Immanuel Kant
Filósofo alemão. Sem dúvida, um dos nomes mais importantes da história da filosofia. Dele, Herder dizia que nada que fosse digno de ser conhecido lhe era estranho. Autor de Crítica da Razão Pura (1781), Crítica da Razão Prática (1788) Crítica do Juízo (1790) e A Paz Perpétua (1795).
“Esclarecimento é
a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A
menoridade é a incapacidade de
fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem
é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na
falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir–se de
si mesmo sem a direção de outrem. Sapere aude! [saber ousar] Tem
coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do
esclarecimento” (KANT, I. Resposta
à Pergunta: O que é Esclarecimento?).
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Cristina G. M. de Oliveira A Crítica da Razão Pura concluiu que a verdadeira ciência só é possível no mundo sensível, fenomênico; a Crítica da Razão Prática revelou-nos, por outro lado, a existência do mundo noumênico, de um reino da liberdade, subtraído ao determinismo dos fenômenos físicos; logo, não fenomênico. Mas há uma separação entre os dois mundos, e não existe passagem de um lado para outro. O intermediário entre a razão, que tem apenas função prática, e o intelecto, que tem função teorética limitada aos fenômenos, é o sentimento a terceira faculdade do homem, cuja atividade consiste em emitir juízos estéticos. O juízo estético é uma intuição do inteligível no sensível, não uma intuição objetiva, mas subjetiva. Esse juízo não tem valor cognitivo, não proporciona nenhum conhecimento do objeto que provoca; não consiste num juízo sobre a perfeição do objeto e é válido independentemente dos conceitos e das sensações produzidas pelo objeto. Para Kant existem dois tipos de sensações: a sensação ( aisthesis ) como representação de uma coisa lógica ( juízo determinante ) e a sensação ( estética ) ligada a sentimentos de prazer e desprazer ( juízo reflexivo ). A primeira sensação refere-se ao objeto e a segunda ao sujeito. O juízo estético brota do sujeito: ele se funda no sentimento, o sentimento do prazer e do belo, daquilo que é reconhecido sem conceito como objeto de um prazer necessário (desinteressado ). O juízo de gosto ( estético/ reflexivo ) não é lógico, mas sintético, está fundado no sentimento de prazer e de desprazer. Este juízo não gera nenhum conhecimento, pois é estético, baseado no sentimento do sujeito - subjetivo. A arte não se propõe ao conhecimento, mas sim ao gosto. Quando estou diante de um objeto belo não estou preocupada em conceituá-lo, mas com a fruição ( em sentir prazer ou desprazer ), assim o que ocorre é uma relação com a subjetividade. O juízo estético é sempre um juízo que cria a norma, tendo assim um funcionamento livre, pois é o criador da sua própria norma. O juízo estético é aquele em que qualificamos belo um objeto. É colocado como agradável em relação ao nosso sentimento realizando o livre jogo das nossas atividades espirituais. O juízo de gosto difere da faculdade de desejar ou da utilidade e necessidade do objeto. O que determina o juízo de gosto é a satisfação desinteressada. O belo é em si e para si, livre de todo e qualquer interesse. Kant chama reflexivo ao juízo próprio da faculdade do sentimento. O juízo reflexivo não tem valor cognitivo porque contem apenas os princípios do sentimento de prazer e de desprazer, independentemente dos conceitos e das sensações que determinam a faculdade de desejar; também nada tem em comum com a razão, a qual determina o homem ( mediante o imperativo categórico ) de qualquer prazer. O juízo estético, como imediata apreensão da conformidade da natureza com a liberdade, é o prazer do belo. Este prazer é puramente subjetivo: não dá qualquer conhecimento, nem claro nem confuso, do objeto que o provoca. Ao mesmo tempo, carece de interesse porque não está ligado à realidade do objeto, mas apenas a representação dele. No prazer estético a realidade do objeto é indiferente, porque o que satisfaz é a pura representação do objeto mesmo. Diferente do agradável, o belo passa pela razão para conceitualizar um fim. O agradável esgota-se na sensação objetiva, traduzida imediatamente. Kant entende o sublime como sendo um estado subjetivo determinado por um objeto cuja finalidade se alcança com o pensamento, mas não se pode captar pela intuição sensível. O sublime também pode ser encontrado num objeto sem forma, é o dionisíaco nietzschiano. O sublime, tanto quanto o belo, é fonte de sentimento de prazer e é universal. Portanto, pode-se perceber que a esfera estética distingue-se em vários campos, o valor estético admite diversas modificações, duas dentre as quais são particularmente consideradas por Kant: o belo e o sublime. O belo resulta do livre jogo da fantasia e do intelecto, que reciprocamente se solicitam e se harmonizam; por isso, mantém o espírito em tranqüila contemplação. O sublime resulta do livre jogo da fantasia e da razão: daí fundar-se não numa harmonia, mas num contraste; não no equilíbrio de uma forma finita, que supera toda forma particular. O juízo do sublime surge do sentimento, que, em correspondência com uma intuição leva o espírito a retirar-se da esfera da sensibilidade, na qual ameaça perder-se, para refugiar-se em uma ordem pura. Esta sua natureza faz com que o sublime, mais que o belo, elevando o espírito à esfera da razão, o encaminhe à consciência pura da moralidade. O juízo de gosto é "meramente contemplativo, isto é, um juízo que, indiferente em relação à existência de um objeto, só considera sua natureza em comparação com o sentimento de prazer e desprazer. Mas esta própria contemplação é tampouco dirigida a conceitos; pois o juízo de gosto não é nenhum juízo de conhecimento ( nem teórico nem prático ), e por isso tampouco é fundado sobre conceitos e nem os tem por fim". "Para distinguir-se se algo é belo ou não, referimos a representação, não pelo entendimento ao objeto em vista do conhecimento, mas pela faculdade da imaginação ( talvez ligada ao entendimento ) ao sujeito e ao seu sentimento de prazer e desprazer." O belo kantiano refere-se ao apolíneo nietzschiano. Desse modo, na analítica do belo há uma articulação entre o entendimento e a imaginação, por isso não tem representação lógica, não constitui objetos e não tem interesse; sendo assim, é pura fruição, subjetivo e universal. |