Evolução das linguagens e interfaces

As técnicas de programação percorreram um longo caminho desde a introdução do computador. Conforme mostra a Figura 1.1, primeiramente a programação passou pela Era do Caos, quando os programas eram construídos usando-se instruções  de desvio como “ADD AX,5” e “JMP Error”. Desnecessário dizer  que a Era do Caos não durou muito e a maioria dos programadores recebeu de braços abertos a evolução que começou nos anos 60 -- a Era da Estruturação. Essa nova era introduziu linguagens de programação -- como o Pascal, C e Ada -- e outras ferramentas que ajudaram a colocar ordem na caótica atividade de programação.

1950-1960

1970-1980

1990

Era dos Caos

Era da Estruturação

Era dos Objetos

Saltos, gotos,“variáveis não estruturadas ao longo dos programas”.

If-then-else blocos registros laços while.

Objetos mensagens métodos herança.

 

 UM BREVE HISTÓRICO DO BASIC

A linguagem Basic foi criada em 1963 por John kemeny e Thomas kurtz no Dartmouth college. Eles criaram com propósito de ensinar conceitos de programação, enfatizando a clareza, em prejuízo da velocidade e eficiência. Isto foi feito sem o emprego de linguagens de controle de tarefa e os passos compilação/ligação requeridos para criar programas em linguagens como FORTRAN E Assembly. Como resultado, o Basic foi a primeira linguagem fácil de usar que permitia ao usuário concentrar-se nos métodos algoritmos  para resolver tarefas de programação, em vez de se preocupar com métodos e algoritmos exigidos pela máquina para construir  e depurar os programas.

          Diversas características das primeiras versões do basic são dignas de nota. Cada linha de um programa começava com um número de linha, e as intruções geralmente não erm endentadas (como freqüentemente é feito hoje para facilitar a legibilidade ou clarificar a estrutura). Todos os caracteres eram digitados e exibidos em letras maiúsculas. As instruções GOTO E GOSUB, que permitiam ao programa desviar a execução para qualquer linha, utilizavam os números de linha como destino.

            Estas características levaram à criação de “código-espaguete”- assim chamado porque a seqüência lógica dos programas, freqüentemente ramificada e torcida, lembrava um prato cheio de espaguete cozido –bastante difícil de seguir. A Figura 1.1 mostra um típico programa nesse estilo. Você pode facilmente perder-se tentando acompanhar o código, mesmo num programa curto como esse. Felizmente, o Basic se afastou bastante de como era naqueles dias.

            As primeiras versões do Basic ganharam a reputação de ser linguagens não-profissionais. Todavia, o Basic evoluiu através dos anos de uma lenta linguageminterpretada para uma rápida e estruturada linguagem compilada, adequada para criação de uma grande variedade de aplicações. A Hewlett-Packard, a Microsoft e diversas outras companhias criaram versões aprimoradas do Basic com muitos recursos avançados. Se você não tem usado o Basic ultimamente, é hora de verificar como está a linguagem hoje.

10 REM – NÚMEROS PRIMOS MENORES QUE 100

20 N=N+1

30 IF N=100 THEN GOTO 120

40 I=1

50 I=I+1

60 J=N/I

70 IF INT(J)=J THEN GOTO 20

80 IF I>=SQR(N) THEN GOTO 100

90 GOTO 50

100 PRINT N,

110 GOTO 20

120 END

 

    Figura1.1 Um programa Basic antigo que exemplifica o “código-espeguete”.

 

O BASIC CONTINUA SE DESENVOLVENDO

O progresso do Basic seguiu de perto a revolução do computador pessoal . em meados dos anos 70, a Microsoft iniciou a introdução de um Basic interpretado residente em ROM para os primeiros computadores pessoais baseados em microprocessadores. O Radio Shack TRS-80, por exemplo, introduziu o Basic (e o conceito do computador pessoal) para muitos de nós. Esta versão original do Microsoft Basic está ainda hoje no nosso meio, sem muitas modificações, na forma do GW-BASIC, o interpretador Basic incluído nas versões 4.01 e anteriores do sistema operacional MS-DOS.

            Embora o GW-BASIC seja uma ferramenta para executar pequenos cálculos e tarefas simples, ele se enquadra na classificação de uma linguagem não-profissional. Nenhum programador sério consideraria hoje comercializar um software escrito em GW-BASIC, pelas mesmas razões que os utilitários do MS-DOS não são escritos e comercializados na forma de arquivos de lote. Em ambos os casos os programas seriam muito lentos, o código original precisaria ser fornecido ao usuário, e muitos caminhos melhores existem para criar esses programas.

Breve história das interfaces com o usuário

Nos primórdios da informática (nos idos dos  anos 50), usar um computador significava abrir o computador a reorganizar alguns fios. Para usar um computador, você precisava não apenas saber como programá-lo, como também conectar sua fiação sem morrer  eletrocutado durante o processo.

           Para usar um computador nos anos 60, era necessário digitar comandos para perfurar cartões e depois alimentar o computador  com a pilha de cartões perfurados. Como digitar comandos com perfeição nos cartões não era uma tarefa das mais empolgantes para a maioria das pessoas, o uso do computador era lento, chato e cansativo.

Nos anos 70, os cientistas conectaram um  aparelho de TV ao computador e deram ao conjunto o nome de terminal de computador. Pela primeira vez, era possível digitar um comando diretamente no computador e  receber uma resposta imediata. Essa foi a  primeira tentativa no sentido de criar uma interface com o usuário que as pessoas pudessem realmente usar e entender.

É claro que as primeiras  interfaces rudimentares com o usuário não consistiam em nada  além de uma tela em branco como um ponto luminoso piscante, denominado cursor. Para  instruir o computador a fazer qualquer coisa que fosse, era preciso digitar os comandos  apropriados. Infelizmente, se você não soubesse quais comandos digitar, o computador se recusava a trabalhar e você ficava se  sentindo um burro. Mais uma vez, o uso do computador tornou-se lento, chato e cansativo. Numa tentativa desesperada de simplificar o uso dos computadores, os programadores logo inventaram uma coisa chamada interface gráfica com o usuário ou GUI (acrônimo de  graphical user interface). Basicamente, uma interface gráfica com o usuário exibe menus e ícones que o usuário pode escolher clicando nos comandos com o mouse.

A Apple Computer criou a primeira GUI comercial quando lançou no mercado o Macintosh, mas a Microsoft rapidamente criou sua própria GUI (apelidada de Microsoft Windows). Infelizmente, as GUIs ainda são capazes de tomar o computador lento, chato e cansativo de usar, portanto, quando isso acontecer, a culpa é da indústria da informática. Isso não resolve nenhum dos problemas  mas, pelo menos pode fazer você se sentir melhor emocionalmente por um ou  dois minutos.

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