Síndrome de Estocolmo
por Letícia Mota



Oi, meu nome é , . Podem me chamar de , eu gosto mais.
Vou contar um pouco da minha vida, pra história fazer pelo menos um pouco de sentido.


Eu sou rica... Rica é pouco, meu pai é milionário, sou a popular, não só do colégio como da cidade!
Sabe Gossip Girl? Então, eu sou como a Blair!
Eu não sou fútil, obrigada. Eu odeio o mundo que me cerca, e se eu pudesse escolher, eu seria pobre... Exagerei, mas classe média seria bom!
Eu tenho muitas amigas, mas apenas 4 são realmente as melhores: , , e .
Elas não tem tanto... poder financeiro como eu, apenas a é!
Não que a , a e a sejam pobres, não são mesmo! Mas a família é menos influente, e todo o blábláblá que os pais falam (?)
Okay, chega de falar de mim, vamos à história...


Xx


Estava andando pelas ruas de Cardiff, é, eu moro em Cardiff, Gales.
Continuando.... Eu consegui sair sem os seguranças que vivem me perseguindo pra onde eu vou, meu pai diz que é pra me proteger, mas eu acho que ele quer alguém sempre me vigiando e que eu não tenha uma vida social. O único lugar em que os seguranças não vão é a escola, mas eu suspeito que alguns funcionários e até alunos são pagos para ficar me vigiando.
Continuando mais uma vez.... Eu estava andando calmamente pela calçada, e parei para admirar umas roupas na vitrine de uma loja
- Nossa, eu preciso dessa calça!- a calça era realmente linda, não me culpe!
Então eu vejo pela vitrine um garoto atrás de mim, parecia um garoto normal! Era albino, cabelos pretos, tipo físico normal, vestia-se todo de preto, mas isso não me incomoda. Mas ai ele pôs um pano com alguma coisa muito forte, e eu apaguei.


Xx


Acordei no que parecia a mala de uma van...
Cacete! Tem cinco pessoas com mascaras aqui! Eu fui seqüestrada? Não pode ser! Eu não posso ser seqüestrada! E se eu morrer? Meu Deus, meu pai vai me matar! Ah não, eu vou chorar, na frente deles não...
Não adiantou, eu já ‘tava chorando!
Um deles notou, e olhou pra mim. Na mesma hora ele tirou a máscara, e se sentou ao meu lado:
- Meu Deus, você ‘tá chorando? Não chora, por favor, não chora!- ele fez uma cara preocupada e eu parei de chorar, ele secou minhas lágrimas, ah esqueci de mencionar: eu estava amarrada, tinha um lenço na minha boca, o único ruído que eu fazia era ‘rum rum runs’.
- Olha, eu realmente sinto muito por te seqüestrar, não era a intenção, a gente não ia fazer isso e.... – um dos garotos deu um tapa na cabeça dele.
- , seu idiota, não fica se desculpando com a menina, não no carro! Ela vai pensar que é brincadeira, que é uma pegadinha, e que tudo vai ficar bem! Novidade: Isso não é uma brincadeira! Para de se desculpar e volta pro teu lugar, quando a gente chegar em casa eu deixo você fazer o que quiser com a futilzinha ai.
Ah não, nessa hora eu fiquei vermelha de raiva, eu posso ser tudo, menos fútil!
Comecei a espernear, me virar de um lado pro outro, tentei gritar e atrapalhá-los o máximo que pudesse...Um garoto que parecia estar dormindo sentado do lado começou a gritar, o que tava sentado no banco da frente se assustou com o grito do menino, deu um pulo, bateu a cabeça, e se virou atordoado, o que tava dirigindo se estressou e deu uma freada brusca no carro.
- QUIETOS TODOS VOCÊS! – gritou o motorista, que estava sem a máscara. Era um jovem moreno com alguns reflexos, tinha olhos castanhos, e pele muito branca. Ótimo, estou no meio de macacos albinos estressados! Mas ele tem moral no grupo, todo mundo ficou quieto, até eu! Ele realmente me assustou.
A viagem foi basicamente assim: Um dos garotos dormia, o que me carregou ficou sentado do meu lado, de vez em quando eu dava uns chutes de raiva nele. o que bateu nele ‘tava sentado, olhando pro nada, ou dormindo, não dava pra saber. Os que estavam na frente foram calados, não deram nem um pio na hora que a gente passou naquela van.


Xx


Finalmente chegamos no ‘esconderijo’ deles. Cara, a casa era enorme, bonita e bem cuidada, chamava atenção mesmo, seqüestradores normalmente não querem chamar atenção, certo? Os que tavam no banco da frente desceram do carro e me arrastaram até a porta da casa, enquanto os outros pegavam algumas tralhas na van. Poxa, será que ninguém da rua ta vendo? Uma garota tentando lutar com 5 caras não é assim tão comum pras pessoas nem notarem!
Entramos na casa, por dentro parecia um chiqueiro, sem mentira! Tinha meia em cima da televisão, comida pelo chão, roupas na janela... Uma verdadeira bagunça! Dava nojo de entrar lá. Os meninos trancaram a porta, as janelas e qualquer lugar por onde eu pudesse escapar, eles me jogaram no sofá e me desamarraram, deixaram apenas o lenço na minha boca, e um ficou segurando minhas mãos
- Olha, a gente vai te soltar, e vamos tirar o lenço da sua boca, mas se você gritar a gente bota de novo e te tranca num quarto sem comida por 3 dias. – Gente, que medo dele, será que ele vai fazer isso mesmo? – Entendido? – Fiz que sim com a cabeça, não vou arriscar ficar sem comida, eu não tenho gordura pra queimar!
Ele me soltou e tirou o lenço da minha boca. Ficou me encarando, Deus do céu, que olhos eram aqueles? Ele tirou a mascara, e os outros também, revelando as verdadeiras identidades. [n/a: aquela coisa bem Batman (?)]
Eram meninos lindos! O que me carregou na frente da loja estava sentado na minha frente, os olhos dele eram de um azul tão profundo que uma pessoa poderia se afogar lá. O motorista ficou um tempo me olhando, depois foi até o que parecia ser uma cozinha, e desapareceu lá. Deixa eu descrever os outros três agora: Um era muito alto e magro, o cabelo era meio colorido, loiro castanho e ruivo. Outro era meio... fofinho! Era ruivo quase loiro, olhos castanhos e tinha algumas sardas. O ultimo era loiro, olhos também castanhos e todos tinham pele muito branca, quase transparente! [n/a: A exagerada...]
- Bem, agora que você já nos viu, resta saber nossos nomes, já que vamos ficar juntos por mais ou menos um mês. – O quê? Não pensei que ia ficar tanto tempo seqüestrada.
- Como? Um mês? Vocês vão me manter em cativeiro por um mês? Vocês são loucos? E a minha escola? Os meus amigos? Os meus pais? O meu cachorrinho? O meu porquinho da índia? E a calça que eu ia comprar? – Fiz todas as perguntas de uma vez, começando a lacrimejar. Os garotos me olharam com pena, e o ruivo/loiro sentou do meu lado do sofá, e me abraçou. Por que ele me abraçou? Não faço a mínima idéia, mas ele o fez. O de cabelo colorido sentou do outro lado.
- Olha, você é super rica, com certeza alguém vai cuidar dos seus animais de estimação, a calça você pode comprar quando voltar, e se não tiver mais a que você queria, vai ter uma mais bonita! Nós somos loucos sim, vamos manter você em cativeiro por um mês, no mínimo, seus pais e amigos vão sofrer, mas a gente realmente precisa do dinheiro do resgate, sinto muito. - Ele foi tão fofinho que eu parei de reclamar e fiquei caladinha, autistando.
- Hora de comer! – O menino que tinha sumido na cozinha apareceu com uma super tigela de macarrão. Todos se levantaram, menos eu.
- Você não vem ? – O moreno de olhos azuis perguntou.
- Claro, claro. – Respondi desanimada.
Sentamos todos na mesa, a macarronada estava ótima, os meninos conversavam animadamente enquanto eu brincava com o restinho da comida. Hey! Eu ainda não sabia os nomes deles!
- Então, como vocês se chamam?
- Eu sou o Nathan – O de olhos azuis. – Aquele é o Matthew, o Owen, o Marc e o Jon. – apontando para o de cabelo colorido, o ruivo/loiro, o loirinho e o moreno, respectivamente. Todos sorriram, e eu sorri de volta.
recolheu os pratos quando todos tinham acabado, e foi me mostrar aonde eu ia dormir. Subimos as escadas, fomos até uma porta no final do corredor, abriu. Era um quarto arrumado, cama de casal, tinha uma toalha sobre a cama, junto com um lençol, o banheiro do quarto estava impecável, tinha sabonete, xampu, condicionador, alguns perfumes, pasta de dente e escova, e ainda um pente! Gente, eles pensaram em tudo... Será que eles ficaram me vigiando antes de me seqüestrarem? O xampu era o que eu usava, os perfumes eram os meus preferidos!
- Por que eu? – Perguntei do nada.
- Ahn? – não entendeu, que lezadinho!
- Por que me seqüestrar? Tem gente mais rica na cidade. Por que logo eu?
- Porque você é bonita, divertida, todos sabem quem você é, e seu pai vai pagar muito bem pra ter a filhinha de volta!
- Ahn, ta certo. É bom vocês me tratarem bem, se não eu ligo pra policia!
- Acredite, você vai ser tratada como uma princesa! – Ele sorriu
Assenti com a cabeça e descemos para a sala.


Xx


Já era noite, estava assistindo um programa qualquer na televisão com meus seqüestradores.
- Então, pra quê vocês precisam do dinheiro? – Perguntei.
- Pra nossa banda, a gente precisa de dinheiro pra ajeitar os instrumentos e pra fazer as demos, os cds e panz.
- Ah, vocês tem uma banda? Que legal! Qual o nome?
- The Story So Far – falou, estufando o peito.
- E vocês já tem musicas próprias?
- Algumas, amanhã a gente pode te mostrar, se quiser ouvi-las – disse, sorrindo.
- Claro! Eu ia adorar! – Sorri.
O relógio apitou, já era meia-noite.
- Geente, com que roupa eu vou dormir? Eu vou dormir assim mesmo?
- Não, vem que eu te empresto uma – Disse , subindo as escadas.
Fui atrás dele, ele entrou no quarto. Caramba, que bagunça! Como a pessoa se acha aqui?!
- toma, acho que isso serve – Ele me entregou uma camiseta e uma boxer de ursinhos. Olhei pra ele, pra boxer, pra ele de novo.
- Ah, não, eu não uso isso! – Ele falou todo sem-graça.
- Ah, certo – Disse pouco convencida. - Então, boa noite seqüestrador
- Boa noite seqüestrada – Ele me deu um beijo na bochecha.
- BOA NOITE MENINOS! – gritei da escada.
- BOA NOITE! – Responderam em coro.
Fui pro meu quarto, troquei de roupa e dormi.


Xx


Acordei com gritos. Perai, gritos? Desci correndo as escadas, e encontrei todos cinco na cozinha, cozinhava calmamente, enquanto e tentavam se matar no chão da cozinha, gritava feito um louco tentando fazê-los parar e dormia sobre a mesa.
Sabe aquelas cenas que você nunca iria imaginar ver? Então, eu nunca pensei que veria isso. Caos total, duas pessoas se matando, outra gritando. Um cozinhava como se não estivesse acontecendo nada, e o outro dormia! Como eles conseguem?
- Errr... Bom dia.- Disse.
- Bom dia flor –
parou de gritar, tirou de cima do e apontou pra mim.
Sorri não entendendo nada.
- Ah, bom dia! – e .
- Como dormiu ? –
- Bem... Ele ainda ta dormindo? – Apontei pro
- É, mas quando o acabar de cozinhar ele vai ser o primeiro a acordar – disse, se sentando à mesa.
acabou de preparar o café. Panquecas, waffles, torradas, café, leite, nescau, sanduíches. Assim que o cheiro invadiu a cozinha se levantou.
- Bom dia! – .
- Bom dia... – Todos.
pôs a mesa e todos começaram a se servir. Gente, o cozinha tão bem, ele iria fazer um belo par com a , já que ela não sabe nem fritar um ovo...
Acabamos o café, e os meninos foram ensaiar. Já que eu não tinha nada pra fazer, fui assistir o ensaio.
- Então, aqui vai uma musica nova, pra ver se você aprova...
Ajustaram os acordes, Nathan não tocava nada, pelo jeito ele só cantava. Jon tocava violão, Marc guitarra, Matt baixo e Owen bateria.

Could it be, that i'm your fantasy?
I'm everything you need, I'm everything you breath for.

Geeente, como o Nathan cantava bem! O que era aquele homem? Okay, parei!
For I'm the prodigal son; my battles already won.
It's no surprise I'm not wise to my obvious demise.
As a personal favour, would you please sign my picture?

Jon também tem uma voz linda, gente, vou ter um treco aqui!
On your mark, get set go!
You'd better back off bro, or heads will roll.

It seems to me, that all I see is crazy fools and runarounds waiting for an empty seat at your table of acceptance. You're so poor, so weak, so dull, so boring. Life's a snore

Ai como o Nathan é exagerado! Ele tem presença de palco... Essa banda um dia vai fazer muito sucesso!
So i'll say it again, I'll make it so easy I won't even try to pretend that i'm him.
He's a liar, a hater; a blonde mopped heartbreaker walking around with his personal waiters (one breath later)

On your mark, get set go!
You'd better back off bro, or heads will roll.

It seems to me, that all I see is crazy fools and runarounds waiting for an empty seat at your table of acceptance. You're so poor, so weak, so dull, so boring. Life's a snore

On your mark, get set… go


- Então, gostou? – .
- Muito! Vocês são ótimos!
Ele sorriu, gente que sorriso lindo! Tá, eles ensaiaram mais algumas músicas e uns covers, o ensaio foi ótimo! Já era noite.
- Vamos comer fora hoje? –
- Tá com preguiça de cozinhar? – disse em tom de gozação
- Tô, cozinhar pra vocês cansa, poxa!
- Tipo, onde vocês vão comer? Eu quero que vocês tragam alguma coisa pra mim! – Eu disse.
- Você vai também, oras! –
- Eu? Vocês vão levar uma seqüestrada pra comer fora? E se alguém me ver? Vocês serão presos!
- Ninguém vai te ver, a gente te disfarça! –
- Ah, claro, de que?
- De menino, oras! – Disse como se fosse óbvio.
- E como vocês vão esconder isso? – Apontei para meus peitos, eles ficaram olhando por alguns segundos, antes de desviarem o olhar envergonhados. Tipo, não eram enormes sabe? Mas eu também não era uma tábua, e definitivamente as pessoas iam notar o volume!
- Err... Fita! –
- O quê? – Disse sem entender.
- A gente te enrola! Como fazem nos filmes, sabe? Te enrolamos com fita ou com pano, comprimimos... isso, e deixamos uma coisa mais proporcional ao resto do corpo.
- Você ta dizendo que eu sou desproporcional?
- Não! Não, só quis dizer que... – Ele quase entrou em pânico.
- Tá, eu entendi – Segurei o riso.
- Então, veste uma blusa e um jeans do que é magrinho e vem aqui pra sala pra gente te arrumar.
- Okay, vem ! – Eu e o subimos a escada, ele pegou uma blusa branca sem mangas e uma calça jeans que já ‘tava apertada nele. Troquei de roupa e desci, já estava lá embaixo. segurava um tecido, alguma coisa que parecia ser gaze, aquelas gazes que vêm em rolo sabe? Gente, que cara maldosa que ele tá, será que dói?
- Vem cá, levanta os braços. – .
- Ele pegou uma ponta da ‘gaze’ e prendeu nas minhas costas com fita durex. Deu a primeira volta e apertou um pouco, deu mais algumas voltas ao meu redor, e em pouco tempo eu já não tinha mais peito! Gente, parece milagre! [n/a: claro, milagre...] subiu correndo e desceu com uma camisa de botões e um boné. Eu vesti e pus o boné, Cara, eu parecia um travesti, sério! Eu ‘tava vestida como homem, mas meu rosto ainda era de mulher, eles não vão conseguir mudar isso! Coloquei o cabelo por dentro do boné, até que parecia uma coisa normal!
- Eu preciso de papel, ou de algodão – Disse.
- Por que? – perguntou.
- Pra dar volume... sabe?
- Ah! – Ele pegou um pouco de papel higiênico.
Fui no banheiro, eu não ia botar na frente deles!
Voltei pronta, saltitando de uma forma bem... Bambi![n/a: Bem feliz, sabe?]
- Algumas dicas: Não ande rebolando, esconda seu rosto ao máximo, não fale com ninguém! –
- Tá bom. Vamos?
Saímos, fomos a um pub, estava lotado, muita gente, muito homem velho, muita menina com pouca roupa. Não era um bar de strip tease, era um bar normal, mas parecia ser o point das mulheres rodadoras de bolsinha! Entendeu?
Enfim, pegamos uma mesa ao fundo, chegou uma garçonete de mini saia e blusinha combinando e muita maquiagem, não aquelas maquiagens tipo emo ou gótico, mas aquela maquiagem bem patricinha, um quilo de pó, corretivo, sombra, blush, batom, lápis, rímel...
Fizemos o pedido, digo, eles fizeram o pedido, eu ficava apontando o que eu queria pro falar pra tal mulher.
Chegou uma loira vestindo dois pedaços de pano que as pessoas diziam que era roupa, ela botou os peitos siliconados em cima da mesa, ao meu lado. Ainda bem que ela não viu meu olhar de desprezo, que horror! Só eu vejo o praticamente babando na mulher? Tenha vergonha na cara! Detalhe, todos os pensamentos em uma fração de segundo, porque depois de botar os peitos na mesa [n/a: the peito is on the table, by: mãedamari] ela dirigiu a palavra a mim:
- Quer dançar gatinho? – Ela realmente me achou um ‘gatinho’? Gente, eu sou mulher, mulher, não um gatinho! ’
- Ahn, desculpa, mas... eu sou gay! – Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça, agora ela não vai mais encher meu saco, e vai falar pras amiguinhas de pouca roupa, elas também não vão dar em cima de mim! Eu sou uma gênia!
- Ah, tanto faz – Ela fez uma cara de nojo! Que preconceituosa safada! – Quer dançar? – Ela perguntou pro .
- Ah, pode ser! – Ele se levantou e foi dançar com a siliconada.
Caramba, que meninos tarados! Estou decepcionada com o , vai saber por onde andou essas calças! Meu Deus! Agora eu tô com nojo, tenho que ir ao banheiro...
- Eu vou ao banheiro! – Falei já me levantando.
- Eu vou com você – . Ele ta brincando, né?
- Como? – Perguntei, olhando de uma forma estranha pra ele. Todos os outros da mesa o olhavam mais ou menos da mesma forma.
- É, alguém precisa ir com você, você pode acabar entrando no banheiro errado! – Ele me olhou como se fosse óbvio. Ah, entendi!!
- Ah, verdade, eu sou um menino, mas você não precisa ir comigo!
- Acredite, é melhor ter alguém pra tampar seus olhos enquanto você estiver lá dentro. - Eu fiquei com os olhos arregalados! O que ele quis dizer com aquilo?
- Ahn, então tá, vamos! – Comecei a procurar o banheiro
Entramos. Gente! Que horrooooor, um monte de homem mijando um do lado do outro! Aaaaah!! Me virei enfiando a cabeça do peito do . Ele me abraçou, sem jeito, ai eu me toquei: sou um menino, meninos não abraçam outros meninos, não em um banheiro! Me separei rapidamente, e vi alguns velhos olhando torto pra gente.
- Err... eu acho melhor você entrar em um dos box! – apontou para uma privada. Assenti com a cabeça e me dirigi ao box, trancando a porta após entrar.
Fiquei um tempo em pé, pensando naquele abraço... Foi um abraço de poucos segundos, mas foi um abraço. Caramba! Foi SÓ um abraço! Por que eu penso tanto em um abraço? Balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos e fiz minhas necessidades. Sai, lavei as mãos, estava na porta me esperando.
- Ahn, desculpa ter me enterrado no seu peito – Disse muito sem-graça.
- Ah, não foi nada! Pegou um pouco mal por ser no banheiro, mas dá pra superar – Ele fez joinha e eu ri. Como ele pode ser tão fofo?
- Olha, a comida já chegou! – Disse ele. Voltamos pra mesa, e comemos, muito diga-se de passagem. Mas nada como a comida do meu querido , gente, eu nunca comi nada tão bom como a comida dele, ele vai trabalhar lá em casa, caso ele não seja preso e ninguém descubra que ele me seqüestrou... Mas isso são só detalhes! parou de dançar com a siliconada, e veio comer com a gente, mas quando a gente tava voltando pra casa, adivinha quem aparece pra ir no carro com a gente? Exatamente! A loira peituda que veste dois pedaços de pano! Eu fiquei estática! A gente não tava na van naquele dia, já foi apertado na ida, e agora? Aqueles peitos enormes ocupam praticamente todo o banco! Eu não disse nada, eu não ia falar nada, ela ia saber que eu era uma menina, apesar de não importar mais. ia dirigindo, no banco da frente. entrou logo, pra garantir seu lugar, depois , a siliconada, e o .
- Onde eu vou? – Falei baixo, tentando fazer voz de macho.
- Ahn... – olhava pra trás tentando achar um lugar pra mim – Ah, vai no colo do mesmo!
Tipo assim, eu não me importo, mas o que a menina ia achar do ? Ela achava que eu era gay, mas o não!
- É, vem, senta! – me chamou. Perai, ele pediu pra eu sentar no colo dele? É isso mesmo? Okay, eu vou ter um treco! Mas não na frente dele, quando eu estiver sozinha no quarto eu tenho o treco! Me sentei, fechamos a porta e partimos. me segurava pela cintura, a menina me olhava de forma estranha, mas eu nem ligava.
Chegamos em casa, deu boa noite pra todo mundo e subiu com a loira peituda pro quarto dele.
- Alguém me ajuda a tirar esse pano? – Falei finalmente, tirando a camisa de botões e levantei os braços.
veio, e foi me desenrolando. Acabou e eu estava bem de frente pra ele, ficamos nos olhando por alguns poucos segundos, e ele me beijou.
Foi um beijo doce, carinhoso. Não tenho como explicar. Foi ótimo, mas foi um beijo curto.
- Eu... eu.. – Tentava dizer alguma coisa, mas apenas monossílabas saiam da minha boca.
- Desculpa, eu não devia ter feito isso – Ele tá se desculpando? Que idiota! Não vai ficar assim, não mesmo. Então eu beijei ele. Esse foi mais longo, foi melhor.
- Hey, aqui não, vão prum quarto okay? – , seu idiota. Por que você veio atrapalhar? partiu o beijo, e deu um pequeno sorriso, eu retribui o sorriso, eu gostei poxa!
- Eu preciso de roupas pra dormir. O tá no quarto com a siliconada, eu tou morrendo de vontade de atrapalhar, mas depois ela me bate... – Falei meio envergonhada, arrancando risadas de , e de , que ouviu meu pequeno comentário.
- Vem, hoje eu te empresto minhas roupas. – .
Subimos pro quarto dele, não era como o do , mas também era bagunçado. Meu quarto deveria ser o único cômodo arrumado e limpo da casa! Ele procurava boxers e camisetas limpas, ‘tava demorando, então eu sentei na cama dele, se é que se pode chamar aquilo de cama. Cara, como ele demora! Me deitei, puxei o que parecia ser um lençol por cima de mim, e simplesmente dormi. Eu tava com sono, me deixem! Agora eu vou fingir que sou uma narradora observadora onisciente (?) e vou dizer o que aconteceu depois que eu apaguei na cama do :
Ele continuou procurando, mas desistiu e se virou pra mim:
- Cara, eu não achei uma roupa limpa, é melhor você pedir pro e... – Ele finalmente notou que eu ‘tava dormindo. Ficou calado, me observando. Ele tinha um sorriso bobo no rosto. Após um tempo ele se deitou ao meu lado, me abraçou e dormiu comigo. Sabe aquelas cenas lindas de filme, que você fica sonhando que aconteçam com você? Então era mais ou menos isso, pena que eu tava dormindo...


Xx


Quando acordo com os raios do sol batendo na minha cara, vejo na porta do quarto, com um sorriso nos lábios e uma bandeja com o meu café da manhã, lindo, não? Há há. Sonhe criança! Eu acordei com o sol invadindo o quarto sim, mas o ainda tava dormindo ao meu lado. Bem, até que não é tão ruim, se eu fosse uma safada, eu me aproveitaria da situação, mas eu sou uma boa menina, uma seqüestrada que se comporta! Então eu só me levantei, vesti uma blusa qualquer dele, prendi o cabelo e desci pra tomar meu café, preparado pelo , claro. Já falei que ele é um sonho de cozinheiro? Ai aai.
- Bom dia flor! – disse todo sorridente do balcão da cozinha.
- Bom diaa! – Respondi, sorrindo também. – Então, o que temos hoje? – Fiquei atrás dele, observando a comida.
- Waffles, panquecas, omeletes, capuccinos da Starbucks – Ele apontou vários copos na mesa – e, como prato principal, bolinhos! – Ele tirava uma fornada de bolinhos do forno.
- OOOBAAAAA! – Gritei, fui pegar um bolinho, mas segurou minha mão na metade do caminho.
- Não não não, tá quente! – Ele disse tirando os bolinhos de perto de mim.
- Só unzinho! – Fiz carinha de cachorro abandonado.
- Nem tente. E se você pegar um enquanto eu não estiver olhando sua mão vai cair, você vai ter uma dor de barriga muito forte e eu vou te dar de comida pros ursos do zoológico! – Tá, eu fiquei com medo da praga dele, vai que ele era um macumbeiro e eu não sabia? Resolvi não arriscar.
- Chato – Dei língua pra ele. – Mas faz logo que eu tô com fome. – Me sentei à mesa e peguei um copo da Starbucks, começando a bebê-lo. Droga, quase me queimei todinha com o capuccino. Por que? Quem apareceu na porta? A mulher-silicone que dormiu com o . A roupa dela: uma camisa, e a calcinha dela, e só. Eu não falei com ela, e desviei o olhar, mas ela estragou o momento de silêncio da cozinha com um ‘bom dia’ sonolento. O respondeu, eu não, continuei a beber meu café e a comer meu waffle que o tinha acabado de pôr em cima da mesa.
- Então, com quem você dormiu? – Ela perguntou.
- Com o . – Respondi nem me tocando do que realmente se tratava a pergunta. O derrubou a espátula que tava usando pra virar as panquecas no chão, eu olhei pra ele, e ele olhou pra mim com os olhos arregalados, só ai eu me toquei. – Ah, eu não transei com ele, se é isso que você tá pensando. – Acrescentei.
- Você dormiu com ele mas não transou ? Você não veio com a gente no carro, você deve ter chegado depois, certo?
- Ahn – Pensei um pouco na resposta que ia dar. – Eu moro aqui!
- Mora? – Ela perguntou, duvidando.
- Moro! Eu tô passando uns dias aqui, porque... eu morava com uma amiga, ai eu peguei ela na cama com meu namorado, eu arrumei minhas coisas e sai, porque o apartamento era dela. Eu tava andando com as malas pela rua, até que eu achei o , a gente conversou um pouco, eu contei do meu problema, que não tinha mais lugar pra morar, e ele me chamou pra morar com ele e com os meninos! – Gente, estou pasma com a minha criatividade!
- E você aceitou na hora morar na casa de uma pessoa que você tinha acabado de conhecer?
- Eu tava desesperada, não tinha dinheiro e precisava de um lugar pra morar! O me parecia ser legal, e me convenceu a morar aqui.
- Entendo – Entendeu porra nenhuma, tá escrito na cara dela!
Dei um meio sorriso e voltei a atenção para a minha comidinha.
- , certo? – Ela falou de novo.
- Aham. – Ele respondeu sem tirar os olhos do fogão.
- Cadê o menino gay que veio com a gente?
olhou pra mim, eu olhei pra ele. Então eu mesma respondi.
- Ele tá dormindo, e não vai acordar tão cedo. Você dormiu com o , né? – Ela assentiu com a cabeça. – Ah, então ele não vai querer te ver, ele é apaixonado pelo , e não sai do quarto quando o resolve trazer uma garota pra cá. – Minha criatividade é impressionante, vou escrever um livro.
Ela me olhou com uma cara de ‘eu não acredito!’ e eu fiz uma cara de ‘é melhor acreditar’. soltou uma risada disfarçada de tosse, então eu me levantei antes que ela fizesse mais perguntas.
- , quando você acabar com os bolinhos me chama, ok?
- Ok, fica perto pra eu não precisar sair gritando pela casa.
- Tá. – Sai da cozinha e fui até a sala, sentei e comecei a assistir televisão, um programa qualquer daqueles antigos que uma pessoa faz uma piadinha infeliz e soltam aquele som de risadas no fundo. É horrível, eu sei, mas pra passar o tempo estava muito bom.
Eu estava muito entediada com aquele programa chato, eu já ia pegar o controle para mudar quando ouço um barulho muito alto de alguma coisa pesada caindo no chão. Milésimos de segundo depois o deu um grito. Eu subi correndo para ver o que estava acontecendo, o continuava gritando quando cheguei na porta do quarto. estava saindo do seu quarto, havia dormido com a porta aberta e eu via claramente ele ainda jogado na cama, sem mexer um músculo, já havia saído do quarto e praticamente rastejava até o quarto de . Eu entrei no quarto encontrando gritando e se debatendo em cima de uma pilha de roupas no chão. Fiquei alguns segundos parada, olhando, tentando processar a cena que via. Corri para tentar ajudá-lo, ele estava digamos, embolado no meio das roupas, preso e não conseguia se soltar das roupas. Depois de tirar as roupas de cima dele, dele ter parado de gritar e se debater e já estar jogado na cama, morrendo de rir, nos levantamos e foi ao banheiro se recompor.
gritou me chamando, os bolinhos estavam prontos, então desci correndo, claro.
- Eba! – Cheguei na cozinha já pegando um bolinho da bandeja.
- O que foi aquele barulho, afinal? – Era o chegando na cozinha.
- Não faço idéia, vamos esperar o chegar pra perguntar, que tal? – Eu disse, engolindo o primeiro bolinho e me preparando pra pegar o segundo. Pouco depois apareceram o e o , com um ainda dormindo atrás.
Depois de comermos um pouco o perguntou pro :
- Porque você tava gritando, cara?
- Eu cai da cama – Ele respondeu olhando pra comida.
- Sério? Como? Por que? – .
- Sim, caindo, não sei. – respondeu desanimado.
começou a rir descontroladamente, fazendo todos os outros rirem também, menos o , que estava constrangido demais para rir da própria cara.
- Ah, tadinho gente! Pára! – Disse em meio de risos.
As pessoas foram parando de rir aos poucos e foi ficando mais à vontade.
- Obrigado – falou baixo pra mim, eu só sorri, não tinha mais o que fazer, oras!
- Então, , você namora? – A peguete do perguntou com uma cara super safada. Nessas horas que eu tenho vontade de matá-la.
- Err, não, por quê? - Ele respondeu meio vermelho.
- Por nada – Ela piscou pra ele! Que safada! Já não bastava ter pegado o , que por sinal tem pernas muito bonitas, reparei agora, ela quer pegar o também! O abaixou a cabeça, e sorriu! Ele tá gostando. Deus, eu estou vivendo na casa de pessoas taradas! Esse seqüestro tava sendo muito bom pra ser verdade, daqui a pouco eles vão querer abusar sexualmente de mim! Socoooooorro.
Okay, parei. Também não é assim, eu tenho uma imaginação muito fértil. O tá gostando sim, mas é por pouco tempo. Eu tenho essa carinha bonitinha de anjo, mas eu posso virar um mini demônio, se me provocarem como essa garota tá fazendo agora. Cara, cadê o ? Ele não tá vendo a peguete dele dando em cima do menino? Só eu que notei esse adultério nessa mesa de café da manhã? Que absurdo! Agora ela vai ver o que eu sou capaz de fazer com um copinho de capuccino.
Vou deixar cair delicadamente, e sem querer, o copo aberto no colo dela. Tomara que queime. Então, foi isso, eu empurrei.
- Ah meu Deus! Desculpa, foi sem querer! – Falei com uma voz cheia de culpa. Descobri que sou uma boa atriz também.
- Não, não foi nada! – Ela disse em meio de gritos, abanando o colo.
logo se levantou e foi pegar um pano, molhou com água gelada e deu pra ela, que esfregava o pano nas pernas. Cara, eu odeio o , ela podia ter demorado um pouco mais, pra dar tempo do líquido se espalhar mais pelas pernas daquela vadia. Agora eu to com cara de preocupada, me segurando pra não rir.
Ah não, o tá olhando pra mim. Ele tá sério, muito sério. Ele se levantou, veio até mim e me puxou pelo braço, me levando pra sala.
- Por que você fez isso? – Ele perguntou, mais sério que antes.
- Isso o que? – Me fiz de desentendida
- Você acha que eu não notei que você derrubou o café nela de propósito? Que você tava se segurando pra não rir, e que você tava fingindo toda essa preocupação? – Cara, o é do mal, ele conseguiu me deixar sem-graça.
- Err, ahm – Sim, eu não tinha o que dizer, foi errado o que eu fiz. Eu gostei, mas foi errado – Ah ! Você tinha que ver o jeito que ela tava se jogando pra cima do , e...
- E o que? Você não é namorada do , ela não é namorada do , e você não devia se meter nisso. – A vontade de me enterrar no chão agora é imensa.
- Mas ...
- Mas o quê? Você sabe que está errada, que não devia ter feito aquilo e tudo o mais. Não tem um ‘mas’
- Tem sim! Você não sabe por que eu fiz aquilo, - Eu já to quase gritando, eu não posso gritar, os outros meninos vão ouvir. – você não sabe o que eu senti ao ver ela cantando o . – Diminui meu tom de voz.
- Então me diga, não pode ser uma coisa tão absurda que pra melhorar o seu humor você tem que jogar café na pobre menina?
- Hey, eu já tô bem mal, não me faça ficar pior! Mas enfim, eu fiquei com ciúmes. É difícil admitir, eu nunca senti ciúmes na minha vida. Eu nunca gostei de ninguém como gosto... – Que bacana, minha garganta fechou. Respira... – como gosto do .
RÁ! O tá com cara de tacho, ele não esperava isso, aposto. Ele devia achar que eu era só mais uma vaca que gosta de infernizar a vida das pessoas. Bem, eu não sou assim.
- É sério? – Ele é idiota? Claro que é sério, eu não brincaria com uma coisa dessas. Olha, eu nem precisei dizer, meu olhar ‘idiota, claro que é sério’ já diz tudo.
- Okay então, - Ele continuou – Eu vou te ajudar com ela, mas só por que eu não gostei do jeito dela com o . – Ah, claro. Ele vai me ajudar porque ele é um ótimo seqüestrador, e também porque se ele não me ajudasse eu ia ameaçar fugir. Eu sou o máximo. Okay, só brincando. , você é o máximo!
Nós voltamos para a cozinha, a menina estava praticamente no colo do e o estava dormindo em cima das panquecas. Eu tenho pena desse menino, se ele não tomar cuidado vai ser corno a vida toda.
- Hey pessoal, a gente precisa ir na casa do Dave, lembram? – perguntou, olhando diretamente pro , que estava com uma cara de desesperado e assustado.
- É verdade! Quase me esqueci disso. Vamos , você tem que acordar e trocar de roupa. – concordou na hora, se levantou e foi levando para o quarto dele.
- Ahn? Do que você ta falando ? – olhou pra ele, desconfiado.
- Poxa , você não lembra que a gente ficou de passar na casa do Dave hoje pra.... dar uma olhada... err.. no sofá novo dele? – piscou discretamente.
- Ah, claro. Eu vou me arrumar, então. – saiu com uma cara de interrogação.
- Então... É, qual seu nome mesmo? – Perguntei para a menina.
- Stacy. – Ela respondeu.
- Ah, certo. Bom, Stacy, acho melhor você ir embora, então, né? Se você quiser eu chamo um táxi. – Sorri, tentando parecer a pessoa mais simpática do mundo. Mentira, sorri pra não parecer grossa de estar expulsando a menina assim. Quem liga?
- Ah, então ta! – Ela foi pra sala.
Liguei na mesma hora para um táxi. Ótimo, em poucos minutos ela estaria longe daqui. Viva!
- O Dave tem um sofá novo? – me olhou com um sorriso no canto da boca.
- Eu não sei quem é Dave. – Respondi olhando para o chão
. - Ah, é verdade. Mas mesmo você não conhecendo o Dave, ele não tem um sofá novo. Ele não tem um sofá em casa. – O tá me olhando com uma cara muito estranha. Mas, perai, como uma pessoa não tem sofá em casa?
- Ele não tem sofá? Como uma pessoa não tem sofá? – Perguntei indignada.
- Ele dorme na cama, come na cozinha, vê televisão na cama ou na mesa da cozinha, ele não precisa de um sofá! – O responde como se fosse óbvio, como se fosse a coisa mais comum do mundo uma pessoa não ter um mísero sofá em casa! - Ah, certo. Então, ele deve mesmo ter um sofá novo, não? – Dei um sorriso amarelo.
- Por que você quer tanto ver ela longe daqui? – Ele perguntou sério. Ah, desisto, todo mundo já notou minhas intenções.
- Porque ela tava dando em cima do . Ela deu em cima de mim quando eu era um homem, e ela dormiu com o . Ela é basicamente uma prostituta que trabalha de graça! – Ai, peguei pesado.
- Precisava derramar o capuccino nela? A coitada quase se queimou!
- Mas eu me ofereci pra chamar o táxi pra ela!
- Você expulsou ela daqui!
- Mas pelo menos eu não fui grossa!
- Não, imagina, nem um pouco. ‘Se você quiser eu chamo um táxi’ – fez uma voz super fina numa tentativa frustrada de me imitar. Não agüentei, eu tive que rir.
- Não ria de mim! Não era pra ser engraçado! – Desista , falando assim fica ainda mais engraçado. Nota-se isso por eu estar quase me mijando de tanto rir.
- Okay, okay, parei. – Disse tentando controlar minhas risadas.
- Idiota.
- Olha que eu fujo!
- Você não seria capaz!
- Se você acha... – Sai andando calmamente da cozinha para a porta de entrada da casa.
- HEY! NÃO SE ATREVA! – Foi duvidar, agora eu vou mesmo embora! Ou não, mas assustar não faz mal a ninguém. Deu certo, ele saiu correndo desesperadamente e ficou entre eu e a porta.
- Me deixa sair !
- Você tá brincando, né?
- Eu tô com cara de quem tá brincando? – Apontei pra minha cara, que estava super séria.
Ele nem me respondeu, olhou para os lados e viu a mulher-silicone olhando pra gente do sofá da sala. Quase que imediatamente ele me segurou pelas pernas, me jogou por cima do ombro e saiu comigo berrando escada acima.
Ele quer me matar do coração, só pode! Ele é muito magrinho, não vai conseguir me segurar por muito tempo. Não que eu seja gorda, eu não sou. Mas ele é realmente muito magro! Se você vier com o pensamento de que eu sou gorda de novo, eu te mato.
- , ME LARGA! A GENTE VAI CAIR! SOCOOOOOORROOOOO!
Uma buzina tocou. Era o táxi da menina. Cara, ela saiu correndo daqui. Tomara que tenha dinheiro dentro da calcinha...
- O que é que ta acontecendo? – apareceu no topo da escada.
- Ela quer fugir! – respondeu lutando pra continuar em pé no degrau.
- Oh merda! – desceu os degraus que faltavam até alcançar , que me passou para o colo do . Eu ainda me debatia, muito
- VOCÊ! – deu um grito. – Fica quieta! – Eu parei instantaneamente, imagina só se ele vem me bater?!
- Desculpa. – Olhei pra ele com cara de cão abandonado. Ele continuava sério.
subiu o resto da escada me segurando no colo e me jogou em cima da cama dele quando chegamos ao seu quarto.
- Okay, eu não sei o que deu em você, mas você não pode simplesmente querer fugir agora! Você sabe o quanto a gente precisa do seu maldito dinheiro, você sabe que a gente não faria mal a você e também sabe que a gente ainda não pediu o resgate. Então você vai ficar aqui, dentro da casa, quieta, sem fazer extravagâncias! Nós não queremos te machucar, você sabe bem disso, mas se você for ficar desse jeito, a gente vai ter que te trancar em algum canto!
- Desculpa. – Foi só o que eu consegui dizer antes de derreter em lágrimas.
- Não chora, não precisa chorar... – se sentou ao meu lado e me abraçou. Ficamos naquele abraço por alguns minutos, eu tentando parar de chorar e afagando meus cabelos. Eu não queria sair daquele momento. Podia parar o tempo naquele exato instante e permanecer daquele jeito por séculos. Tava tão bom.
Mas como tudo que é bom dura pouco, logo chegou uma criatura pra atrapalhar meu ‘momento de novela’.
- Assim, não que eu queira atrapalhar o momento filme romântico, mas já atrapalhando, o tá preso no banheiro, vocês podem vir aqui ajudar? – falou nos olhando com uma cara de quem tinha medo da resposta.
- Claro, claro. – se levantou depois de me dar um beijo na testa. Em poucos minutos estava livre do banheiro, e eu já estava bem melhor.


Continua...

N/A

Err, oi oi! tudo bom com você ser maravilhoso que leu minha fic? Então, demorou um pouquinho mas a fic veio pro site. Espero que você tenha gostado! Eu posso demorar um pouco pra atualizar, nem reparem! Culpa de escola e da falta de criatividade! Obrigada por lerem minha fic, deixem um comentário na caixinha que a Tathy deve ter colocado e assim eu poderei ir dormir feliz, e vocês também! :)
Eu queria agradecer à Tathy por se oferecer para fazer o script da minha fic e por me convencer a voltar a escrever! Obrigada Tathy!
Bom por enquanto é só pessoal, até a próxima atualização!
Beijos, Letícia

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