| AFINAÇÃO E PELES |
A escolha das peles de seu kit e da afinação que utilizará em cada tambor assim como a montagem de sua bateria é uma coisa muito pessoal. Quero registrar aqui algumas dicas sobre os tipos de peles a utilizar em cada situação e em cada tambor, e também a afinação a ser feita.
Vou começar comentando as marcas de pele. Em minha opinião a marca de pele mais usada, respeitada, e confiável no mundo é a REMO. Desde quando comecei a tocar usei estas peles e nunca tive nenhum tipo de problemas com elas. Gosto muito de sua durabilidade e do som que proporcionam. Muitos bateras gostam das peles EVANS, mas me abstenho de comentar sobre essa marca em específico por não Ter experiência de uso com elas. Outra marca que tem estourado por aí é uma marca nacional, a RMV. Já experimentei um tipo de suas peles e gostei muito do resultado. Acho que podemos dessa vez dar valor a esse produto nacional, mesmo que o preço dessas peles esteja quase igual ao das peles importadas posso afirmar que vale a pena conferir, pois essa fábrica não tem tido medo de apostar num material de primeiríssima qualidade e dou muito crédito a isso. Se o nosso produto nacional está tão bom quanto os importados, porque não usá-lo?
O tipo de pele que uso em meu kit tanto para shows, apresentações em locais pequenos ou para gravações é sempre o mesmo. Na caixa principal uso uma pele REMO AMBASSADOR BATTER (porosa), no tom, surdo e bumbo uso REMO PINSTRIPE (hidráulica), e na Segunda caixa que uso à esquerda do hi-hat estou usando atualmente uma RMV POROSA, mas muitos bateras usam variados tipos de peles em situações diferentes e inclusive eu mesmo uso peles diferentes quando não estou usando o meu kit.
Não aconselho usar peles hidráulicas em sua caixa, até porque o som da caixa fica grave e encorpado, mas para quem procura essa sonoridade essa pele é muito boa, bastante usada para um som mais pesado. Eu gosto muito mais do som que as porosas proporcionam na caixa, pois geralmente tem um bom volume de ataque e um som encorpado, são bem resistentes e tem um bom grau de porosidade, que é ideal para extrair uma resposta mais sutil quando se tocam ghost notes e também para trabalhar a escovada com as vassourinhas.
Nos tambores, tanto bumbo quanto tons e surdos eu gosto muito dos resultados que as peles hidráulicas proporcionam, principalmente por sua extrema resistência e seu grave mais encorpado proporcionado por seu duplo filme. Chamo atenção aqui para a pele PINSTRIPE REMO que tem um som maravilhoso no bumbo, aconselho. As peles REMO hidráulicas em seu geral são muito boas para se trabalhar a afinação, tanto mais agudas quanto mais graves.
Gosto de usar as peles porosas nos tambores também quando vou para estúdio (salvo quando uso meu kit). Não posso deixar de comentar novamente aqui a minha preferência pelas peles REMO, pois em todas as situações que usei as REMO AMBASSADOR elas me proporcionaram um som forte e sempre me senti confortável com o seu uso em variados kit's de estúdio. No bumbo ela fica bem grave e proporciona um bom volume.
Sobre afinação vou dar aqui algumas dicas bem simples para que se obtenha um som ao menos razoável em sua bateria. É claro que em primeiro lugar o som que você vai obter começa dependendo do material que você tem (tambores), do material que vai afinar (peles) e também do material que vais usar para interagir com tudo isso (baquetas, vassourinhas, etc).
Falando de tambores, podemos dizer num aspecto geral que quanto menor o tambor mais fino é seu casco e mais agudo o seu som, e quanto maior o tambor mais grosso é seu casco e mais grave é seu som. Essa afirmação posso fazer analisando os aspectos tanto de polegadas (tamanho de pele), como a profundidade dos tambores. É claro que muitas baterias que são muito mal fabricadas não possuem muitas diferenças na espessura de seus cascos, mas vamos aqui fazer uma geral.
O tipo da pele que você vai usar pode influenciar mais ainda no som de seu tambor, pois uma pois uma pele boa pode trazer uma sonoridade até que razoável a um tambor ruim, mas uma pele ruim não tem jeito de deixar um tambor bom com um bom som. Então preste muita atenção na hora de comprar sua pele, e esteja consciente de que vale a pena fazer um sacrifício e pagar bem por um jogo de peles que não vão lhe dar problema. Lembre-se também de comprar uma pele adequada ao estilo que você irá tocar. Se for tocar um som pesado é melhor comprar todas hidráulicas. Se for tocar um som mais definido, mais soft pode optar pelas peles porosas. Se você como eu toca de tudo um pouco pode fazer um mescla de peles, sendo que eu optei por usar porosas somente nas minhas caixas e hidráulicas nos demais tambores.
As baquetas leves produzem um som obviamente mais leve, mais definido, e são usadas para um tipo de som mais rápido e cheio de notas, e combinam com peles mais finas em geral. As baquetas mais pesadas geralmente são usadas para um tipo de som mais pesado, e com peles mais grossas também, como as de duplo filme (hidráulicas), além de combinarem com tambores maiores também, pois com uma baqueta muito pesada o som em um tambor pequeno sairá meio indefinido pois esses tambores soam melhor com toques de precisão e não de muito peso.
Uma coisa que você tem que obter muito cuidado para que sua afinação seja boa são seus aros. Se seus tambores possuem aros finos o melhor é usar peles finas também e afinações mais graves, pois com peles grossas e afinações mais agudas você acabará forçando demais esse aro e ele com certeza cederá, entortando e comprometendo assim toda e qualquer tipo de afinação que você pretendia, deixando o tambor com som de latão. Com aros intermediários você pode obter timbres médios com mais segurança. Já aros com 2mm, ou seja, grossos, são muito difíceis de cederem e terminarem amassando, além de possuírem um ótimo controle do som do tambor, deixando esse som mais para grave mas sem perder o brilho. Os aros DIE-CAST não amassam nem por um decreto, dão mais ataque ao som do tambor e o modificam totalmente (uso esse aro em meu surdo 13"). Como podem perceber, o tipo de aro que você possui pode tanto ajudar muito no som e afinação de seu tambor como pode comprometer totalmente essa afinação.
Quando você for trocar suas peles u tentar afiná-las de uma maneira melhor ao que estão atualmente sugiro que você em primeiro lugar retire o tambor de seu suporte. Coloque o tambor no colo e deixe tanto a pele batedora como a pele de resposta totalmente mortas, ou seja, frouxas. Não precisa retirar os parafusos, somente deixá-los frouxos o suficiente a ponto de não apertarem mais os aros. Após esse processo você irá virar o tambor com a pele de resposta para cima e começará a apertar aleatoriamente os parafusos apenas com os dedos. Tendo acabado de fazer isso você irá apertar um pouco forte o centro da pele com a planta de sua mão, afim de fazê-la ceder um pouco.
Em seguida poderás pegar a sua chave de afinação e continuando a pressionar o centro da pele com uma das mãos, com a outra você começará a apertar os parafusos, não mais que meia volta em cada um deles por vez. Um detalhe importante para que você mantenha um equilíbrio da pele enquanto a aperta é de que não deves ir apertando um parafuso ao lado do outro, aperte um parafuso e em seguida o do lado contrário do tambor, e vá fazendo isso de maneira que a pele vá entrando sempre no mesmo nível de altura. Você não deve apertá-la muito, somente o necessário para que as rugas que apareceram quando você começou a apertá-la no centro com uma das mãos desapareçam totalmente.
Você poderá dar batidinhas fracas perto de cada parafuso e ir apertando cada um deles até o ponto em que fiquem todos com o mesmo som. Fez isso? Agora pode desvirar o tambor e repetir novamente todo esse processo na pele batedora. Só que dessa vez quando você for deixar o som perto dos parafusos iguais poderá apertar um pouco mais cada parafuso, mas isso para deixar o som do tambor mais perto daquilo que você está procurando, lembrando que quanto mais apertado mais agudo ficará o som desse tambor.
É sempre bom levar dentro de seu estojo de baquetas um kit para os tambores. Fita TAPE (silver) ou CREPE, alguns quadradinhos de 2x2cm de tapete fininho, e pedaços de flanela. Esse material pode vir a salvar sua vida (brincadeira). Em muitas ocasiões como gravações, shows, etc, nos vemos obrigados a usar baterias que são uns verdadeiros cacos, e com um pouco de paciência e jeito podemos dar uma pequena melhorada. Além de fazer o processo todo citado acima de afinação, dependendo do material ou do ambiente onde ele se encontra você precisará obrigatoriamente abafar um pouco a bateria, e é aí que vai entrar esse material. Na caixa você pode visualizar um relógio e colar aqueles pedacinhos de carpete exatamente nas horas 3:00, 9:00 e 12:00. Isso já ajudará bastante. Nos tons e surdo às vezes somente um desses pedacinhos já é o suficiente. Mas principalmente nos surdos de 16" (dezesseis polegadas) seguidamente há o problema dele soar demasiadamente. Eu sempre resolvo esse problema da seguinte maneira, tiro a pele de resposta colo com fita um pedaço comprido de flanela de lado a lado dessa pele e coloco ela novamente no lugar apertando o necessário para as rugas desaparecerem como expliquei anteriormente. O som geralmente fica melhor assim. Se ocorrer o mesmo problema nos tons você poderá procurar em ferragens ou lojas especializadas um rolo de uma espuma adesiva, que você irá usar para colar do lado de dentro do tambor, na pele de ataque, causando o mesmo efeito dos MUFFS da REMO, ou seja, abafar.
Para melhorar o som do bumbo você poderá colar com fita crepe ou silver tape um pedaço pequeno de fórmica bem onde o pirulito vai fazer o impacto com a pele do bumbo. Isso vai fazer essa pele durar mais e dar um pouco mais de quick. Do lado de dentro o melhor é colocar uma almofada, encostando bem na pele batedeira, mas se não tiver uma almofada disponível use um pano ou toalha grande, mas sem amarrotar, enrolando de maneira a criar um certo volume e prendendo as extremidades soltas com qualquer fita adesiva, para que não se solte quando começar a tocar.
A pele de resposta do bumbo não precisa de uma atenção muito especial, a não ser que você queira cortá-la para obter um som melhor com o bumbo microfonado. Faça um círculo perfeito de papelão de exatamente 8". Depois você deverá colocá-la no chão com a frente virada para baixo e colará com durex em cruz o círculo de papelão, prestando atenção para colar esse círculo de maneira que ele fique exatamente no lado direito, em baixo para quem está olhando para a frente da pele. Com muito cuidado e atenção você vai pegar um estilete e começar a cortar vagarosamente em volta deste círculo até que ele se feche a faça um buraco na pele dessas 8". Depois disso vc deverá dar uma lixada em volta desse buraco ou grudar pedaços de fita em toda a sua borda para que você não acabe se machucando ao colocar a mão ali, pois o corte com o estilete deixa a pele bem afiada.
Para finalizar essa parte de dicas sobre afinação, quero falar sobre um problema que muitos bateristas sofrem, ou por ignorá-lo (desconhecerem), ou por pura preguiça mesmo. Em qualquer lugar que você for tocar e você regular toda a afinação de sua bateria para tocar ali, você tem que colocar na cabeça de que o som que você ouve sentado em seu banquinho não é de maneira alguma o mesmo som que os outros integrantes do seu conjunto escutarão, ou que o técnico de som escutará, e muito menos o som que o público escutará. Para isso você pode primeiramente começar pedindo algumas dicas a um técnico de som sobre acústica em variados ambientes, como ela funciona, e o que você pode proporcionar nesses variados ambientes. Você poderá pedir para um Roadie ou qualquer outra pessoa que tenha o mínimo de coordenação para que toque a sua bateria enquanto você a escuta de todos os ângulos possíveis daquele local onde vai tocar. Essa experiência vai fazendo com que você aprenda cada vez mais a melhorar o som de sua bateria para todo o ambiente e não somente para você, fazendo com que todos aproveitem melhor aquilo que você está querendo passar.
Espero ter ajudado, qualquer dúvida mande-me um e-mail.