Paralamas do Sucesso
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Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1981. Com um show marcado no festival universitário daquela noite, Herbert Vianna e Bi Ribeiro se viram em apuros quando Vital (o primeiro baterista da banda, que inspirou a engraçada Vital E Sua Moto não compareceu para tocar. Um jovem baterista na audiencia, João Barone, foi apresentado a Herbert e Bi. Naquela noite tocaram juntos, meio de brincadeira. Nove meses depois, Barone encontraria Herbert e Bi na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Herbert fazia arquitetura, Barone Biologia, e Bi Zootecnia) e, já sem Vital, o convite foi feito a Barone para que começassem a tocar junto. A coisa acabou engrenando e começaram a tocar sério. Assim nascia Os Paralamas do Sucesso. O primeiro show significante da banda aconteceu em Novembro de 1982, no lendário Western Club, no bairro do Humaitá, Rio de Janeiro. Lá, Herbert conheceu Maurício Valladares, que pediu para os Paralamas levarem uma fita demo a Rádio Fluminese. O demo de quatro músicas, entre elas Vital e sua Moto, Patrulha Noturna, Encruzilhada Agrícola-Industrial, e Solidariedade Não estourou na Fluminense, e a banda conseguiu um contrato com a EMI-Odeon. Em 1983 gravaram o primeiro disco, "Cinema Mudo". O disco incluía, entre outras, as músicas Vovó Ondina (em homenagem a querida vovó de Bi), e Química (que faria sucesso posteriormente com o Legião Urbana). O empresário da banda, Zé Fortes, batalhou e conseguiu uma vaga para tocar no Rock in Rio I. Com dois show espetaculares, o Paralamas foi aclamado como o melhor grupo nacional, e passaram um ano e meio na estrada fazendo shows só na base da projeção desse show.
Depois de uma rádio (Fluminense FM), um disco ("Cinema Mudo"), e um festival (Rock in Rio), não se falava em outra coisa. Analises de laboratório e de campo indicavam que uma nova geração do rock nacional, o BRock, se formava, e a sua frente estavam os Paralamas do Sucesso. Em 1984, lançaram o segundo disco, o excelente "O Passo de Lui", vendendo três vezes mais do que o disco anterior. O disco trazia Luiz Antônio Alves, o Lui, exímio dançarino de SKA na capa. Emplacaram sucessos como Óculos, Romance Ideal e Me Liga, além da genial Assaltaram a Gramática, de Lulu Santos e Wally Salomão. Em 1985, saiu o terceiro e mais famoso disco da banda, "Selvagem". Um disco "tipo tapa na cara" de acordo com Barone, ele foi gravado em duas semanas e meia, e com um custo de produção baixíssimo. Com músicas como Alagados e Melô do Marinheiro, O grupo antingiu o auge da sua carreira, vendendo mais de 750 mil cópias. Daí foram convidados para tocar no prestigioso festival de Montreaux, na Suíça; onde os Paralamas conquistaram o público com sua fusão de Rock, Reggae, e ritmos latinos. O registro desse show está gravado no disco "D". Juntamente com "D", foi lançado "V", o vídeo. O documentário, que trazia entrevistas, clips (de Alagados e A Novidade, este gravado na barca Rio-Niterói) e cenas de shows, inclusive o de Montreaux. Ele foi exibido no dia 28 de dezembro de 1987, em horário nobre, pelo SBT, numa tentativa da emissora de passar uma imagem mais sofisticada. "Bora-Bora" foi o quinto CD, seguindo as mesmas linhas sonoras dos outros discos, mas sem o mesmo êxito comercial. Era um tremedo disco "dor-de-cotovelo", onde Herbert lamentava o fim de seu casamento com Paula Toller, vocalista do Kid Abelha. Desse disco destacavam-se O Beco e a melódica Quase um Segundo, com o roqueiro argentino Charly Garcia no piano. Um ano depois, em 1989, foi lançado "Big Bang", com a imensamente famosa Lanterna dos Afogados. Em alguns shows dessa época, os Paralamas eram obrigados a executar essa música duas ou três vezes, por causa de pedidos do público. Pólvora, também nesse disco, entrou para história por ter sido o primeiro clip apresentado na MTV Brasil.
Por dois anos, os reis do iô-iô-iô se fecharam em copas. Lançaram "Arquivo" em 1990, uma coletânea de hits, e pediram um tempo. Queriam pensar. Os Paralamas do Sucesso estavam preocupados em continuar "com qualidade" na trilha que os levou de Alagados a Montreaux, e acabar de uma vez por todas com o mito que eram melhores na estrada do que no estúdio. Depois de um ano de produção, saiu "Os Grãos", uma espécie de síntese das experiências anteriores. Apesar do grupo estar muito satisfeito com a trabalho, o público não gostou. Em 1994 foi lançado "Severino". Com influências nordestinas, letras pesadas, e melodias monocordias, foi um fracasso comercial, vendendo apenas 60 mil discos, uma quantia muito modesta para um grupo com o calibre do Paralamas.
Mas esse período não teve só coisas ruins. Em 1991 Herbert se casou com a inglesa Lucy, e foi pai pela primeira vez em 1993, com o garoto Luca. Ao mesmo tempo que o grupo sofria fracasso encima de fracasso na pátria amada, os Paralamas estouravam na Argentina. Com dois discos lançados ("Paralamas" e "Dos Margaritas"), a banda levava Argentinos ao delírio e lotava estádios de 100 mil pessoas, façanha que nunca conseguiu no Brasil. Seus dois discos em espanhol atingiram a marca de disco de platina na argentina, e eles são aclamados pela crítica e público como a maior banda popular dos últimos tempos. Foi nesse período também que Herbert Vianna lançou seu primeiro (e único até aqui) disco solo, "Ê Batumaré". Era um disco modesto, gravado em apenas 8 canais, mas com boas músicas.
Depois do lançamento de Severino, o público pedia uma "volta aos básicos." A fase de experimentação do grupo não agradava os fans, e tudo que eles queriam era o Paralamas de antigamente. O grupo respondeu, e respondeu muito bem. Em 1994, o CD duplo e video cassete Vamo Batê Lata foi lançado. Em um CD estava a gravação de um show em São Paulo com músicas de todos os outros discos do Paralamas. No segundo CD, quatro músicas novas. Uma Brasileira, composta em parceria com Carlinhos Brown e cantada em parceria com Djavan, logo caiu na boca do povo com seu ritmo dançante e seu refrão fácil. Uma Brasileira ganhou o maior prêmio, o da escolha da audiência, no primeiro Video Music Awards da MTV brasileira. Luis Inácio (300 Picaretas), uma música baseada na famosa declaração de Lula denunciando a corrupção do Congresso andou proibida por uns tempos. Com essa publicidade extra, os Paralamas chegaram a marca de 800 mil discos vendidos, o máximo atingido pelo grupo. Em meados de junho, saiu o vídeo "João Barone dá o Toque", no qual Barone ensina os básicos do seu instrumento, a bateria. Sobre o vídeo, o jornal A Tarde de 16 de junho de 1996 diz que "após assisti-lo, tocar bateria vai parecer tão simples que qualquer um vai ser dispor a tarefa". Em julho de 1996,os Paralamas lançaram seu décimo primeiro disco, "Nove Luas" (simulataneamente lançado no mercado latino com o nome de "Nueve Lunas"). Era exatamente o que o público queria. A Veja de 23 de julho de 1996 avaliou o trabalho como "excelente...os Paralamas mostram o que sabem fazer melhor, musica pop com letras significantes e arranjos originais". O primeiro hit do disco é Lourinha Bombril, que discute a variedade étnica da brasileira. Logo de saída, o grupo ganhou três prêmios no Video Music Awards Brasil de 96, incluindo melhor clip do ano. Com uma excursão nova começando a todo vapor, e com seus antigos discos sendo remasterizados em Abbey Road (vide LegiãSo), os Paralamas passam pelo que seja talvez melhor fase de sua carreira.
A turnê de "Nove Luas" começou em Agosto, com uma passagem na Europa. Os Paralamas foram juntos com Chico Science e Nação Zumbi para paises como a Alemanha, França e Holanda. De lá seguiram para o Brasil, com uma pequena parada para fazer três shows na América do Norte: em Miami, em Boston, e em New York. Voltaram depois para o Brasil para continuar e excursão. O show, apontado pelo Jornal do Brasil como um dos melhores do anos, conta com em média 25-30 músicas, sendo 5-6 acústicas. Destacam se também duas covers, Manguetown, de Chico Science, e Eu Quero Ver o Oco dos Raimundos. Futuros prejetos para após "Nove Luas" incluem um disco todo acústico e e relançamento de coleção dos Paralamas (agora fora de catálogo), assim como um página oficial.
No começo de maio os três mosqueteiros finalmente partiram rumo a Londres para remasterizar a coleção. Os discos sairão primeiro numa caixa especial que contará com um texto da jornalista Ana Maria Bahiana. Depois os discos serãos postsos a venda individualmente. Tudo isso deve acontecer en junho, então fique ligado!