Opiniões de amigos
Uma Vereda Para Um Lugar Ao SUL
"O que é velho está¡ morto ainda que o novo não tenha nascido."
(Jules Michelet)
UM LUGAR AO SUL - obra de Luiz Antonio Garcia Veleda (Toninho) -lanç
a olhares filosoficamente indiscretos sobre este município inserido na metade-sul de nosso Estado em precário estado. Região geográfica de triste memória escravocrata, latifundiária, machista, conservadora.
"Definir é matar. Sugerir é criar." Atentando para o que diz o poeta Stéphane Mallarmé, digo que a referida obra sugere aos olhares sensíveis que estamos, de fato, diante de coisas mortas e putrefeitas que tomam feição de poder institucional.
Não por acaso, um filho do "Herval de baixo" vem - com a palavra desperta e a necessária indiscrição - a incomodar os conservadores.
Não tenho o cetro mas tenho a pena." Assim como pensou o iluminista Voltaire, Toninho Veleda nos aponta uma "vereda" para a indignação acerca das injustiças sociais que medram em nossos municípios. Afinal, muitos outros cidadãos e cidadãs do mundo enxergarão seus municípios no Herval redescoberto pelo olhar indiscreto deste hervalense movido á inquietude...
Se é possível obter água cavando o chão; se é possível enfeitar a casa; se é possível crer desta ou daquela forma; se é possível nos defendermos do frio ou do calor; se é possível desviar leitos de rios, fazer barragens; se é possível mudar o mundo que não fizemos, o da natureza, por que não mudar o mundo que fazemos, o da cultura, o história, o da política?
(Paulo Freire)
As vontades populares estão desenhando um SOL para este SUL.
Agora, só faltam os vivos ocuparem o lugar dos mortos.
Parabéns, Toninho, pela vereda ensolarada que apontaste a nossos olhos cabisbaixos.
Que não desistas jamais de buscar o verdadeiro sol, o SOL da SOLIDARIEDADE!
Juarez Machado de Farias
Poeta.Radialista.
Atualmente, está Vereador pelo P.S.B. de
Piratini
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Prezado Toninho,
É com grande satisfação que recebo o convite para tão singular evento. O destaque, no singular, ocorre pelo fato de dispormos de tão poucos escritores, que tenham chegado a publicar seus trabalhos, nesse município.
Muito me alegra que esse escritor que hoje conclui esta etapa - que mais pode ser considerado um calvário -, seja um grande companheiro que muito tem contribuído na construção de novos ideários para essa terra de Herval.
Em função de contato que anteriormente mantivemos, pude dispor do privilégio de ter lido sua obra antes que esta tenha chegado a receber a brochura. Portanto está¡ de parabéns esse escritor que tem esmerado na observação, com seu tirocánio e visão aguçada, dos atos e fatos registrados com realismos e deixando transpirar a índole que perpassa os diversos momentos da história de vida da cidade e seus habitantes. Está¡ também de parabéns a cidade de Herval e seus habitantes que poderão contar por toda vida com eloqüência dessa obra que lhes é colocada a disposição, interpretação profunda e crítica da vida citadina.
Prezado amigo, ao ler sua obra não pude deixar de perceber a ironia e senso de humor com que expõe algumas passagens. Não imagina, creio eu, a satisfação que sinto a cada linha saboreada: a primeira por ter em minhas mãos o instrumento capaz de me fazer viajar por essas ruas que tanto trilhei e que hoje tão longe estão de meus pés; a segunda por perceber que nessa ironia reveladora reside a semente da mudança, a compreensão sensível de que à chegado o momento da indignação de todos com as velhas e mesquinhas práticas políticas e velhacarias que sustentam o velho jogo do poder. Quanto ao senso de humor, sempre é bom rir, mesmo que seja de nós mesmos.
Meus pés podem não tocar esse chão, mas meu pensamento voa por lugares inimagináveis.
Ao deter-me sobre sua obra não pude deixar de encontrar grande similaridade de estilo e forma com o grande escritor Lima Barreto. Não leve a mal a comparação, à que considero diversos elementos de vida e obra como muito semelhantes. Lima Barreto contribuiu profundamente para que as populações marginalizadas e esquecidas nas periferias fossem ouvidas pelos poderosos, e o fez com grande astucia e senso crítico. O escritor desnudava em suas crônicas a vida do Rio de Janeiro do início do século XX, revelando desde o cotidiano da cidade até o estilo social da época, as disputas de poder e os problemas sociais.
Não poderia deixar de destacar a data escolhida para o evento, dia 13 de maio. Nada mais representativo que lançar um livro, que afronta oligarquias políticas e econômicas, justamente no dia que se comemora a Abolição da Escravatura. Eis que é findo o tempo do jugo e que todos tenham suas idéias francamente apresentadas ao povo.
Caro Toninho, que esse dia seja apenas o primeiro de muitos que hão de vir, cada qual apresentando sua verve e sensibilidade e proporcionando a todos a força manifesta nas linhas por você traçadas.
Um grande abraço, sucesso
do Hervalense,
Marcelo Burguez Pires
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O Toninho não poderá ser acusado do grave defeito, na fala e na escrita, por utilizar “um estilo demasiado florido e demasiado suave se, além disto, ele nada significa e não pode produzir nenhum efeito além do som das palavras.
Em seu livro, o Toninho procura o leitor e se alonga em idéias, sentimentos, cheiros, maciez e rugosidade, paladar, fala e silêncio, audição e paisagens. Por isso, de algum modo, todos encontrarão o modo próprio de seu encontro e desencontro com a sua indiscrição.
Ele, porém, não pede a concordância do leitor. Expõe-se. O leitor se sentirá puxado por muitas janelas abertas pelo seu texto. Mas o Toninho não pretende aprisionar ninguém no interior do seu discurso.
Se o Toninho persegue a emergência da sua consciência, o faz no contra-curso das águas, em tempos adversos e diversos, rumo ao seu nascedouro. Seu texto não pede gélido distanciamento, ele o construiu nas correntezas das percepções e do espírito.
Abre a porta de sua casa, de seu partido (bastante partido), de sua cidade, da sua educação, de seus gostos, transforma o bastidor em palco, a face em máscara. Mas a indiscrição do olhar, só pode ser entendida com a discrição dos demais sentidos que se insinuam fortes e suaves.
A exposição de si é sempre de algum modo a exposição também do outro. Mas o fim visado não é o ridículo do outro. O livro provoca, apela ao diálogo ínico meio de impedir o impório do eu.
O Toninho poderá¡ ser acusado de injusto, mas creio que ele pensa como o filósofo Roberto Romano: (...) entre a perfeita justiça e a demissão, prefiro a injustiça. Porque, quando se é injusto, é possível pedir perdão, que é uma das características civilizatórias mais importantes. Quando se lavam as mãos, deixando o mais forte agir, não se pode pedir perdão.
Francisco da Costa Vieira (Chiquinho)
Mestre em Educação pela UFpel