Rio, 26/11/05.

 

     ...Mais um ciclo se fecha para que outro seja aberto; sem nem perceber quatro anos se passaram... Já não somos as crianças do início de 2002; crescemos, amadurecemos e agora, quase em 2006, já somos dentistas (será que ainda dá tempo de correr???)...
     Durante estes anos, vivemos muita coisa juntos... Ficamos mais tempo na faculdade, do que nas nossas casas, com nossas famílias. Aprendemos a nos conhecer, a conhecer defeitos e qualidades... Descobrimos e compartilhamos dúvidas e anseios... Hoje somos capazes de nos entender através de um simples gesto ou olhar (até mesmo de gorro, máscara e óculos...); dá pra dizer se a noite foi boa, se esta tudo bem ou não, pela forma que cada um de nós entra na clínica, abre a porta da sala, ou ainda pelo tom de voz ao dar Bom Dia.
     Na maioria das vezes, nos demos muito bem, mas em outras, nem tanto. Aprendemos a lidar com os limites de cada um, por mais que algumas vezes os tenhamos testado além da conta.. Nós brigamos e nos entendemos, erramos e também acertamos, caímos (a Desi principalmente, hehehe) e levantamos, e ainda assim demos gargalhadas de tudo, inclusive dos nossos furos e derrotas e vivemos estes últimos 48 meses, muito intensamente, com muita alegria (foram os melhores da minha vida)...
     O tempo fez com que passássemos de colegas de turma, a companheiros, cúmplices, amigos... Amigos de verdade, porque sabemos do melhor e do pior de cada um, e ainda assim, convivemos (quase sempre) em paz. Cada conquista. realizada e cada queda compartilhada, fez com que os laços que nos unissem, se estreitassem cada vez mais... As palavras ditas na hora certa, o abraço em silêncio (porque em determinados momentos as palavras não cabiam...), os esporros e as verdades expressadas muitas vezes de forma rígida, transformou todos nós numa única coisa.
     Nunca esquecerei dos nossos momentos: do sítio, das raves, das corridas atrás dos bois, da cadeira elétrica, do freezer, do frango cru e congelado, da batucada com a colher na janela, do soninho, dos roncos (da Tici e da Paty, que são piores que homens grandes e gordos, e que faziam a gente sonhar com porco pulando cerca, ao invés de carneirinho...), dos porres, da catuaba, da vodka, do coquinho, da sede desesperada ao acordar no sítio, do macarrão com salsicha, das quiches, dos churrascos, das festas, das choppadas, dos almoços no shopping, do macarrão vomitado, da sueca no P, do sexto andar, da minha bolsa branca que virou cinza e da minha outra bolsa que desenharam um amogoflo que nunca saiu, da cerveja na tia, do desespero de estacionar o carro no canal pela primeira vez, das viagens, das ressacas, do sorvete que comemos até passar mal, de qualquer coisa que comemos com leite condensado, das bananas roubadas, do Nick, dos congressos; dos teatrinhos, das meias roubadas, do futebol, dos pulos na piscina de roupa, da praia, dos shows, das provas, das colas, dos abandonos de prova em massa, da segunda chamada, das ligações para compartilhar o sofrimento ou para tentar convencer alguém a matar a prova, das prés, do xixi no cano, dos namorados e namoradas que são como a gente, do PSF (brincadeirinha...), dos abraços, dos rolopacks, do material álcool clavado, do desespero de ver o Antônio com uma pasta na mão, das provas em grupo de 40, das fotos, do top, enfim...
     A partir de agora, será impossível não lembrar da Ju quando eu estiver precisando muito de um abraço; não lembrar do Arthur quando eu for fechada por um táxi; não lembrar do Douglas quando eu precisar fazer um aparelho ou der de cara com alguém comendo um macarrão suspeito (hehehehe); não lembrar da Ka, quando um siso não couber de jeito nenhum no meu planejamento; não lembrar da Paty quando passar por uma roda de capoeira ou olhar minha geladeira cheia de frutas; não lembrar do Léo, quando eu quiser desistir de tudo e não tiver quem me diga: "Pó, Fé, que coisa ridícula heín?!"-, não lembrar da Desí quando eu levar um tombo ou der uma topada em alguma parede; não lembrar da Tici quando ouvir dança da motinha; não lembrar da Fé, abrindo as pernas colocando as mãos para trás quando ouvir um funk ou quando tiver herpes; não lembrar da Rebeca quando ouvir música baiana (o q foi o Timbalada????! ! ! ! !); não lembrar da Bell quando passar em Ipãnema quiser comer uma bãnana ou conhecer mais alguém que tenha lábio duplo, tórus, língua geográfica, joanete e que seja fanha, (ufa...)...
     Vocês fizeram todos os momentos valerem a pena... Espero que a gente faça parte da vida um do outro eternamente... Amo vocês...

 

Fernanda Teixeira Hufnagel Bela

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