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Coluna
Argus Montenegro
ESTUDANDO MÚSICA
Durante muito tempo da minha vida musical como baterista profissional
eu relutei muito para aprender música. mas o tempo foi passando,
e como Deus me concedeu uma musicalidade avantajada eu pensava que não
precisaria estudar para ler bateria por música. um dia, eu estava
tocando num bar com um trio que o pianista era maestro e arranjador. num
determinado momento de descanso ele me falou: "Tocas muito, cara.
É uma lástima tu não leres música."
Nos tempos modernos, que quando alguém não tem alguma coisa, invade a casa dos outros para tomar algo que na realidade não é seu... mas é que aquele ser não suporta mais viver enfraquecido por aquela falta. Fico aqui analisando com a minha modesta cultura e chego à conclusão que o acaso não existe e que infelizmente o homem regressa cada vez mais aos seus modos primitivos, como aconteceu com Roma e outros impérios. Mas, como sou músico brasileiro (baterista), fico muito tranqüilo, pois, em verdade, a música brasileira jamais será invadida. Agora sim, estou falando de música brasileira MESMO! Aqueles que infelizmente derrubaram no final dos anos 60. Fico tranqüilo sim, pois a música brasileira dos anos culturais do Brasil, especificamente a bossa nova e o samba brasileiro, que tem apenas 2 tempos, ninguém vai conseguir nos roubar. A mídia não consegue que os verdadeiros músicos do Brasil esqueçam este período. Eu sou teimoso, e só continuo tocando o que gosto: música brasileira do período supra citado. Argus
Montenegro;
"OBJETIVANDO" Objetivando
um pouco a história da música brasileira, sabe-se que recebemos
imigrações negras que vieram da África do Sul, tais
como: Guiné, Angola, Moçambique e outros lugares. Argus
Montenegro
MATADOURO Argus Montenegro Para quem estava acostumado com a m�sica erudita, a bateria
do Jazz parecia um instrumento de grande barulho. Argus Montenegro |
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Hist�rico J� trabalhou � bordo de transatl�nticos espanh�is tocando m�sica instrumental de alto n�vel por mais de 40 pa�ses. Come�ou na r�dio e televis�o. Trabalhou mais de 10 anos acompanhando cantores, pequenos grupos e orquestras, somando at� hoje mais de 240 cantores famosos no Brasil e exterior. Seria muito dif�cil dizer com quem ele ainda n�o trabalhou. A alguns anos tem uma escola de bateria em Porto Alegre, e sempre possui todos seus hor�rios cheios e muitos outros alunos esperando por uma vaga para poderem ter aula com este grande professor. Atualmente estas vagas diminu�ram mais ainda porque ele est� em recupera��o de uma cirurgia na coluna e v�rios problemas de sa�de que passou nos �ltimos 2 anos, e por enquanto n�o pode dar 8 ou 10 aulas por dia como dava, mas est� se recuperando com muita rapidez. N�o se tem como calcular quantos m�sicos j� passaram por suas orienta��es, m�sicos importantes que hoje est�o trabalhando no Brasil ou no exterior. Alguns deles s�o muito conhecidos como NEN� e KIKO FREITAS. � um baterista que sempre esteve � frente dos mais inovadores movimentos musicais, al�m de ser um pesquisador de sonoridades e disposi��es de kits de bateria, fazendo verdadeiros malabarismos com alguns clamps em m�o. Hoje em dia � endorser da Odery Drums e gosta muito dessas baterias que podem ser feitas sobre medida para as suas necessidades. Usa pratos Zildjian Constantinopla e linha "K". � especialista em m�sica instrumental de alto n�vel, principalmente quando se fala em Jazz, Bossa Nova e M�sica Centro-Americana. |
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UM GRANDE PROFESSOR E AMIGO!
Se voc� j� leu minha biografia sabe um pouco da minha hist�ria como aluno do Argus, mas esta parte aqui quero dedicar somente a ele.
Posso escrever aqui para quem queira ler, ou falar para quem queira ouvir, que devo tudo aquilo que sou musicalmente ao meu grande professor Argus Lomar� Leite Montenegro.
Quando o conheci em 1997, indicado pelo meu grande amigo e batera Vin�cius, que era aluno dele tamb�m e que hoje est� morando em Londres, eu era uma pessoa totalmente diferente do que sou. E se eu falar que isso se aplica somente em minha maneira de tocar eu estaria mentindo, pois ele sempre me ensinou e ensina at� hoje muitas coisas relacionadas a viver.
Naquela �poca eu era um m�sico t�o chato e prepotente que ele quase me mandou embora de suas aulas, mas decidiu me dar uma chance, apostando que num futuro pr�ximo eu poderia mudar pr� melhor. Isso eu fiquei sabendo bem depois que j� t�nhamos nos tornado grandes amigos.
Ele come�ou a me moldar como um m�sico e pessoa bem melhor do que realmente era. Seus 64 anos bem vividos n�o deixam sombra de d�vida quanto a experi�ncia de vida que ele poderia me passar, e assim o fez.
Quando ele baixou o hospital pela primeira vez foi quando come�amos a nos aproximar mais, falando-se em rela��o a nossa amizade. Eu ia praticamente todos os dias no hospital, e como meu pai � m�dico muitas vezes eu pedia para que ele fosse l� dentro da UTI para ver como andava o velho, pois os m�dicos do hospital n�o davam not�cias concretas quanto ao estado dele. Ele sempre teve pavor de ir ao m�dico e por n�o cuidar muito de sua sa�de acabou tendo uma s�rie de fatores que o debilitaram totalmente. � dif�cil dizer o que ele n�o teve, pois entrou com um grave problema renal, sendo que chegou a ter que fazer hemodi�lise por um tempo, teve problemas de cora��o, sendo que tamb�m fez um cateterismo enquanto esteve no hospital, teve uma �lcera que estourou em seu est�mago, e teve trombose no p� direito que quase fez com que ele tivesse que amputar sua perna do joelho para baixo.
J� nessa �poca eu gostava tanto do Argus que cheguei a pelo menos por duas vezes burlar a seguran�a da UTI do hospital, conseguindo entrar l� fora dos hor�rios de visita e confortando ele daquela dor que estava sentindo. Eu ali j� o considerava como parte de minha fam�lia. Quando ele foi para o quarto fiquei algumas noites cuidando dele, para que tomasse os rem�dios nos hor�rios certos e para lhe alcan�ar qualquer coisa que precisasse.
A partir da� nos tornamos bons amigos, e nas outras vezes que ele baixou o hospital (uma para fazer a cirurgia na coluna por raz�o de um tombo forte que a fraturou, e outra vez por causa de medica��o forte que ele teve de tomar), eu sempre estava l� presente, seja para visit�-lo ou para passar algum tempo cuidando dele tamb�m. Ele me disse uma vez em que rimos muito: "Cara, n�o esquenta comigo n�o, JASON n�o morre..."
Com tudo isso que passou ele tamb�m mudou, e adquiriu um gosto maior pela vida, ensinando mais ainda a todos os que est�o a sua volta. O que aconteceu com ele foi um verdadeiro milagre, pois hoje em dia n�o precisa mais de hemodi�lise, pode comer com modera��o mas comer bem, superou a trombose que sumiu totalmente deixando seu p� em paz, e continuou com o seu esp�rito cada vez mais jovem, mostrando que idade n�o � apar�ncia e anos vividos pela pessoa, mas sim a cabe�a. Ele tamb�m diz sempre que pode haver um rapaz de 18 anos que tem um esp�rito de velho e � chato pr� caramba, assim como existem caras de 64 anos de idade que como ele tem um esp�rito de 20.
� e sempre foi uma pessoa muit�ssimo carism�tica, engra�ada, franca, sincera, um sujeito que n�o se tem palavras para descrever, simplesmente fora de s�rie. Fizeram ele e jogaram o molde fora.
Digo e reafirmo que fui, sou e sempre serei seu aluno e amigo. E por mais que eu deixe de estar perto dele para continuar a ter aulas, seus ensinamentos sempre me acompanhar�o e me far�o evoluir pelo resto de minha vida.
Agrade�o � DEUS por ter colocado essa grande personalidade em meu caminho: OBRIGADO DEUS!
E agrade�o a ti, Argus, por ter me ajudado a me tornar o que sou hoje: Obrigado Argus!
DANIEL SOUZA DOS SANTOS
Baterista desde 1989.
Obs: As fotos dessa coluna foram tiradas por Daniel Batera no est�dio e escola de Argus.