. |
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| Nas
Ilhas Palau, uma das 2.200 ilhas da Micronésia
e localizada a leste das Filipinas, entre o Hawai e a Nova
Guiné, ainda hoje os nativos comemoram o
Oungeuaol: é a estação do
ano em que aparecem os tubarões. |
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Nessa época os jovens adultos, em idade de casar, navegam mais de 10 milhas da costa para procurar tubarões e capturá-los apenas com um laço, feito com fibras vegetais. Esses caçadores usam como isca o peixe voador, uma das espécies que o tubarão cinza gosta de comer. |
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Os jovens contam que o tubarão cinza gosta também de ficar à sombra de madeiras ou tronco de arvores flutuando. |
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| Nessa ilha, que já foi palco das sangrentas batalhas dos americanos e japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, o comportamento dos tubarões é considerado um agouro ou aviso das coisas que vão acontecer. Um tubarão nadando de costas, por exemplo, é sinal de traição e desentendimento. | war |
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Pearl Harbour |