Terceira Geração de Computadores

           

             A invenção do circuito integrado possibilitou que dezenas de transistores fossem colocados em uma única pastinha. Este encapsulamento tornou possível construir computadores menores, mais rápidos e mais baratos que seus predecessores transistorizados. Alguns dos mais significativos computadores desta geração são descritos abaixo.

Por volta de 1964, a IBM era o fabricante líder de computadores, e tinha um grande problema com suas duas máquinas de grande sucesso, o 7094 e o 1401: eram totalmente incompatíveis entre si. Uma era processadora de números altamente veloz (number cruncher), que utilizava aritmética binária paralela sobre registradores de 36bits, e a outra era uma excelente processadora de entrada/saída, que utilizava aritmética decimal serial sobre palavras de tmanho variável na memória. Muitos clientes possuíam ambos, e não gostavam da idéia de ter dois departamentos de programação com nada em comum.

           Quando chegou o momento de substituir estas duas séries, a IBM deu um passo radical. Lançou uma única linha de produtos, o System/360, baseada em circuitos integrados, projetada tanto para computação científica quanto comercial. O System/360 continha muitas inovações, a mais importante delas era que esta família, de cerca de meia dúzia de máquinas, possuía a mesma linguagem de montagem, com tamanhos e potências crescentes. Um cliente poderia substituir seu 1401 por um 360 modelo 30, e seu 7094 por um 360 Modelo 75. O Modelo 75 era maior e mais rápido (e mais caro), mas o software escrito para um deles poderia, em princípio, ser executado no outro. Na prática, o software escrito para o modelo pequeno executaria em um modelo maior sem problemas, mas quando mudássemos para uma máquina menor, o programa poderia não caber na memória. Todavia, este foi um grande avanço em relação à situação existente com o 7094 e o 1401. A idéia de família de máquinas foi aceita imediatamente, e poucos anos depois a maioria dos fabricantes de computadores possuía uma família de máquinas comuns apresentando grande variação de preços e desempenhos

 

INTEL x  MOTOROLA

        Em 1968 a Intel Corporation foi criada para fabricar pastilhas de memória. Logo depois, ela foi contactada por um fabricante de calculadoras que queria uma CPU em uma única pastilha para sua calculadora, e por um fabricante de terminais que queria um controlador em uma única pastilha para seu terminal. A INTEL produziu ambas as pastilhas, o 4004 (1971), uma CPU de 4 bits, e o 8008 (1972), uma CPU de 8 bits. Estas foram as primeiras CPU’s numa única pastilha do mundo.

A INTEL não esperava outros interessados além dos clientes originais, de maneira que estabeleceu uma linha de produção de baixo volume.Estavam errados. Houve um interesse tremendo, por isso começaram a projetar uma pastilha de CPU de uso geral, que resolvesse o problema do limite de 16K de memória do 8008 (imposto pelo número de pinos da pastilha). Este projeto resultou no 8080, uma pequena CPU de uso geral. Similarmente ao PDP8, esse produto tomou a indústria de assalto, e instantaneamente tornou-se um item de venda em massa. Porém ao invés de vender milhares como a DEC, vendeu milhões.

Logo após a INTEL ter lançado o 8080, a MOTOROLA, um fabricante de semicondutores rival lançou o 6800. O 6800 era uma máquina compatível com o 8080. Foi bem recebido e amplamente utilizado como controlador embutido em equipamentos industriais no início dos anos 70. Foi seguido pelo 6809, que era compatível com o 6800, mas possuía detalhes extras que facilitavam a aritimética de 16 bits.

Em 1976, a INTEL lançou o 8085, um 8080 encapsulado com alguns detalhes extras de entrada/saída. Depois surgiu o 8086, uma verdadeira CPU de 16 bits numa única pastilha. O 8086 (1978) foi projetado para ter uma certa semelhança com o 8080, mas não era totalmente compatível com o 8080.

Então em 1979, a MOTOROLA fez algo que poucas firmas tinham feito antes ou fizeram desde então: ela lançou uma pastilha completamente nova que não era compatível com o 6800 nem com o 6809. A idéia era que esta pastilha, o 68000, venceria a competição (com o 8086) e atrairia os engenheiros que desejassem um projeto limpo, em vez de um sobrecarregado pela compatibilidade com máquinas obsoletas.

O 68000 foi, na verdade, uma mudança radical em relação ao passado. Embora busque dados da memória, 16 bits de cada vez, (em outras palavras, o barramento de dados possui 16 bits de largura), todos os registradores que o programador vê são de 32 bits de largura, e a maquina pode somar e subtrair (mas não multiplicar ou dividir) números de 32 bits em apenas uma instrução. Assim, o 68000 entre arquiteturas de 16 e 32 bits.

Como tal, constitui um bom teste de tornassol. Se você quer descobrir se alguém é uma pessoa de hardwere ou de softwere, pergunte-lhe se o 68000 é uma máquina de 16 ou 32 bits. Um engenheiro de hardwere dirá 16, devido ao barramento de dados de 16 bits. Um programador dirá 32 bits, pois os registradores possuem todos 32 bits de largura. Tudo depende da perspectiva da pessoa.

O 68000 foi escolhido pelos projetistas do Macintosh, Atari, Amiga e outros computadores.

Breve história das interfaces com o usuário

 Nos primórdios da informática (nos idos dos  anos 50), usar um computador significava abrir o computador a reorganizar alguns fios. Para usar um computador, você precisava não apenas saber como programá-lo, como também conectar sua fiação sem morrer  eletrocutado durante o processo.

Para usar um computador nos anos 60, era necessário digitar comandos para perfurar cartões e depois alimentar o computador  com a pilha de cartões perfurados. Como digitar comandos com perfeição nos cartões não era uma tarefa das mais empolgantes para a maioria das pessoas, o uso do computador era lento, chato e cansativo.

Nos anos 70, os cientistas conectaram um  aparelho de TV ao computador e deram ao conjunto o nome de terminal de computador. Pela primeira vez, era possível digitar um comando diretamente no computador e  receber uma resposta imediata. Essa foi a  primeira tentativa no sentido de criar uma interface com o usuário que as pessoas pudessem realmente usar e entender.

É claro que as primeiras  interfaces rudimentares com o usuário não consistiam em nada  além de uma tela em branco como um ponto luminoso piscante, denominado cursor. Para  instruir o computador a fazer qualquer coisa que fosse, era preciso digitar os comandos  apropriados. Infelizmente, se você não soubesse quais comandos digitar, o computador se recusava a trabalhar e você ficava se  sentindo um burro. Mais uma vez, o uso do computador tornou-se lento, chato e cansativo.

Numa tentativa desesperada de simplificar o uso dos computadores, os programadores logo inventaram uma coisa chamada interface gráfica com o usuário ou GUI (acrônimo de  graphical user interface). Basicamente, uma interface gráfica com o usuário exibe menus e ícones que o usuário pode escolher clicando nos comandos com o mouse.

A Apple Computer criou a primeira GUI comercial quando lançou no mercado o Macintosh, mas a Microsoft rapidamente criou sua própria GUI (apelidada de Microsoft Windows). Infelizmente, as GUIs ainda são capazes de tomar o computador lento, chato e cansativo de usar, portanto, quando isso acontecer, a culpa é da indústria da informática. Isso não resolve nenhum dos problemas  mas, pelo menos pode fazer você se sentir melhor emocionalmente por um ou  dois minutos.

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