"Causos"
das Trilhas por Fabian “teco” Radloff
Nº
01 – “Diretoria”
Caros amigos trilheiros,
Após
nossa página completar dois anos “on line” ( - NOSSSO SAAAAITEE!!!!!!!) e
tendo discutido com trilheiros do grupo a necessidade de registrar os momentos
ímpares das trilhas de final de semana, resolvi escrever sobre um desses em que
se reúne a turma do “Kochkaese”, como é conhecido nosso grupo (que em alemão
significa queijo cozido, primo pobre da “Nata”). Por questões de proteção
à imagem dos protagonistas dos
nossos causos, desde já informo que não revelarei suas identidades, nem datas
específicas, para que fiquem resguardados sob o manto do “anonimato”.
O
nosso protagonista deste primeiro episódio “Causos” esteve ausente do convívio
das trilhas por quase um ano, após ter desfeito o relacionamento amoroso com
uma 350, docemente apelidada (por todos menos ele) de “carniça” (para se
ter uma idéia a pastilha do freio da frente era sustentada por uma chave de
boca 10 mm para dar pressão na pinça, tamanha a qualidade do equipamento). Então,
nada mais justo do que render uma “homenagem” ao companheiro que retorna ao
lar depois de tanto tempo (que frase emocionante!).
Bem!
Estávamos todos reunidos no Posto de Gasolina da Santos Dumont, prontos para
mais um final de semana de trilha quando, não mais que de repente, surge, como
um verdadeiro “Dom quixote” com uma inigualável Tornado?????!!!! é........Tornado
(MUITO FORTE!).......apelido carinhoso dado à uma XLX 250 ano 80 e lá vai fumaça,
que mais se assemelha a um boteco de peças de moto usadas. Era o nosso
protagonista.
Antes
de iniciarmos a trilha, ainda no Posto, notamos no semblante do nosso amigo, um
enigmático sorriso, misto de satisfação e de nostalgia (pelo retorno à
ativa), lembrando da velha “350”. Foi então que percebemos um pedaço da
querida “Sahara” presente na nova “Tornado” - o para-lamas! - com o
famoso adesivo “DIRETORIA” o que, sem sombra de dúvidas, deu à pobre
“xizelona” a imponência de um cavalo de raça da mais alta linhagem (apesar
da moto estar mais com cara de pangaré do que puro sangue).
Pois
bem, seu zeloso dono, nosso protagonista, cuja identidade, repito, está
protegida pelo manto do anonimato, com seus pouco mais de 3 metros e meio de
circunferência “bundal” - porquê, companheiros,
o cara tem uma “mala” que até a Sheila Carvalho fica parecendo a
Lacraia diante do “rapaz” . Mas, voltando ao assunto, nosso herói,
após ter passado margarina no corpo para entrar no “fardamento” de
trilha, parecia “Barish Nicov” em uma apresentação de balé, tamanho o
aperto da calça e da camisa da “criança”, fruto do tempo em que se dedicou
à comilança enquanto “fora de combate”, o que conferia ao “corpitcho”
a forma de um tambor de 200 Litros. A cena era deprimente! E lá partimos nós
para a aventura “trilhesca” de mais um Sábado, tendo como fecha-trilha
“ELE” nosso herói do mês.
Todos
sabemos que o fecha-trilha é o cara que, de todos os trilheiros, possui a paciência
de “Jó” equiparável a um monge budista ou a uma mulher com TPM.
Já
na Segunda trilha daquele sábado, um novato, do qual não recordo o nome
(coitado) e cujo padrinho nem apareceu, após ter empatado o grupo umas 58
vezes, ter causado aquele “queimor” característico da “asia” e
tagarelado por todo o percurso, saiu do mato mais quieto do que “guri
cagado” tendo logo atrás dele o nosso protagonista, com cara de quem,
“pacientemente”, deu aquela mijada. Não me atrevo sequer a perguntar se
rolou um beijinho.
Pois
bem, diante da já notada “calma” que recaía sobre o grupo e tendo rodado
nada mais do que “incríveis” 30
Km em 3 horas de trilha, finalmente chegava a hora de ACELERAR e acelerar forte,
pois todos estavam diante da Trilha da Serrinha, “nervos à flor da pele”,
“olhos grudados na boca da trilha” porque o bicho ia pegar, eis que sugere o
protagonista da nossa história dizendo
para este trilheiro que lhes narra o presente causo:
-
Vai na frente, que tú tá de especial” que eu vou em seguida
(literalmente....., “jogou pra bunda”)! Logicamente que me vi entre o céu e
o inferno, pois sabendo do real objetivo da frase - me ultrapassar em plena
serrinha (teria que agüentar a gozação por mais de um mês) - não tive outra
opção a não ser “açulerar” a “abacatona” como quem foge da polícia
(lembrando que a colocação é apenas no sentido figurado).
Alguns
minutos se passaram sem problemas, até que escutei o ronco esganiçado da
“Tornado” do “nosso herói” no meu encalço e, numa dessas calhas da
subida da “serrinha” minha moto
atravessou (coisa de prego) e, para minha infelicidade, escutei a “Priscila,
rainha do deserto” passar por mim e gritar:
-
IIIIUUUUHHHHUUUUU !!!!!
Era
ELE !!!!! Que parecia a Penélope
charmosa, tamanha a “viadagem” do gritinho que soltou ao passar por mim.
Pensei
: - Tudo bem , faz parte!
O
grito da “sereia” ainda ecoava na minha mente quando foi interrompido por um
eficiente e providencial “PLEEECC” seguido de um tímido e
desconsolado........ “c.....lho!”
-
é senhores........a justiça “farda” mas não “talha”! Era “ a
‘Tornado’ que deixava nosso “herói” na mão.
Ultrapassada
a trilha da Serrinha, enquanto os demais trilheiros aguardavam com ansiedade a
chegada da “ XLX e seu piloto”, veio a notícia através de um companheiro:
-
“ELA MORREU!!! ELA MORREU!!!!”
Pois
é.............a garbosa “tornado” da DIRETORIA, ano 1980 e guaraná com
rolha, deixava “Dom Quixote” na mão obrigando-o a descer a Serrinha na
banguela.
Para
finalizar, quando retornamos para buscar o
“herói”, ele perguntou ainda desolado:
-
Alguém aí tem uma vela de XL?
-
O quêeeeeeeee!!!!.......Como pode um piloto dessa “cultura trilheira”
não levar sequer uma vela de reserva?
Pois
é amigos, todo mundo tem seu dia de “Pitoco”.
Com
base nas evidências reunidas acima, acho que todos conseguirão perceber porque
nosso grupo é singular...
Um
abraço à todos, boas trilhas e até o próximo "Causo".