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                                          O Cisne

"...As palavras são fortes quando necessário, mas tornam-se mais doces que mel quando assim se é desejado ..."

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Copacabana - o sonho que nunca acaba

Nas ruas de Copacabana aprendi o que era a vida, aprendi a ser malandro e criança, aprendi a viver intensamente e a me preocupar com a morte, aprendi também a sorrir para os problemas, sentados na areia de seu mar e a chorar de felicidade em seu calçadão. Copacabana me fez forte para enfrentar a vida, mas ao mesmo tempo amoleceu meu coração com sua beleza.

Em Copacabana inventávamos festas nos “apês” dos amigos e pernoitávamos ao som de Jobim e Vinícius. Embebedávamo-nos em seus bares onde rico e pobre dividiam o mesmo copo e famílias inteiras sentavam-se para fazer seu desjejum ao lado do casal que petiscava um “a passarinho” com chope.

 Roupas! Quase não usávamos e nem nos era preciso. O mar e o sol de Copacabana já serviam-nos para explicar tal nudez. No “do Augusto” passávamos a noite, no “Copa” fitávamos os famosos, alguns até companheiros de copo naquele mesmo local que servia o café da manhã daquela família e onde aumentava a libido do casal.

A bossa era o tema de Copa, mas também tinha samba, bolero, às vezes Gil, sempre Caetano.

Raparigas enfeitavam a noite, com um odor delicioso de perfume barato, semi nuas e pintadas (como faziam os índios antes do combate), ficavam esperando sua caça. Lindas em seu mau gosto.

Sem elas, ou até eles, Copacabana perderia e perderia muito de seu encanto. Pois no cartão postal que o gringo leva para a família está o “Cristo”, mas em sua agenda está a “diaba”.

Copacabana suja por opção e linda por natureza. Do mais doce reflexo do sol no corpo dourado da mulata ao arrastão em sua areia. Copacabana é a louca e o gênio, é a alma e a carne.

Sim, Copacabana! Santa, ébria, bela, louca, ladra e suja Copacabana. Quando morrer, serei eternamente feliz por ter feito parte de sua história. Prefiro que seja em seu mar ou em uma esquina da “Isabel”. Mas, nunca longe de ti.

Só não admito 3 coisas nessa vida: cerveja quente, vestir a camisa do Vasco e sair de Copacabana. E é como dizia meu avô: “Mas vale um “Kit” nos “Tabajaras” que uma cobertura na Barra.”

E o carnaval em Copacabana, já viu? É a visão mais próxima do paraíso que existe na terra. Mulheres sambando, calçadão lotado, carro de som, muita “gelada”, bandeirão do flamengo, bloco de carnaval e a nossa tradição. Carnaval aqui é como dizia o falecido amigo Valmir: “Só lazer!”.

Um dia as coisas podem até mudar. Talvez um bairro esnobe invente uma “nova” Bossa Nova, talvez consiga roubar nossos famosos, podem até nomear sua princesa, mas uma coisa eles não levam...

O charme e o encanto desse meu pequeno mundo chamado COPACABANA.            

                           Por: Roosevelt A.G.Araújo ([email protected])      

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