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tubarão feroz, o mestre do mar 

        Flutuar, nadar e navegar.

Não há dúvidas que a técnica corporal da natação foi aperfeiçoada por atletas de todos os povos, as olimpíadas mundiais provam isso. Contudo a capacidade de flutuar e se deslocar no meio líquido, é uma capacidade de todos os humanos e animais. Todo mundo sabe nadar.

Navegar, saber ir e voltar, atravessar grandes distâncias, é bem verdade, não é para qualquer um, nem toda ave precisa migrar, fugir do frio do inverno, atravessar o planeta seguindo o verão.  Em geral patos, gansos, (Anseriformes), andorinhas (Passeriformes), gaivotas (Caradriiformes), urubus (Catartidiformes), pombos (Columbiformes) fazem isso.  Um dos mais famosos migradores é o pombo correio, ele atravessa o mundo mas volta para onde veio. 

Até hoje não se sabem ao certo como os animais se orientam. Que parte do seu cérebro e órgãos dos sentidos,  junto com seus olhos lhe dizem aonde é norte e o sul, a parte de cima e a de baixo.  Dos répteis os mais hábeis e conhecidos animais migradores são as tartarugas. 

Da costa brasileira as tararugas verdes (Chelonia mydas) realizam migrações de quase 3200 Km até à ilha de Ascensão no Atlântico médio e depois voltam para o litoral do nordeste do Brasil.

Os pescadores do Mar do Norte já sabem as rotas de migração do Bacalhau (Gadus morhua) Nos meses de fevereiro, março e abril vão para as regiões de águas rasas.

Os salmões (Salmo) nadam contra a correnteza, voltam do mar para o rio para desovar no lugar onde nasceram. 
Se guiam pelo gosto e pelo cheiro? ou somente pela direção das correntezas?... ainda precisamos conhecer até mesmo como os peixes percebem se estão nadando contra ou  a favor das correntezas. Existe uma regra geral que diz que os peixes que escolhem o lugar para se reproduzir nadam contra a correnteza na época de sua procriação.

Tubarões, como são predadores, tendem a acompanhar as migrações dos peixes de que se alimentam,  migrem eles para reprodução ou em busca de águas mas quentes.


Tubarões branco (Carcharodon carcharias) engordam perto do litoral e migram para procriar em águas profundas;Tubarões tigre ou Tintureira (Galeocerdo cuvier) migram para águas temperadas no verão e voltam para os trópicos no inverno; Cabeça chata (Carcharhinus leucas) também é um migrador sazonal que busca águas tropicais no verão só que gosta de águas salobras  e passa longos períodos em rios e lagos das Américas.

Tubarões martelo (Sphyrna zygaena) formam grandes cardumes quando jovens e cardumes migratórios sazonais movem-se para o norte no verão.Freqüentemente são encontrados formando grupos em regiões chamadas de anomalias do campo magnético da terra.

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          Pirogas, canoas, barcos, jangadas, embarcações...

Poderia se dizer o mesmo que se diz das técnicas de natação para a habilidade humana de construir barcos, jangadas, canoas. A maioria dos povos que moram perto de rios lagos e do mar fazem isso. 

Alguns, é bem verdade,  conseguem construir barcos melhor do que os outros, talvez pelo destaque de beleza, exatidão na formas e função de cada parte de um barco, que alguns povos revelam ao construir seu estilo de fazer embarcações. Outros se destacam por sua capacidade de navegar - ir e voltar atravessando grandes distâncias, a exemplo dos fenícios e portugueses no passado. Estudiosos afirmam que as conquistas da tecnologia humana são inventadas por uns, copiadas e aprendidas por outros. Há mesmo povos que preferem negociar, trocar aquela invenção por outra coisa, do que ter o trabalho de construir.      

É certo que foi com ajuda dos barcos que a humanidade se dispersou por todo planeta. Para provar que o homem se espalhou pelo mundo usando  embarcações o Dr. Thor Heyerdahl cruzou tanto o oceano pacífico como a Atlântico utilizando uma jangada.

 

Navegadores das ilhas do Pacífico atravessaram todo oceano chegaram até a ilha de Páscoa e litoral da Austrália e da América do Sul. Isso significa que atravessaram milhares de Km do Sul da China até o Polo Norte até a América Andina. Essa é a saga da raça mongolóide, esquimó - ameríndia, conquistando o oceano Pacífico se dispersando entre as ilhas e os continentes conhecendo e convivendo com os negróides, australianos e brancos.

Para os Navegadores melanésios  das Ilhas Trobriand de Leste Papua - Nova Guiné, a construção de uma canoa envolve diversos rituais onde se aprende a navegar, encontrar novas ilhas para colonizar e se defender de tribos inimigas e naufrágios. Eis um poema do antropólogo Antônio Risério que re-cria um cântico de construção da canoa.

 

Desamarra a quilha, canoa
  
desamarra a quilha
e voa
(vai  pelo  ar 
     
pelo mar
                  
e sobre a ilha;
voa
     
sobre o que se armadilha)

Mas voa leve, canoa
e leva uma estrela na ponta da proa
cruza o mar, a névoa
o peito, a boca a língua
almas que invadem nuvens
dobras de Angra e de íngua.

Mas voa leve, canoa
há uma estrada inteira na ponta da proa,
que o ar mais leve, a leve
e faça das algas do céu
a minha única e exclusiva coroa,
                                             canoa.
Malinowski

      CONHEÇA OS MARES DO SUL

    Fenícios (semitas)

Semitas são uma família etnográfica e lingüística, originária da Ásia ocidental, e que compreende as diversas tribos, feito os conhecidos hebreus, os assírios, os aramaicos, os fenícios que se autodenominavam cananeus, e os árabes. Entre os semitas, os fenícios se destacaram por sua habilidade de construir embarcações, com os famosos cedros do Líbano, e navegar. Fundavam cidades - portuárias, com grandes mercados, em diversas partes do mundo, entre essas uma na península ibérica, onde hoje é Cadiz (Espanha) por volta de 1100 aC.
A Fenícia  é uma região litorânea da Síria, suas cidades mais famosas foram  Tiro e Biblos que ficavam onde hoje é o Líbano e Catargo onde é a Tunísia.

Os fenícios navegavam utilizando a técnica de orientação pelas estrelas, pelas correntes marinhas e pela direção dos ventos.

#Os navegadores fenícios cobriram vastas distâncias desde as costas do norte da África e todo o sul da Europa, a Itália, a Inglaterra (ilhas do Estanho), as ilhas de Chipre o mar Negro, até o litoral atlântico da África, continente que circunavegaram a serviço do faraó Necau II em 594 aC., chegando até atravessar o oceano Atlântico e vir na América do Sul e Central, há indícios que vieram ao Brasil e que influenciaram as culturas Inca e Asteca. 

Já eram influentes por volta do ano 2000 a.C., mas seu poder cresceu com Abibaal (1020 a.C.) e Hirã (aliado de Salomão).  Sidon, Biblos e Tiro (Líbano)  foram sucessivamente capitais de um império comercial de cidades unidas, antes pelos interesses, costumes e religião, do que por uma estrutura política mais rígida de grandes cidades.

Navegadores Portugueses

 

Há quem atribua a opção e gosto por navegação dos portugueses a seus antepassados semitas - os fenícios e/ou à dominação e assimilação de conhecimentos astronômicos dos árabes. Apenas por ser uma nação de antigos agricultores e pescadores Celtas (Celti-Íberos) limitavam-se aos  contatos mercantis com Galegos (Celta - Galiza), Visigodos, Suevos,  Gregos e com o Império Romano.  A necessidade de expandir o comércio e o conhecimento reunido, os tornaram navegadores.

O desenvolvimento da ciência de navegação em Portugal no  no século XV na Escola de Sagres resultou na conquista do Brasil, na América do Sul; Goa, na Índia;  Timor, na Indonésia; Macau, na China; Angola e Moçambique, na África, lugares, onde até hoje, se fala português.

Três instrumentos de navegação

Astrolábio - Instrumento astronômico inventado por Hiparco, astrônomo e matemático grego (séc. II a.C.), para medir as alturas de um astro acima do horizonte. Modernamente foi aperfeiçoado, e é um dos instrumentos fundamentais da astrometria. 

Bússola - Invenção chinesa que chegou a Europa por volta do século X é uma agulha magnética móvel em torno de um eixo que passa pelo seu centro de gravidade, montada, geralmente, em caixa com limbo graduado, e usada para orientação do navegadores. Por uma agulha com uma ponta imantada, detecta os polos do campo magnético norte sul da terra. 
Sextante - Instrumento óptico constituído de dois espelhos e uma luneta astronômica presos a um setor circular de 60° (1/6 do círculo) destinado a medir a altura de um astro acima do horizonte.

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  Bibliografia:     

Morrison, Tony. Migração animal. Série Prisma. SP, Melhoramentos, 1977
Spilman, Marcelo. Tubarões do Brasil, guia prático de identificação. RJ, Aqualittera, Muad Editora, 2004
Malinowski, Bronislaw. Argonautas do Pacífico ocidental. Os Pensadores. SP, Abril - Cultural, 1978
Risério, Antônio. Poema Via Pápua do livro Feitiche. Ba, Ed. Fundação Jorge Amado, ...
Heyerdahl, Thor. A expedição Kon-Tiki, 8.000 Km numa jangada através do pacífico. SP, Melhoramentos, 1955

 

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