Determinismo exaustivo calvinista e o Antigo Testamento
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"Não vejo como alguém pode ler o Antigo Testamento e não concluir que o calvinismo é correto", foi esta a recente assertiva de um professor calvinista. Por "calvinismo" ele quis dizer a noção do pré-determinismo exaustivo divino de todas as coisas por decreto.
Este professor estava apenas sendo consistente e honesto acerca de suas próprias crenças. Ele não fez nada errado moral ou eticamente ao proferir tal sentença a seus estudantes. Minha única esperança é que seus estudantes não tomem suas palavras imediatamente mas estudem, como bons bereanos, por si mesmos (consultando ideias e exegeses opostas) examinem as escrituras todos os dias para verificar se o que o professor dizia é verdade (At 17:11).
Este professor estava defendendo também uma confissão de quase quatro séculos: "Deus, de toda a eternidade, fez pelo mais sábio e santo conselho de Sua própria vontade, livre e imutavelmente ordenou tudo que venha a acontecer; ainda assim, soberanamente, enquanto nem Deus seja autor do pecado, nem violada é a vontade da criatura; nem é a liberdade ou contingência das causas secundárias excluídas, mas de fato estabelecidas"1
Dada a assertiva acima, então perguntamos "De que maneira Deus preordenou todo que venha a ocorrer - por presciência do que as criaturas livres deveriam fazer?" A Confissão responde: "Ainda que Deus saiba tudo que vai acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decretou nada porque Ele previra o futuro, ou porque ele saberia o que ocorreria em tais condições"2. Então, tudo o que vem a acontecer ocorre porque Deus predestinou cada evento que venha a ocorrer. E quando criaturas agem de uma determinada maneira, elas o fazem "livremente" pelo decreto preordenado de Deus. Deus preordenou aquilo que elas deveriam fazer; elas o fariam "livremente" e seriam tidas por responsáveis pelo que "livremente" fizeram (apesar de ter sido Deus quem determinou o que elas deveriam fazer "livremente").
Agora, de acordo com este professor e todos os calvinistas, isto é afirmado no Antigo Testamento tantas vezes que alguém poderia se perguntar como é possível alguém lê-lo e não concluir que o calvinismo é verdadeiro. Se isto for verdade, então há certas ideias, conclusões, afirmações consistentes que não devem aparecer nas páginas do Antigo Testamento. Lembrando que todos os eventos foram estritamente preordenados por decreto, não por presciência de atos livres futuros, mas por determinismo exaustivo do plano de Deus, note estas palavras do profeta Jeremias:
{Jr 2:5-9}
Mas se Deus "imutavelmente ordenou tudo o que venha a acontecer", então porque o SENHOR está reclamando sobre a infidelidade de Israel? Sim, Ele deve ter preordenado a infidelidade se "imutavelmente ordenou tudo o que venha a acontecer". Não é o SENHOR O Soberano? Pode qualquer pessoa ou grupo fazer qualquer coisa que o SENHOR não tenha preordenado a elas fazer? Portanto se israel era infiel, foi por causa da pré-ordenança de Deus.
E mesmo assim vemos o SENHOR declarando:
{Jr 2:13-17}
Mesmo o próprio SENHOR confessou que a razão pela qual Ele agiu de tal forma com Israel foi devido à sua própria obstinação e infidelidade - exceto se admitir-se que foi Deus que preordenou esta infidelidade para que pudesse puni-los pelos pecados que Ele preordenou que cometessem. Mas sim, é exatamente isto que o calvinismo ensina. Deus não pré-conhecia a infidelidade de Israel e portanto decreta o que venha a ocorrer. Não, para que seja considerado soberano (na ótica calvinista), Deus deve preordenar todas as coisas via decreto, e não via presciência.
Algo que se deve perguntar: o que é rebelião, exatamente? Pois se os israelitas foram rebeldes contra o SENHOR, então significa que eles foram rebeldes contra um comando que Deus ordenara. Se Deus é soberano, da maneira que os calvinistas defendem soberania, então ninguém pode sequer desobedecer o plano preordenado de Deus - o que por necessidade deve incluir a rebelião. Pela sua rebelião, eles estavam de fato obedecendo "livremente" o decreto estrito e preordenado de Deus.
Mesmo assim, encontramos o próprio Deus admitindo que seres humanos são capazes de rejeitar Sua autoridade. O SENHOR diz: {Jr 2:20} (veja Jr 2:29). Mas como podem os israelitas rejeitarem a soberania e autoridade de Deus? Como eles puderam se recusar a se sujeitarem a Ele, desde que Ele estritamente preordenou todas as coisas que ocorreriam? Deus (alegadamente) preordenou sua rebelião, que eles (alegadamente) cometeram "livremente", e então Deus os puniu por isto.
Mas mesmo a punição divina pelos pecados não resultou em seu arrependimento: {Jr 2:30}. Responder à correção? Mas o calvinismo ensina que Deus soberanamente oferece arrependimento a quem Lhe apraz. Como Deus pode reclamar acerca de sua falta e arrependimento quando Ele não lhes ofereceu arrependimento (nem preordenou isto)?
O que descobrimos é que Deus se fez vulnerável a Israel: {Jr 3:21-22} Mas Deus genuinamente lhes ofereceu arrependimento?
Sim, o SENHOR tem isto a dizer ao povo de Judá e Jerusalém: {Jr 4:3-4}
Deus é soberano? Sim, Deus é completamente soberano. Ele preordenou o que cada pessoa faria a partir de um mero decreto? Não, definitivamente não. Se fosse o caso, então, como o Novo Testamento declara, Deus certamente seria esquizofrênico - preordenando que certa pessoa se rebelasse contra Ele e então reclamando e punindo tal pessoa por obedecer Seu decreto de rebelar-se contra Ele.
E Deus de modo algum termina sua reclamação: {Jr 4:14}. O calvinismo deve responder: enquanto o decreto de Deus já tem isto preordenado.
Por que Deus puniu Israel? {Jr 5:19}. Por que eles simplesmente não obedeceram o que Deus preordenou? {Jr 5:23}.
Tomaram seu próprio caminho? Então eles não seguiram o caminho do SENHOR mas o seu próprio? Isto dignifica, então, que havia dois caminhos: o caminho da retidão e obediência do SENHOR, ou o próprio caminho de desobediência e injustiça? {Jr 5:28-29} {Jr 6:16}
O calvinismo nos faz crer que Deus preordenou por decreto que os israelitas "livremente" rebelassem contra o SENHOR (e que eles não tinham outra escolha além de se rebelar), enquanto o SENHOR esperou e comandou-os a escolher o caminho da justiça. Mais especificamente, calvinistas nos fazem crer que "Deus influencia os desejos e decisões das pessoas… mas devemos lembrar em todas essas passagens é bem claro que a Escritura em ponto algum mostra Deus como fazendo algo diretamente alguma coisa maligna, mas de fato trazendo as más ações por meio das ações livres das criaturas morais"3
Mas a questão pedindo para ser feita é: como um agente "livre" faz "livremente" algo que Deus preordenou que ele fizesse? Como Deus pode garantir que um agente "livre" irá "livremente" decidir fazer aquilo que Ele preordenou, exceto se Ele eliminar todas as escolhas, garantindo portanto o resultado que Ele decretou? E se Deus elimina todas as escolhas, para que o agente "livre" faça "livremente" aquilo que Deus decretou, então o agente não é "livre" para escolher o contrário de qualquer maneira. Então a liberdade "genuína" é uma farsa.
Arminianos não precisam se valer de filosofia como muleta: a Escritura suporta claramente a teologia arminiana - ou melhor, a teologia arminiana afirma a verdade da Escritura. Deus dissera aos israelitas: {Dt 30:15,19} (confira Jr 6:16, 7:3-7). Por que Deus iria oferecer aos israelitas tais escolhas se Ele já preordenou via decreto aquilo que Ele predeterminou que eles escolheriam? Quão injusto seria Deus por preordenar que uma pessoa deva "livremente" escolher a rebelião, quando tal pessoa não tem outra escolha além de se rebelar contra Ele? E quão irracional seria Deus por então reclamar e punir a pessoa que segue aquilo que Ele imutavelmente e predeterminadamente decretou para esta pessoa fazer?
Não seja enganado pelo pensamento que arminianos negam a soberania de Deus. Nada pode estar mais distante da verdade. O que arminianos negam é a insistência calvinista errônea e filosófica que Deus exaustivamente determina tudo que venha a ocorrer meramente a partir de um decreto divino. Fazemos isto porque a Bíblia não ensina tal coisa.
Deus certamente irá cumprir todas as coisas de acordo com o conselho de sua vontade (Ef 1:11). Mas não nos é permitido ir além e afirmar que Deus decretou todas as coisas, não pela presciência das ações livres mas de acordo com o Seu próprio conselho e vontade. Ele disse a Israel: {Jr 7:23} Israel desobedeceu o SENHOR, e Ele respondeu: {Jr 7:30}. Eles chegaram até mesmo a sacrificar seus filhos no fogo em nome de deuses falsos. O SENHOR respondeu: {Jr 7:31} (confira Jr 19:5). E ainda assim eles fizeram isto! Como? Pelo decreto predeterminado de Deus ou por sua própria malignidade? Arminianos afirmam a última, a resposta bíblica, enquanto calvinistas ficam com a primeira, errônea.
O Antigo Testamento chega a afirmar que algumas das intenções de Deus não vieram a se realizar, apesar da promoção calvinista contrária. O SENHOR disse: {Jr 13:11}.
O profeta Isaías confessou a mesma coisa acerca de DEUS construindo a Sua vinha: {Is 5:4}
Não vejo como alguém pode ler o Antigo Testamento e não concluir que o arminianismo está correto e o calvinismo errado.
2 META
- Autor: William W. Birch
- Link: http://evangelicalarminians.org/calvinisms-exhaustive-determinism-and-old-testament-scriptures/
- Arquivo: https://archive.fo/fHcRW