Efésios 1:3-4: Uma Explanação da Natureza Corporativa e Cristocêntrica da Eleição

1 Abstrata

Controvérsia e debate têm tomado a natureza da eleição, e provavelmente a mais ponderada passagem sobre o assunto é encontrada em Efésios 1. Esta tese proverá uma exegese extensiva de Efésios 1:3-4 em particular enquanto observando seu contexto mais abrangente dentro da epístola em geral. Com Efésios 1:3-4 como seu foco central, esta tese demonstrará o seguinte: Eleição é incondicional e corporativa em Cristo. Apesar de uma salvação individual ser certamente conhecida por Deus na eternidade passada, indivíduos não eram escolhidos por Deus para esta salvação. O incondicionalmente eleito é Jesus Cristo, e indivíduos são eleitos para salvação debaixo da crença em Cristo enquanto eles se tornam parte de um corpo corporativo em Cristo.

2 Eleição Corporativa em Efésios 1:3-4

Efésios 1:3-4 é, sem dúvida, uma passagem acaloradamente debatida sobre o assunto de eleição. Têm sido desde muito tempo a alegação da escola calvinista de pensamento que os versos 3-4 se referem à eleição incondicional individual de crentes cristãos 1. É inferido que Deus fez uma escolha pré-temporal de indivíduos particulares para serem salvos baseada unicamente em Sua boa vontade sem o cumprimento pela parte deles de qualquer condição que seja (i.e. escolha de crer em Cristo). Desta inferência, não existe espaço para a possibilidade de um indivíduo ter escolha genuína na salvação de sua alma. Então, a ideia que Deus salva alguém baseado na condição de sua fé em Cristo é contradita pela sua visão calvinista.

Claro, a visão da eleição incondicional nunca terá lugar para aqueles que discordam da teologia do calvinismo, e certamente não se encaixa bem com arminianos que afirmam escolha humana genuína na salvação bem como segurança condicional (i.e. Deus salva o homem que escolhe se arrepender e crer e sua glorificação é contingente ao seu permanecer na fé) 2. Têm existido geralmente duas maneiras que os arminianos têm lidado com passagens como Efésios, que tratam de uma eleição pré-temporal. Primeiro, arminianos clássicos têm argumentado que Deus elege, ou escolhe, crentes pré-temporalmente baseado em Sua presciência de nossa escolha em se arrepender e crer 3. Com esta visão, Deus é visto como tendo conhecimento passivo de nossa futura crença. Muitos calvinistas têm tido fortes objeções a esta visão baseada na ideia que a presciência de Deus deveria ser vista como um processo mais ativo em que Deus escolhe nos conhecer em relacionamento íntimo 4. Porém, outros arminianos têm escolhido uma linha de argumentação diferente contra o entendimento calvinista clássico. Eles postulam que a eleição em Efésios 1:3-4 concerne a eleição de um corpo corporativo de crentes em Cristo. Não é uma eleição do indivíduo, mas em vez disso uma eleição do corpo que todos os que crerão em Jesus Cristo para salvação podem fazer parte. Com esta visão, Cristo é apresentado como fundação da eleição da igreja em Efésios 1:3-4, e como o objeto de eleição em 1Pedro 2:6. Como a igreja é o corpo de Cristo (1Co 12:27), a eleição de Cristo inclui a eleição de seu corpo. Então, existe forte conexão entre a eleição da igreja e a eleição de Cristo 5.

A última posição será defendida e argumentada neste artigo. Tomando Efésios 1:3-4 como nosso ponto inicial, eleição corporativa pode ser mostrada como o correto entendimento da passagem mediante os seguintes meios: 1. Primeiro, atenção especial à linguagem corporativa eclesiástica presente nestes versos (i.e. o que significa o ἐν Χριστῷ) bem como seu uso ao longo da epístola 6. 2. Então, por um entendimento apropriado da frase no verso 4, "ele nos escolheu nele" (ἐξελέξατο ἡμᾶς ἐν αὐτῷ)…" 7, podemos demonstrar que isto se refere à eleição pré-temporal de Cristo, não de indivíduos. "Nós" (ἡμᾶς) neste verso refere-se ao corpo corporativo, e nós encontraremos a mesma linguagem corporativa enquanto comparamos outras Escrituras sobre eleição, aonde o único indivíduo referenciado na eleição é Cristo (1Pe 2:4-9). 3) Terceiro, veremos que eleição corporativa é verdadeira porque a doutrina da apostasia, do ponto de vita arminiano, é verdadeira. Esta faceta do argumento se hasteia em Efésios 1:4, e pode ser demonstrado que o destino do corpo corporativo de Deus, ser "santo e sem culpa (ἁγίους καὶ ἀμώμους)" ao final é certa somente para o corpo corporativo e não para o indivíduo.

3 Em Cristo

Deve ser primeiro notado que não é nem a linguagem corporativa de Efésios e nem o uso dos pronomes plurais nos versos 3-4 que demonstra que eleição corporativa é a visão acurada na interpretação desta passagem. Porém, o uso por Paulo desta linguagem é necessário neste ponto. Note que nossa eleição, incluindo as bênçãos espirituais que se levantam desta eleição, é cristocêntrica 8. Em outras palavras, é realizada e centrada em Cristo. Além disso, deve ser notado que cada vez que lemos sobre nós estando "em Cristo" em Efésios, a ideia é sempre descrita com nomes plurais. A carta de Paulo aos efésios foca na igreja como um corpo com Cristo como sua cabeça. Esta ênfase é especialmente realizada enquanto olhamos para passagens como Efésios 2:11-12 em que a igreja é descrita como "santo templo do Senhor" que é "edificada para morada de Deus no Espírito" (versos 21-22). Novamente, o corpo corporativo de crentes está "a crescer em todas as coisas naquele que é a cabeça, em Cristo, no qual o corpo todo" está sendo construído "em amor" (4:15-16). Portanto, quando Paulo usa pronomes como "nós" e "nos", ele está se referindo à igreja católica, o corpo corporativo de Cristo. Nesta seção responderemos duas questões importantes: 1) É a eleição de indivíduos especificamente mencionada em Efésios? E 2) É uma escolha individual pré-temporal individual consistente com o restante da teologia do Novo Testamento?

4 Eleição individual é especificamente tratada em Efésios?

Agora nós iremos olhar diversos exemplos em que encontraremos este pareamento de pronomes plurais com nossas bênçãos em Cristo. Note em 1:6 que nos foi dada a graça de Deus, "a qual nos deu gratuitamente no Amado;". Baseado no seguinte verso que está traduzido "em quem temos a redenção pelo seu sangue…", existe pouca dúvida que "o Amado" refere-se a Cristo. Ambos os versos 6 e 7 revelam a nós a natureza cristocêntrica e corporativa dos dons divinos da graça e redenção. Claro, eles são realizados temporalmente nas vidas dos indivíduos mediante sua fé em Cristo, mas aqui, eles se referem ao plano e propósito de salvação que foi estabelecida em Cristo como um plano para a plenitude dos tempos (versos 9-10).

Novamente, nos versos 11-14, o mesmo tipo de imagem é usado acerca de nossa herança. Por causa de nossa inclusão no corpo corporativo de Cristo, nós temos obtido esta maravilhosa herança, bem como o selo do Santo Espírito que é a garantia de nossa herança (1:14). Note nestes versos que não foi a escolha pessoal de Deus pelos indivíduos que nos garantiu coisa alguma. É somente a identificação com Cristo mediante fé que traz tal segurança de salvação. Mediante o crer, se é incluso no eleito corporativo (Ef 1:3-4). Com o eleito corporativo sendo o corpo de Cristo (1Co 12:27), Sua eleição (1Pe 2:6) foi essencialmente a eleição da igreja. Portanto, a referência de Paulo para o eleito corporativo (em Cristo) não pode ser separada do próprio Cristo.

Efésios 2:6-7 demonstra que a ênfase de Paulo é no eleito corporativo em Cristo. A igreja é vista como assentada em Cristo nos lugares celestiais. Aqueles de nós que têm sido salvos mediante fé em Cristo, apesar de nossa posição física em vida, podemos estar confidentes que nossa posição espiritual é assentado com Cristo à destra do Pai. Isto só pode ser possível se o apóstolo têm o corpo corporativo de Cristo em mente. Como corpo de Cristo nós estamos posicionados com Ele. Cristo obteve esta posição no Céu desde que Ele ascendeu da terra de volta para o Pai 9. Indivíduos, por outro lado, só experimentam esta posição em Cristo mediante crença. As "imensuráveis riquezas de Sua graça em benevolência para conosco" são disponíveis para todos que escolhem estar "em Cristo Jesus" (verso 7). Portanto, o corpo corporativo eleito sempre esteve assentado nos céus em Cristo, mas o que estes versos certamente não nos contam é que cada indivíduo crente sempre esteve lá.

Em 3:11, o apóstolo referencia o "eterno propósito de Deus que ele realizou em Cristo Jesus nosso Senhor". Poucos discordariam que a eleição é cristocêntrica, e este fato é especialmente realçado neste verso. Note no verso 12 que "…temos ousadia e acesso com confiança mediante nossa fé nEle". Não baseamos nossa confiança em uma eleição pré-temporal na qual fomos escolhidos antes de Cristo morrer por nossos pecados. Em vez disso, nossa confiança é baseada em uma verdade central - Jesus Cristo e Ele crucificado! 10 Uma expressão semelhante é encontrada em 2Tm 1:9, em referência a Deus, "… que nos salvou e chamou para um santo chamado… por causa de seu próprio propósito e graça, que ele nos deu em Cristo Jesus antes dos tempos começarem". O propósito de Deus foi em Cristo pré-temporalmente, mas note que nem na passagem de Efésios e nem na de 2Tm encontramos que alguns indivíduos foram escolhidos para salvação. Certamente, enquanto somos agora parte de um eleito corporativo, em retrospecto, este propósito de Deus foi por nós, mas não podemos concluir que o nós nesta passagem foi um grupo predeterminado de indivíduos eleitos. Porém, sabemos que Deus estabeleceu Seu propósito em Cristo "antes das eras começarem" para todos aqueles que agora são parte da igreja.

2Tm 1:10 explica como este propósito de Deus, salvação mediante Cristo, foi "manifesto pelo aparecimento de nosso Salvador Jesus Cristo" no tempo. Com Seu aparecimento, Jesus "aboliu a morte". Ele não aboliu-a para nós na eternidade passada, mas foi em Sua cruz que Ele triunfou sobre a morte (Cl 2:13-15). Se indivíduos, ainda não existentes, já foram colocados em Cristo pré-temporalmente com todos os benefícios e benesses da salvação (Ef 1:3) mantidos asseguradamente, destinados para vida eterna, então por que a obra redentora de Cristo no primeiro século AD? Como qualquer das bênçãos da salvação ser efetiva sobre nós antes da obra finalizada de Cristo? Alegar isto parece tornar a missão redentora de Cristo um "espalhafato divino", um mero símbolo do que Deus já havia completado na eternidade passada 11. Seria mais consistente com a Escritura, que claramente vê a cruz como necessária para nossa salvação, manter que o eterno propósito de Deus foi que a salvação viria mediante Cristo, não que certos indivíduos foram eleitos pré-temporalmente.

5 Uma eleição pretemporal individual é consistente com a teologia do Novo Testamento?

A necessidade da vocação redentora de Cristo deve ser suficiente para nós entendermos que a salvação e eleição de indivíduos não ocorre pré-temporalmente mas, em vez disso, ocorre no tempo assim que a pessoa coloca sua fé em Jesus Cristo. Porém, existe outra faceta da teologia do Novo Testamento que serve para demonstrar que a eleição de Efésios 1:3-4 é corporativa. Devemos novamente notar o conceito de nossa eleição. Quando vem o testemunho do restante do Novo Testamento, o fato de se estar em Cristo vem com benefícios explícitos. A frase é sempre vista como inclusão salvífica de todos os benefícios que pertencem a nós mediante fé em Cristo.

Uma breve visão da teologia do "em Cristo" de Paulo a partir de sua epístola aos romanos demonstra este ponto. Nossa justificação é realizada "mediante a redenção que está em Cristo Jesus" (Rm 3:24). "Pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (8:1). Em Cristo somos livres da lei do pecado e da morte (Rm 8:2). Se Cristo está em nós, o que é igualado a nós estando nEle (Jo 14:20-21), temos vida no Espírito (Rm 8:10). Somos beneficiários do amor de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor (8:39). A mensagem é clara: Estar em Cristo é ter salvação.

Então como isto apresenta um problema para uma visão que afirma eleição pré-temporal individual? Esta interpretação é problemática porque eleição pré-temporal, como delineada em Efésios 1:3-4, é "em Cristo". Como apontado acima, todos os benefícios da salvação são "em Cristo". Um destes benefícios seria o fato de que não há condenação. Para a teologia calvinista permanecer consistente com esta interpretação de Efésios 1:3-4, ela teria de concluir que indivíduos eleitos para salvação estavam livres da condenação no momento que foram eleitos "em Cristo" na eternidade passada. Além do fato de ser absurdo para alguém ser retirado da condenação antes de ter entrado nela, este conceito também é a-escritural. Jo 3:18,36 deixa claro para nós que aqueles que presentemente não creem também estão presentemente debaixo de condenação. Calvinistas concordariam que todos os que não creem em Cristo estão em tal estado, mas novamente, eles o fazem de maneira inconsistente com sua teologia. Pois em sua moldura interpretativa, indivíduos foram eleitos em Cristo antes mesmo de crerem. É logicamente impossível para alguém estar "em Cristo" e debaixo de condenação ao mesmo tempo (Rm 8:1).

A descrição de Andrônico e Júnia, dado para nós pelo Apóstolo em Romanos 16:7, é bastante pertinente ao assunto da eleição pré-temporal individual. Paulo estabelece que eles estavam "em Cristo" antes dele. O simples significado do texto é, claro, que sua conversão ocorreu cronologicamente antes da de Paulo. Mas Paulo usou a frase específica ἐν Χριστῷ. Se Efésios 1:3-4 estiver falando da eleição individual em vez da corporativa, então teremos uma contradição aqui. Eleição em Cristo ocorreu antes do tempo. Portanto, se indivíduos foram eleitos em Cristo antes do tempo, qualquer afirmação, como esta que temos em Romanos 16:7, seria sem significado. Porém, se entendermos que uma pessoa está "em Cristo" apenas sob sua conversão, não em um decreto pré-temporal de Deus, então a afirmação de Paulo aqui faria perfeito sentido. Portanto, devemos ser convenientemente capazes de descartar a interpretação de eleição individual em Cristo em Efésios 1:3-4.

6 A Eleição de Cristo

Em Efésios, vemos a eleição de um corpo e um plano. O corpo é a Igreja, e o plano é salvação mediante Jesus Cristo. Esta eleição foi pré-temporal mas não vemos nunca esta eleição como sendo inclusiva de certos indivíduos enquanto exclusiva de outros. Nesta seção, a eleição pré-temporalserá demonstrada como abrangida em uma eleição – a eleição de Cristo. Em Cristo, nós encontramos o cumprimento não apenas do plano de salvação, mas o objeto da salvação que é a igreja. As Escrituras apontam para Deus planejando um destino para o corpo do Eleito sem determinar quem teria ou não acesso pela fé à incorporação neste corpo. Abaixo, a eleição de Cristo com relação a Seu corpo eleito será comparada com a eleição de Israel e sua relação com aqueles dentro da nação. Veremos que a eleição de Cristo é a única eleição pré-temporal de um indivíduo especificamente mencionada no Novo Testamento 12.

7 Israel e Messias, os Eleitos de Deus

Assim como Israel como nação foi eleita por Deus no Antigo Testamento, Cristo é o eleito corporativo no Novo Testamento. Uma comparação dos dois conceitos nos ajudará em entender nossa eleição como crentes do Novo Testamento. Em Isaías 41:8-9, Deus diz a Israel:

[8] Mas tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem escolhi, descendência de Abraão,

[9] tomei desde os confins da terra, e te chamei desde os seus cantos, e te disse: Tu és o meu servo, a ti te escolhi e não te rejeitei;

A eleição desta nação como descendência de Abraão é descrita aqui como corporativa em seu escopo retro-relacionando um indivíduo como sua base - a escolha de Abraão por Deus (Ne 9:7). Agora note Is 42:1 em referência ao Messias, Deus diz: "Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele. Ele trará juízo aos gentios". As descrições do Messias eleito (indivíduo) e o Israel eleito (corporativo) são ambas de servos de Deus. No Novo Testamento, se torna mais claropara nós que a eleição de Israel prefigura Cristo, mas aqui vemos esta verdade implícita nas passagens acima mencionadas.

A Igreja é descrita como o Israel de Deus em Gálatas 6:16 13. Como o Israel nacional foi eleito em sua relação com Abraão, a Igreja também se torna recipiente das promessas de Abraão mediante Jesus Cristo (3:14). A aliança feita com Abraão foi na realidade confirmada em Cristo, que é semente de Abraão (3:16-17), e todos que estão em Cristo se tornaram agora semente de Abraão (3:29). Este ensino de Gálatas nos diz muito sobre a natureza corporativa da eleição. Nossas promessas e nessa salvação têm tudo a ver com a escolha de Jesus Cristo por Deus. A eleição de Abraão foi eficaz para todos aqueles que seriam parte de Israel, e a eleição de Cristo é eficaz para todos aqueles que são parte da igreja. Nem na escolha por Deus do Israel nacional nem em Sua escolha do corpo corporativo de Cristo encontramos uma decisão de salvar alguns enquanto rejeitando, ou pior, reprovando, outros. Nós simplesmente temos a eleição de Um que trará bênçãos para todos aqueles que são encontrados em identificação com Ele.

No caso de Israel, este ponto é facilmente ilustrado do Antigo Testamento. Estar em relação física com Abraão ou o resto da nação de Israel não garante a eleição de alguém, mas era a identificação espiritual com Israel que determinava a salvação (cf. Rm 9:6). Este era o caso de Rute (Rt 1:6) e Raabe (Js 6:17). Ambas foram salvas or causa de seu reconhecimento e fé no Deus de Israel. Menção também deve ser feita dos muitos persas convertidos ao judaísmo que vemos em Ester 8:17. Salvação estava aberta àqueles gentos e eles partilhavam da eleição de Israel, não importando sua origem nacional. Portanto, o único conceito de eleição no Antigo Testamento é o corporativo, não o individual.

Interessantemente, o inverso também é verdadeiro. O nascimento como israelita não garantia que alguém fosse partilhar da eleição de Israel. Em Romanos 3:1-2 está clar que a Israel foi dado muito privilégio nacional, mas baseado em Rm 2:28-29, 9:6, vemos que estas bênçãos nacionais não eram suficientes para a salvação. A eleição a que me refiro é bem diferente. É um Israel dentro de Israel no que "nem todos os que descendem de Israel pertencem a Israel" (9:6) 14. Pois nós vemos que muitos israelitas, antes e depois de Cristo, falharam em ser salvos por causa da descrença e foram cortados das bênçãos do Israel corporativo eleito (Rm 11:17-24). Portanto, enquanto o destino do eleito corporativo é certo, indivíduos podem ser acrescidos ou retirados do eleito.

8 Eleição incondicional de Cristo

Em Efésios 1:3-4, a eleição é colocada "antes da fundação do mundo". Conpletamente forasteiro ao texto é qualquer atividade ou mérito humano como fator na escolha de Deus. Portanto, pode ser descrita corretamente como sendo incondicional. Mas como foi demonstrado acima, Efésios é um livro sobre o corpo universal, e como ilustrado em Israel, indivíduos podem ser acrescidos ou subtraídos deste corpo. Seguiria então que a eleição incondicional pré-temporal descrita nesta passagem não é uma eleição de indivíduos. Correlacionando esta passagem com o que nós achamos em 1Pedro 2 demonstrará adicionalmente que Cristo é o Eleito mediante Quem somos eleitos somente debaixo de nossa crença nEle.

Em 1Pedro 2:6, o apóstolo cita Isaías 28:16 em referência a Cristo. O Senhor Jesus é aqui retratado como uma "pedra angular, escolhida [ἐκλεκτὸν] e preciosa". Não há outro eleito mencionado nesta passagem além de Jesus Cristo. Note, porém, que há algo como um convite a tomar parte da eleição desta pedra com a frase "quem nele crer não será envergonhado". Mediante a crença no Eleito, temos salvação. No verso 9, pedro explica nossa permanência no Eleito usando a linguagem corporativa que ecoa da nação de Israel chamando-os de "raça eleita, sacerdócio real, povo santo para sua possessão". Verso 10 aponta para nosso passado relembrando-nos que antes "não éramos povo" mas agora somos "povo de Deus". Como indivíduos que estavam uma vez fora de Cristo, nosso passado serve para explicar que nossa permanência em Cristo é contingente ao nosso crer nEle (verso 6). Isto segue logicamente do fato que não éramos considerados "um povo" até nosso encontro com Filho eleito de Deus. A salvação desta forma descrita não foi baseada numa escolha pré-temporal mas em nossa fé e subsequente entrada no eleito corporativo. Agora, somos parte desta "santa nação" (verso 9).

9 Destino do Eleito

O destino do eleito em Efésios 1:3-4 parece certo e claro. O eleito de Deus foi escolhido antes do tempo para ser "santo e sem culpa" (ἁγίους καὶ ἀμώμους). Esta descrição refere-se à condição escatológica da igreja quando ela é apresentada diante de Cristo (Ef 5:27). Certamente, não pode adentrar a presença e glória de Deus quem não foi lavado pela "água com a palavra" encontrado para ser "santo e sem culpa" (ἁγία καὶ ἄμωμος). Enquanto o destino do eleito em Efésios 1 parece ser a garantia de seu estado de santidade e não-culpabilidade, o destino dos indivíduos não é incondicional ou certo neste quesito.

Como Shanks coloca, "o eterno propósito de Deus em graça" é que devamos ser santos e sem culpa. Enquanto o "cumprimento corporativo" de Deus é delineado em Efésios 5:27, o "cumprimento individual" é encontrado em Colossenses 1:22-23 15. Aqui, estamos seguros que seremos apresentados "santos e sem culpa" (ἁγίους καὶ ἀμώμους) se nós "continuarmos na fé, firmes e fundados, não se desviando da esperança do evangelho que tem ouvido…". Desta passagem, deve ser entendido que a eleição do indivíduo é contingente à sua perseverança em fé.

Alguns apontariam que a condição nestes versos é uma condição real com seu uso de εἴ (se) e o modo indicativo. Tipicamente no Novo Testamento tal afirmação condicional assume que a prótase (cláusula se) ou é plenamente verdadeira ou plenamente contrária ao fato (indicada pela partícula άν). No caso de Colossenses 1:23 pode ser dito que seremos apresentados santos e sem culpa desde que estamos permanecendo na fé, onde a prótase é uma realidade assumida 16. Mas esta interpretação deveria ser aplicada somente se a prótase contém uma realidade objetiva conhecida. A prótase nas condições reais não é necessariamente entendida como absoluta. Dunn escreve acerca da cláusula condicional: "εἴ γε pode denotar confidência acima de dúvidas (cf. seu uso em 2Co 5:3, Ef 3:2, 4:21), mas aceitação final não obstante é dependente de permanecer na fé" 17. Portanto, Colossenses 1:22-23 deve ser entendido como uma admoestaçãopara crentes genuínos continuarem em fé. Tal passagem de advertência não deveria ser surpresa. Pois há muitas passagens no Novo Testamento no qual são dadas aos crentes tais demandas para perseverar (cf. Romanos 11:22, Hebreus 3:6, 1Coríntios 15:1-2) bem como alertas para crentes contra apostasia (cf. Hebreus 6:4-6, 10:26-29, 2Pedro 1:6-12, 2:20-22) 18.

As implicações desta interpretação provam ser bastante dissensivas entre estudiosos. Se é entendida que uma aceitação individual final e glorificação do crente por Deus são condicionais sob sua continuação em fé, Efésios 1:3-4 não pode ser referência à eleição individual. Pois, sem questão, a escolha de Deus nestes versos é uma eleição pré-temporal incondicional, não baseada em qualquer outro fator além do "propósito de sua vontade" (verso 5). Seria eisegese inserir alguma influência em Deus como fator decisivo em Seu ato de eleger a igreja como um corpo corporativo. Presciência da crença futura está totalmente ausente e não deveria ser usada para explicar eleição em Efésios. Porém, lendo Colossenses 1:22-23, vemos que existe uma condição colocada na eleição dos indivíduos - perseverança. Considerando o aspecto condicional de Colossenses 1 e o aspecto incondicional de Efésios 1, é racional qaue eles não podem se referir à mesma eleição. Portanto, Efésios 1:3-4 é uma referência ao eleito corporativo desde que ela não pode se referir à eleição condicional de indivíduos.

10 Respondendo a Objeções Contra uma Interpretação Corporativa

Com a posição da eleição corporativa se tornando uma visão proeminente entre muitos estudiosos arminianos, têm havido um grande rebuliço de críticas contra ela. Como explicado na seção precedente, proponentes da eleição corporativa interpretam Efésios 1:3-4 numa luz muito diferente da dos seus irmãos calvinistas. Naturalmente, muitas das críticas levantadas centram-se nesta passagem. Da forma que está, aqueles da tradição reformada estão de todo não convencidos de uma interpretação corporativa e as objeções que eles levantam merecem detida consideração. Esta seção buscará prover algumas respostas.

10.1 Objeção No. 1: Eleição se refere à escolha a partir de um grupo

Esta objeção questiona a eleição corporativa, postulando que "escolha de um grupo" não pode se referir ao corpo corporativo desde que esta ideia se baseia completamente na eleição de Cristo. Obviamente, Cristo não poderia ser escolhido de um grupo dado Sua unicidade.Portanto, o corpo corporativo deve ser uma referência a indivíduos que foram escolhidos do mundo. Porém, é a própria eleição de Cristo que prova que este termo tem um significado mais flexível. Jesus é o Eleito de Deus (cf. Lucas 9:35, 1Pedro 2:6), e certamente Ele não foi escolhido dentre muitos.

Crawford levanta esta objeção inicial em seu artigo sobre a natureza da eleição, e ele argumenta ppor um entendimento literal de "eleitos" em Efésios 1:4 significando "escolhidos de um grupo". Mas ele responde ao ponto da eleição de Cristo afirmando, "Seria infeliz usar a eleição de Cristo como padrão para definir o significado da palavra, desde que Ele é único em cada aspecto e certamente é distinto da humanidade caída em matéria de eleição 19. Pode estar correto que a eleição de Cristo não pode ser usada como padrão para determinar o significado da palavra. Porém, isto parece se desviar do foco do argumento. Uma interpretação apropriada da passagem não deixa espaço para nenhuma outra eleição além dqa do corpo corporatovo de Cristo. A natureza corporativa da epístola juntamente com a ideia do eleito em Cristo como parte de Seu corpo, assentado atualmente com Ele nos lugares celestiais (Ef 2:11-22) demonstra isto. Também, dado o fato que a eleição de indivíduos é mostrada em outro lugar como sendo condicional (cf .Cl 1:22-23), nenhuma outra opção é deixada para interpretação do eleito incondicionalmente em Efésios 1:3-4. Portanto o argumento corporativo não tenta usar a eleição de Cristo para modificar o uso normativo da palavra. Pelo contrário, o argumento afirma que somente a eleição de Cristo é intencionada.

10.2 Objeção No. 2: A Eleição de Cristo Não É Paralela à Eleição dos Cristãos 20

Esta objeção realça as diferenças entre a escolha por Deus de Cristo e a escolha por Deus dos crentes. Cristo foi escolhido para ser o Salvador do mundo, enquanto cristãos são escolhidos para serem salvos de seu pecado. Portanto, as eleições deles não podem ser as mesmas. Este é um argumento lógico, mas falha em tomar muitos fatores em consideração. Efésios 1:3-4 se correlaciona com Efésios 5:27. Em ambas as passagens, o eterno propósito de Deus é que a igreja seja ἁγίους καὶ ἀμώμους. A igreja é descrita implicitamente em Efésios como o corpo de Cristo (2:5-6) e explicitamente em 1Coríntios 11:27. Então, não seria incorreto ver a eleição da igreja (Ef 5:27) para ser santa e sem culpa como a eleição de um corpo corporativo em Cristo (1:3-4). Segundo, dada a unicidade de Cristo, não seria inconsistente ver Sua eleição como corpo corporativo, santo e sem culpa para todos os que creriam, e também como Salvador e pedra angular (1Pe 2:6). Cristo serve como locus standi de nossa eleição enquanto ao mesmo tempo Ele é escolhido para ser o meio pelo qual a eleição é feita possível.

10.3 Objeçao 3: Efésios 1:4 não diz que Cristo foi eleito

Em Efésios 1:4 o texto se lê "Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor." A real questão está no significado de ἡμᾶς neste verso. Como nosso argumento já enfatizou, não é provável que refira-se a indivíduos porque eleição individual é vista como condicional, enquanto a eleição nestes versos é vista como incondicional. Ainda assim, Schreiner afirma, "É incorreto ver a ênfase na eleição de Cristo na medida em que o verso enfatiza a eleição de pessoas" 21. Ele continua a argumentar que mesmo que a eleição fosse corporativa, o corpo corporativo ainda é composto de indivíduos. Caso contrário, "Deus simplesmente escolheria que existe uma 'coisa' chamada igreja, e então ele decide que todos aqueles que depositam sua fé em Cristo tornam-se parte da igreja" 22.

Primeiro, eu estou ciente que nenhum defensor da eleição corporativa adota essa ideia. Schreiner caricaturou a posição, criando um argumento espantalho. Deus não decide que existe uma "coisa" chamada igreja e que quem crer tornar-se-a parte dessa coisa. Em vez disso, Deus escolheu uma pessoa - Jesus Cristo - e Ele decidiu que o plano de salvação aconteceria mediante Cristo (Ef 3:10-12; 2 Tm 1:9-10). Quando Schreiner finalmente oferece termos que representam a posição mais precisamente (i.e. eleição em Cristo), ele dispensa a ideia ao estabelecer que não é dito que Cristo foi eleito em Efésios 1:4. 23. Com isto, não há questão que ἡμᾶς é o objeto da Escolha de Deus. Mas, novamente, este pronome é modificado pela frase preposicional ἐναὐτῷ com Cristo sendo o nome antecedente para αὐτῷ. Isto coloca Cristo como a fundação da nossa eleição. Se a igreja universal está sendo referida neste verso, nós podemos concluir que refere-se ao corpo de Cristo (1Co 12:27). Dado este fato, seria incorreto separar a eleição do corpo de Cristo da eleição do próprio Cristo (1Pe 2:6), mesmo que na passagem ele seja apresentado como a fundação de nossa eleição. Neste sentido Cristo é O Eleito que é cabeça do corpo, e ainda ao mesmo tempo ele é a fundação necessária que tina possível haver um corpo eleito.

Uma inteerpretação que vê certos indivíduos eleitos em Cristo tem muitos problemas por si só. Como mencionado acima, para indivíduos estarem "em Cristo" desde a eternidade passada, não existe explicação adequada para como eles estariam em condenação antes de serem regenerados (Jo 1:18, 36) considerando o fato que nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo (Rm 8:1). De qualquer forma, a correlação apropriada da Escritura nos levará a 1Pe 2:6 onde Cristo é O Eleito, e todos os que colocam sua fé nEle são salvos.

10.4 Objeção No. 4: "Nos escolheu nEle" Simplesmente Significa Que Deus Escolheu Que Nós Eventualmente Seríamos Salvos Mediante Cristo

Parece que calvinistas têm previsto o problema supramencionado acerca dos eleitos estando "em Cristo" desde a eternidade passada, e mesmo assim também estando debaixo de condenação antes de sua regeneração. Isto, é claro, seria inconsistente com o testemunho do Novo Testamento concernente à salvífica expressão "em Cristo" 24. Portanto, eles argumentam que Efésios 1:4 não é sobre eleição em Cristo per se. Em vez disso, é sobre a escolha por Deus de homens que eventualmente seriam salvas mediante Cristo 25. Um incrível montante de eisegese é requerido a fim de chegar neste ponto. Uma leitura simples do texto nos diz que nossa eleição foi em Cristo e esta eleição foi "antes da fundação do mundo".

A fim de o significado sugerido ser verdadeiro, o texto precisaria ser lido "Ele nos escolheu para estar nEle antes da fundação do mundo". Leslie James Crawford ainda alega, "A fórmula [ἐν Χριστῷ] explicaria portanto a condição do eleito quando sua eleição é realizada. A realização histórica da atividade eletiva de Deus é a união mística do eleito com Cristo" 26. Esta visão, porém, desconsidera que a eleição em Cristo toma lugar pré-temporalmente significando que a união mística do eleito com Cristo não é realizada na história mas em vez disso antes da fundação do mundo. Portanto, o problema calvinista acerca dos eleitos que são condenados enquanto, ao mesmo tempo, em Cristo, persiste.

10.5 Objeção No. 5: Os Eleitos Estão Eternamente Seguros

A verdade da apostasia na Escritura é um fator que torna a eleição corporativa tão convincente. Nesta visão, a participação de alguém entre os eleitos não garante sua salvação final. Indivíduos podem ser adicionados aos eleitos bem como arrancados bem como encontramos na ilustração da oliveira de Paulo (Rm 11:17-24). Portanto, desde que eleição individual é contingente à crença e perseverança, a eleição incondicional de Efésios 1 não pode ser aplicada a indivíduos. Mesmo assim, calvinistas manteriam que o raciocínio por detrás disso é falho porque os eleitos estão eternamente seguros sem qualquer perigo de apostatar ou abandonar sua salvação. Tratamento extensivo poderia ser dado para a doutrina da apostasia, mas para esta objeção seria melhor olhar para uma passagem em particular que leva calvinistas, bem como alguns não-calvinistas, a manter tão fortemente a segurança eterna 27.

Romanos 8:28-30 é uma passagem que parece apoiar segurança eterna, e calvinistas estão corretos em enfatizar a importância desta passagem acerca do debate de salvação como um todo. Charles Hodge comenta sobre Romanos 8:29-30, "Eleição, chamado, justificação, e salvação estão indissoluvelmente unidas; e portanto, aquele que tem clara evidência de ser chamado tem a mesma evidência de sua eleição e salvação final" 28. Com esta cadeia inquebrável, seria certo que aquele que é justificado será glorificado. Portanto, se a glorificação de alguém está assegurada no momento da justificação, não há temor em perder a salvação no tempo entre elas.

Porém, por mais convincente que este argumento possa ser, não há nada na passagem que sugira que aqueles que são justificados inevitavelmente serão glorificados. Em vez disso, só pode ser dito que todos os que serão glorificados certamente serão uma vez justificados. Witherington nota, "Os tempos dos verbos aqui fazem claro que devemos tomá-las como se Paulo estivesse olhando as coisas de um fim escatológico do processo em que mesmo a glorificação já transpirara" 29. Portanto, como esta é a percepção dos eventos após eles terem transpirado, eles podem ser afirmados com tal certeza. O que não é provado é que todos aqueles que são justificados serão glorificados mais do que todos aqueles que são chamados serão definitivamente justificados. Muitas instâncias podem ser mostradas nas quais uma chamada para salvação foi dada na Escritura e então rejeitada por homens que se recusaram a arrepender-se (cf. Mt 23:37, At 13:46, Hb 12:25). Portanto, a "cadeia dourada da redenção" não é indissolúvel na realidade, e uma hermenêutica apropriada de Romanos 8:29-30 não apresenta qualquer problema para uma interpretação corporativa de Efésios 1:3-4.

11 Eleição e Presciência

Como mencionado acima, muitos estudiosos evangélicos mantêm que a eleição para salvação é baseada somente na presciência divina da fé em Cristo. Neste sentido, Deus tem um conhecimento passivo da futura fé de uma pessoa. Portanto, em Romanos 8:29-30, Deus predestinou os eleitos à salvação somente porque Ele pré-conhecia que eles creriam. Para a maioria dos estudiosos calvinistas, esta visão de presciência é inadequada. Eles mantêm que pré-conhecer é pré-amar "" 30. Neste sentido, calvinistas têm postulado que presciência e eleição são um e o mesmo 31.

Para a nossa presente discussão, nós devemos determinar como a presciência de Deus se relaciona com a eleição. Na seção acima, eu demonstrei que eleição é pré-temporal, mas que ela não inclui indivíduos. Outros estudiosos evangélicos têm postulado que ela inclui indivíduos, mas somente aqueles que Deus previu que creriam. Nesta seção, estará uma examinação de passagens que parecem relacionar eleição à presciência de Deus. Também, um esforço em direção ao correto entendimento de presciência será posta enquanto examinamos a alegação calvinista de que presciência se refere a pré-amor. Esta seção servirá para demonstrar que eleição pré-temporal não é baseada em qualquer fator de influência externo a Deus. Além disso, a visão calvinista que presciência na realidade é a eleição por Deus de indivíduos também será refutada. Isto deixar-nos-á com a conclusão de que eleição pré-temporal é corporativa e incondicional, em oposição a ou individual e condicional ou individual e incondicional.

12 Deus Elege Baseado na Presciência da Futura Crença?

Primeiro, devemos observar Efésios 1:3-4. Esta passagem fala tão claramente sobre a doutrina da eleição quanto qualquer outra passagem do Novo Testamento. Se eleição fosse baseada na presciência de Deus da crença do homem, poder-se-ia esperar a ideia aparecendo em algum lugar neste texto. Porém, o conceito da eleição de Deus baseada em qualquer condição que seja é completamente forasteira ao texto. Não se pode provar nada a partir de um argumento do silêncio, mas pode ser pelo menos admitido que o silêncio nesta passagem é bem inconveniente para aqueles que mantêm uma eleição baseada em presciência. Calvinistas como James White são rápidos em apontar, "Ao menos que se insira algum conceito nesta passagem de fora, está clara a intenção do autor em colocar sua decisão completamente fora do domínio da atividade humana colocando-a nos domínios atemporais da eternidade" 32. Baseado unicamente em Efésios 1:3-4, não temos base para inserir presciência no ato divino de eleição.

Segundo, Romanos 8:29-30 bem como 1Pedro 1:2 podem ser trazidos à consideração. Estes textos são comumente apelados a fim de afirmar uma eleição baseada em presciência. Romanos 8:29 afirma, "Porque os que previamente conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" {Rm 8:29 AR}. Pode parecer deste verso que predestinação é pelo menos baseada em presciência. Em 1Pedro 1:2 temos Pedro abordando os exilados que foram "eleitos de acordo com a presciência de Deus Pai". Portanto, baseado nestas passagens somente, pode-se facilmente concluir que a eleição de Deus deve basear-se na presciência.

Uma exegese mais completa será oferecida para ambas as passagens acima, mas podemos eliminar uma eleição baseada em simples presciência com a consideração de uma simples questão posta por S.M. Baugh, "Quem Deus não conhece cognitivamente?" 33 A resposta, obviamente, seria ninguém. Esta simples questão mostra que a interpretação por presciência deixa a desejar. Em Romanos 8:28-30 bem como 1Pedro 1:2, não somos informados que uma presciência de nossa crença é referida. Isto nos devolve à questão de Baugh. A posição de uma eleição baseada em presciência não pode provar o que é realmente conhecido por Deus. Portanto, somos deixados com a ideia básica que Deus simplesmente conhece de antemão o indivíduo, não necessariamente baseado em qualquer escolha feita por aquele indivíduo, e a maior parte dos evangélicos concorda que Deus, em sua onisciência, pré-conhece cada indivíduo. Se alguém mantém que presciência é a base para eleição, ele é praticamente forçado a aceitar que presciência se refere a relacionamento de amor oposto a mera presciência baseada no fato que Deus teria mera presciência de qualquer um que tenha nascido. Por bem, esta não é a única maneira de interpretar eleição ou os textos supramencionados. De qualquer jeito, o argumento da presciência é baseado numa suposição que não pode ser derivada do texto, a saber, que a presciência de Deus inclui nossa escolha de crer.

13 Presciência É Equivalente à Eleição?

A conclusão que pré-conhecimento não se refere à presciência da crença é justificada. Porém, ainda se fica com a ideia de πρόγνωσις. Como mencionado acima, a visão calvinista clássica tomará isto como significando praticamente eleição. Deve ser mencionado, porém, que não existe base para isto etimologicamente. De fato, podemos apontar passagens em que a palavra é definitivamente usada no sentido de presciência. Em 2pedro 3:17, encontramos o uso particípio da palavra, e é precisamente traduzida "conhecido de antemão". Não há ideia contida na passagem de uma relação de amor para este caso. É simplesmente conhecimento à frente do tempo.

Sua forma verbal, προγινώσκω, é usada duas vezes no Novo Testamento co Deus como sujeito na voz ativa (Rm 8:29, 11:2). Romanos 11:2, em particular, demonstra que não há mérito em aceitar que presciência refere-se à decisão de Deus em salvar indivíduos. A referência nesta passagem é para a presciência de Deus sobre Israel. Se este fosse um conhecimento salvífico pessoal de Israel, o argumento dos objetores judeus seria válido, i.e., Deus pré-conhecia Israel, e presciência é a escolha de Deus em salvar. Portanto, Israel deve ser salvo. Porém, Paulo explica em sua metáfora da oliveira que muitos dos galhos de Israel foram arrancados devido à descrença (Rm 11:20). Isto é seguido de uma advertência severa do apóstolo para os crentes contra apostasia (11:21-22). O alerta de Paulo para crentes contra eles serem cortados serve para demonstrar que presciência não é uma escolha incondicional feita por Deus para salvar certos indivíduos. Israel foi previamente conhecida por Deus, mesmo assim muitos dentro da nação falharam em ser salvos. Crentes em Cristo, também são pré-conhecidos por Deus (cf. Rm 8:29, 1Pe 1:2), mesmo assim podem ser cortados tanto quanto os israelitas descrentes.

Infelizmente, estas inferências injustificadas são geralmente aplicadas a passagens contendo o termo presciência. Como demonstrado acima, inferir que eleição é baseada na presciência da crença é eisegese. E uma visão calvinista, não menos, pode ser culpada de supertraduzir o termo. Porém, geralmente existe boa razão para concluir que a presciência de Deus pode ser usada para Sua escolha determinada. Por exemplo, Barnes corretamente observa, "Pedro declara que Cristo foi pré-conhecido antes da fundação do mundo (1Pe 1:20), significando que foi o plano e propósito de Deus enviá-lo para o mundo" 34. Esta interpretação dificilmente pode ser negada do contexto, mas a palavra em si deve ser examinada à luz do contexto de cada passagem individual. Seria incorreto aplicar este significado particular a cada passagem em que o termo é usado, bem como seria hermenêutica imprópria aplicar seu significado em 2Pedro 3:17 (presciência simples) para 1Pedro 1:20. Enquanto lidamos abaixo com 1Pedro 1:1-2 e Romanos 8:28-30, a palavra presciência não terá qualquer significado assumido.

14 1Pedro 1:2

1Pedro 1:1-2 é talvez a mais clara conexão no Novo Testamento entre eleição e presciência. O termo que devemos primeiro examinar é o adjetivo ἐκλεκτοῖς. Na frase encontrada em 1Pedro 1:1 ele modifica παρεπιδήμοις διασπορᾶς. Portanto a ESV traduz, "eleitos exilados da dispersão". Deve ser notado como esta frase particular traz o conceito de eleição corporativa. Certamente o corpo inteiro de Cristo não está sendo referenciado aqui, então nós aparentemente veríamos os exilados como possuindo uma eleição individual. O mesmo poderia ser dito da "dama eleita" e sua "irmã eleita" de quem lemos em 2Jo 1:13. Porém, esta terminologia não deveria ser levada a significar que eles foram eleitos desde a fundação do mundo. "Quando pessoas adentram em Cristo então não apenas Sua morte se torna a morte deles, mas Sua eleição se torna a eleição deles. Eles são escolhidos nEle, e esta escolha foi estabelecida mesmo antes da fundação do mundo" 35. Portanto, não é a escolha de indivíduos para estar em Cristo que temos aqui. Em vez disso, Em vez disso, temos um adjetivo descrevendo o estado do crente em Cristo.

Verso 2 atribui ao termo eleito três sentenças preposicionais modificadoras. Elas são

  • κατὰ πρόγνωσιν θεοῦ πατρός
  • ἐν ἁγιασμῷ πνεύματος, e
  • εἰς ὑπακοὴν καὶ ῥαντισμὸν αἵματος Ἰησοῦ Χριστοῦ.

É correto afirmar que estes exilados foram eleitos "de acordo com a presciência de Deus Pai". Porém, seria fácil tomar uma abordagem bem limitada para esta passagem sem considerar que nossas três frases preposicionais poderiam na realidade modificar toda a informação precedente de acordo com a gramática da passagem, não apenas o termo eleito 36. Portanto, presciência pode fazer sentido se usado mais largamente para referir-se ao conhecimento de Deus e interesse com a situação atual dos exilados bem como o apostolado de Pedro (verso 1). Limitando a interpretação a uma escolha determinativa de certos indivíduos não é garantido baseado na gramática ou no contexto 37.

15 Romanos 8:28-30

Romanos 8:28-30 não menciona eleição per se. Porém, a maior parte dos calvinistas faz pouca diferença entre presciência e eleição. Também, os elementos descritos no verso 29 são definitivamente salvíficos e devem ser considerados no mínimo como sendo benefícios da eleição. Como Shank coloca, "Predestinação é a predeterminação de Deus da circunstância eterna da eleição; filiação e herança como co-herdeiros com Cristo (Ef 1:5-11) e glorificação junto a Cristo em total conformidade com Sua imagem (Rm 8:28-30)" 38. Então a fim de entender o verdadeiro entendimento da relação entre presciência e eleição, esta passagem é bem importante.

Primeiro, devemos examinar o termo προέγνω. A definição dantes mencionada tipicamente atribuída a esta palavra pelos calvinistas não pode ser tomada como uma definição necessária em cada caso. Alguns estudiosos calvinistas têm descrito "dantes conheceu" nesta passagem como sendo uma referência à "escolha de Deus em entrar em relacionamento de amor com os eleitos antes mesmo de virem à existência, quer dizer, desde a eternidade passada" 39. Com esta visão em mente, presciência não deveria ser considerada suficiente para descrever o relacionamento entre o eleito e Deus. Isto toca em um conceito interessante no modelo interpretativo calvinista. Ou esta tão-alcunhado "relacionamento de amor" é apenas um relacionamento ideal na mente de Deus que olha para o futuro quando o relacionamento será atualizado no tempo, ou é um real relacionamento em que Deus adentrou com uma pessoa antes mesmo de eles existirem.

Com muito de sua ênfase sendo posta em conhecer como um termo pactual, pareceria que a escola calvinista de pensamento deva adotar esta última ideia de um real relacionamento entre Deus e uma pessoa não-existente. S. M. Baugh comenta sobre Amós 3:2-3 no qual o termo hebraico yāda (know) é usada para expressar uma aliança entre Deus e Israel. Ele afirma, "Claramente o verbo em Amós 3:2 tem a ver com relacionamento pessoal, ilustrado no verso seguinte pelo apontamento ou acordo entre dois viajantes" 40. Baugh corretamente apontou que o relacionamento descrito em Amós 3:2-3 é mutual em que ambas as partes estão ativas dado a afirmação, "Podem dois andar lado a lado, a não ser que tenham concordado?". Ele faz isto a fim de apoiar a visão que alega que a presciência de Deus é um "relacionamento de amor". Porém, se é este tipo de linguagem pactual que é empregada para demonstrar este aspecto de presciência, como pode haver um relacionamento mútuo de amor antes de uma das partes existir? "Toda esta linha de raciocínio parece auto-contraditória. As palavras 'ter um relacionamento de dupla via com uma pessoa não existente' sequer estabelecem uma impossibilidade. Elas não afirmam nada afinal. São simplesmente uma coleção de palavras numa sequência sem significado" 41. Portanto a ideia que presciência é uma escolha de Deus de adentrar um relacionamento de amor com seres humanos não existentes pode ser rejeitada.

Em Romanos 8:28-30, uma interpretação melhor de προέγνω seria semelhante à nuance sugerida acima para seu nome cognato em 1Pedro 1:1-2. Deus tem um conhecimento total e completo dos cristãos a quem Paulo estava escrevendo mesmo antes de eles terem chegado à existência. Porém, este completo e total conhecimento não denota uma relação de amor ou uma escolha determinativa da parte de Deus Seria mais apropriado e menos presunçoso concluir que crentes têm de tomar conforto no fato que Deus nos tem pré-conhecido em todos os nossos sofrimentos e tentações, e Ele nos tem dado um destino de sermos conformados à imagem de Cristo porque nos tornamos parte de Seu corpo eleito. Isto é um fato que não necessariamente dependa de Sua presciência de qualquer ação nem de um relacionamento de amor que temos com Ele antes de existirmos.

16 Conclusão

A intenção desta tese foi demonstrar da Escritura que eleição é primariamente corporativa e cristocêntrica. Podemos concluir baseados nesta argumentação, que Efésios 1:3-4 refere-se ao eleito corporativo em Cristo. Esta interpretação mantém uma eleição pré-temporal em que Deus, de Seu próprio bom prazer, escolheu uma pessoa, um plano, e um corpo corporativo para beneficiar-se do plano. Porém, apenas aqueles que participam e identificam-se com O Eleito podem ser salvos (1Pedro 2:6).

Uma interpretação calvinista da eleição não oferece nenhuma resposta satisfatória acerca da eleição individual ser contingente à perseverança. Colossenses 1:23 estabelece plenamente que apenas aqueles que continuam em fé serão apresentados ἁγίους καὶ ἀμώμους. Porém, em Efésios 1:4, estabelece-se uma certeza que s eleitos serão ἁγίους καὶ ἀμώμους. Colossenses apresenta uma ideia contingentes enquanto Efésios 1:4 apresenta uma ideia certa, incondicional. Portanto, desde que eleição em Efésios 1:4 não pode referir-se aos indivíduos de Colossenses 1:22-23, deve se referir à igreja de Efésios 5:27, que também é dita como sendo ἁγία καὶ ἄμωμος.

Além disso, a eleição de indivíduos "em Cristo" antes da fundação do mundo significaria que estes indivíduos jamais podiam estar condenados (Rm 8:1). Porém, Jesus disse que todos os que não creem estão presentemente condenados e presentemente debaixo da ira de Deus (Jo 3:18,36). Para ser consistentes, calvinistas que mantêm eleição individual teriam de concluir que é possível estar "em Cristo" e ainda assim condenados ao mesmo tempo.

Outras teorias tais como a que postula eleição baseada em fé prevista também têm se provado insuficientes em explanar a eleição incondicional em Efésios 1. Passagens que apresentam eleição e presciência ou predestinação e presciência como conectadas não são explícitas sobre o que Deus de ato pré-conhece sobre o indivíduo. Portanto, alegar que é baseado em fé prevista seria eisegese.

Além disso, a sugestão de que eleição e presciência são uma e a mesma foi mostrada ter problemas não apenas etimológica, mas também exegeticamente. Se este fosse o caso, isto implicaria que Deus entrou em relacionamento com uma pessoa inexistente desde a eternidade passada. Ter um relacionamento com alguém que não existe é uma ideia incoerente e um conceito sem sentido. Portanto, numa tentativa de interpretar a Escritura à luz da Escritura e mantendo uma hermenêutica exegeticamente válida, eleição corporativa é a interpretação mais consistente de Efésios 1:3-4.

17 BIBLIOGRAFIA

Abasciano, Brian J. "Corporate Election in Romans 9: A Reply to Thomas Schreiner." Journal of the Evangelical Theological Society 29 no. 2 (June 2006): 351-71.

Barnes, Peter. "Election According to the Foreknowledge of God." The Banner of Truth vol. 485 no. 152 (2004): 7-12.

Berkouwer, G. C. Studies in Dogmatics: Divine Election. Translated by Hugo Bekker. Grand Rapids: Eerdmans, 1960.

Cottrell , Jack W., Clark H. Pinnock, Robert L. Reymond, Thomas B. Talbott, and Bruce A. Ware. Perspectives on Election: Five Views. Nashville: Broadman and Holman, 2006.

Crawford , Leslie James. "Ephesians 1:3-4 and the Nature of Election." The Master's Seminary Journal vol. 11 no. 1 (Spring 2000): 75-91.

Dongell, Joseph, and Jerry L. Walls, Why I Am Not a Calvinist. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2004.

Dunn, James D. G. The Epistle to the Colossians and to Philemon, The New International Greek Testament Commentary. Grand Rapids: Eerdmans, 1996.

Eadie, John. A Commentary on the Greek Text of the Epistle of Paul to the Galatians. Edinburgh: T & T Clark, 1869.

Forster, Roger T., and V. Paul Marston. God's Strategy in Human History. Wheaton, IL: Tyndale House, 1973.

Hendriksen, William. Exposition of Galatians. Grand Rapids: Baker, 1968.

Hodge, Charles. Commentary on the Epistle to the Romans. Philadelphia: William S. Martien, 1851.

Hort, F. J. A. The First Epistle of St. Peter: I.1-II.17. New York: Macmillan, 1898.

Hunt, Dave, and James R. White, Debating Calvinism. Sisters, OR: Multnomah, 2004.

Klein, William W. The New Chosen People: A Corporate View of Election. Grand Rapids: Academie Books, 1990.

MacArthur, Jr., John. Saved Without a Doubt. Colorado Springs: Chariot Victor, 1992.

McCall, Tom, and Keith D. Stanglin. "S. M. Baugh and the Meaning of Foreknowledge: Another Look." Trinity Journal vol. 26 no. 1 (Spring 2005): 19-31.Corporate Election 36

Olson, Roger E. Arminian Theology: Myths and Realities. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2006.

Schreiner, Thomas R., and Bruce A. Ware. Still Sovereign: Contemporary Perspectives on Election, Foreknowledge, and Grace. Grand Rapids: Baker, 2000.

Shank, Robert. Elect in the Son. Minneapolis: Bethany House, 1989.

\___________. Life in the Son. Minneapolis: Bethany House, 1960.

White, James R. The God Who Justifies. Minneapolis: Bethany House, 2001.

Witherington III, Ben. The Problem with Evangelical Theology: Testing the Exegetical Foundations of Calvinism, Dispensationalism, and Wesleyanism. Waco: Baylor University Press, 2005.

18 META

Notas de Rodapé:

1

Para uma exegese detalhada de Efésios 1:3-4 do ponto de vista calvinista, leia o artigo de Crawford para o The Master's Seminary Journal. (Leslie James Crawford, "Ephesians 1:3-4 and the Nature of Election", The Master's Seminary Journal, vol. 11 no. 1 [Spring 2000]: 75-91).

2

Uma apresentação excelente da verdadeira perspectiva arminiana sobre o livre arbítrio pode ser encontrada no excelente capítulo de Roger Olson, "Myth 4: The Heart of Arminianism Is Belief in Free Will" de seu livro "Arminian Theology: Myths and Realities" (Roger E. Olson, Arminian Theology: Myths and Realities [Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2006], 97-114).

3

Jack Cottrell apresenta sua visão de predestinação baseada na presciência como "arminianismo clássico". para uma explanação completa desta visão veja seu capítulo em Perspectives on Election: Five Views. (Jack W. Cottrell, Perspectives on Election: Five Views [Nashville: Broadman and Holman, 2006], 70-134).

4

Um apelo poderia ser feito para 1Pedro aonde Cristo é dantes conhecido (προεγνωσμένου) desde a fundação do mundo. Certamente o conhecimento passivo de Deus não pode ser a intenção aqui. Ele conhecia Seu Filho em im relacionamento íntimo de amor.

5

Proponentes desta visão incluem Robert Shank, Ben Witherington, William Klein, Roger T. Forster, Paul Marston, Joseph Dongell, Jerry Walls, e Clark Pinnock.

6

Cf. Efésios 1:6,7,11,13; 2:6,13; 3:12.

7

Todas as citações escriturais são tomadas da English Standard Version exceto menção contrária.

8

Berkouwer escreve extensivamente sobre "eleição em Cristo" em seu Divine Election. Aqui, ele argumenta que Cristo e tudo em tudo na eleição. Em vez de meramente ser o meio pelo qual um decreto dantes estabelecido seria levado a cabo, eleição foi nEle desde o início e e levada a cabo mediante Ele no tempo. (G. C. Berkouwer, Studies in Dogmatics: Divine Election, trans. Hugo Bekker [Grand Rapids: Eerdmans, 1960], 132-71).

9

Cf. At 2:34; Hb 1:3

10

"Cristo é depreciado se pensarmos que Deus primeiro nos perdoou e redimiu e então nos coloca em Cristo; nós devemos em vez disso crere que é somente em Cristo que recebemos redenção e perdão. Cristo também é menosprezado se pensamos que Deus primeiro nos escolhe e então nos coloca em Cristo; em vez disso aqueles que estão em Cristo compartilham sua eleição, e então são escolhidos nele". (Roger T. Forster and Paul Marston, God's Strategy in Human History [Wheaton, IL: Tyndale House, 1973], 132).

11

Robert Shank pergunta "Foi a carreira redentora de Jesus no tempo realmente decisiva ou em vez disso foi meramente simbólica - somente uma exibição temporal, o planejamento da qual era refletir e delinear as dimensões de uma eleição (e reprovação) já efetuadas por fiat de Deus nos conselhos da eternidade?". Se isto for verdadeiro, ele afirma, "Assim a carreira 'redentiva' de Cristo - Sua incarnação, morte e ressurreição, ascensão e intercessão - são vistas como incidentais e simbólicas …" Ele responde esta visão, "A real intrumentalidade de Cristo na eleição deriva de necessidade de Seu ministério de mediação entre Deus e o homem". (Robert Shank, Elect in the Son: A Study of the Doctrine of Election [Minneapolis: Bethany House, 1970], 32-33). Um calvinista pode objetar que eleição é Deus nos escolhendo para ser salvos mediante a obra de Cristo, não que somos realmente salvos pela eleição. Mas isto é inconsistente com uma interpretação calvinista de Efésios 1. Nós somos escolhidos "em Cristo". É "em Cristo" que temos "toda bênção espiritual", incluindo salvação. Assim, de um ponto de vista calvinista, a salvação já era nossa em Cristi desde muito antes de Sua carreira redentiva. Então devemos nos perguntar novamente, o que é de Sua obra redentiva? Ela foi somente intencionada a demonstrar o que já foi realizado ants do começo das eras?

12

Dongell e Walls explicam esse conceito relacionado à eleição de Cristo para aquela dos crentes: "É nele que nós temos sido escolhidos e predestinados (Ef 1:4-5), assim como é nele que estamos assentados nos lugares celestiais (Ef 2:6-7). Isto significa que o próprio Jesus é o eleito, o predestinado. Quem estiver incorporado a ele pela graça mediante fé, vem a compartilhar na situação especial de Jesus enquanto eleito de Deus." (Joseph Dongell and Jerry L. Walls, Why I Am Not a Calvinist [Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2004], 76).

13

Muitos têm objetado a isto e à sugestão que "Israel de Deus" refere-se aos judeus ou a todos os judeus que se converteram a Cristo. Hendriksen comenta esta linha de interpretação, "Agora esta interpretação tende a fazer Paulo contradizer toda sua linha de raciocínio nesta epístola. Contra a perversão do gospel pelos judaizantes ele enfatizou o fato que 'as bênçãos de Abraão' agora repousam sobre todos aqueles e apenas aqueles, 'que são da fé' (3:9); que todos aqueles, e apenas aqueles, 'que pertencem a Cristo' são 'herdeiros de acordo com a promessa' (3:29). Estas são as mesmas pessoas que 'andam pelo espírito' (5:16), e são 'guiadas pelo espírito' (5:18). Além disso, para deixar este significado bastante claro, o apóstolo até mesmo chamou uma atenção especial ao fato que Deus concede suas bênçãos sobre os verdadeiros crentes, não importando nacionalidade, raça, posição social, sexo … E ele iria, no próprio fim da carta, desfazer tudo isso ao primeiramente pronunciar uma bênção a 'tantos quantos' (ou: 'todos') que caminham pela regra de glorificar na cruz, seja judeu ou gentio de nascimento, e pronunciar uma bênção sobre aqueles que não estão (ou não ainda) sob a regra? Eu me recuso a aceitar tal explicação". (William Hendriksen, Exposition of Galatians [Grand Rapids: Baker, 1968], 246- 7).

John Eadie argumenta contra essa visão, estabelecendo "Para o apóstolo existiam dois Israel - 'não é todo Israel que é de Israel' - e ele agora diz aqui, não Israel κὰτα σαρκά, mas o 'Israel de Deus', ou o Israel verdadeiramente crente; seus próprios irmãos por um duplo laço - de sangue, e especialmente pela graça. Não era natural ao apóstolo fazer isso, especialmente após repreender o falso Israel - os desditosos judaizantes - que certamente não eram o Israel de Deus?" (John Eadie, A Commentary on the Greek Text of the Epistle of Paul to the Galatians [Edinburgh: T & T Clark, 1869], 471).

14

Para uma discussão mais completa da eleição como ela ocorre em Romanos 9, veja o artigo de Brian J. Abasciano sobre o assunto. Em sua resposta a Schreiner, ele argumenta pela natureza corporativa da eleição em Romanos 9 e postula uma eleição individual somente enquanto é relacionada ao corpo corporativo. (Brian J. Abasciano, “Corporate Election in Romans 9: A Reply to Thomas Schreiner,” Journal of the Evangelical Theological Society vol. 29 no. 2 [June 2006]: 351-71).

15

Shank, Elect in the Son, 49.

16

Isto é também chamado condição de primeira classe.

17

James D. G. Dunn, The Epistle to the Colossians and to Philemon: The New International Greek Testament Commentary (Grand Rapids: Eerdmans, 1996), 110.

18

Para o que pode ser considerada a obra definitiva na perspectiva arminiana sobre perseverança e apostasia, veja Life in the Son (Robert Shank, Life in the Son: A Study of the Doctrine of Peseverance [Minneapolis: Bethany House, 1960]). Tipicamente, arminianos têm apontado para o que parece ser o significado direto dos alertas contra apostasia em Hebreus, e Shank devota extensiva consideração a este tópico no seu livro. Para uma perspectiva calvinista sobre tais passagens de alerta, veja o capítulo de Grudem em Still Sovereign. (Wayne Grudem, Still Sovereign: Contemporary Perspectives on Election, Foreknowledge, and Grace [Grand Rapids: Baker, 2000], 133-182).

19

Crawford, “Ephesians,” 79.

20

Ibid., 85.

21

Schreiner, Still Sovereign, 101.

22

Ibid., 101.

23

Ibid., 102-3.

24

Veja a seção anterior, nomeada "Is a Pre-temporal Individual Election Consistent with New Testament Theology?" 25 Ibid., 103.

25

Ibid., 103.

26

Crawford, “Ephesians,” 85. 27

27

Sem dúvida, calvinistas têm outros argumentos apoiando suas crenças sobre perseverança, mas muitas pessoas creem que este é o mais convincente.

28

Charles Hodge, Commentary on the Epistle to the Romans (Philadelphia: William S. Martien, 1851), 207.

29

Ben Witherington III, The Problem with Evangelical Theology: Testing the Exegetical Foundations of Calvinism, Dispensationalism, and Wesleyanism (Waco: Baylor, 2005), 77.

30

S. M. Baugh escrevera sobre este ponto extensivamente em seu “The Meaning of Foreknowledge.” (S. M. Baugh, Still Sovereign, 183-200). Uma resposta ao estudo de Baugh sobre presciência pode ser encontrado no artigo de McCall e Stanglin no the Trinity Journal. (Tom McCall and Keith D. Stanglin, “S. M. Baugh and the Meaning of Foreknowledge: Another Look,” Trinity Journal vol. 26, no. 1 [Spring 2005]: 19-31).

31

John MacArthur afirma, “Portanto, a presciência de Deus não é uma referência a seu onisciente pré-conhecimento, mas à sua preordenação.” (John MacArthur, Jr., Saved Without a Doubt [Colorado Springs: Chariot Victor, 1992], 59).

32

James R. White, Debating Calvinism (Sisters, OR: Multnomah, 2004), 93.

33

Baugh, Still Sovereign, 191.

34

Peter Barnes, “Election According to the Foreknowledge of God,” The Banner of Truth vol. 485 no. 152 (2004): 10.

35

Forster and Marston, God's Strategy, 136.

36

Hort adotou esta posição em particular. (F. J. A. Hort, The First Epistle of St. Peter: I.1-II.17 [New York: Macmillan, 1898], 167-84).

37

"A situação dos leitores como refugiados escolhidos não tinha escapado do conhecimento ativo e atencioso de Deus. Ele sempre soube deles e tem trabalhado para assegurar-lhes o bem-estar. Porém, Pedro não baseia a escolha de Deus de alguns para serem cristãos em seu pré-conhecimento, seja o alegado sentido forte de preordenação ou o sentido de valor de face de conhecimento prévio (como o de eventual fé). Ambos erram o alvo da mensagem". (William W. Klein, The New Chosen People: A Corporate View of Election [Grand Rapids: Academie Books, 1990], 240-41).

38

Shank, Elect in the Son, 156.

39

James R. White, The God Who Justifies (Minneapolis: Bethany House, 2001), 245.

40

Baugh, Still Sovereign, 193.

41

Forster and Marston, God's Strategy, 198.

Data: 2019-01-06 dom 00:00

Autor: Tradutor Bastardo

Criado em: 2020-04-04 sáb 03:15

Validate