Não! Não, Amor, Não!

Não, sem chance, não dá!

https://youtu.be/Eal4fep7pK4

Tenho perdido alguns dias e noites pensando, e definitivamente esta não será a última vez que as perderei. Não é uma aflição da qual eu poderia facilmente escapar.

Não, não sirvo para isso. Não sirvo para amar e ser amável, muito menos para ser casável.

Primeiro, porque ainda penso nisso de forma mesquinha. Não me imagino amando, em qualquer sentido da palavra, sem nenhuma correspondência em troca. É um gasto de energia, preocupações e stress, além de tempo.

Segundo, porque minhas expectativas são tão altas que nem mesmo eu poderia satisfazê-las. Isto me lembra, como sempre, um porrilhão de coisas que preciso e quero comentar futuramente, mas tentarei ser contido.

Me lembro que misândricas e outras espécies de vírus humanos costumam comentar que São Paulo foi misógino e machista ao afirmar que mulheres devem ser submissas aos seus maridos. Mas não lembram da parte meio chata, que os maridos devem entregar a vida por suas esposas como Cristo entregou pela Igreja.

Pois, focando nessa parte chata:

Eu? Euzinho aqui? Entregar esta vidinha já miserável por outrem, sem nenhuma garantia? E com fortes probabilidades de ser traído - não apenas de forma conjugal, mas na definição mais básica da palavra? Não foi aquele chorão que disse que maldito é o homem que confia no homem?

Sou mesquinho. Se eu detivesse a onisciência, nem perderia tempo amando quem não me amasse em retorno. Mas "Deus amou o mundo de tal maneira" que até boçais do meu calibre "não pereçam". E eu não daria minha vida nem por um décimo disso, ainda mais tendo certeza de que o meu fim seria ignominioso. Não presto para ser mártir!

Não sofro não tenho paciência, não sou benigno. Sou invejoso, leviano, soberbo, indecente, egoísta, rancoroso, mentiroso, desconfiado, insuportável. Falho. Falho!

O padrão é alto demais, sou incapaz de segui-lo. Não posso cobrá-lo nem de mim mesmo, do alto de minha covardia. Sou indigno. Completamente indigno.

Clive Staples Lewis comenta, em "Os Quatro Amores", sobre uma passagem das Confissões de Agostinho. Nesta passagem, Pai da Igreja conta de quão dolorosa foi a morte de seu amigo. Daí, ele extrai uma máxima, de não entregar seu coração a outra coisa além de Deus. Todas as coisas perecerão, todos os homens morrem, logo é leviano deixar seu coração na mão de qualquer coisa além daquela que não perece.

O trecho-resposta de Lewis como um todo é maravilhoso, mas destaco a parte que me cabe:

Não existe um investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife - seguro, sombrio, imóvel, sufocante - ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação. O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno.

É muito mais cômodo e conveniente, confesso, estar no caixão imóvel, sufocante, claustrofóbico, sombrio, seguro. Fazer-me de invulnerável, divertindo-me com pequenos caprichos, sonhando com nada menos que me intoxicar até esquecer o próprio nome…

E, como imbecil universalista que me faço, isto me coloca em uma situação ainda mais desconfortável. Primeiro, porque Davi foi ainda mais enfático - nem mesmo no inferno Deus se afastará (Sl 139:8). Segundo, São Paulo não foi muito menos gentil ao dizer que o Amor nunca falha. Não terei escapatória, não serei deixado em paz em meu próprio egocentrismo vil e asqueroso.

Uma hora ou outra, o esquife será destruído. Um dia ou outro, a tragédia me esmigalhará e aniquilará. E isso muito me apavora.

Autor: Tradutor Bastardo

Criado em: 2020-04-04 sáb 03:16

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