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JESUS TE AMA

Coluna Argus Montenegro
A pedido de um grande amigo, Daniel Souza dos Santos.


 

ESTUDANDO MÚSICA

Durante muito tempo da minha vida musical como baterista profissional eu relutei muito para aprender música. mas o tempo foi passando, e como Deus me concedeu uma musicalidade avantajada eu pensava que não precisaria estudar para ler bateria por música. um dia, eu estava tocando num bar com um trio que o pianista era maestro e arranjador. num determinado momento de descanso ele me falou: "Tocas muito, cara. É uma lástima tu não leres música."
Foi a primeira vez que eu fiquei preocupado, e aquilo não me saiu da cabeça. Em outra vez, nos encontramos na rua e o maestro me disse: "Oi Argus, tudo bom? Vou fazer uma orquestra na TV. Uma big band. Pela forma que usas as pontuações, seria o baterista indicado. É uma lástima que tu não lê música." E pela segunda vez ele me deixa preocupado.
Outra vez, fui acompanhar um cantor vindo de fora do Brasil com um trio. O cantor entregou a partitura de baixo, a de piano e, quando ele foi entregar a partitura de bateria para mim, o pianista interpelou: "Esse baterista não lê, mas adivinha tudo."
Eu já vinha antes meio descontente com essa condição e, nesta terceira vez, eu não aguentei mais. Cheguei em casa desse trabalho que, como sempre, deu tudo certo, mas minha esposa notou que eu estava triste e perguntou-me: "Que tens? Foi tudo bem?" Eu respondi: "Foi, mas eu preciso aprender música ontem." Como ela é formada em teoria e solfejo, pedi para que ela me dessa a largada e nunca mais parei de estudar. E nunca mais vou parar, porque a música não tem fim. Como dizia Sócrates: "Quanto mais eu sei, mais eu sei que nada sei." Mas, gracas a Deus, ao maestro, à minha esposa e ao meu filho Zé Montenegro, já posso dizer que sei alguma coisa. Façam isso, meus queridos bateristas de todo o Brasil: Estudem Música! Não interessa a idade, sempre está em tempo.
Hoje vejo que músico não lê música morre na beira da praia comido por tubarões, o que hoje em dia está sendo muito comum. Eu nunca vou ser comido, graças ao maestro, à minha esposa e ao meu filho Zé Montenegro.


Argus Montenegro.
30/04/2003



Nos tempos modernos, que quando alguém não tem alguma coisa, invade a casa dos outros para tomar algo que na realidade não é seu... mas é que aquele ser não suporta mais viver enfraquecido por aquela falta. Fico aqui analisando com a minha modesta cultura e chego à conclusão que o acaso não existe e que infelizmente o homem regressa cada vez mais aos seus modos primitivos, como aconteceu com Roma e outros impérios. Mas, como sou músico brasileiro (baterista), fico muito tranqüilo, pois, em verdade, a música brasileira jamais será invadida. Agora sim, estou falando de música brasileira MESMO! Aqueles que infelizmente derrubaram no final dos anos 60. Fico tranqüilo sim, pois a música brasileira dos anos culturais do Brasil, especificamente a bossa nova e o samba brasileiro, que tem apenas 2 tempos, ninguém vai conseguir nos roubar. A mídia não consegue que os verdadeiros músicos do Brasil esqueçam este período. Eu sou teimoso, e só continuo tocando o que gosto: música brasileira do período supra citado.

Argus Montenegro;
Baterista há 46 anos, endorser da Odery e Baquetas C. Ibañez modelo Argus Montenegro.
Um grande abraço a todos os bateristas do Brasil.
10/04/2003


 

"OBJETIVANDO"

Objetivando um pouco a história da música brasileira, sabe-se que recebemos imigrações negras que vieram da África do Sul, tais como: Guiné, Angola, Moçambique e outros lugares.
As primeiras levas de escravos vieram para cá, digo, para a Bahia e depois espalharam-se pelo resto do país, e com eles veio a forte influência dos ritmos africanos que com o passar dos tempos foram se transformando em cadências misturadas até mesmo entre eles.
Nos tempos de hoje ainda sentimos nas músicas do norte as já citadas cadências que são chamadas de: MARACATU, BAIÃO, XAXADO, CÔCO, AFOXÉ, CALANGO, FREVO, MAXIXE, SAMBA, PARTIDO ALTO, ETC...
O samba propriamente dito, que veio em seguida do Maxixe nos trouxe até a Bossa Nova, e da Bossa Nova para cá houveram muitas mudanças, tomando novas formas mas com o perigo de perdermos a identidade, o que é lastimável, pois na verdade o Brasil é um dos países mais ricos em variedades rítmicas.
VAMOS TER CUIDADO?

Argus Montenegro
05/06/2001
Baterista desde 1956


 

MATADOURO

A m�dia retalha a cultura neste Pa�s conivente com o Governo que quer que a manada caminhe sem ENTREVERO.
Os bois mais espertos, hoje em dia n�o s�o mandados para os matadouros clandestinos, simplesmente fazem com que eles desapare�am no OSTRACISMO.
Lamentavelmente, o que se observa nas TELEVIS�ES, CINEMAS, TEATROS E ENTREVISTAS e n�o consegue-se entender, � como podem apresentar tudo isto com qualidade t�o rasa.

Argus Montenegro
17/01/2001
Baterista desde 1956


Para quem estava acostumado com a m�sica erudita, a bateria do Jazz parecia um instrumento de grande barulho.
Isso se explica pelo fato de que este instrumento nas m�sicas europ�ias eram usados para fazer barulho mesmo.
Eles eram usados em certos momentos de efeitos fort�ssimos por compositores de m�sica cl�ssica - Tchaikowski, Wagner, Strauss e outros - como se fossem instrumentos exteriores � m�sica que as vezes se intrometiam no movimento musical.
Entretanto com o passar dos anos o Beat de uma bateria foi se tornando muito importante no decorrer de um tema de Jazz.
A m�sica de Jazz n�o teria Swing sem aquelas batidas que fornecia o j� ditado Beat de Jazz.
O que aconteceu de l� para c� com rela��o � bateria at� surdo j� sabe.
N�o tem baterista no mundo nestes momentos que n�o se sinta orgulhoso da evolu��o deste instrumento, que antigamente olhavam com um certo desprezo, como se ele n�o fosse pertencente ao contexto musical.

Argus Montenegro
05/12/2000


Hist�rico

Baterista h� 44 anos, j� fez todos os tipos de trabalho no Brasil e exterior.
J� trabalhou � bordo de transatl�nticos espanh�is tocando m�sica instrumental de alto n�vel por mais de 40 pa�ses.
Come�ou na r�dio e televis�o. Trabalhou mais de 10 anos acompanhando cantores, pequenos grupos e orquestras, somando at� hoje mais de 240 cantores famosos no Brasil e exterior.
Seria muito dif�cil dizer com quem ele ainda n�o trabalhou.
A alguns anos tem uma escola de bateria em Porto Alegre, e sempre possui todos seus hor�rios cheios e muitos outros alunos esperando por uma vaga para poderem ter aula com este grande professor.
Atualmente estas vagas diminu�ram mais ainda porque ele est� em recupera��o de uma cirurgia na coluna e v�rios problemas de sa�de que passou nos �ltimos 2 anos, e por enquanto n�o pode dar 8 ou 10 aulas por dia como dava, mas est� se recuperando com muita rapidez.
N�o se tem como calcular quantos m�sicos j� passaram por suas orienta��es, m�sicos importantes que hoje est�o trabalhando no Brasil ou no exterior. Alguns deles s�o muito conhecidos como NEN� e KIKO FREITAS.
� um baterista que sempre esteve � frente dos mais inovadores movimentos musicais, al�m de ser um pesquisador de sonoridades e disposi��es de kits de bateria, fazendo verdadeiros malabarismos com alguns clamps em m�o.
Hoje em dia � endorser da Odery Drums e gosta muito dessas baterias que podem ser feitas sobre medida para as suas necessidades. Usa pratos Zildjian Constantinopla e linha "K".
� especialista em m�sica instrumental de alto n�vel, principalmente quando se fala em Jazz, Bossa Nova e M�sica Centro-Americana.


UM GRANDE PROFESSOR E AMIGO!

Se voc� j� leu minha biografia sabe um pouco da minha hist�ria como aluno do Argus, mas esta parte aqui quero dedicar somente a ele.
Posso escrever aqui para quem queira ler, ou falar para quem queira ouvir, que devo tudo aquilo que sou musicalmente ao meu grande professor Argus Lomar� Leite Montenegro.
Quando o conheci em 1997, indicado pelo meu grande amigo e batera Vin�cius, que era aluno dele tamb�m e que hoje est� morando em Londres, eu era uma pessoa totalmente diferente do que sou. E se eu falar que isso se aplica somente em minha maneira de tocar eu estaria mentindo, pois ele sempre me ensinou e ensina at� hoje muitas coisas relacionadas a viver.
Naquela �poca eu era um m�sico t�o chato e prepotente que ele quase me mandou embora de suas aulas, mas decidiu me dar uma chance, apostando que num futuro pr�ximo eu poderia mudar pr� melhor. Isso eu fiquei sabendo bem depois que j� t�nhamos nos tornado grandes amigos.
Ele come�ou a me moldar como um m�sico e pessoa bem melhor do que realmente era. Seus 64 anos bem vividos n�o deixam sombra de d�vida quanto a experi�ncia de vida que ele poderia me passar, e assim o fez.
Quando ele baixou o hospital pela primeira vez foi quando come�amos a nos aproximar mais, falando-se em rela��o a nossa amizade. Eu ia praticamente todos os dias no hospital, e como meu pai � m�dico muitas vezes eu pedia para que ele fosse l� dentro da UTI para ver como andava o velho, pois os m�dicos do hospital n�o davam not�cias concretas quanto ao estado dele. Ele sempre teve pavor de ir ao m�dico e por n�o cuidar muito de sua sa�de acabou tendo uma s�rie de fatores que o debilitaram totalmente. � dif�cil dizer o que ele n�o teve, pois entrou com um grave problema renal, sendo que chegou a ter que fazer hemodi�lise por um tempo, teve problemas de cora��o, sendo que tamb�m fez um cateterismo enquanto esteve no hospital, teve uma �lcera que estourou em seu est�mago, e teve trombose no p� direito que quase fez com que ele tivesse que amputar sua perna do joelho para baixo.
J� nessa �poca eu gostava tanto do Argus que cheguei a pelo menos por duas vezes burlar a seguran�a da UTI do hospital, conseguindo entrar l� fora dos hor�rios de visita e confortando ele daquela dor que estava sentindo. Eu ali j� o considerava como parte de minha fam�lia. Quando ele foi para o quarto fiquei algumas noites cuidando dele, para que tomasse os rem�dios nos hor�rios certos e para lhe alcan�ar qualquer coisa que precisasse.
A partir da� nos tornamos bons amigos, e nas outras vezes que ele baixou o hospital (uma para fazer a cirurgia na coluna por raz�o de um tombo forte que a fraturou, e outra vez por causa de medica��o forte que ele teve de tomar), eu sempre estava l� presente, seja para visit�-lo ou para passar algum tempo cuidando dele tamb�m. Ele me disse uma vez em que rimos muito: "Cara, n�o esquenta comigo n�o, JASON n�o morre..."
Com tudo isso que passou ele tamb�m mudou, e adquiriu um gosto maior pela vida, ensinando mais ainda a todos os que est�o a sua volta. O que aconteceu com ele foi um verdadeiro milagre, pois hoje em dia n�o precisa mais de hemodi�lise, pode comer com modera��o mas comer bem, superou a trombose que sumiu totalmente deixando seu p� em paz, e continuou com o seu esp�rito cada vez mais jovem, mostrando que idade n�o � apar�ncia e anos vividos pela pessoa, mas sim a cabe�a. Ele tamb�m diz sempre que pode haver um rapaz de 18 anos que tem um esp�rito de velho e � chato pr� caramba, assim como existem caras de 64 anos de idade que como ele tem um esp�rito de 20.
� e sempre foi uma pessoa muit�ssimo carism�tica, engra�ada, franca, sincera, um sujeito que n�o se tem palavras para descrever, simplesmente fora de s�rie. Fizeram ele e jogaram o molde fora.
Digo e reafirmo que fui, sou e sempre serei seu aluno e amigo. E por mais que eu deixe de estar perto dele para continuar a ter aulas, seus ensinamentos sempre me acompanhar�o e me far�o evoluir pelo resto de minha vida.
Agrade�o � DEUS por ter colocado essa grande personalidade em meu caminho: OBRIGADO DEUS!
E agrade�o a ti, Argus, por ter me ajudado a me tornar o que sou hoje: Obrigado Argus!

DANIEL SOUZA DOS SANTOS
Baterista desde 1989.


Obs: As fotos dessa coluna foram tiradas por Daniel Batera no est�dio e escola de Argus.

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