O CONCEITO DE RAZÃO EM KANT - A RAZÃO ESPECULATIVA.
A Atitude de Conhecimento em Kant -
Filosofia/Filosofar
Para Kant toda a atitude de
conhecimento ou é histórica ou racíonal logo o sujeito do conhecimento conhece
ou duma forma histórica ou duma forma racional.
Qual a diferença entre estes dois
tipos de conhecimento? Comecemos com a análise da palavra histórico; vem do
grego historê que, na sua génese,
significa algo paralelo à empeiria, isto é, conhecimento adquirido a partir dos
dados tal como Kant o define "cognitio
ex-datis".
Aquele que tem um conhecimento
histórico é aquele que aprende aquilo que lhe é dado, é um conhecimento pelo
qual não sou o autor logo não sou responsável. Podemos perguntar: Será que este
sujeito sabe realmente algo? Kant diz-nos que sim; ele sabe o que lhe foi dado
ele assume uma atitude passiva perante o conhecimento daquilo que lhe é dado,
pois limita-se a aprender. A razão desse sujeito do conhecimento está alheia
daquilo que conhece.
Do ponto de vista do objecto o
sujeito que possui tal conhecimento ("ex-datis")
possui um conhecimento racional, mas do ponto de vista subjectivo (a partir do
sujeito) o conhecimento que possui é meramente histórico.
Kant chama a este homem
"máscara de homem vivo" pois com efeito ele limita-se a
"papaguear" o que é dado e que foi elaborado por outro. Daí a
afirmação de que ele se formou segundo uma razão alheia. Nesse conhecimento há
razão só que não é do sujeito que o apreende mas do sujeito que o criou, que o
pensou e elaborou.
Para que um conhecimento possa ser
considerado racional subjectivamente (por parte do sujeito) é preciso que tal
conhecimento seja tirado das fontes universais da razão (e não da experiência)
donde poderá resultar a crítica e até a rejeição daquilo que se aprendeu "ex-datis".
O conhecimento racional é pois
"ex-principiis".Conclui-se
assim que o conhecimento racional questiona o conhecimento apreendido o
conhecimento que lhe foi dado. A partir dessa questionização o sujeito poderá
rejeitar criticar o conhecimento apreendido. Mas será só isto? Não o sujeito
criará e elaborará algo de próprio. Esta é a ultima etapa do conhecimento
racional e a que mais fortemente o distingue do conhecimento histórico.
O conhecimento da razão ou é o
conhecimento por conceitos (filosófico) ou por construção de conceitos
(matemático). Um conhecimento pode ser objectivamente filosófico e no entanto
subjectivamente histórico tal é o exemplo daqueles que não ultrapassam a escola
e permanecem toda a vida nela.
A partir desta distinção entre conhecimento
"ex-datis" e conhecimento
"ex-principiis" Kant vai
traçar a diferenciação entre filosofia e filosofar. Tendo sempre em conta a
distinção feita anteriormente Kant diz-nos que não se pode aprender filosofia
pois esta é o sistema de todo o conhecimento filosófico ou seja: o conhecimento
que se pode retirar da filosofia (da História da Filosofia) é meramente
histórico pois já está dado e é só apreendê-lo. Ter um conhecimento racional
filosófico é pois impossível pois a filosofia parte de algo já dado assim no
que diz respeito à razão o que se pode aprender é a filosofar e não a
filosofia.
O que é filosofar? Não é mais do que
exercitar o talento da razão na aplicação dos seus princípios universais a
certas tentativas que se apresentam mas sempre com salvaguarda do direito da
razão de investigar aqueles princípios nas suas fontes e de confirmá-los ou
rejeitá-los.
Esquema:
Atitude do
Conhecimento
- -
Histórico Racional
"Ex-Datis" "Ex-Principiis"
Apreensão Questionização
Razão Alheia Crítica, Criação
Conhecimento Objectivamente Razão Presente Racional
Filosofia -
Filosofar
O Conceito de Razão em Kant - A Razão Especulativa
O conceito de razão em Kant é um
conceito difícil que levanta diversos problemas. É um conceito difícil devido
àdistinção que Kant operou no seu seio. Levanta problemas porque em muitos
textos não sabemos totalmente qual o sentido em que o conceito é utilizado. É nosso
objectivo tentar especificar os sentidos em que Kant utiliza razão. Antes de
mais nada é necessário distinguir entre razão especulativa e razão prática. A
razão especulativa exerce-se no campo da objectividade científica a um puro
saber das coisas. A razão prática abre-se a um outro domínio - o da existência
moral do homem, único plano onde o problema da realidade tem lugar e sentido. É
importante realçar o aspecto, que não encontramos em Kant nenhuma indicação
sobre o que possa ser a razão anteriormente à sua divisão em especulativa e
prática. Este trabalho dedica-se ao estudo da razão especulativa. Temos que ter
em conta uma outra distinção na razão kantiana: a razão no sentido lacto e a
razão no sentido restricto. No sentido lacto é a razão humana considerada como
o conjunto das faculdades cognoscitivas que o homem possui e que são a
sensibilidade o entendimento e a razão. No sentido restrito a razão é uma das
capacidades que o homem tem de conhecer. O título mesmo da obra Crítica da Razão Pura pode ser
interpretado de duas maneiras possíveis. A razão pode ser entendida no sentido
restrito e dessa maneira a crítica da sensibilidade e do entendimento não
seriam mais que fazes preliminares, ou então razão será o conjunto das
faculdades criticadas incluindo naturalmente a sensibilidade e o entendimento.
Apéndice
Seguidamente irei e com base no
capítulo IV intitulado A Razão do
volume II do livro Le Vocabulaire de Kant
de Roger Verneaux apresentar o seu resumo em forma esquemática e baseado também
em citações do próprio Verneaux ou do próprio Kant. Para melhor explicação vou
dar um exemplo: supunhamos que a seguir duma citação vem Kant pág. 87. Isto
quer dizer que a citação é de Kant mas que esta citação se tirou do livro de
Verseaux na página 87.
É importante esta parte do trabalho
para em seguida e com outras bases proceder à análise mais consciente do nosso
texto, ou seja do Annonce de M. Emmanuel
Kant sur le Programme de les Leçons pour le semestre d'Hiver 1765-1766.
Esta análise consiste no estudo do vocábulo razão que nos aparece ao longo do
texto uma série de vezes. Achamos importante tratar o texto na nossa língua e
como tal procederemos igualmente à sua tradução (Não farei a tradução integral
do texto mas só a parte que tratamos nas aulas e que me interessa para o meu
trabalho. A tradução irá desde o início do texto até à pág. 517 quando Kant vai
começar a fazer considerações acerca das ciências que irá tratar no semestre).
Todas as citações que forem necessárias fazer para melhor situar o vocábulo
razão no texto serão desta maneira em português tendo no entanto a página do
texto francês. Dada esta explicitação considerada importante continuemos o
nosso trabalho.
Razão Especulativa
1º Conjunto das funções do
conhecimento a priori.
2º Faculdades superiores do
conhecimento.
3º Razão propriamente dita.
4º Razão incluída no entendimento.
5º Razão identificada ao
entendimento.
6º Exclusão da razão.
Citações
1. "... Se o
problema geral da razão pura é saber como são possíveis os juízos sintéticos
à priori"...
Verneaux pág 84.
6. K.R.V. "A
razão é a faculdade que fornece os princípios do conhecimento à priori".
Kant pág. 85.
1. "Prolegómenos" A crítica da própria
razão deve expor toda a provisão dos conceitos a priori, a sua divisão segundo
as suas diversas fontes: sensibilidade, entendimento, razão.
Kant, pág. 85.
1. Crítica da razão Prática "Dizemos
que conhecemos uma coisa pela razão, só quando temos consciência que poderíamos
tê-la conhecido, mesmo se não nos tivesse sido assim apresentada na
experiência".
Kant pág. 85.
Crítica do Juízo "Podemos chamar a
faculdade de conhecer pelos princípios a priori a razão pura."
Kant pág. 85.
Oposição racionalismo - empirismo
2. Crítica da Razão Pura "Partimos
apenas do ponto em que a raíz comum da nossa faculdade de conhecer se divide e
forma dois ramos, de que um é a razão. Ora entendo aqui, por razão, todo o
poder superior de conhecer, e oponho, por conseguinte o racional ao
empírico"
Kant pág. 85.
Razão Matemática e Razão Filosófica
"O raciocínio é
o silogismo com maior, menor e conclusão encadeando conceitos"
Verneaux pág. 86.
"A demonstração
é uma prova apodíctica enquanto é intuitiva. Só se encontra nas
Matemáticas".
Kant pág. 86.
Uso Discursivo e Uso Intuitivo da Razão
Conhecimento racional
filosófico e matemático. Uso discursivo, uso filosófico, silogismo com maior,
menor e conclusão, encadeando conceitos.
Uso entuitivo,
matemático, procedendo por construção de conceitos na intuição pura,
demonstração apodítica.
Identificação entre Razão e Entendimento
"É preciso que
a razão se apresente à natureza tendo numa mão os seus princípios, os únicos
que podem dar aos fenómenos concordantes entre eles a autoridade das leis, e na
outra a experimentação"
Kant pág. 87.
Conhecimento Especulativo da Razão
"Daí resultará
evidentemente que o único conhecimento especulativo da razão será limitado dos
simples objectos da experiência".
Kant pág. 87.
A Crítica da Razão limita-se ao seu uso
especulativo.
"Não
necessitamos duma crítica da razão no uso empírico que dela fazemos porque os
seus princípios estão sempre continuamente submetidos à prova da
experiência".
Kant pág. 87.
Hume - Prolegómenos>Refutação.
"Hume ao usar o
carácter à priori do princípio de causalidade, põe em questão a razão".
Verneaux pág. 87.
O Princípio de Causalidade tem a sua fonte no
entendimento.
"Que tudo
quanto acontece tenha uma causa, não é um princípio da razão, diz Kant, mas sim
do entendimento".
Kant, pág. 87
Uma passagem da
"Crítica do Juízo" respeitante à crítica da Razão Pura no seu uso
teórico (princípio do prefácio)
1º A razão extensa a todos os
princípios do conhecimento àpriori.
2º A razão restrita ao entendimento.
3º A razão alargada às faculdades
superiores de conhecimento.
A1
"Esta crítica (K.R.V.) ocupa-se da nossa faculdade de conhecer coisas à
priori, com exclusão do sentimento de prazer, pena e da faculdade de
desejar".
Kant pág. 88.
B2 "Só
o entendimento, como faculdade de conhecer, pode dar princípios
constitutivos à priori do conhecimento (com exclusão da faculdade de julgar
e da razão, faculdades do conhecimento teórico)"
Kant pág. 88.
C3 "A
Crítica, que examina de perto todas estas faculdades e a parte que cada uma
pretende ter pelos seus próprios meios próprios ao Capital Real do
Conhecimento, mantém apenas o que o entendimento prescreve a priori como lei
para a Natureza".
Kant pág. 88.
K.R.V. / KANT - "A RAZÃO"
Conclusão
"Razão
Especulativa"
_ Empirismo
A dupla luta da
filosofia
_ Racionalismo
Dogmático
"A Ciência da Relação entre
todos os conhecimentos e os fins essenciais da razão humana" K.R.V.
"O amor que o ser racional
experimenta pelos fins supremos da razão humana Opus Postumum
Os fins supremos da razão formam o
sistema da cultura
O que a razão apreende é algo
exterior e superior: um Ser, um Bem, um Valor, formados como regra de vontade.
A razão estabelece-se a si própria
ao estabelecer os seus próprios fins.
O Principio do método
transcendental: Uma crítica emanente,
a razão como juiz da razão:
(A) Verdadeira natureza dos
interesses ou dos fins da razão
(B) Os meios de realizar esses
interesses.
1ª
Pergunta da K.R.V. Há uma faculdade de conhecer superior?
Uma faculdade diz-se superior,
quando acha em si mesma a lei do seu próprio exercicio.
A determinação de uma forma superior
da faculdade de conhecer é ao mesmo tempo a determinação de um interesse da
razão
Um Interesse da Razão Define-se Por Aquilo Porque a
Razão se Interessa, em Função do Estado Superior de uma Faculdade / O Interesse
Especulativo da Razão
A razão experimenta naturalmente um
interesse especulativo e experimenta-o pelos objectos que são necessáriamente
submetidos àfaculdade de conhecer sob a sua forma superior.
O interesse especulativo incide
naturalmente sobre os fenómenos, enquanto aparições.
Na K.R.V. a sintese à priori é
independente da experiência, mas não se aplica senão aos objectos da
experiência.
Os interesses da Razão diferem em
Natureza, formam um sistema orgânico e hierarquizado, que é o dos fins do ser
racional.
Conclusão / Crítica
1- A K.R.V. tem como objecto: A
nossa faculdade de conhecer coisas à priori.
(engloba a sensibilidade).
2- A K.R.V. ocupa-se apenas
do entendimento, à exclusão da faculdade de de julgar e da Razão.
3- A perspectiva alarga-se; a K.R.V.
passa pela peneira o conjunto das 3 faculdades superiores.
A Razão em Geral
- "A Dialéctica"
O estado da razão (no sentido
restrito) tem o seu conteúdo essencial nos 3 parágrafos introdutivos da
Dialéctica, intitulados:
- Acerca da Razão em Geral
- Do Uso Lógico da Razão
- Do Uso Puro da Razão
A Razão em Geral
Confere a unidade mais alta aos
dados da intuição sensível já elaborados pelo entendimento.
O uso lógico distingue-se do uso
real e transcendental
Uso Lógico - A Razão é
encarada como faculdade de raciocinar formal e de abstração de todo o conteúdo
do pensamento.
Uso Real - Criação de
conceitos e princípios.
A faculdade dos princípios
distingue a Razão do Entendimento, e engloba as duas funções (Uso Lógico e
Puro) da razão:
A
Razão é a faculdade dos Prinzipien
- Um princípio é um conhecimento
sintético à priori por conceito, estritamente universal.
- Para que haja conhecimento por
princípio é preciso que o particular seja conhecido num conceito universal de
onde éextraído por raciocínio.
- "Chamarei portanto
conhecimento por princípios (aus prinzipien) aquele em que conheço o particular
no geral, e isso através de conceitos". Kant pág. 92.
- Os princípios da razão são em si,
pensamentos.
- No sistema kantiano, não pode
haver conhecimento sintético à priori por conceitos. Se os princípios da razão
são chamados conhecimentos é apenas porque dão unidade aos conhecimentos já
elaborados pelo entendimento
A Razão como Faculdade dos Princípios
- A razão não é relativa aos
objectos, mas aos conhecimentos do entendimento.
- O seu papel é unificá-los por meio
de princípios.
A Faculdade da Razão
-
A razão é a faculdade de levar à unidade as regras do entendimento por
meio de princípios.
- A razão não se relaciona
directamente com a experiência nem com qualquer objecto, mas com o
entendimento, a fim de procurar a priori e por conceitos nos conhecimentos variados
destas, uma unidade a que podemos chamar racional.
O Entendimento como Faculdade das Regras - (Vermögn
der Grundsätze)
"Na primeira parte da nossa
lógica transcendental, definimos o entendimento como faculdade das regras;
distinguiremos aqui a razão do entendimento, nomeando-a a faculdade dos
princípios" (Prinzipien)
Kant pág. 89.
A
Analítica, que diz respeito ao entendimento, divide-se em Analítica dos
Conceitos e Analítica dos Princípios.
Estes princípios são regras
Grundsätze
Exemplos: - princípio da contradição
- princípio da causalidade
- princípio da substância.
O
Princípio da Contradição
É o princípio supremo de todos os
juízos analíticos
Axiomas
da Intuição O Grundsätze do entendimento puro: todos os fenómenos, do ponto
de vista da sua intuição, são grandezas extensivas.
1ª Edição
O Princípio dos Axiomas é que todas
as intuições são grandezas extensivas.
Este Grundsätz é tido como Prinzip
(2ª edição)
"Os princípios (Grundsätze) à
priori tiram o seu nome, não simplesmente do que fecham neles a fonte de outros
juízos, mas também de que não se fundam eles próprios em conhecimentos
superiores e mais gerais" Kant pág. 91.
Estes princípios são proposições à
priori, sintéticas (contingentes)
Não são prinzipien, porque não são
conhecimentos por conceitos, mas podem ser utilizados como tais (Analitica)--> Prinzipien.
Os princípios de entendimento só
são possíveis à priori se têm como matéria os dados da intuição pura.
Só têm valor como condições da Experiência Diferenças.
O conhecimento do entendimento ainda
que possa proceder de outros conhecimentos sob a forma de um princípio, não
repousa no entanto em si próprio (enquanto sintético) no simples pensamento e
não encerra algo de universal por conceitos.
A
Faculdade de Entendimento
O Entendimento é a faculdade de
conduzir fenómenos à unidade por meio de regras.
Pontos
comuns entre Entendimento e Razão (Prinzipien e Grundsätze).
Ambos os princípios são:
- Fontes de outros juízos.
- Não dependem eles próprios de
conhecimentos anteriores.
- São ambos à priori e universais.
"Trata-se de saber se a razão
em si, ou seja a razão pura, contém à priori princípios (Grundsätze) e regras
sintéticas e em que estes princípios (prinzipien) podem consistir" Kant
pág. 91.
Diferenças
2
Os princípios do entendimento são
proposições empíricas obtidas por indução; podem servir de premissas maiores
num raciocínio. Mas não são princípios, porque não são à priori, nem
estritamente universais.
Enquanto que os princípios do
entendimento dão unidade aos fenómenos, os princípios da razão unificam
conceitos.
Os
Prinzipien da Razão distinguem-se dos Axiomas matemáticos.
Os axiomas são conhecimentos
universais à priori (e são chamados princípios relativamente aos casos
particulares).
Mas não são Prinzipien, porque são
conhecidos na intuição pura e não por conceitos.
A
Razão Lógica
Do ponto de vista lógico a razão é a
faculdade de raciocinar mediatamente (formal e de abstracção de todo o conteúdo
do conhecimento).
O estudo do Uso Lógico é feito em
vista de elucidar o seu uso puro, interesse quanto ao movimento ascendente ou
regressivo da razão: prosilogismo e episilogismo, respectivamente.
A função arquitectónica da razão
pertence ao seu uso lógico no sentido que ela ultrapassa o seu uso puro.
O
Raciocínio Imediato e o Raciocínio Mediato
Traça a fronteira da faculdade
descursiva entre o entendimento e razão. O entendimento é assim faculdade dos
conceitos, dos juízos, das regras e de raciocínio (descursivo)
O
Mecanismo Formal do Raciocínio Mediato: o silogismo com maior, menor
conclusão.
Raciocínio Mediato - O Mecanismo
Formal
A regra Maior é dada pelo conhecimento
_ _
A)Tem uma condição o
seu sujeito B)É um predicado
A Menor subcoloca um conhecimento -> Coloca o meu conhecimento
da regra por meio da
faculdade de C)
julgar como contida em A)
Determino o meu
conhecimento pelo -> A conclusão determina o
predicado da regra -
conclusão - meu conhecimento C)
e portanto à priori
pela razão atribuindo-lhe o predicado da regra B)
Todo o A é B Todo o homem é racional
C é um A Pedro é homem
C é um B Pedro é racional.
Há tantos raciocínios quantas
relações postas na maior o quadro das categorias dá-nos 3 tipos de juízo;
categóricos, hipotéticos, dissuntivos, de que resultam 3 espécies de
raciocínios. O silogismo hipotético não tem meio termo, só comporta o princípio
da prova/a razão é o silogismo categórico.
A
cada etapa do Silogismo corresponde uma faculdade diferente.
O entendimento põe regras. O juízo
submete o particular ao geral, a razão dá uma conclusão, que é ainda um juízo.
O
Raciocínio "É um juízo que formamos subsumindo a sua condição a uma
regra geral"
Kant pág. 97.
"É um juízo determinado à
priori em toda a extensão da sua condição"
Kant pág. 97.
O
Raciocínio - Um certo tipo de Juízo
"A razão é a faculdade de
concluir, julgar mediantemente"
Kant pág. 97.
O
factor de Unidade do Raciocínio
O único facto de estabelecer entre
juízos um laço de dependência necessário, é o modo propriamente racional da
unidade.
O raciocínio tem o mesmo papel
unificador respeitante aos juízos que o juízo tem em relação aos conceitos: a
unificação faz-se graças à generalidade.
Quanto ao raciocínio: A conclusão é
tirada da regra que se aplica também a outros objectos.
Quanto ao juízo: todos os juízos
têm/são funções de unidade por entre as representações.
O
movimento Ascendente e Regressivo da Razão Prosilogismo e Episilogismo.
Estando dado um juízo a razão
considera-o como uma conclusão, ou seja como condicionado, e procura a condição geral, de onde o
juízo pode ser tirado como caso particular.
Se a conclusão como juízo está dada,
para ver se o juízo não provém de juízos já dados e pelos quais um qualquer
outro objecto é concebido, procuro no
entendimento a asserção desta conclusão afim de ver se ela não se encontra
já no entendimento sob certas condições, segundo uma regra geral. Ora se
descubro uma condição deste género e se o objecto de condição se deixa subsumir
àconclusão dada, esta conclusão é então tirada da regra que se aplica também a
outros objectos do conhecimento.
"A razão procura no raciocínio,
levar a um pequeno número de princípios e aí operar à mais alta unidade visto
que substituem a uma representação imediata uma mais elevada que contem a 1ª,
assim como muitas outras" Kant pág. 98 asserção = razão do juízo.
A
função Arquitectónica da Razão
O seu uso lógico ultrapassa o seu
uso puro.
"Os princípios que põe em obra
nem sempre são ideias. Éatravés de princípios como a homogeneidade,
especificidade, continuidade das formas que a razão prepara o campo do
entendimento, autorizando-o a classificar os conhecimentos segundo a relação de
género, as espécies."
Kant pág. 98.
"Quando são ideias, não o são
própriamente ditas. Uma ideia que está na origem e preside à sua
organização".
Verneaux pág. 98
A
Arquitectónica: É arte dos Sistemas.
Um Sistema é a unidade dos diversos
conhecimentos sob uma ideia.
A Natureza da Razão visto que visa a
levar à unidade de mais alta os conhecimentos provenientes do entendimento, é
arquitectónica, considerando-os como pertencentes a um Sistema.
A
Razão é ela própria um Sistema > ela visa sistematizar os conhecimentos.
A
sistematização dos conhecimentos é uma necessidade da Razão ou seja o seu
encadeamento em virude de um princípio.
Prosilogismo
(cont.) "A Razão no seu uso lógico procura a condição geral do seu juízo
(a conclusão)... Ora como esta regra, pelo seu lado é submetida à mesma
pesquiza da razão e que também deve procurar (por meio de um prosilogismo) a
condição da condição, e isso tão longe quanto possível vemos bem que o
princípio próprio da razão em geral é o de encontrar para o conhecimento condicionado
do entendimento o incondicionado que remeterá à unidade." K.R.V.
Kant. pág. 101.
A
Razão Pura
Ao uso lógico da razão Kant opõe o
seu uso puro, transcendental ou real.
A
Razão distingue-se do entendimento, ambos possuem um interesse lógico e um puro
A Razão Pura ocupa-se de si própria,
não são os objectos que lhe são dados para a unidade do conceito de
experiência, mas os conhecimentos do entendimento para a unidade de conceito da
razão, o encadeamento num só princípio (a unidade racional não éa unidade da
experiência possível).
Uso Real significa produção
expontânea de conceitos (e princípios).
O Uso Transcendente da razão.
O
Princípio Supremo da Razão: para passar do uso lógico ao uso próprio é
preciso admitir que quando o condicionado está dado, o incondicionado também o
está.
Ele
é Sintético.
"Mas esta Maxime lógica não pode ser um prinzipium
da razão pura a não ser na condição que se admita que se o condicionado está
dado, seja também dada (quer dizer contida no objecto a na sua ligação) toda a
série das condições subordinadas, série, que na sequência, e ela mesma
incondicionada.
Ora um tal Grundsätz da razão pura é manifestamente sintético porque o condicionado se relaciona sem dúvida analiticamente a alguma condição, mas
não ao incondicionado".
Kant pág. 102.
Cada faculdade produz conceitos
intelectuais, mas só os da razão são profundamente metafísicos.
I Porquê a Máxima como Princípio (Grundsätz) da Razão?
A Máxima da Razão Lógica é um
imperativo de procura.
O Pincípio da Razão Pura é a
afirmação de o ter encontrado.
_ No
seu uso lógico,
A razão é uma
exigência de unidade ela procura-o
_ No
seu uso puro,
ela dá-se
a si própria essa unidade.
II O significado de "estar dado" para o incondicionado:
- Estar contido no objecto e na sua
ligação.
- A ligação é operada pela razão,
que liga o objecto constituido no entendimento às suas condições.
O problema da dialéctica
_ não ao sentido
O incondicionado
deve ser dado _ não ao entendimento
_ mas sim à própria razão como condição
última, suprema.
Ser
Dado e Existir ?
III O incondicionado é a série de condições?
Saltamos da generalidade Allgemeinheit
e da universalidade Universaletas à totalidade ou universidade (Allheit,
universitas) Verneaux pág. 103.
As ideias os incondicionados,
chamados, Alma, Mundo, Deus são uma série de condições? ou o termo
último da série.
"Se o condicionado está dado, o
incondicionado também" no sentido aristotélico? Verneaux pág. 103.
O incondicionado está dado
"podemos dele derivar proposições sintéticas "exprimindo" as
determinações que o distinguem de todo o condicionado". Kant pág. 103.
"Elas diversificam o conceito
de incondicionado referindo-se a diversas espécies de condições. A Amostra da
tábua das Ideias." Verneaux pág. 103.
A Razão obtem assim Grundsätze
derivados de princípio supremo Prinzipiun são ambos transcendentes em
relação aos fenómenos.
O uso dos princípios do
entendimento são imanentes.
Há princípios do entendimento,
imanentes, e princípios transcendentes > dados ao entendimento pela razão.
"Chamo transcendente um
princípio que rejeita os seus limites e propõe-se até mesmo a
franqué-los". (Überschreiten) Kant pág. 104.
Podemos integrar 2
coisas à Teoria da Razão: - A Metáfora do Vôo. (A)
- A
Ideia da Ilusão Transcendental. (B)
Introdução da K.R.V.:
(A) "Encorajada por uma tal prova de força da
razão a paixão de se expandir já não vê limites. A pomba quando, no seu livre
vôo fende o ar de que sente a resistência, poderia imaginar que venceria bem
melhor no vazio. É assim justamente que Platão abandonou o mundo sensível
porque este mundo opõe no entendimento demasiados obstáculos diversos, e
arriscou-se para além deste mundo nas asas das ideias no vazio do entendimento
puro"
Kant pág. 104.
(B) A ideia da Ilusão Transcendental (supõe toda
a dialéctica) Éde considerá-la como uma espécie de conclusão. A sorte da
metafísica parece estar reservada pela dedução transcendental, a razão tende
por natureza a ultrapassar os limites da experiência possíveis, mas a
experiência é necessária para dar um conceito aos nossos pensamentos > A
Razão é o Fogo de uma Ilusão Natural.
A Ilusão Transcendental da Razão
"A aparência transcendental não
cessa, até mesmo depois de a descobrirmos o que a Crítica Transcendental
mostrou dela claramente O NÉANT. A causa é que existe na nossa razão
(considerada subjectivamente, quer dizer como uma faculdade do conhecimento
humano) regras fundamentais e máximas relativas ao seu uso que têm
completamente a aparência de princípios objectivos e que fazem tomar a
necessidade subjectiva duma ligação dos nossos conceitos, exijida pelo
entendimento por uma necessidade objectiva da determinação das coisas em si. Aí
está uma ilusão que nos é impossível de evitar..."
Kant pág. 105.
A Dialéctica Transcendental
"A dialéctica transcendental
contentar-se-á portanto de descobrir a aparência dos juízos transcendentes e ao
mesmo tempo de impedir que ela nos engane mas que essa aparência se dissipe
também e cesse de ser uma aparência, é o que a dialéctica não podia nunca
obter"
Kant pág. 105.
"A Antinomia da Razão
Pura" Cap.II Dialéctica, K.R.V.
Distinção entre
ideias Puras da Razão e Conceitos e Categorias do entendimento Antinomias
> afirmações contraditórias a que chega a razão quando pretende determinar a
natureza absoluta do mundo.
A razão limita-se a libertar os
conceitos do entendimento, ou seja as categorias, da sua limitação à
experiência possível.
"Sistema das Ideias
Cosmológicas" - A fim de poder enumerar estas ideias segundo um
princípio e com uma precisão sistemática, devemos notar primeiro que é apenas
do entendimento que podem emanar conceitos puros e transcendentes; que a razão
não produz propriamente nenhum conceito, ela não faz mais do que libertar o
conceito de entendimento das restrições inevitáveis de uma experiência
possível, e que assim procura entendê-las para o além dos limites do empírico,
permanecendo no entanto em contacto com ele. E o que acontece pela razão mesma,
que ela exige para um dado condicionado uma totalidade absoluta do lado das
condições, e que ela faz assim da categoria uma ideia transcendental,
para dar uma perfeição absoluta à síntese empírica prosseguindo-a até ao
incondicionado que não se encontra nunca na experiência, mas unicamente na
ideia".
Kant pág. 106.
Antinomia da Razão Pura - A Ideia
de Mundo
Se os conceitos (entendimento) são
libertados das suas limitações, isso significa que as categorias (regras
gerais, conceitos puros) se aplicam, não só aos fenómenos mas também às coisas
em si (podemos pensar o que quisermos, desde que não nos contradigamos; mas a
analítica mostrou que o pensamento não é um conhecimento).
Qual o Papel da Razão ? A Razão é
a Faculdade dos Princípios
A função principal da razão é
conceber o incondicionado, e fazendo:
Ela liberta as categorias da sua
limitação
Ela exige o seu uso transcendente
que elas sejam aplicadas fora do campo dos fenómenos - pôr um objecto em ideia
no termo último deste emprego.
O texto refere-se à Ideia do
Mundo
Não com respeito à sua génese, mas à
sua divisão ou seja os objectos do mundo que vão fornecer matéria às
antinomias. Kant explica, com efeito, que categorias servem em cosmologia
racional e quais as que não servem.
Análise
do conceito de razão no texto de Kant.
O vocábulo Razão surge-nos neste
texto que atrás traduzimos, uma série de vezes mais precisamente seis vezes.
Surge-nos nas seguintes passagens do texto kantiano. 1 - "... devemos
transmitir um saber que segundo a ordem natural só uma razão mais
exercitada e experimentada poderia compreender". 3 - "Espera-se dum
professor que naquele que o escuta, ele forme antes de tudo o entendimento do
homem depois a sua razão e enfim que ele faça um sábio". 4 -
"Se invertermos este método o aluno adquire uma espécie de razão
antes mesmo que se tenha nele formado o entendimento ...". 5 - "É a razão
pela qual não é raro reencontrar sábios (mais propriamente dito, falar das
pessoas que fizeram estudos) que mostram pouco entendimento ...". 2 -
"Porque o progresso natural do conhecimento humano exige que primeiro o
entendimento se forme, chegando pela experiência a juízos intuitivos, e através
destes a conceitos (mesmo que estes conceitos sejam conhecidos seguidamente
pela razão em relação com os seus princípios e as suas
consequências". 6 - "... o que significa que ele é um método de
pesquisa e não se torna em certos domínios dogmático, isto é seguro, senão por
uma razão já formada". Iremos em seguida analisar o conceito frase
por frase para em seguida tirarmos as nossas conclusões. Mas antes penso que é
importante apresentar um esquema simplificado que inclua por um lado o uso
especulativo da razão e por outro o mecanismo formal do raciocínio segundo
Kant.
Uso especulativo da razão _
uso discursivo _ uso lógico - raciocínio mediato
Função arquitectónica -
movimento descendente e regressivo da razão.
Uso Puro (trancendental) -
faculdade dos princípios, das Ideias Incondicionais (Alma, Mundo, Deus).
Mecanismo
formal do raciocínio
O entendimento pôe regras - A
maior é dada pelo entendimento - tem uma condição (suj. A pred. B _ todo o A é
B).
O juízo - submete o
particular ao geral _ A menor submete o conhecimento (a condição da regra
(sujeito A) por meio da faculdade de julgar _ Coloca o meu conhecimento como o
contido em A _ e é 1 A.
A razão dá a conclusão _
determino o meu conhecimento pelo predicado B da regra. _ A conclusão determina
o meu conhecimento pela atribuição do predicado B da regra.
Do uso lógico para o puro - A
razão descobre o fundamento; as condições de possibilidade do meu conhecimento
(implicados no acto de conhecer). A razão está presente no entendimento,
enquanto a razão comporta em si própria a ilusão do seu domínio (esfera do
possível) têm realidade necessária (mas não carácter objectivo).
A partir de agora estamos em
melhores condições de fazer a análise do vocábulo razão no texto de Kant. É
importante realçar que o que vou fazer trata-se de uma interpretação, e como
tal subjectiva e sujeita naturalmente a rectificações.
Analisemos a primeira frase em que
aparece razão. No texto francês surge-nos na primeira página. Penso que temos
que realçar as seguintes passagens: "... e, sem esperar a maturidade do
entendimento ..." e "... só uma razão mais exercitada e
experimentada poderia compreender ...". Estaríamos naturalmente inclinados
a admitir que razão está aqui citada no sentido mais geral ou seja de conjunto
das funções do conhecimento à priori mas há uma expressão que nos faz pensar de
outra maneira ou seja "sem esperar a maturidade do entendimento". Ora
aqui Kant isola o conceito de razão dizendo-nos o perigoso que é a razão
adquirir saberes sem a intervenção anterior do entendimento (ter bem presente a
formação do objecto do conhecimento em Kant, matéria esta tratada como nós
sabemos na Crítica da Razão Pura). Portanto e na nossa opinião razão está aqui
empregue como a terceira capacidade cognoscitiva que o homem possui. A segunda
vez que no texto nos surge razão há um aspecto que eu não posso deixar de
focar: fico com a ideia ao ler este segundo fragmento, que Kant em 1765-66
tinha já as ideias bases que iriam presidir à feitura da sua primeira crítica
que como sabemos só foi escrita em 1781, ou seja 15 anos depois deste texto.
Aqui Kant diz que o ensino deveria seguir o mesmo caminho que o progresso
natural do conhecimento. Primeiro forma-se o entendimento "... chegando
pela experiência a juízos intuitivos...". Mais tarde Kant falará em
sensibilidade como a capacidade cognoscitiva que precede o entendimento. O
entendimento produz conceitos, os princípios da razão unificam esses conceitos
(rever pág. 10 e seguintes sobre "A razão é a faculdade dos
Prinzipien"). Como vemos fala-se aqui novamente de razão bem diferenciada
de entendimento. A terceira vez em que aparece razão não é nem mais nem menos
do que a continuação da ideia que preside ao conceito de razão analisado anteriormente.
Diz-se que é o professor (ou pelo menos espera-se dele) que deve formar
primeiramente o entendimento do homem e só depois a sua razão.
Até aqui Kant refere-se a um
determinado método ou seja, o ensino deve seguir o mesmo caminho que o
progresso natural do conhecimento. Ora o que Kant nos diz de novo, é falar nas
consequências do que pode acontecer se invertermos este método. As
consequências já nós as conhecemos. O aluno adquire uma razão antes que se
tenha nele formado o entendimento e o que temos que ter em conta é a gravidade
que Kant dá a este facto pois e tendo em conta a gnoscologia kantiana este
aspecto contraria-a totalmente. A principal consequência da inversão deste
método é o facto de em primeiro lugar as faculdades do espírito tornam-se mais
estéreis em segundo lugar mais corrompidas pela ilusão da sabedoria. Vejo este
último aspecto muito importante (não sei se terei total razão ao afirmar isto)
mas não estará aqui implícita uma crítica quer a empiristas quer a
racionalistas? A quinta vez que o conceito razão nos surge é ao fim e ao cabo a
continuação da crítica a um tipo de razão estéril, ilusória, estragada que pela
inversão do método predito por Kant forma estudiosos que possuem "mais
espíritos insípidos que qualquer outro corpo social".
A seguir Kant diz-nos qual deve ser
então a regra de conduta (volta a lembrar a Crítica da Razão Pura) mas este
aspecto não interessa voltar a desenvolver. Desta maneira passemos então
àanálise do conceito razão que nos aparece pela sexta e última vez.
Antes de falar em razão, Kant
fala-nos (aos seus alunos e a nós que estamos também a ser seus alunos) do
método da filosofia. "O método específico do ensino em filosofia "é
zetético" no sentido de reflexivo de pesquisa e o que Kant diz a seguir
éimportante "... não se torna em certos domínios dogmático, isto éseguro,
senão por uma razão já formada". Ora como estamos aqui a ver
razão é tomada em bloco ou seja como o conjunto das funções do conhecimento à
priori (incluindo naturalmente a sensibilidade e o entendimento). É por isso
também que Kant irá dizer neste mesmo texto que não se aprende a filosofia mas
aprende-se a filosofar" e o método para reflectir e decidir por si mesmo
éaquilo do qual o estudante procura essencialmente a prática, que só assim lhe
pode ser útil, e os conhecimentos certos, eventualmente obtidos ao mesmo tempo
devem ser considerados como consequências contingentes".